O País – A verdade como notícia

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) vai desembolsar 33 milhões de dólares para apoiar o sector avícola no país. O valor foi anunciado ontem pelo representante da instituição em Moçambique, durante o III Fórum Nacional de Pecuária, que decorreu no distrito de Moamba, Província de Maputo.

Moçambique é o maior país produtor de carnes vermelhas ao nível da SADC, apresentando uma cifra anual de produção de 29 mil toneladas. O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural diz que o sector cresceu 41 por cento nos últimos cinco anos.

E, para impulsionar o desenvolvimento pecuário nos próximos cinco anos, o Banco Africano de Desenvolvimento decidiu investir 33 milhões de dólares.

“O banco decidiu desembolsar 33 milhões de dólares para o financiamento do PROCAVA, um projecto recentemente aprovado com ênfase para a criação de frangos. O financiamento é um trabalho conjunto com o Fundo Internacional de Financiamento de projectos agrícolas e, neste caso, será implementado pelo Governo de Moçambique, através do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural”, disse Flávio Soares da Gama, representante do BAD em Moçambique.

Como parceiro de cooperação de Moçambique em vários projectos, o Banco Africano de Desenvolvimento prontifica-se, para além de financiamentos, a alavancar toda a cadeia de valores do sector pecuário. “No âmbito do pilar de financiamento a projectos africanos, o BAD impulsiona o desenvolvimento do sector privado e é o mesmo que pretendemos fazer ao abraçar este projecto”, frisou.

Presente no evento, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, disse, na ocasião, que o fundo será aplicado para o impulsionamento dos projectos públicos e privados, com destaque para o sector privado.

O mercado de seguros registou um crescimento assinalável nos últimos anos. Em 2023,  o sector movimentou mais 21,4 mil milhões de Meticais. Entretanto, o Governo desafia as seguradoras a criarem produtos para população de baixa renda. Os dados foram avançados na II Conferência Anual de Seguros.

Sob lema “seguros em tempos de mudanças”, a Conferência Anual de Seguros juntou, esta quarta-feira, empresas do sector para reflectir sobre o acesso aos serviços de seguro no contexto da inclusão financeira.

O sector, tido como de grande potencial, registou um crescimento assinalável, sendo que o mercado conta, actualmente, com 19 seguradoras, três microsseguradoras, oito entidades gestoras de fundos de pensões, 158 correctoras e 31 agentes. Em termos de produção, o sector produziu, em 2023, 21,4 mil milhões de Meticais, o que representa um crescimento de cerca de 2% em relação a 2022.

De acordo com os dados avançados pelo vice-ministro da Economia e Finanças, que falava na abertura do evento, 17% da população moçambicana passou a ter acesso a serviços financeiros e o sector de seguro joga um papel importante no crescimento gradual da população com acesso aos serviços.

Amílcar Tivane desafiou as empresas a desenvolverem serviços para população de baixa renda e uso e adopção de tecnologia para alcançar novos mercados.

“Há necessidade de criar produtos e serviços destinados a populações de baixa renda. O desafio que o sector de seguro enfrenta é, se calhar, optimizar o advento das tecnologias de informação e comunicação para melhorar o acesso aos segmentos populacionais que estão em regiões mais recônditas, mais que contribuem grandemente para o produto interno bruto do país”, disse.

Tivane levantou a necessidade de as seguradoras servirem as pequenas e médias empresas visando a promoção dos espaços do microsseguro no país.

O vice-ministro diz ser preciso melhorar a legislação para fazer face aos novos riscos, sobretudo ligados às mudanças climáticas, um desafio também assumido pelas seguradoras que reconhecem a necessidade de se adaptar às mudanças.

Aliás, o presidente do Conselho Directivo da Associação Moçambicana de Seguros, Ruben Chivale, citou as alterações climáticas, os conflitos internacionais, o novo posicionamento geopolítico, a transição energética, a inteligência artificial, a internet das coisas, eleições em mais de 40 países com a eleições, a transição de governação que se avizinha, a profunda alteração do regime jurídico, as sanções públicas ao operadores de seguros indiciam novos tempos e uma nova ordem no mercado de seguros.
“É neste contexto de mudanças profundas que afirmamos que estamos seguros, porque o sector está resiliente”, avançou.

