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O BCI voltou a participar num painel na MOZGROW. Neste último dia do evento, o banco apresentou aos participantes “Soluções de financiamento e investimento ao agronegócio sustentável”, igualmente, tema proposto ao debate.

Através do seu representante, José Sousa Pinto, Agrodesk BCI, o banco fez saber que a agricultura tem importância como negócio, e, por isso mesmo, definiram actividades que deve ser apoiada, da projecção até ao desenvolvimento.

Com 210 agências em todo o país, José Sousa Pinto garantiu, na Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo, que o banco está em posição de prestar serviços de qualidade e ajudar operadores da área agrícola a crescer. “Somos um banco comercial e, como tal, apoiamos todas as iniciativas viáveis dos jovens. Nessa circunstância, avaliamos os projectos caso a caso, porque cada projecto tem as suas particularidades”.

Pensando no financiamento e investimento em geral, o BCI tem ajudado e aconselhado, segundo o seu representante, aos clientes em conversas nas agências, para que, assim, se organizem e tenham acesso ao crédito que pretendem. Nesse sentido, as questões de âmbito técnico, económico, social e ambiental são todas importantes.

O financiamento para o sector agrícola, no BCI, pode ir até 25 milhões de meticais, com taxa de juros de 17.3%. O BCi possui linhas de financiamento para produção do caju, para juventude que se encontra no início da carreira, podendo, por isso, aceder até 250 mil meticais.

Nestes dias, disse José Sousa Pinto, o banco procura parcerias com empresas, com instituições governamentais e ONG, de modo que seja possível garantir-se o tão esperado acesso a taxas de juros baixos.

Segundo Sousa Pinto, um dos problemas da agricultura tem a ver com a quantidade de clientes que têm problemas na formulação dos processos que incluem questões de contabilidade, plano elucidativos de negócios.

Outro Painelista da sessão foi Apogeu Siniquinha. Respondendo à questão colocada no tema, o representante da Conecta Negócios disse que o que a sua instituição procura fazer é despertar no sector privado oportunidades de se poder alavancar negócio. E ainda referiu que têm financiamentos para empresas que têm conexão ou actuado com os mega projectos.

Não obstante essa atenção com os megas projectos, todavia, a Conecta Negócios também possui iniciativas viradas para as Pequenas e Médias Empresas (PME). Por exemplo, transmissão de instrumentos, conhecimento e certificação. “Nós olhamos negócios de pequena escala que podem se tornar grandes empresas”, disse Apogeu Siniquinha.

O representante da Conecta Negócios disse que não é possível financiar empresas não organizadas. As que têm dificuldades, são convidadas a aproximar-se à Conecta Negócios, que pode ajudar.

Já a terminar, e porque algumas perguntas do auditório visaram o assunto das taxas de juros, Siquinha defendeu que a resolução dos constrangimentos inerentes às taxas constituem uma responsabilidade em cadeia. Logo, a Conecta Negócios pretende disponibilizar fundos para banca poder baixar as taxas de juros.

Numa visão mais específica, Siquinha criticou o facto de, num país em que, 80% da população pratica a agricultura, as taxas de juros a serem elevadas neste sector. Com isso, o orador defendeu a necessidade de as taxas situarem-se abaixo dos 10%.

O último interveniente do painel foi Salvador Janeiro, representante da Agência do Zambeze, defendendo que estão interessados nos projetos  dos jovens que pretendem investir no agronegócio e nos que estão activos. Entretanto, sublinhou, para cada projecto, existem abordagens diferenciadas, que vão de acordo com as necessidades.

A Agência do Zambeze possui treinamento em boas práticas, para que os jovens possam ter maior produtividade. E porque boa parte das pessoas  pratica uma agricultura familiar, a instituição entende e defende a tese de que o crescimento e a produtividade dependem de novas tecnologias, que são um dos grandes desafios.

Salvador Janeiro defendeu, ainda, a necessidade de se incentivar os jovens para a agricultura, de modo que acreditem no sector, com acompanhamento na fase de concepção, desenvolvimento e implementação.

