O País – A verdade como notícia

O país vai gastar ainda mais com despesas de funcionamento nos próximos três anos. Os gastos vão passar dos 339 mil milhões, em 2024, para 348 mil milhões em 2025, 360 mil milhões em 2026 e, até ao fecho do triénio, 2027, 379 mil milhões de Meticais. Os dados são do Cenário Fiscal de Médio Prazo 2025-2027, publicado esta quinta-feira pelo Ministério da Economia e Finanças.

As despesas de funcionamento do Estado, vão continuar a subir, pelo menos até 2027. O Cenário Fiscal de Médio Prazo (2025-2027) revela que a projecção de crescimento das despesas de funcionamento para os próximos anos resulta da pressão da massa salarial, dívida pública com pagamento do capital e juros, pensões e a necessidade de contratação de novos funcionários para os sectores da saúde, educação, justiça e agricultura.

“As rubricas de salários e remunerações, serviço da dívida (juros e capital) e pensões são as principais fontes de pressão nas despesas de funcionamento. Projecta-se uma proporção de 23,5% do PIB para as despesas de funcionamento em 2025, com uma média anual de 21,6% do PIB entre 2025-2027.”

As projecções vêm à tona pouco tempo depois de o Fundo Monetário Internacional ter vindo a público avançar que o Estado gasta 93% das receitas com despesas de funcionamento e dívidas.

O facto é que o Cenário Fiscal evidencia que, dos cerca de 192 mil milhões de Meticais em 2024, as despesas com salários e remunerações vão subir para 204 mil milhões em 2025, 213 mil milhões em 2026 até 222 mil milhões em 2027.

Contudo, apesar do aumento nominal da despesa de funcionamento, haverá uma desaceleração dos salários e remunerações de 14,8% do Produto Interno Bruto em 2023 para 12,5% em 2024 e 2025.

Esta tendência, segundo o documento, é influenciada pelo efeito das medidas de política orçamental para conter o crescimento da massa salarial em níveis compatíveis com a evolução do aumento de mobilização de recursos, com destaque para a consolidação da reforma da Tabela Salarial Única (TSU), introdução da fiscalização prévia da folha salarial, a limitação das admissões no Aparelho do Estado no período do CFMP, e actualização do cadastro dos funcionários e agentes do Estado e pensionistas com base na Prova de Vida biométrica duas vezes ao ano.

“E no médio prazo espera-se a manutenção desta tendência alcançando 11,2% em 2027”, escreve o Governo.

A questão que não quer calar é: haverá mais disponibilidade orçamental para investimento?

O que o documento perspectiva é que a despesa de investimento deverá situar-se numa média de 7,2% do PIB, o que significa que, para o próximo triénio, se prevê um crescimento da fatia do orçamento dedicada a investimentos. Aliás, o incremento será também impulsionado por investimentos externos impulsionado pela concentração de esforços de investimentos em projetos-chave com os maiores dividendos de crescimento.

“O crescimento do investimento interno previsto para o próximo triénio deverá ser impulsionado pela realização de investimentos, com impacto na esfera socioeconómica, aumento do emprego, redução dos níveis de desequilíbrios regionais, desenvolvimento económico, incremento do rendimento nacional e ainda pela promoção do desenvolvimento a nível local através da promoção de actividades com base no investimento para os distritos.”

Para assegurar o alcance destas metas, o Governo propõe uma política fiscal orientada à sustentabilidade das contas públicas e a redução da dívida pública.

“O objetivo macro-fiscal é alcançar a estabilidade e sustentabilidade fiscal, garantindo a estabilidade macroeconómica e promovendo o crescimento económico inclusivo a médio prazo. Para atingir este objectivo, é necessário equilibrar receitas e despesas públicas, controlar o endividamento do país e criar um ambiente propício ao crescimento económico sustentável”, escreve.

Para tal, o Executivo definiu regras, umas das quais é a “Regra do Debt Brake”, que visa limitar o crescimento das despesas com salários e remunerações com base no stock da dívida pública interna.

