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A maior fragilidade na protecção de dados no sistema financeiro está nas pessoas. Este é o entendimento dos oradores do painel sobre segurança e privacidade de dados da expo digital, Moztech, que defendem mais investimento dos bancos comerciais e das carteiras móveis na educação dos clientes.

No segundo dia da Moztech, os discursos estavam ligados à segurança e privacidade de dados no sector financeiro.

O sector financeiro está entre os mais avançados na digitalização de serviços aos clientes. No entanto, as facilidades andam de mãos dadas com os riscos. Esta quinta-feira, a Moztech juntou bancos comerciais, carteiras móveis, especialistas em fintechs e o regulador das TIC para diagnosticar o problema e apontar soluções.

“Nessa altura, o que nós percebemos é que as pessoas que perpetraram aquelas fraudes tinham sistemas que punham números de um a cem, vamos dizer assim, e ficavam ali a adivinhar os nomes e mandavam aqueles spam. Mediante essas cem tentativas, acabavam por ter sorte de uma delas cair. Na segunda perspectiva, quando já introduzimos a possibilidade de os clientes não necessariamente verem o nome do destinatário por inteiro, mas aquele nome mascarado já dava um pouco mais de confiança ao remetente de que estava a enviar o valor realmente para a pessoa certa”, explicou Stélio Matias, director de Tecnologia e Operações do M-Pesa.

As pessoas são o elo mais fraco em materiais de ataques cibernéticos

“Há um sector em Moçambique cuja regulamentação é forte: é a banca. Estamos aqui hoje, 2024, a falar da privacidade de dados e, em 2017, Moçambique já legislava sobre a privacidade de dados. Portanto, se formos a olhar o passado e se formos a cumprir aquilo que a lei estabelece, tanto para as instituições financeiras quanto para os outros sectores, nós teríamos aqui um nível considerável de segurança sobre os dados do cliente”, disse Arafat Mohamed da Associação Moçambicana de Bancos.

Arafat Mohamed explicou, ainda, que, na banca, para além daquilo que é legislado em Boletins da República, o Banco de Moçambique é muito incisivo com os avisos que os bancos comerciais e outras instituições de crédito financeiro devem cumprir, desde a recolha e o tratamento de dados, os níveis de segurança que esses dados devem ter, a rotulagem e a classificação que os dados devem ter.

Sobre a protecção de dados, Mohamed diz que, às vezes, se cria uma situação de ficção científica, como se de algo fácil se tratasse. Esclarece ainda que há dados que não podem ser tornados públicos de uma forma deliberada. Para a sua divulgação, torna-se necessária uma autorização judicial.

“Existe um conjunto de requisitos que as instituições financeiras devem seguir. Cada instituição, provavelmente, vai adoptar a sua estratégia de como proteger esses dados”, acrescentou.

“Se eu tiver acesso a um sistema através do qual eu consigo ter acesso às informações dos clientes, porque consigo rapidamente aceder às credenciais de um cliente, porque consigo ter o reverso daquilo que é a credencial, então tenho uma fragilidade enorme.”

De acordo com Mohamed, muita das vezes, o que acontece é que o elo mais fraco são as pessoas. Muita das vezes, o que acontece, quando há esses casos de quebra de segurança sobre as contas, é que o cliente foi deliberadamente ou de forma inocente vítima de um ataque.

A digitalização da maioria dos serviços financeiros veio aumentar ainda mais a vulnerabilidade dos clientes à violação da privacidade dos seus dados. O Presidente da Associação das Fintechs fala do risco associado às compras online e aos cartões bancários sem exigência de código para algumas transacções.

João Gaspar diz que os cartões contactless são os mais seguros olhando para o actual cenário do mercado financeiro e dos recorrentes ataques cibernéticos.

Com o contactless, não tenho de passar o cartão para uma terceira pessoa. Sou eu que toco no meu cartão no terminal. Se eu dou o meu cartão bancário, mesmo de débito, a uma terceira pessoa, se ela for minimamente astuta, consegue fixar alguns números deste cartão, depois, quando me vou embora, basta chegar a qualquer site de comércio electrónico amazon, Alibaba ou qualquer que seja e utiliza os números do meu cartão e é a minha conta que paga o produto dele. A protecção começa no utilizador do cartão.