 

 

O presidente do Município de Maputo visitou, ontem, a feira Mozgrow. Rasaque Manhique enalteceu a iniciativa e destacou a importância da comunicação entre os expositores e os produtores.

O presidente do Município de Maputo dedicou parte do seu dia para visitar a maior feira de agro-negócio do país.

Acompanhado pelo PCA do Grupo Soico, Rasaque Manhique quis ver de perto a exposição da Mozgrow e interagir com os expositores.
O edil de Maputo não só procurava perceber o que está exposto na feira, mas também dar sugestões.

“Temos de continuar a produzir, e essa é responsabilidade nossa, para que possamos acabar com a fome, afinal somos capazes. Com o incentivo das universidades que vão formar jovens e com a produção que temos, há condições para ultrapassar muitas dificuldades que temos”, indicou Rasaque Manhique, presidente do Município de Maputo.

Na Mozgrow, Manhique ouviu de tudo e mais um pouco, incluindo boas técnicas de marketing dos expositores.

E depois de um bom marketing, o edil de Maputo não tinha outra opção senão comprar.

Depois de visitar os stands, Rasaque Manhique ficou impressionado e enalteceu a iniciativa do Grupo Soico.

“Esta é uma oportunidade para nós continuarmos a produzir no nosso país. Dizia aos expositores que não basta escolhermos um dia e virmos parar numa tenda e fazermos uma exposição. É importante que a exposição seja todos os dias, porque temos, pelo país, agricultores que não conhecem algumas casas que estão aqui (na Mozhgrow)”, referiu Rasaque Manhique.

E mais: “Se nós avançarmos, e porque já estamos a avançar, e a correr, é importante que haja essa comunicação dos que hoje (actualmente) expõem, diariamente, com quem está a produzir em Moçambique”.

Com este tipo de evento, o autarca de Maputo entende que estão criadas as condições para combater a fome no país e a cidade está preparada para isso.

“O que é importante é que este tipo de iniciativa não seja somente para um dia, num ano com uma exposição. Os próprios expositores devem ter iniciativa de andar pelo país, de comunicação com os produtores. Só assim é que nós vamos desenvolver-nos. Por isso é que estão todos de parabéns por esta iniciativa, e que ela não morra, porque produzir o país com as tecnologia que se pretendem, esse é o caminho”, sublinhou.

Rasaque Manhique passou, também, pelos stands de comidas e bebidas que estão na Mozgrow.

Vários expositores dizem estar a vender muitos produtos na sexta edição da Mozgrow e a estreitar parcerias, bem como projectar as suas marcas. Já os participantes afirmam que os produtos à venda na feira são frescos e com preços acessíveis.

Quinta-feira, 25 de Julho de 2024. Mais uma vez, todos os caminhos foram dar à feira Mozgrow.

Na sexta edição da Mozgrow, está exposta toda a produção agro-pecuária nacional e internacional.

De Gaza, o distrito de Chókwè está a expor na feira as suas potencialidades agrícolas, com destaque para o arroz do Regadio do Baixo Limpopo.

“Nós trazemos quase tudo o que produzimos, a partir de hortícolas, o arroz, assim como a parte da pecuária. Portanto, outro aspecto muito importante é que o nosso distrito de Chókwè, além de ser forte na área de agricultura e pecuária, tem potencialidades na área da aquacultura e piscicultura”, enumerou Eceu Muianga, administrador do distrito de Chókwè.

E é para estas novas áreas que o distrito busca investidores na sexta edição da Mozgrow. “Queremos, a partir deste programa, convidar todos os empreendedores para que se aproximem ao nosso distrito a fim de empreender e, sobretudo, precisamos de uma fábrica para o processamento da carne e das hortícolas”, referiu Eceu Muianga.

Por um lado, buscam-se na Mozgrow investidores para o processamento de hortícolas em Chokwè e, por outro, os que produzem esta cultura já estão a vender, e muito, na feira de agro-negócio.

“Estamos a vender muito e esperamos vender mais. Está a valer a pena participar da Mozgrow. É uma grande oportunidade e é um privilégio estar aqui (na feira). É a minha primeira vez e gostei bastante. Espero voltar nas próximas edições”, disse Nomsa Norberto, expositora na Mozgrow.