Segundo o documento esta abordagem tem dois principais objectivos. Primeiro, controlar a expansão das despesas públicas, assegurando que o crescimento das despesas se mantenha alinhado com a capacidade de financiamento da economia, evitando pressões fiscais insustentáveis e, em segundo plano, restaurar a credibilidade fiscal, com a melhoria do acesso ao financiamento, especialmente num contexto de elevado endividamento e percepção de alto risco fiscal.

Assim, a proporção da despesa com salários e remunerações deverá ser limitada em 12,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e tendendo a 10,6% do PIB até 2027. Este limite será ajustado conforme a aplicação gradual da regra fiscal.

“Crescimento anual das despesas com salários e remunerações será restringido a níveis específicos em relação à taxa de crescimento médio do 25 PIB nominal ou do PIB real, dependendo do nível da dívida pública interna”, acrescenta o documento.

O Porto da Beira tem estado a perder cargas a favor do Porto de Dar-es-Salam, devido a ineficiência dos corredores nacionais. Quem o diz é o presidente da Associação Comercial da Beira, Félix Machado Félix Machado, que também referiu que só este ano mais de 500 mil toneladas foram para Tanzânia.

As deficientes vias de acesso, tanto rodoviária assim como ferroviária, burocracias aduaneiras, corrupção e existências de várias empresas incluindo as do Estado, que prestam serviços duvidosos, aumentando os custos de transação, estão a contribuir, segundo Félix Machado, para afastar cargas do Porto da Beira para Dar-es-Salam, na Tanzânia.

Machado que falava sobre transporte e logística em Moçambique, num evento organizado pelo FNB, questionou qual é a importância de tantas instituições na logística e transporte no corredor da Beira.

A solução para alavancar o sector de logística e transporte, segundo o presidente da Associaçao Comercial da Beira, é união de esforços entre o governo e o sector privado para definirem com clareza o que o país pretende desde custos, benefícios, eliminação da burocracia e da corrupção.

Os caminhos de Ferro de Moçambique diz que esforços continuam no sentido de aumentar cada vez mais a capacidade de transporte de mercadorias, a segurança e fluidez de cargas, principalmente na linha de Machipanda em coordenação com a sua congénere do Zimbabwe.

O FNB organizou este encontro com objectivo de contribuir no melhoramento da dinâmica económica, principalmente na área de logística e transporte no país, dando ferramentas aos seus clientes.

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, diz que o alto endividamento do Governo traz limitações ao regulador, na operação de políticas económicas do país. Zandamela diz também que que os riscos cibernéticos tendem a ficar mais complexos, num contexto em que o país tem desafios na regulamentação e identificação dos casos.

Rogério Zandamela foi convidado a participar na conferência de Alto Nível no Ruanda, intitulada “The envolving role of Central Banks”, no âmbito dos 60 anos do Banco Nacional ruandês. Na ocasião, o governador do Banco Central falou dos desafios do sistema financeiro moçambicano e, em particular, da instituição reguladora que dirige.

“Temos um governo que está fortemente endividado, o sector público está fortemente endividado. Isso complica a nossa vida. Mas não paramos por aí. Quando olhamos para qualquer sector corporativo que temos, também tem alguma vulnerabilidade interna”, explicou.

Rogério Zandamela explicou ainda que os ataques cibernéticos são uma realidade no meio de limitações na regulamentação.

“Também temos problemas de riscos cibernéticos, que estão a ficar mais complexos. Vemos isso do ponto de vista do Banco Central. Monitoramos diariamente e em tempo real, onde os riscos cibernéticos estão centrados no Banco Central. Vemos o que acontece com as instituições financeiras”.

Além disso, prosseguiu, a exposição do país aos choques climáticos leva Moçambique a ter de depender de terceiros.

“Em grande medida, sempre que um país como o nosso enfrenta eventos extremos de mudança climática, dependemos do mundo exterior. E essas não são boas notícias. E isso remonta ao que foi dito pela manhã, estendendo a mão, pedindo ajuda”.

Estes desafios, justifica Zandamela, levaram o Banco de Moçambique a ter de criar alívios para o sistema financeiro.