País ainda não tem uma lei específica de segurança de dados financeiros

Moçambique tem um vazio legal na área de segurança e privacidade de dados, embora já existam regulamentos que, apesar de não serem “mandatórios”, contribuem para o combate a ataques cibernéticos. A informação foi avançada pelo director da Divisão de Segurança e Protecção de Dados no INTIC, Eugénio Geremias.

Os ataques cibernéticos constituem um dos maiores problemas com os quais o país se tem debatido nos últimos anos.  Só no ano passado, Moçambique sofreu cerca de  1,5 milhões de ataques cibernéticos por mês, o que configura uma urgência no estabelecimento da segurança.

Como solução para o problema, Eugénio Jeremias aponta para a necessidade de criação de uma legislação específica sobre cibersegurança.

O director da Divisão de Segurança e Protecção de Dados no INTIC explica, por exemplo, que, actualmente, questões viradas para a segurança de dados no sector financeiro são norteadas por regulamentos elaborados pelo Banco de Moçambique.

“Os vários instrumentos aprovados fazem menção da protecção de dados, mas não são mandatórios. Mesmo a Constituição da República já faz menção da protecção de dados e recomenda a implementação de legislação específica nesta matéria, daí que é necessária a elaboração da lei de protecção de dados”, explicou.

 

Diversas personalidades que participaram, esta quarta-feira, na 11ª. Edição da Moztech destacam a organização do evento e a importância do tema em debate, que é a “Cibersegurança – o Futuro da Transformação Digital”.

O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional das Comunicações (INCM), Autoridade Reguladora das Comunicações, Tuaha Mote, destacou que a Moztech se tem revelado cada vez mais relevante para o sector público, privado e a sociedade, em geral, devido à relevância dos temas trazidos para o debate e seu impacto nos diferentes sectores de actividades.

“Não podemos falar da transformação digital sem falar da segurança cibernética. É fundamental que, ao adoptarmos as Tecnologias de Informação e Comunicação, ao adoptarmos a transformação digital, este ambiente seja seguro e confiável, porque se todos os serviços forem digitais, esses serviços têm de ser seguros”, referiu Tuaha Mote.

Alexandre Mano é um dos especialistas em cibersegurança que opera em Moçambique, na África do Sul, em Portugal e em Dubai. Diz ser importante discutir a cibersegurança por se tratar de um tema actual e relevante, na medida em que envolve informação sensível.

“A cibersegurança é um assunto da actualidade que está na ordem do dia, sobretudo o que tem acontecido, o que acontece no mundo, actualmente, nas organizações, connosco a nível pessoal, também com a nossa segurança e todos os desafios que passamos. Estamos num evento em que está de parabéns o Grupo Soico pelo tema que escolheu, muito bem organizado e que está aqui a trazer um conjunto de temas extremamente interessantes”, considerou Alexandre Mano.

Por seu turno, Taís, advogada de profissão, em entrevista ao jornal O País, explicou que veio à Moztech para saber mais sobre cibersegurança, uma vez que há, nos últimos tempos, crimes relacionados com o uso da Internet.

“Acho que é relevante, sim, porque agora estamos num contexto em que existem muitos ataques cibernéticos e muitos riscos com o uso da Internet, especialmente nas fintech”, disse Taís.
Os participantes da Moztech, que são provenientes de diferentes sectores de actividades, mostraram-se satisfeitos com o evento.

A BCX Moçambique, empresa especializada no desenvolvimento e apoio à transformação digital em três sectores críticos para a economia do país: mineração e energia, serviços financeiros e sector governamental, procedeu, esta quarta-feira, na 11 edição do Moztech, o lançamento de uma plataforma na núvem denominada “BCX ALP CLOUD”.

O projecto traz inovações tecnológicas para o país, que vão contribuir para o melhoramento do ambiente de negócios.