Entre vários desafios, Ruben Chivale antevê melhorias e deixa promessas para um futuro próximo.

“Estamos, neste momento, a trabalhar na base de dados que vai ajudar na monitoria de riscos.  E estamos a trabalhar no qualificador de carreiras profissionais e a tabela salarial de referência. Este qualificador de carreira estará pronto já em Setembro. Vamos fazer, também, um estudo de mercado de seguros que vai, pela primeira vez, avaliar o contexto macroeconómico e os indicadores com impacto para actividade seguradora em Moçambique. Será apresentado em Outubro”, explicou.

Outro assunto tem a ver com a não cobrança do imposto sobre valor acrescentado pelas seguradoras. Chivale alerta que o Estado está a perder uma fonte de receitas.
Segundo Chivale, esta condicionante também tem impacto na rentabilidade das seguradoras.

“No que tange ao tratamento do resseguro com entidades não residentes, e o reconhecimento do resseguro como activo representativo das provisões técnicas que, de certa forma, condicionam a competitividade das seguradoras em relação às outras seguradoras e minam a possibilidade de aceitação de riscos de larga dimensão, como os riscos da indústria extractiva”, avançou Chivale.

O evento acolheu o lançamento do Código de Conduta do Instituto de Governação Corporativa de Moçambique, manual que sistematiza práticas de gestão nas organizações.

Segundo, Daniel Gabriel, PCA do Instituto de Gestão Corporativa, os pilares básicos da gestão corporativa explanados neste código, baseiam-se na transparência na disponibilização de informação aos Stakeholders, equidade no tratamento de todos os sócios e prestação de contas.

O Porto de Quelimane continua a não receber cargas mesmo com todas as condições criadas para o efeito, o que compromete, segundo a Autoridade Tributária, a colecta de receita interna para o Estado.

Desde que parou o processo de exportação da madeira em touro, há sensível 4 anos, devido aos custos operacionais no manuseamento de cargas, por um lado, e, por outro, ao facto do Porto de Quelimane não ser de águas profundas, os navios de grande escalão não passam por Quelimane. Estes e outros factos estão a contribuir, negativamente, para a colecta de receitas por parte da Autoridade Tributária.

De acordo com o delegado provincial da Autoridade Tributária da Zambézia, Ambrósio Orrubale, já há muito tempo que o Porto não está a operar nos moldes desejados. “Antes tínhamos exportações de madeira, mas, com a lei que proíbe a exportação em touro, tudo parou. Se tivéssemos o Porto funcional, sem dúvidas seria um valor adicional para o nosso Estado”, disse.

“Veja que as metas já foram estabelecidas para a delegação. Quando olhamos para os impostos externos, sem mercadoria vindas de outros cantos, não teremos o que cobrar, por isso estamos mais empenhados na fiscalização”.

Moçambique alcançou acordo extrajudicial para evitar pagar a maior parte da dívida da MAM, contraída junto ao VTB. A dívida era de cerca de 1,4 mil milhões de dólares, mas agora o Estado Moçambicano deve cerca de 220 milhões de dólares.

É a segunda negociação extrajudicial em Londres na qual Moçambique consegue reduzir a sua dívida com credores.

Dos mais de 1,4 mil milhões devidos a três instituições bancárias, nomeadamente o VTB Capital, VTB Europe, e BCP, o Estado deixará de pagar 80% da dívida, isto é, o que sobra dessa dívida são 220 milhões de dólares.

O anúncio foi feito esta segunda-feira, em conferência de imprensa, pelo ministro da Economia e Finanças e pelo procurador-geral-adjunto da República. Fruto dos dois acordos, Moçambique conseguiu evitar uma dívida de 2,3 mil milhões de dólares, empréstimos feitos para financiar a MAM e a ProIndicus, sendo que com o Credit Suisse já está tudo fechado.

“No quadro deste processo, a responsabilidade potencial do Estado moçambicano é da ordem de 1,4 mil milhões de dólares norte-americanos, que corresponde a oito por cento do produto Interno Bruto e mais de 50 milhões de libras esterlinas, o correspondente às custas judicias, que o Estado será obrigado a pagar em caso de perder a causa. O acordo extrajudicial alcançado este fim-de-sema reduz a exposição do Estado moçambicano de 1,4 para 220 milhões de Meticais”, explicou o ministro da Economia e Finanças.