O Vice-ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Olegário Banze, diz que mesmo sendo “a espinha dorçal” da economia, o potencial agrícola de Moçambique está muito longe de ser realizado. Banze destacou que Moçambique tem terrasférteis, recursos hídricos e um clima propício para a agricultura, entretanto, há ainda vários desafios por superar.

Olegário Banze falava na abertura do workshop promovido pelo Banco Africano de Desenvolvimento, tendo como principal foco o desenvolvimento da Agricultura. Na ocasião, o número dois do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural levantou alguns problemas que o sector agrícola enfrenta, como a falta de infraestruturas adequadas e falta de capacitação técnica.

Contudo, segundo avançou a fonte, o governo tem criado programas para desenvolvimento do sector agrário. “O governo está comprometido com o desenvolvimento do sector, por isso, em 2021, foi aprovado um novo plano estratégico para o desenvolvimento do sector, que veio acompanhado pelo plano de investimento. O governo também tem implementado o Plano Nacional de Agricultura denominado Sustenta que visa a integraçao do sector familiar, junto do sector comercial agrícola”.

Uma ideia de negócio, por si só, não vale nada. É fundamental conhecer as reais necessidades do público-alvo para se avançar num negócio, defende Luhane Gagnaux, o jovem fundador e director executivo da LA Business, uma empresa moçambicana.

Conta que estreou-se no mundo do empreendedorismo com aproximadamente 15 anos de idade, na altura, com facturações mensal de 30 a 40 mil meticais nas redes sociais.

“Eu simplesmente recebi aquelas mensagens que todos vocês recebem, de vendedores de telefones, com uma lista mensal. Eu simplesmente fazia copy e punha dois a três mil Meticais naqueles preços e reencaminhava para toda a minha lista”, explicou Luhane Gagnaux.

Diante de uma plateia jovem, no último dia da 11ª edição da Moztech, Luhane Gagnaux disse que é possível iniciar negócios sem possuir capital. “Nós temos que olhar para o negócio como se fosse um bem”, avançou para explicar a necessidade de formalizar um negócio.

“Eu apercebi-me que tenho que criar uma coisa que pode ter três fins: ser herdado, ir à falência ou ser vendido. Esses são os três fins de qualquer negócio. Claro que eu não quero que vá à falência. Eu vou querer vender ou vou querer que seja herdado”, considerou.

Para que tudo dê certo, Gagnaux entende que o negócio deve ser bem estruturado, com processos e principalmente, não deve depender apenas da pessoa que cria. É daí que diz ter criado uma empresa que não é digital, que usava uma tecnologia de lavar os carros sem água.

“Com uma garafinha de água, nós conseguiamos lavar um carro. Não basta ter uma boa ideia de negócios, é importante identificar para quem agente está a fazer. Não criem negócios primeiro para depois ir atrás do público, vejam primeiro o que é que o público precisa”, disse.

Só depois de se conhecer as necessidades do público, é que vem a fase de criação de uma solução do problema desse público. “Então, eu vi uma necessidade muito grande das empresas em optimizar o seu tempo”, afirmou, referindo-se ao negócio que criará.

Explica que nesse negócio, a empresa simplismente inovou algo que já existia. “Em vez de fazermos a lavagem convencional que leva duas, três, quatro ou cinco horas de tempo, nós iamos lavar onde o cliente estivesse, ou seja, na empresa dele ou na casa dele”.

Como dica para os que queiram abraçar o empreendedorismo, Luhane Gagnaux sugere que identifiquem negócios que têm muito potencial, mas que estão a cometer algumas falhas e pegar nele e procurar fazer algo similar, mas melhor.

“Uma forma de criar negócio é pegar um mercado que tem uma grande demanda, e pensar no que posso melhorar. Então, a partir daí, criamos um aplicativo chamado Bacela”, explicou.

Trata-se, na verdade, de um aplicativo que dá descontos em mais de seis estabelecimentos comerciais na cidade de Maputo, ou seja, permite ao público usar o aplicativo para beneficiar-se de 10% de descontos em qualquer compra, quantas vezes quiserem.