Falando no acto do lançamento da plataforma, no segundo painel da Moztech, o Director-executivo da BCX, Jonas Bogoshi, disse que esse acto constiui um momento histórico para a empresa, que opera em Moçambique desde 2005.

“É um dia especial, não só para mim ou na minha vida, mas também para a vida da BCX Moçambique. Hoje lançamos a BCX ALP CLOUD. A parceria entre a BCX e Alibaba Cloud traz para Moçambique uma das melhores plataformas do mundo”, disse.

Jonas Bogoshim explicou ainda que a plataforma foi lançada na África do Sul, no ano passado, sendo Moçambique o segundo país a beneficiar do projecto. Justificou que a escollha do país prende-se ao facto de ser um exemplo no que diz respeito ao desenvolvimento.

“A aposta em Moçambique enche-nos de esperanças, pois acreditamos que esta plataforma vai contribuir para a qualidade da tecnologia neste país. Vamos, com os nossos serviços, fazer a diferença pela forma como olhamos para o desenvolvimento tecnológico”.

Por seu turno, o Eric Wan, responsável pela Alibaba Cloud, empresa voltada para o mercado de computação em núvem, entende que a aposta em novas soluções tecnológicas vai permitir o avanço do país na área de tecnologias.

Intervindo na Moztech, Wan acrescentou que a parceria com a BCX tem como foco melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos tendo como foco a satisfação dos clientes.
“Trazemos uma nova concepção de como lidar com a tecnologia em Moçambique, através de inovações que vão permitir maior dinâmica em vários sectores”.

Para Jan Bouwer as soluções propostas pela BCX são relevantes para o desenvolvimento tecnológico no país. Disse também, na sua intervenção, que as inovações tecnológicas são uma oportunidade para a África desenvolver-se rapidamente.

O Instituto Nacional de Tecnologoias de Informação e Comunicação (INTIC) desafiou a BCX a inscrever-se, tendo em conta que esta é a única instituição na qualidade do provedor desses serviços.
“Já há muitas empresas que se inscreveram no INTIC. A nossa luta é que mais empresas possam juntar-se a nós. Todos estamos a trabalhar para o mesmo objectivo, que passa por melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos no país”, explicou Louruno Chemane, PCA do INTIC.

Durante o lançamento da plataforma, a BCX assinou um memorando de entendimento com a Universidade São Tomás de Moçambique (USTM), que vai permitir que haja troca de serviços entre as duas instituições.

 

O ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, diz haver necessidade de melhorar a segurança das plataformas públicas, incluindo de vários Ministérios e organismos reguladores. O governante falava, hoje, na sessão de abertura da Moztech, a expo digital.

No entender de Mateus Magala, há lacunas no país para o combate efectivo aos crimes cibernéticos. Diz que é chegada a hora de passar das discussões para as acções, porque na avaliação que faz, concluí que o processo transformativo é lento e precisa ser acelerado.

“No ano passado, estivemos aqui numa conversa profunda sobre a cibersegurança e hoje, um ano depois, é altura para fazermos uma auto-reflexão sobre em quanto é que progredimos nesta área. Infelizmente, não posso dizer que progredimos tanto quanto gostaríamos”, referiu.

Magala diz que o Governo reconhece a importância da digitalização e segurança cibernética, bem como dos debates que têm havido. Entretanto, admite que o país não foi tão bem sucedido no último ano, como o desejado, por isso, chegou a hora de dar passos concretos.

Para o governante, abordar aspectos fundamentais ligados à cibersegurança, de forma proactiva, pode trazer muitos benefícios ao país. Mas, alerta que os desafios que o país enfrenta necessitam de uma série de factores como o financiamento insuficiente, a falta de conhecimento especializado e falta de domínio da segurança cibernética.
“Para ultrapassarmos esses obstáculos, é preciso criar parcerias com as instituições internacionais e entidades do sector privado que possuam as competências e os recursos necessários”, sugeriu o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Mateus Magala.

Mas, não são necessárias apenas parcerias. Mateus Magala entende que ao se elaborarem as leis e os regulamentos para reforçar a segurança cibernética, é necessário ter em conta as nossas limitações de recursos. É também necessário auditar as infra-estruturas cibernéticas.