A qualidade do produto exposto na feira de agro-negócio e o preço são os atractivos para os clientes. “Os produtos são frescos e aproveitamos para apreciar, claro, e levar algumas coisas para casa”, justificou Luís Ribeiro, um dos compradores na feira Mozgrow.

E isso impressiona os demais compradores. “Está a ser muito bom. Estamos a comprar produtos frescos e acessíveis, acima de tudo, porque é o que mais interessa. É uma boa iniciativa e gostaríamos que durasse mais dias”, manifestou o seu anseio Luís Ribeiro, também comprador na feira.

É a Mozgrow e as suas boas surpresas. A Província de Maputo, concretamente o distrito de Matutuine, está a expor morangos.

Pela qualidade do próprio produto, o tamanho e a sua embalagem, é difícil aceitar que é produto de Maputo. “O morango é muito bom e é produzido sem produtos químicos”, expôs Guilherme Basílio, que está na feira Mozgrow como expositor.

Mas a Mozgrow, igualmente, tem soluções para várias doenças. Tudo à base de plantas. “Nós temos um chá à base de plantas e chama-se chá milagroso. É um pó que modifica a vida de alguém para quem tem problemas de próstata, impotência e infertilidade. Isto também serve para as mulheres, que têm problemas de miomas, cólicas dolorosas e menopausa precoce”, revelou Verónica Rafael, expositora na feira Mozgrow.

Verónica Rafael não só está a vender na feira, como também tem a missão de quebrar alguns tabus sobre os produtos que expõe. “Muita gente tem tabu quanto ao gonazololo. Isto também é um remédio para infecção urinária”, esclareceu Verónica Rafael.

E na Mozgrow há uma forma de estes expositores se conectarem ao mercado, fechar parcerias e fazer negócios.

“O Conecta Negócios é um programa de capacitação e, eventualmente, espera-se que 100 empresas poderão beneficiar-se do programa e, possivelmente, serem conectadas com as grandes empresas, isto é, grandes projectos”, explicou Fáuzio Midiwe, da Conecta Negócios.

Para a mecanização da produção agrícola, a Afritool está à disposição dos produtores com uma variedade de máquinas. “Temos geradores, motorizadas, que são usadas pelos extensionistas, assim como por todos os agricultores. Temos as alfaias agrícolas, enxadas, pulverizadores e muito mais”, arrolou Morgado Muchanga, da Afritool.

É tudo isto e muito mais que atraiu visitantes de todas as idades, incluindo estudantes, personalidades e empresas para a Mozgrow.
“No caso concreto, estou na Mozgrow por razões profissionais. Estou no BCI e temos estado desde as primeiras edições da Mozgrow, inclusivamente, temos um stand. Estamos muito interessados em apoiar o sector da agricultura. Por isso, temos acompanhado sempre a feira”, destacou Luís Aguiar, administrador do BCI.

E Márcia Muiambo acrescenta: “A feira está muito interessante. Deu para fechar alguns negócios e obter algumas informações sobre a área de agricultura”.

O segundo dia da feira Mozgrow foi, também, marcado pela chegada de um camião com carne proveniente do Reino de Eswatini.

Logo depois da chegada do camião, a carne foi descarregada para o stand da Eswatini Industries, que registou uma avalanche de pessoas que queriam comprá-la.

Produtores agro-pecuários sentem que o Estado tem feito pouco para ajudar as empresas a resistirem às mudanças climáticas. Dizem que os nacionais não têm condições de competir com estrangeiros e a situação piora quando um desastre acontece.

Arif Razak, produtor, transformador e comerciante de carne bovina, André Horta, da Merec, e o professor universitário de veterinária, Rafael Escrivão, juntaram-se, na manhã desta quinta-feira, no primeiro painel do segundo dia da Mozgrow.

O tema da discussão era mesmo a adaptação e resiliência às mudanças climáticas no sector da agro-pecuária. Todos foram incisivos ao afirmar que falta intervenção do Estado no país.