“Esse aplicativo foi um sucesso, ganhamos premos aqui na Moztechm, ganhamos prémios na Ungria, em Portugal e aqui em Maputo. Se eu tenho 100 parceiros, 100 lojas a darem-me descontos, significa que elas têm um problema, de clientes”, concliui o empreendedor.

É através desse problema de clientes das lojas que criou uma solução para ajudar a esta a vender mais. “Surgiu assim a minha agência de marketing digital. Hoje fazemos a comunicação da Federação Moçambicana de Futebol, Frozy, Lande Rover, Jaguar, etc”, disse.

E, por fim, por já ter resolvido o probelma financeiro, que o motivou a abrir o primeiro negócio, agora diz que ganha dinheiro ensinando outras pessoas, principalmente através das plataformas digitais – como forma de ganhar escale – e faz isso porque gosta.

“É necessário identificar modelos de negócios que sejam escaláveis. É aqui onde entra o digital. Quando pensarem nos vossos negócios, pensem como fazer para fazer maiores entregas e vender mais, nos canais de comunicação, daí vem o digital”, aconselhou.

Por fim, mais uma dica do jovem empreendedor: “é preciso identificar o público-alvo. Um plano de negócio é complexo, mas foquem-se na proposta do valor e no modelo de negócios. Como é que vocês vão ganhar dinheiro”.

Por seu turno, Mahomed Adam, gestor da Yango em Moçambique, fez saber que a ideia para se implatar o negócio em Moçambique foi quase a mesma. A empresa identificou fragilidades existentes np sistema de transporte e procurou soluções adequadas.

“Os problemas são: o horário limitado, frotas limitadas, indisponibilidade do serviço, relactivamente ao taxi de praça – empresas de taxi, txopelas e boleia paga, tinham que negociar as entrevistas que aqui a amiga mencionou”, arolou os problemas.

As dificuldades não param por aí. Para quem tem um carro próprio, o gestor também fala de outros problemas: um deles é o congestionamento. “Depois de enfrentarmos o congestionamento, chegamos para um sítio, e temos o problema de estacionamento”.

Como solução, a empresa propôs-se em criar um serviço em que qualquer pessoa consegue movimentar-se de um ponto A para um ponto B de forma instantânea. Tal foi possível fazer através da tecnologia, atendendo que há já no país muita gente a usar smartfones.

“Criamos uma plataforma em que qualquer pessoa consiga registar-se como um passageiro ou como motorista, no entanto, é preciso realsar que temos medidas de segurança para a validação de todos os motoristas”, explicou.

De acordo com o gestor da Yango, com a base de dados, consegue-se garantir que haja densidade dos motoristas nas cidades de Maputo e Matola. Tal densidade, diz o gestor, faz com que se consiga ter tarifas relactivamente assessíveis.

“Antigamente usava-se um taxi por chamada. Estamos na baixa da cidade, ligamos para um operador para nos vir buscar. O motorista teria que cobrar o valor para ir à baixa e depois para o destino. Tendo densidade, podemos ter serviços muito mais acessíveis”, explicou.

Painelistas da Moztech defendem o uso de recursos tecnológicos e da inteligência artificial com vista à maximização de soluções para problemas económicos do país. O posicionamento é de Valquiria Ponja, coordenadora da Women Techmaker, Yasser Nazir, fundador da Volet, Ussene Indobe, fundador da PIMENDER, Celma Sitoe, directora Comercial da Carta Fácil no último dia do maior evento tecnológico do país.

Subordinados ao tema “Desafios do Empreendedorismo 4.0”, que corresponde ao uso de recursos como o Big Data, automação dos processos, inteligência artificial, realidade virtual e outras soluções tecnológicas que promovam a expansão das possibilidades de negócios, as empresas do ramo das tecnologias dizem que é “urgente que se encontrem soluções mais lucrativas”.