Apesar do carácter criminoso da acção dos gestores da Privinvest, Moçambique não fecha a hipótese de se sentar à mesa com aquele grupo, contra o qual está a mover um processo e exige uma indemnização de 2 mil milhões de dólares.

“Juntando os dois projectos, chegamos a 2,3 mil milhões de redução da exposição do Estado Moçambicano face à dívida e também a possibilidade de pagar a curto prazo, mas também interromper os custos correntes com advogados que o Estado é obrigado a contratar para manter o seu processo em Londres”, disse Max Tonela.

Para todos os efeitos, a sentença do Tribunal de Londres será conhecida no dia 17 de Julho corrente e Moçambique está optimista. Outro ponto é que as chamadas dívidas ocultas foram consideradas ilegais pelo Conselho Constitucional, daí que se questiona a razoabilidade de se continuar a negociar uma dívida ilegal.

“O Conselho Constitucional tomou suas decisões em dois acórdãos. Todavia, os dois acórdãos não poderiam afectar a posição do Estado moçambicano perante estas entidades, lá fora, por uma razão muito simples: os acordos de financiamento, bem como as próprias garantias, têm uma cláusula que diz que qualquer litígio destas garantias será resolvido à luz do direito inglês e nos tribunais ingleses”, explicou Ângelo Matusse, procurador-geral-adjunto.

Estas negociações todas estão relacionadas com os empréstimos da MAM e da ProIndicus, já que o Estado assumiu e está a pagar o crédito feito para a EMATUM.

Um grupo de mulheres vulneráveis no distrito de Vandúzi, em Manica, poderá passar a desenvolver actividades mais lucrativas, graças a um investimento de cerca de quatro milhões de Meticais em máquinas de produção, fruto de um apoio de uma organização não governamental empenhada na promoção do desenvolvimento comunitário.

O apoio consiste em máquinas de costura, máquinas de processamento de sementes agrícolas, que, segundo a organização apoiante, vão ajudar o grupo de mulheres a desenvolver actividades mais sustentáveis.

“Temos aqui a associação de corte e costura e a associação de agro-pecuária. Para que esses grupos possam desenvolver-se para que esses grupos possam produzir e ter renda, equipámos o centro com cinco máquinas debulhadoras e oito máquinas de costura, com respectivos acessórios. As máquinas debulhadoras vão servir para debulhar o milho daquelas mães que fazem parte da associação, mas não só, irão também ajudar a comunidade de Chitundo, no geral”, disse o responsável.

Já o administrador do distrito de Vandúzi, João Amade, enaltece este tipo de apoio por entender que é catalisador para a economia local, defendendo que “vamos realmente produzir o melhor milho da região”.

Numa primeira fase, as beneficiárias vão promover poupanças rotativas, debulha de milho e corte e costura.

Luísa Domingos é mãe de oito filhos e vive na região de Chitunga, distrito de Vandúzi. Para sustentar a sua família, faz alguns negócios informais de baixa renda. Recentemente, aceitou o convite para integrar a um grupo de mulheres com a mesma condição de vida, onde poderá capacitar-se nas diversas actividades que vão melhorar a sua renda.

“Eu faço a costura e isso me ajuda bastante. Agradeço imenso por fazer parte deste projecto”, disse a beneficiária.

Em Maio do ano passado, um total de quatro mil mulheres vulneráveis dos distritos de Vandúzi e Mossurize, na província de Manica, beneficiou de projectos similares, visando incrementar a renda familiar.

Em ambas as fases, destacam-se nas beneficiárias mulheres e raparigas chefes de família, cuidadoras de órfãos, idosos e pessoas com deficiência.

Para o sucesso desta iniciativa, estão criadas todas as condições técnicas e materiais para que as mulheres sejam capacitadas e dotadas de conhecimentos sobre a gestão de projectos de geração de renda.