Por exemplo, André Horta, que começou por falar do final da cadeia, disse que “é importante que a compra do produto nacional seja estimulada”.

Para fazer isso, chama-se a intervenção do Estado, que é quem deverá aprovar políticas que possam criar algumas barreiras à entrada de produtos estrangeiros e facilitar a produção e comercialização local, tal como se fez com o frango nacional.

Isso seria óptimo, mas Arif Razak entende que há mais que possa fazer, até porque, para ele, “não é só mudar as políticas, mas é preciso, também, capacitar as pessoas com as novas soluções”.

A questão de financiamento é um problema transversal. Por falar em transversalidade, esteve lá uma plateia diversa. Aliás, entre os participantes estava a directora provincial de Pesca e Agro-pecuária de Maputo, que negou a ausência de políticas de resistência às mudanças climáticas na área.

Mariamo José disse que há, sim, políticas, mas é necessário que todas tenham a vontade de fazer a sua parte. Só que o professor universitário, Rafael Escrivão, disse que o problema maior é que essas leis, mesmo existindo, não são devidamente divulgadas, e isso dá cabo da eficácia delas.

Da plateia veio também o posicionamento de que, entre a existência e a eficácia, há muitas coisas a serem feitas. Por exemplo, uma participante defendeu que é preciso que se crie um alinhamento entre esses documentos e as pessoas que estão no terreno para aplicá-los.

Medidas de restrição cambial do Banco de Moçambique estão a criar escassez de divisas no mercado. O alerta foi lançado, hoje, pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior organização empresarial do país.

Falando a jornalistas, um representante da CTA fez saber que a situação preocupa, a cada dia que se passa, os agentes económicos, porque tem resultado na queda das receitas de exportações. O sector privado diz que as medidas restritivas do banco central são a razão.

De acordo com Zuneid Calumia, vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, a situação está a causar diversos constrangimentos.

“Há registo de transtornos, tais como  descredibilidade dos fornecedores moçambicanos, multas por atraso de pagamento; falta de stock; atraso no fornecimento de serviços; atraso na expedição de equipamentos para Moçambique”, desabafou Zuneid em nome da CTA.

Outros constrangimentos causados pela situação são: queda da produção e de facturamento; falha no cronograma de conclusão dos projectos e aumento dos custos de implementação; entre outros constrangimentos, fez saber o representante da CTA.

No geral, a falta de divisas no mercado tem constrangido o processo de pagamento das facturas com o exterior, o que tem afectado directamente as operações externas.

De Janeiro a Fevereiro do presente ano, as importações caíram em média 2,3%, enquanto no primeiro trimestre a redução foi de 2,5% face ao mesmo período do ano passado. Para resolver a situação, os empresários dão algumas sugestões.

“O sector privado tem vindo a advogar a redução do coeficiente das reservas obrigatórias em moeda estrangeira que actualmente se situa em 39%, facto que concorreria para libertar a liquidez para o mercado”, sugeriu a Confederação.

Segundo a CTA, a mesma posição foi defendida, também, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na sua última missão que realizou ao país.

Numa outra abordagem, os empresários disseram não estar a favor do tratamento privilegiado de concorrentes estrangeiros na prestação de empreitadas públicas, fornecimento de bens e prestação de serviços ao Estado.

Bento Machaila, membro do conselho directivo da CTA e presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros, é que manifestou o posicionamento. “Sendo sabido que, actualmente, é praticamente nula a possibilidade de adjudicação a empresas nacionais de contratos financiados por agências de cooperação estrangeira ou organismos financeiros multilaterais, a referida norma tem o sentido prático de não sujeitar à fiscalização prévia os contratos celebrados com empresas estrangeiras sempre que tenham por objecto projectos e programas financiados por essas entidades”.

Outrossim, com tal medida, diz a CTA que a lei confere larga vantagem aos concorrentes estrangeiros que, além de os respectivos processos de contratação não se sujeitarem ao procedimento da obtenção do “visto” do Tribunal Administrativo, ficam isentos do peso dos emolumentos pela submissão de contratos à jurisdição administrativa.