A partir da própria experiência, na sua intervenção, Valquiria Ponja encorajou as mulheres a superarem o estigma e desenvolverem mais competência na área STEM sigla em inglês que compreende o estudo da (ciências, tecnologia, engenharia e matemática). “Quando comecei a fazer ciências de computação, era a única menina. Então, tinha de ir contra todos os rapazes e contra alguns docentes, também, que pensavam que era impossível uma mulher fazer parte deste mundo e ainda ser competente.”

A fonte alertou que a mulher deve ser integrada quando realmente estiver pronta e não apenas para igualar as estatísticas de género.

Por sua vez, a directora comercial da empresa tecnológica Mahonelo, responsável pela aplicação Carta Fácil, referiu que se trata de uma inovação para os utilizadores que poderão concluir os seus estudos à distância. “A carta Fácil traz vídeo-aulas gravadas e conteúdos apresentados de forma dinâmica  para que o aluno passe a aprender em tempo útil”.

A boa nova estende-se também para as aulas práticas que poderão ser feitas, igualmente, à distância.

Ainda no âmbito do uso da tecnologia para a resolução de problemas, a PIMENDER, através de uma aplicação com o mesmo nome, que estará disponível para as empresas moçambicanas, vai potenciar o uso da tecnologia no processo de cobranças com “custos mais justos”.

“A aplicação PIMENDER poderá ser usada por pequenas, médias e grandes empresas. Isso democratizará, de certa forma, o acesso a tecnologia por empresas que não têm recursos para ter um bom desenvolvimento.”

A Volet, tendo identificado como problema a cobrança de taxas elevadas em pagamentos e transferências através das carteiras móveis, propôs a “digitalização de  negócios” como uma solução eficiente.

O país passará a ter mais capacidade de internet e aceleração da conectividade, através do cabo submarino lançado pela Vodacom Moçambique, há cerca de duas semanas. A informação foi partilhada por Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique, que falava no Tech Talks da 11ª edição da Moztech, maior feira de tecnologias no país, organizada pelo Grupo Soico.

Trata-se de uma tecnologia do consórcio 2Africa, composta por oito empresas, nomeadamente China Mobile International, Meta (Facebook), MTN GlobalConnect, Orange, center3 (stc), Telecom Egypt, Vodafone/Vodacom e WIOCC, através da qual os fornecedores de serviços poderão obter capacidade numa base justa e equitativa, encorajando e apoiando o desenvolvimento de um ecossistema saudável nos serviços de Internet.

“Nós activámos essa capacidade e, certamente, vai ajudar na transformação digital. Moçambique passa a ter mais capacidade de internet, mais ligações para o mundo e vai, certamente, com os investimentos que estão a ser feitos, atrair grandes empresas multinacionais para o país”, disse Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique.

Em um mês e meio, a Vodacom vai, igualmente, lançar um novo centro de dados, com cerca de oitocentos racks disponíveis para o uso no mercado.

“Vai ser construído em fases. Nesta inicial, terá cerca de duzentos racks e estará disponível para o uso no mercado”, disse Marques.

E porque o espaço é propício para falar de tecnologias, a MCNet fez também o lançamento de um data center XCLOUD, uma iniciativa inclusiva comprometida com a transformação digital, que pretende ser rápida, optimizada e acessível.

“Estamos a criar uma infra-estrutura que vai permitir que o académico, a pequena empresa, possam ir para lá e fazer o seus trabalhos com recursos à medida, pagando somente pela sua necessidade no exacto momento”, avançou o director de operações da MCNet, Ricardo Taca.

No mesmo evento, a PHC lançou o seu primeiro Software de inteligência artificial para gestão. A Cris é a nova aposta para a gestão eficiente nas empresas.

“Quando nós conseguimos juntar a inteligência artificial e o sistema integrado de gestão empresarial, temos um resultado que é a excelência, que para nós tem nome: é inteligência artificial que está dentro do PHC, que nos ajuda nas nossas tarefas do dia-a-dia. Funciona como um chat Gpt”, explicou Victor Cau, representante da PHC.

As estatísticas indicam que, até 2030, a juventude africana vai representar 42% da população mundial, e que uma pessoa em cada cinco poderá estar em África Subsariana, daí a necessidade de Moçambique se preparar para responder à demanda da tecnologia no ecossistema digital.