Durante a sua apresentação na sessão de abertura da Moztech, o ministro dos Transportes e Comunicações sugeriu dez pontos que podem ser implementados, que no seu entender são estratégicos, com destaque para a construção de bases sólidas sobre a segurança cibernética; o desenvolvimento de competências em matéria de segurança cibernética; o reforço da parcerias público-privadas; o financiamento da segurança cibernética; a criação de um fundo de segurança cibernética; a colaboração internacional, entre outros.

Mateus Magala usou da ocasião para felicitar o Grupo Soico e seus parceiros pela realização regular da Moztech. “O sector dos Transportes e Comunicações tem nesta feira uma oportunidade única para poder partilhar e enriquecer a sua visão sobre a digitalização do país que é uma prioridade na visão estratégica dos próximos anos”, disse o governante.

Transformação digital e o desafio da cibersegurança foi tema do primeiro painel de debate no arranque da décima primeira edição do Expo digital Moztech, que acontece na Arena 3D no distrito municipal da Katembe. E para o alcance deste objectivo, os três  primeiros painelistas, defenderam a necessidade de financiamento e estabelecimento de bases legais nacionais.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação referente ao ano 2023, o país chega a sofrer cerca de 1.5 milhão de ataques cibernéticos por mês, o que configura uma urgência no estabelecimento da segurança.

Para o presidente do conselho de Administração da Mozambique Community Network (MCNet) parte da Solução da Janela Única Electrónica, Rogério Samo Gudo, o país deve acelerar o aprimoramento de medidas de controle e segurança, em todas as  instituições do estatais  e privadas como principais infraestruturas críticas.

“ No meio de todo o cenário, precisamos primeiro aceitar as transformações e aceleração no processo de identificação do que e como melhorar nos sistemas que temos no país, integrando a  tecnologia em todas as áreas da vida humana. Desta forma conseguiremos agregar valor em tudo o que fizermos para o desenvolvimento de todos sectores.” Disse Samo Gudo, na sua primeira intervenção. Acrescentando ainda que “várias instituições, incluindo a área sensível que compreende o sistema financeiro, estão vulneráveis a quaisquer ataques, daí a necessidade da garantia da segurança e integridade dos bancos comerciais, incluindo o Banco Central.

O Administrador Delegado da BCX Moçambique, uma empresa de soluções informáticas e defesa cibernéticas que milita em cinco países do mundo, desta como parte da solução, a melhoria dos sistemas e alocação de dispositivos com padrões internacionais, afirmando ser quase que impossível o país conseguir caminhar ao mesmo ritmo com o mundo sem investir no sector.

“Para uma resposta à altura da dinámica actual, temos vindo a trabalhar em sistemas que nos ajudem a antecipar os ataques. Nos dias actuais já não é suficiente investir em um antivírus ou qualquer outros sistemas de defesa, é necessário mais envolvimento. Nós temos vindo a dar formação aos nossos clientes com objecvtivo de criar uma cultura e consciência que lhes permita compreender os possíveis riscos existentes nas operações diárias, no uso de celulares ou computadores.” Sugeriu Emilio Jorge.

Por sua vez, o Governo representado pelo Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação, reconheceu o atraso na implementação do instrumento legal para a regência do sector  e diz contar com o apoio do sector privado para o alcance do objectivo. Entretanto, decorre a implementação de 26 estratégias para elevar o nível de segurança cibernética.  “A 

“Por orientação do Governo estamos  a trabalhar na criação da lei de segurança cibernética que é um instrumento fundamental para o estabelecimento de normas e princípios a serem adotados por todos. A experiência mostra que ao nível internacional o sector que mais presta serviços ao governo é  privado, por isso é que contamos com todos nessa causa.” informou Lourino Chemane, PCA do INTIC. quue advertiu ainda que “ a segurança cibernética é  um processo dinamico em função dos atores envolvidos e o processo de elaboração de políticas e estratégia é relativamente lento em relação à adoção pelos malfeitores.”