A confederação refere, ainda, que tal medida, associada à falta de verificação por parte da entidade contratante dá veracidade do conteúdo dos documentos apresentados no processo de contratação, prejudicando o Estado e os concorrentes nacionais.

“Por isso, não se compreende o fundamento que está na origem do alargamento desta excepção de isenção da fiscalização prévia aos processos de contrato financiados por agências de cooperação estrangeira e organismos financeiros multilaterais”, diz a CTA.

Adianta ainda a CTA que não se compreende o fundamento que está na origem do alargamento de isenção da fiscalização prévia aos processos de contrato financiados por agências de cooperação estrangeira e organismos financeiros multilaterais.

 

Os mandantes de crimes de raptos e sequestros no país são oriundos do continente asiático, suspeita o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFIM). Os indivíduos têm antecedentes criminais, são maioritariamente nacionais ou têm nacionalidade adquirida.

Sem revelar nomes, rostos, nem idades, o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique assegura saber quem são os indivíduos suspeitos de mandar raptar ou sequestrar empresários em Moçambique, no seu mais recente relatório.

No Relatório de Análise Estratégica acabado de ser publicado, o GIFIM diz ter recolhido e analisado comunicações, informações e relatórios referentes ao período de 2014 a 2024.

Dos dados, o Gabinete de Informação Financeira concluiu que os supostos mandantes dos crimes de raptos no país são, maioritariamente, indivíduos nacionais ou com a nacionalidade adquirida, oriundos de países ou jurisdições da Ásia, com antecedentes criminais.

Coincidência ou não, grande parte das vítimas são também de origem asiática, segundo refere o relatório. “São maioritariamente indivíduos nacionais ou com a nacionalidade adquirida, oriundos de países ou jurisdições da Ásia com a profissão de empresário e/ou comerciante e/ou seus familiares”, lê-se na publicação.

Por seu turno, os suspeitos de executar os crimes de raptos e sequestros são também provenientes do continente asiático e não só: são ainda da África do Sul e de outras partes do mundo e possuem ou adquiriram nacionalidade moçambicano.

Os indivíduos suspeitos raptam ou sequestram as vítimas em Moçambique, levam-nas a cativeiros e exigem em troca o resgate em dinheiro, muitas vezes em numerário.

Nos últimos 10 anos, o valor solicitado pelos sequestradores, até aqui apurado, ultrapassa 2,1 mil milhões de Meticais, o equivalente a mais de 33 milhões de dólares norte-americanos.

Do trabalho de análise realizado pelo GIFIM constatou-se ainda haver indícios para a suspeita do envolvimento de membros das Forças de Defesa e Segurança, advogados, empregados bancários, supostos/pretensos empresários, magistrados nos crimes, entre outros.

Os criminosos recorrem a contas bancárias de familiares mais próximos ou a empresas por si controladas ou pelos seus familiares, bem como de funcionários das Forças de Defesa e Segurança, para introduzir o dinheiro, muitas vezes pago em numerário, para o resgate das vítimas. Para tal, mentem que o dinheiro é resultante de receitas das actividades da empresa.

Os crimes são frequentemente cometidos na Cidade de Maputo, províncias de Maputo, Manica, Sofala e Nampula.

“Para efeitos de dissimulação, foram criadas várias empresas controladas por indivíduos e/ou grupo de indivíduos suspeitos, e abertas várias contas bancárias em diversas entidades financeiras da República de Moçambique, em nome das mesmas, que, através de múltiplos depósitos em numerário, introduziram fundos no sistema financeiro nacional, bem como realizaram transferências bancárias complexas entre si e com outras entidades”, diz o GIFIM.

De seguida, as quantias resultantes da lavagem de dinheiro são enviadas para Dubai, Hong-Kong, Tailândia, Singapura, Portugal, Ilhas Maurícias e África do Sul, alguns deles tidos como paraísos fiscais. Denúncia dos casos suspeitos é a principal recomendação do relatório.

De acordo com o Gabinete de Informação Financeira, os raptos seguidos de extorsão são motivados pela necessidade de vida fácil dos criminosos, mas também podem estar associados a focos de instabilidade política e de conflitos internos.