A província de Manica tem a agricultura como a sua maior fonte de renda. Só na campanha agrária de 2022/23, colheu cerca de 500 mil toneladas de diversas culturas.
O distrito tem 9116 produtores agrícolas, a maioria do sector familiar e um universo de 168 200 habitantes. Cereais, oleaginosas e hortícolas são as culturas mais produzidas em Sussundenga.

A interferência do Governo na gestão de empresas, sobretudo as participadas pelo Estado, cria uma pressão às suas contas. Esse facto, segundo o economista Mukhtar Carimo, abre espaço para que essas empresas resvalem para uma situação de crise, tal como aconteceu com as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

O economista justifica que a interferência do Estado é uma questão de mentalidade, na medida em que, para o caso das LAM, por exemplo, o Executivo acha que pode utilizar as viagens aéreas sem pagar de imediato sob pretexto de que a empresa é participada pelo Estado. Nesse sentido, a empresa, explica Mukhtar Carimo, sente-se obrigada a fazer crédito para o Governo ou partido, para que seja bem vista pelo Executivo.

“Em todas as entidades que necessitam ou precisam dos seus serviços sem desembolsar valores, imediatamente, o Estado acaba contribuindo para uma má gestão. Esse papel não deveria vir do Executivo”, explica Mukhtar Carimo.

Entende, por isso, que o Estado deve saber separar os poderes e, acima de tudo, ter a capacidade de gestão dessas empresas. Para o economista, dentro da sua soberania, as empresas devem tomar decisões que melhor beneficiem a empresa, até porque o objectivo do Instituto Gestão das Empresas participadas pelo Estado (IGEPE), que é de reforçar a capacidade de gestão do sector empresarial do Estado e prestação de contas e receitas.

Apesar dessa autonomia, segundo Mukhtar, falta coragem por parte das empresas, tendo em conta que os gestores se sentem, de alguma forma, amarrados.

“Alguns deles têm a capacidade e a oportunidade de poder recusar, mas não o fazem na totalidade. Infelizmente, essa é a nossa realidade”, anota, sublinhando que a falta de coragem pode também ter a ver com o facto de as nomeações para os cargos de chefia nessas empresas serem feitas pelo poder Executivo.

O economista entende que foi justamente por isso que empresas como Correios de Moçambique, Transportes Públicos e Linhas Aéreas de Moçambique foram obrigadas e aceitar decisões vindas de fora.

Sobre o papel social das empresas participadas pelo Estado, Mukhtar Carimo diz que ainda há muito por se fazer, até porque a prioridade de todas as instituições deve ser de maximizar os lucros e o investimento dos seus accionistas. Essa filosofia, segundo o economista, deve inevitavelmente guiar as empresas, facto que vai contribuir para o cumprimento da responsabilidade social.

“Quando se pratica o papel social, não podemos, de forma alguma, influenciar negativamente nas contas finais, porque senão a outra parte morre. Ou seja, eu vou beneficiando a população em detrimento dos ganhos.”

Havendo necessidade de imprimir mais transparência nas empresas participadas pelo Estado, é preciso que se aposte em gestores com capacidade reconhecidas.

“Temos, no país, gestores com um percurso rico, mas que, em termos de iniciativas individuais, são muito pobres. Essa é uma forma correcta de lidar com essa questão. Portanto, os critérios de selecção dos gestores devem ser rigorosos”, anota o economista, que entende, também, que é preciso actualizar os mecanismos de controlo nas empresas, até porque o mundo se desenvolveu bastante em termos tecnológicos.

FALTA DE CONCORRÊNCIA ADORMECEU AS EMPRESAS
Egas Daniel considera que a falta de concorrência por parte das empresas participadas pelo Estado e a baixa flexibilidade do Executivo de se adaptar às novas tendências do mercado contribuem para a baixa rentabilidade e, em alguns casos, para prejuízos acumulados.

Para o economista, apesar da autonomia administrativa e financeira, há sempre uma interferência geral que é típica do Estado. Por essa razão, entende o economista, há redução da capacidade de gerar lucros por parte das empresas.

Entende, ainda, que a aplicação prática da separação de poderes é complicada, num contexto em que as empresas não têm poder prático de impedir que o Estado use um determinado serviço decorrente do facto de não ter feito um certo pagamento dos serviços anteriormente utilizados.