Houve espaço de interação com a plateia onde foram esclarecidas todas as dúvidas sobre o tema, e apresentação das estratégias de criação de negócios digitais. Os debates sobre tecnologia e informação  continuam até sexta-feira, último dia da décima primeira edição do Moztech. 

Os moçambicanos devem reflectir conjuntamente sobre a problemática e os impactos dos crimes cibernéticos, que têm vindo a aumentar a nível do país e do mundo, defende o primeiro-ministro, que falava na abertura da 11ª. Edição da expo digital Moztech.

Para Adriano Maleiane, o tema escolhido para o evento, Cibersegurança, Desafios e Transformação Digital, é de importância capital para a resolução dos referidos problemas que têm causado elevados danos morais e financeiros aos cidadãos.

No entender do governante, tais acções de pessoas mal-intencionadas têm afectado negativamente o desenvolvimento económico. Por isso, Moçambique começou a fazer alterações à legislação há cerca de 10 anos.

“Procedeu-se, em 2014, à revisão do código penal, de modo a incluir o título terceiro sobre os crimes informáticos e fraudes electrónicas, assim como está em implementação a política nacional de segurança cibernética e a respectiva estratégia”, disse Maleiane.

De acordo com o primeiro-ministro, a referida legislação realça, dentre outras acções, a necessidade de mais coordenação, bem como da promoção de investigação e inovação, no sentido de se protegerem infra-estruturas e activos de informação diversos.

No âmbito internacional, já que crimes cibernéticos são transnacionais, o Governo diz que tem vindo a reforçar a cooperação a nível bilateral e multilateral em matéria de segurança cibernética e transformação digital para evitar problemas para o país.

Maleiane destaca a ratificação, em 2019, por Moçambique, da convenção da União Africana sobre cibersegurança e protecção de dados pessoais. E, actualmente, está em curso a adesão do país à Convenção de Budapeste, “uma importante plataforma para a ajuda mútua e obtenção de provas contra crimes cibernéticos a nível internacional”.

Porque estava numa expo digital, o primeiro-ministro falou da evolução das tecnologias que têm impacto no mercado da geopolítica mundial. No seu entender, o desenvolvimento do 5G permite a transmissão rápida de elevado volume de dados.

Rever continuamente a legislação em vigor no país é um desafio, considera Maleiane. É um exercício que, segundo o governante, pode criar condições para que as Tecnologias de Informação e Comunicação sirvam para dinamizar o desenvolvimento social inclusivo.

“Desafiamos os participantes deste evento a trazerem propostas inovadoras com vista a garantir o contínuo desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação e maior segurança do espaço cibernético no nosso país”, sugeriu Adriano Maleiane.

O Governo espera, ainda, da Moztech propostas que promovam literacia digital, melhoria da boa governação, desenvolvimento do capital humano, aumento dos níveis de produção e produtividade, do fluxo de investimento, do comércio e da bancarização.

Maleiane explicou a participação de membros do Governo na cerimónia de abertura da Moztech. Diz tratar-se de uma plataforma de interacção e promoção de inovações, produtos, serviços e soluções tecnológicas que apoiam a economia.

No seu discurso de abertura da Moztech, o primeiro-ministro felicitou os organizadores e seus parceiros pela perseverança e ganhos obtidos ao longo dos 11 anos de realização da iniciativa e falou das acções levadas a cabo pelo Governo no mesmo sentido.

“Pretendemos assegurar que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) sejam, de facto, nesta era digital, uma ferramenta importante e facilitadora do processo de desenvolvimento socioeconómico sustentável e inclusivo do nosso país”, disse Maleiane.

Segundo o primeiro-ministro, as TIC possuem um enorme potencial de viabilizar, em tempo útil, com eficiência e eficácia, o acesso à informação por parte da sociedade, melhorar a interacção entre os cidadãos, entre estes e o Governo e o sector privado.

Nos últimos anos, o país aprovou os seguintes instrumentos: decreto de registo dos cartões SIM, em 2015, a lei de telecomunicações (2016), o quadro de interoperabilidade do Governo electrónico (2017), a lei das transacções electrónicas (2017), a política para a sociedade de informação (2018) e o sistema de certificação digital (2019).