Mais de 150 empresários foram raptados e cerca de 100 já abandonaram o país, do ano 2012 a esta parte, revela a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). Por isso, os “patrões” exigem do Governo medidas enérgicas.

Os empresários já não sossegam devido ao recrudescimento dos raptos no país, diz Pedro Baltazar, presidente do pelouro de segurança e protecção na CTA. “No âmbito do fenómeno dos raptos contra os empresários em Moçambique, a CTA tem desencadeado a advocacia em prol da sua eliminação, desde as primeiras ocorrências. No mesmo âmbito, e  quadro do diálogo público-privado estabelecido, com vista a dar uma melhor atenção à advocacia contra os raptos, criámos o Pelouro da Segurança e Protecção Privada, que, entre outras matérias, tem dialogado incansavelmente e a diversos níveis”.

Baltazar diz que “junto dos nossos associados, temos auscultado de forma permanente sobre as melhores abordagens para a erradicação deste mal, entre as recomendações saídas dos referidos processos de auscultação, que partilhamos também com o Governo. Os nossos membros, a comunidade empresarial no seu todo, têm estado a exercer pressão, para que possamos tomar medidas radicais para pressionar o Governo. Vocês próprios já ouviram que os empresários, várias vezes, ameaçaram paralisar a actividade comercial. Como líderes, temos estado a gerir estas pressões. O Governo é nosso parceiro e é por isso que optamos pelo diálogo. Em algum momento, podemos não conseguir segurar esta pressão”.

E face ao aumento de casos, a Confederação das Associações Económicas diz ter partilhado com o Governo recomendações para acabar com os raptos.

“A CTA tem estado, ainda, a partilhar com a imprensa, nos comunicados anteriores, os impactos negativos que este fenómeno tem causado na economia, e passados cerca de 12 anos desde a ocorrência do primeiro rapto, achamos que é tempo suficiente para que o Governo se posicione de forma mais pragmática e dar um ‘basta’ a este mal”.

Eduardo Sengo, director-executivo da CTA, considera que o envolvimento de membros das Forças de Defesa e Segurança nos raptos inibe os empresários raptados de colaborarem com as autoridades, e é por isso que os empresários exigem um posicionamento claro do Governo. “A colaboração do empresário vai ser cada vez maior no esclarecimento do que está a acontecer na prestação de informação, como tem estado a exigir o Ministério do Interior”.

O país e o mundo vivem um momento particular no que se refere à produção de alimentos. Cada vez mais, as técnicas usadas durante o cultivo são importantes para os produtores e para os consumidores. Por isso mesmo, a sexta edição da MOZGROW, neste segundo dia, reflectiu sobre a inovação e pesquisa aplicada em agricultura sustentável.

Na Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo, três intervenientes juntaram-se num painel, que procurou elaborar uma radiografia do sector da agricultura, sempre focado em propostas sólidas.

Como que a lançar o debate,  Gabriel Viegas, Director da Faculdade de Engenharia e Agricultura da UnISCED, ao defender que a produção de alimentos depende de uma sustentável inovação e pesquisa aplicada, referiu-se à importância do aumento de áreas no processo de produtividade agrícola.

Para o orador, a expansão horizontal da produção, combinada com a intensificação da agricultura, com duas ou três campanhas na mesma área e com aumento de produção de estratégia tecnológica e investigação aplicada, é um factor determinante.

Visto que as plantas não crescem sem água, o Director da Faculdade de Engenharia e Agricultura da UnISCED defendeu que o uso racional do líquido, de fertilizantes e a capacitação dos agricultores são práticas imprescindíveis. De seguida, avançou a necessidade de se ter atenção à importação de sementes mediante à sua adaptabilidade dos solos. De contrário, “podemos importar e as sementes não germinarem”.

Como produzir sem causar problemas para o planeta? A esta pergunta retórica, Viegas respondeu: “Com agricultura sustentável, que permite pensar nas gerações vindouras, com recursos a usar de forma consequente, com uso  mínimo  de pesticida e fertilizantes, com gestão consciente”.