Um adolescente de 17 anos de idade expõe, na Moztech, drones que ele próprio monta com recurso a material local reciclado. Os dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros. Ainda na feira tecnológica, várias empresas expõem seus produtos e serviços.

Há inovações tecnológicas na 11ª edição da maior feira de tecnologias do país. Um adolescente de 17 anos de idade, de nome Cleyton Michaque, está a expor na Moztech drones que ele próprio monta, reciclando material local.

“Eu uso um programador do CNA, que é para desenhar o escopo, o frame e o corpo do drone, de como vai ser em função das finalidades, se é para corrida, filmagem ou freestyle. Depois, uso um configurador, que é better flight, que se comunica com o drone, mas usa a linguagem python, que é para poder ter a conexão com o visor e o remote e, para voar, é necessário um motor específico.

Se quiser motor para corrida, procuro um de altos quilovolts e, se for para filagem, baixo os quilovolts”, explicou Cleyton Michaque, expositor na Moztech.

As cheias e ciclones que assolaram o país em 2019 é que serviram de inspiração para esta inovação. “Fiquei preocupado. As pessoas mandam bombeiros para fazer resgate. Só que mandar essas pessoas para o resgate é, também, um risco para elas, e foi daí que pensei: porque não levam máquinas?”, perguntou Cleyton, de forma retórica.

E foi dessa resposta que surgiu a inovação de montar drones. “Eu pensei numa coisa que voa e que transmitisse em tempo real, que é o drone. Em vez de ir fazer o mapeamento e voltar a mostrar-me informações, ele (o drone) pode dar-me informação em tempo real”, contextualizou o adolescente inovador.

Estes dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros e Cleyton só precisa de 45 minutos para montar um drone. “Então, quando eu identificar alguém, é possível dar coordenadas de que zona poderá estar e os que ajudam lá podem chegar. E os drones por mim montados são flexíveis. Porque é feito de fibra carbono, ainda que bata em alguma coisa, ele não se quebra. Ele continua a percurso”, destacou Cleyton Michaque.

Empresas continuam a vender produtos e serviços

Além de inovações tecnológicas, houve exposição de produtos e serviços. A MCNet está a expor o seu centro de dados, que traz a componente da cibersegurança como diferencial.

“Temos uma infra-estrutura robusta e, também, a parte de disaster recovery, bem como da cibersegurança. Temos parceria com empresas de fora, que lidam com a componente da cibersegurança, e este é um dos pontos fortes da actualidade”, referiu Sérgio de Lobo, da MCNet.

E a BCX leva para a Moztech uma das soluções para a segurança de dados das empresas e instituições públicas, ao expor o que se chama de cloud local. “Nós, ao colocarmos uma cloud local, estamos a permitir que as organizações criem as suas instâncias localmente. Todos os seus dados são processados a nível local, em Moçambique. Para além de ter o suporte, tem a legislação moçambicana, ao contrário das outras clouds públicas, que estão fora de Moçambique e a lei é do país que detém a infra-estrutura”, avançou Mussa Mussagy, responsável pela área comercial na BCX.

Já a Tmcel, com o seu parceiro Limitless VR, leva aos presentes na Moztech para uma viagem virtual com pacotes de internet acessíveis e bonificados. “Nós estamos a fazer viagens para as várias cidades do mundo e estamos a usar a internet da Tmcel para mostrar o quão rápido se pode sair de Maputo até Nova York, por exemplo, com os nossos óculos de realidade virtual”, expôs Tozé João, da Limitless, numa parceria com a Tmcel.

Para quem quer inscrever-se na escola de condução e não tem tempo de ir às aulas teóricas, na Moztech, está exposta uma solução virtual. “Nós também pensamos nesses que não têm tempo de ir à escola de condução todos os dias. Eles podem inscrever-se na escola de condução e, de seguida, baixar o aplicativo Carta Fácil MZ, através do qual poderão ter acesso às aulas perdidas. Temos mais de 40 vídeo aulas das escolas de condução”, revelou Vânia Macheque, da Mawo Nelo.