“Temos a destacar a marcação electrónica do serviço de obtenção dos bilhetes de identidade, passaporte, carta de condução, assim como outras aplicações relativas ao sistema de prova de vida electrónica, o e-SISTAFE, o e-tributação, o sistema de informação de gestão de terras, entre outros”, disse Adriano Maleiane.

Na sessão de abertura da Moztech, participou também o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, que considerou a Moztech uma iniciativa de capital importância para a promoção da transformação digital, uma das prioridades do seu sector.

Estiveram, igualmente, na sessão de abertura, o vice-ministro do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, especialistas, empresas e gestores públicos ligados ao sector de Tecnologias e Informação e Comunicação, expositores, entre outras entidades.

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Grupo Soico, Daniel David, disse, hoje, na abertura da 11ª Edição da Moztech, que a resiliência que a feira está a ter é um motivo de orgulho.
A presente edição da Moztech, que arrancou nesta segunda-feira, é, segundo o PCA do Grupo Soico, especial, tendo em conta que acontece depois de se ter observado um processo longo com edições “online”.

“Retomamos e essa é a segunda edição que realizamos depois da pandemia. Orgulhamo-nos pela resiliência que este projecto está a ter e orgulhamo-nos, principalmente, pelo acreditar e a resiliência dos nossos parceiros”, disse Daniel David.

Sublinhou, no seu discurso, que a Moztech é o centro da discussão daquilo que são os maiores temas ligados à tecnologia e sistema de informação no país.

“No mundo onde a tecnologia avança a passos largos, a segurança digital torna-se numa prioridade inquestionável. É por isso que estamos aqui para a troca de experiências e conhecimento sobre como reforçarmos a protecção dos nossos dados”, anotou.

Para Daniel David, a Moztech reúne as mentes mais influentes e brilhantes, as empresas mais inovadoras e especialistas mais renomados para discutir, aprender e melhorar as práticas de segurança digital.

“Mais do que isso, temos uma exposição onde juntamos cerca de 50 expositores de empresas diversas, com produtos e serviços tecnológicos, incluindo soluções para a cibersegurança”, explica o PCA do Grupo Soico.

Na ocasião, o PCA do Grupo Soico agradeceu aos parceiros que tornaram possível a realização do evento, particularmente a McNet, BCX, Vodacom M-Pesa e a Tvcabo.
“Na situação conjuntural em que nos encontramos, não é fácil estarmos a mobilizar estas empresas e estes parceiros todos a estarem neste lugar de uma forma inequívoca a manifestar o seu ‘sim’ acreditando neste projecto”, admitiu o PCA do Grupo Soico.

Daniel David espera que a presente edição da Moztech não tenha apenas o papel de informar, mas que também sirva para capacitar as pessoas, principalmente os jovens.
“Nesta edição, teremos, no último dia, um programa dedicado especialmente ao empreendedorismo digital juvenil. Teremos palestrantes jovens a partilharem negócios, práticas, marketing e vendas, usando plataformas digitais”, adiantou o responsável.

Para Daniel David, é preciso que se tenha cuidado em relação à protecção dos dados. “Mas o cuidado maior que temos de proteger são as pessoas, a sua segurança e a sua capacidade de viverem num país sem medo, com a liberdade de se expressar onde e quando quiserem e com a segurança que o Estado tem de prover”, desafiou.

No seu entender, são as pessoas que primeiro têm de ter segurança para que essas mesmas pessoas possam garantir a segurança cibernética.

Expositores da Moztech prometem apresentar muita novidade, a partir de hoje, na expo digital. Entre elas, estão soluções de gestão, novas formas de pagamentos de serviços e aplicações para gerir os aparelhos domésticos.

É uma edição que conta com a participação, não só de gigantes do mundo digital, mas também de jovens que querem ver a tecnologia a melhorar o mundo. Nos corredores da arena 3D, em KaTembe, encontramos Benilde Martinho que sabe, ao certo, o que a expo oferece. “Vou convidar todos a virem à Moztech, porque está cheio. Jovens, há muita coisa boa”, apelou.