Antes de concluir, Gabriel Viegas defendeu, também,   a importância de se formar as pessoas. “Só assim poderemos garantir a produtividade e a sustentabilidade. Temos de capacitar as pessoas que trabalham com os agricultores”.

A reflexão sobre o tema proposto na sexta edição da MOZGROW foi continuada por Sebastião Famba, da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). O orador iniciou a sua intervenção debruçando-se sobre a agricultura  e resiliência climática, onde fez menção aos estudos realizados pela sua instituição nas zonas costeiras do Sul do país, designadamente, Maputo, Gaza e Inhambane. O objectivo é avaliar o desempenho das práticas agrícolas  feitas e desenvolver com agricultores cenários para a sua intensificação.

Assim, as pesquisas da Universidade Eduardo Mondlane incluíram um estudo diagnóstico participativo, com envolvimento de grupos que abarcam a cadeia de valor, com atenção para a diversificação cultural, protecção dos recursos, redução de insumos e de fertilizantes.

Sebastião Famba propôs a identificação de modelos de intensificação agrícola que não põem em causa o ambiente e o investimento na monitoria dos resultados alcançados.

Binaíssa Castiano, do Instituto Politécnico de Manica, por sua vez, começou por lembrar que as mudanças climáticas prejudicam os rendimentos dos produtores nacionais. Apontou alguns exemplos de constrangimentos nas províncias de Tete e Manica e revelou que a sua instituição tem levado culturas que melhoraram a estrutura do solo.

Na sua abordagem, o orador disse, ainda, que, nas suas actividades, o Instituto Politécnico de Manica pensa, não só na alimentação em si, mas, igualmente, na questão de renda.

Tendo em consideração pesquisas realizadas em dias de campanhas do ano passado e deste, “vimos que cultivo em faixa de feijão-boer e algodão dava melhores resultados em termos de consistências”, e acrescentou: “O cultivo de gergelim e milho também dá resultados satisfatórios. Mas são apenas os resultados preliminares, pois precisamos validar os dados deste ano”.

Outra estratégia adoptada pelo Instituto Politécnico de Manica foi a introdução de quintais produtivos, seleccionados por serem adequados para obtenção de melhores rendimentos e redução da falta de alimentos na comunidade. “A comunidade deve ser informada e formada em negócio e maneio das áreas produtivas, de modo que as suas práticas possam reflectir no rendimento económico”, explicou Castiano.

Já a terminar, Binaíssa Castiano apontou para os resultados das pesquisas que não são implementados nos locais indicados, como um dos principais constrangimentos para o sector da agricultura sustentável. E acrescentou que, nas zonas com maior produção agrícola, têm-se verificado problemas de escoamento devido às péssimas qualidades de estrada.

Assim, o país vê-se obrigado a depender da África do Sul até para importação de tomate. “Os nossos produtos não circulam. Algumas políticas e alguns decisores políticos não estão interessados em alavancar a produção agrícola interna. E ainda temos o problema de aprovação de leis inerentes ao tipo de mecanismo a adoptar para a produção”.

A sexta edição da MOZGROW continua esta tarde, na Arena 3D, na Catembe.

Os produtores de carne e seus derivados queixam-se de prejuízos decorrentes dos efeitos das mudanças climáticas no país. O aumento da temperatura nos últimos anos, por exemplo, fez com que a produção diária de leite baixasse.

No segundo dia da maior feira de agronegócios de Moçambique, a MOZGROW, foi debatida a resiliência e adaptação da agropecuária às mudanças climáticas.

De acordo com os painelistas, os efeitos das mudanças climáticas têm sido “catastróficos”, chegando a causar grandes prejuízos aos produtores.

A subida da temperatura foi um dos problemas apresentados pelos actores do sector pecuário. 

Segundo Rafael Escrivão, veterinário e docente universitário,  depois do ciclone Idai, que fustigou a região centro do país em 2019, o sector pecuário começou a registar grandes perdas, resultantes de doenças originadas pelo ciclone.

Escrivão diz ainda que o aumento da temperatura faz com que o gado gaste mais energia, contribuindo, assim, para a perda de gorduras e outros valores nutritivos. 

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