As startups e as fintechs também estão a expor seus produtos e serviços na maior feira tecnológicas do país. “Nós, a Hiveonline, como fintech, contribuímos com a ligação de acesso ao mercado, ajudamos os produtores a chegarem ao financiamento, através dos bancos e aquisição de insumos”, indicou Gilton Simango da Hiveonline, uma Fintech presente da feira Moztech.

Há, na feira de tecnologias, empresas emergentes. “Somos incubadora de negócios, onde temos algumas startups, com destaque para Rhumuka, Conecta Saúde e temos uma de Sabor e Saúde, que produz alimentos saudáveis”, enumerou o representante da Incubadora de empresas, uma startups que expõe na Moztech.

Mais de 50 empresas estão a expor os seus produtos e serviços na 11ª edição da Moztech, que decorre sob o lema: Cibersegurança – Desafios da Transformação Digital.

Os ataques cibernéticos podem estar a ganhar terreno no país pelo facto de haver ainda muita gente que não conhece os riscos associados às conexões na Internet. Por isso, encontra-se uma saída na literacia digital.

Uma das grandes ameaças da segurança na internet são as pessoas malformadas e sem entendimento básico dos aspectos de segurança, considera o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do CEDSIF.

No entender do responsável da entidade, Manuel António dos Santos, tanto as instituições públicas como as privadas devem apostar na formação dos seus quadros, de modo a evitar que sejam surpreendidas.

Segundo o PCA do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF), o Banco de Moçambique, no dia 24 de Março de 2024, lançou um aviso que visa ajudar as empresas ou instituições.

“Falo de bancos, instituições de moeda electrónica, entre outras. Devem fazer uma análise, uma reflexão daquilo que acontece nas suas próprias empresas, devem ter um Centro de Operações de Segurança”, lembrou.

Manuel António dos Santos falava, ontem, em KaTembe, Cidade de Maputo, no segundo dia da expo digital de Moçambique, a Moztech, num painel que debateu a Segurança e a Privacidade na Era da Conectividade.

Quem também defende a necessidade da literacia digital é o responsável pela segurança cibernética na Vodacom e no M-pesa. “Penso que temos muitos desafios, e o principal é a literacia digital”, disse o responsável.

Em nome da Vodacom e do M-pesa, Marco Correia considerou muito importante o equilíbrio entre a literacia e o uso habilitado de produtos e serviços. Define ainda a segurança como confidencialidade e privacidade.

“É possível fazer um investimento nos dois, em simultâneo. Em alguns casos específicos, pode ser que haja uma canalização maior para uma área e menor para outra, mas estão interligadas uma às outras”, disse Correia.

No mesmo painel de debate, Aristides Parruque, gestor da BCX em Moçambique, disse que a questão da segurança é crucial nos dias de hoje. É ainda seu entender que a segurança e a privacidade devem andar sempre juntos.

Parruque diz que, muitas vezes, a segurança e a privacidade são tratados de forma diferente e de forma separada a nível institucional, o que, no seu entender, não faz sentido. O gestor da BCX em Moçambique explica-se.

“Posso criar condições para garantir segurança dentro da minha instituição, mas, se as outras com quem lido no dia-a-dia não estiverem seguras, significa que a minha vulnerabilidade é possível que venha de alguém com quem lido”, alerta o gestor.

Por seu turno, Adilson Gomes, gestor do Instituto Nacional de Comunicações (INCM) disse que a questão da cibersegurança hoje é muito mais complexa do que vírus, malwares, e por aí além.
No entender do painelista da Moztech, é preciso que o Governo olhe para esse problema com mais responsabilidade, dado que há 19 milhões de subscritores que usam Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

“Estamos a permitir que as pessoas usem as TIC para facilitar a sua vida e para facilitar a nossa interacção, então, começa de ali o grande desafios, porque, a partir do momento em que eu permito, devo garantir que aquela pessoa está segura ou vai usar de forma segura”, disse Adilson Gomes.

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