É praticamente o que quase todos dizem. Novidades é o que não irá faltar.

“Para esta edição, nós trazemos muita novidade, principalmente de um produto que vamos trazer ao mercado, não vou deixar aqui muita informação. Eu convido todos para que venham ver esta nova edição da Moztech. Temos aqui a oportunidade de partilhar soluções de gestão que ajudam as empresas a evoluirem”, prometeu a expositora Jeane Falcão, sales manager da PHC Software em África.

Já se imaginou a gerir os seus bens caseiros usando apenas um telemóvel? É esse tipo de coisa que os expositores dizem estar a preparar para si.

“Se nós quisermos, por exemplo, acender ou apagar as luzes, através dos nossos celulares, se nós quisermos controlar o uso de energia, através das tecnologias, é muito mais fácil, então essa é uma das novidades que trazemos”, explicou Valquíria Ponja, representante das startups.

Não é apenas em casa que as tecnologias transformam. Na hora de pagar as contas, elas estão lá apenas para facilitar. Na Moztech, um grupo de 10 empresas mostra como tudo funciona.

“Temos soluções de carteiras digitais, que são um bocadinho mais do que uma carteira móvel, que têm já serviços, têm pagamentos muito especiais, por exemplo, pagamentos com QR codes em estabelecimentos que trabalham com apenas smartphones, não trabalham com bombinhas; podem ter cartões bancários associados a uma conta digital, temos também plataformas de seguro que fazem automaticamente a validação e a simulação dos seguros em função daquilo que o cliente quer”, avançou João Gaspar, responsável das Associação das Fintech Moçambique.

Para não terminarem só na curiosidade, os organizadores convidam todos a participarem da Moztech, que decorre a partir desta quarta-feira até sexta-feira, em KaTembe, capital do país.

Um total de 20 empresas italianas estão interessadas em investir no país nas áreas de energia, infra-estrutura, logística, agricultura, indústria e mais. Os homens de negócios encontram-se em Maputo.

Saíram da Europa para procurar oportunidades de negócios em Moçambique. Participaram nesta segunda-feira deste fórum de negócios na companhia do sector público privado nacional.

São representantes de empresas italianas que, juntas, no último exercício económico, produziram receitas tidas como fabulosas.

“Nunca tivemos uma delegação como esta. São cerca de vinte empresários representantes de empresas cujo seu rendimento acumulado do ano passado, é seis vezes maior que o PIB de Moçambique.” disse Simone Santi, presidente da câmara de comércio moçambique itália
Se calhar, é por isso que o Ministério dos Recursos Minerais e Energias quer a experiência da Itália na transformação energética.

“Os grandes projectos hidrelétricos de moçambique são uma das maiores oportunidades para impulsionar a transição energética limpa na África Austral. desafia-se por tanto o estabelecimento de infraestruturas que podem catapultar esse desiderato, a começar pala pelas infraestruturas de ligação, e para o efeito o sector privado e chamado a dar o seu contributo. Por isso, esperamos que esse fórum reflita sobre esses desafios e traga respostas sobre o financiamento.” disse o Secretário permanente do ministério dos recursos minerais e energia, Antonio Dama

Apesar do clima de insegurança que persiste em Cabo Delgado, o embaixador da Itália em Moçambique, Gianni Bardini, considera o país como o melhor local para investir a longo prazo.

Diante do interesse dos italianos, a banca mostra-se disponível em apoiar pequenas e médias empresas locais, com projectos que podem agregar valor ao referido processo de industrialização.

“Nós temos que começar por apoiar as grandes empresas para que haja espaço para as pequenas empresas locais, fazerem um conjunto de fornecimentos a esses projectos ” afirmou Raul Almeida, administrador do Banco comercial e de Investimentos

Actualmente, a Itália investe em Moçambique cerca de 25 mil milhões de dólares. Um dos projectos liderados por uma empresa daquele país é o Coral Sul, que exporta gás do Rovuma desde 2022.

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