“Algumas dessas empresas eram dependentes do Estado para comprar e pagar por alguns bens e serviços que forneciam. O Estado sempre fica com uma capacidade limitada de fazer pagamentos imediatos pelos serviços.”

Explica, ainda, que os problemas de liquidez do Estado se reflectem nos problemas de tesouraria das empresas, o que obriga as instituições a fazerem dívidas a fim de cobrir as lacunas.
O economista sugere que se repense em que medida a componente social e empresarial pode ser uma mais-valia na gestão das empresas participadas pelo Estado.

“No preço que é cobrado pelas empresas públicas, é preciso ver qual é a parte que é para a componente social. Para tal, é preciso estabelecer uma comparação com as empresas que fornecem o mesmo produto e a que preço.”

O primeiro-ministro diz que os moçambicanos são muito impacientes em relação aos resultados da exploração dos recursos naturais e, por isso, acusam o Governo de estar a “comer sozinho”. Maleiane falava, esta quarta-feira, no lançamento do livro “Indústria Extractiva em África”, do Professor Doutor António Niquice. No evento, também interveio Joaquim Chissano, que disse que é preciso que invista no homem para melhor gerir os recursos.
“Indústria Extractiva em África: Bênção ou Maldição?” É a partir desta dicotomia que António Niquice conduziu a sua pesquisa, lançada em livro esta quarta-feira, em Maputo.

Num evento bastante concorrido, houve vários intervenientes, cada um a tentar explicar como evitar que os recursos de que Moçambique é detentor sejam uma maldição. Maleiane sabe a razão que leva a que se entenda que estes recursos sejam, actualmente, uma maldição.

Para o antigo ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, o problema é que “quase todos nós sofremos do que eu chamo elevada taxa de impaciência” para esperar até que a exploração de recursos naturais comece a dar frutos. Ainda “estão a fazer as pesquisas e diz-se que, provavelmente, nós vamos ter” gás “e todos nós começamos a dizer que o Governo está a comer sozinho e ainda estão a fazer pesquisa. E começamos a lutar, esquecendo que aquele recurso está lá há muitos anos e não havia confusão”.

Talvez não houvesse essa confusão, porque ninguém sabia como explorar os recursos e, para Joaquim Chissano, que escreveu o prefácio da obra, o país não tem como desfrutar dos recursos enquanto os seus cidadãos não forem capacitados. Para isso, recuou no tempo para recordar-se do que ele disse a alguns estudantes e docentes há alguns anos, mas que continua válido.

Era sobre as razões que fazem com que, mesmo tendo tantos recursos, o país não prospera. A resposta, na altura, foi: “É que vocês ainda estão aí a buscar conhecimento. Aqueles que já o buscaram não têm conhecimento suficiente para saber gerir os nossos recursos”, disse Joaquim Chissano.

Na verdade, para o antigo estadista moçambicano, o maior problema reside no facto de que os moçambicanos não têm competência para prospectar os recursos, identificar a sua utilidade e o seu valor; em tudo isso o país depende dos outros.

Essas são reflexões espevitadas pelo livro de António Niquice, mas não são necessariamente o reflexo do conteúdo. Quem devia trazer o conteúdo do livro é o académico João Barros, que o fez e ainda disse que não é um livro de leitura única, é de leitura constante. Na obra, “António Niquice sonha com a justiça e igualdade, no combate à ignorância como fonte do mal, problemas que esta bênção pode resolver”.

Já o autor, o Professor Doutor António Niquice, apresentou também o seu pensamento sobre o que deve ser feito para que os recursos naturais não sejam transformados em maldição.

“O processo de industrialização e diversificação da Economia pode ser uma saída airosa para a resolução dos problemas que enfermam a nossa sociedade, gerando oportunidades para a classe empresarial, para as pequenas e médias empresas, incluindo as comunidades, que possam participar em toda a cadeia de valor, que sejam geradas receitas fiscais que possam induzir o processo de reversão da nossa balança de pagamentos, que é deficitária, mas também gerar recursos que satisfaçam a demanda de meios para a despesa pública”, disse o autor da obra.

Isso foi um excerto, até porque a obra é vasta, com mais de 400 páginas. É uma obra de um académico com uma carreira longa na política como deputado da Assembleia da República e que, por muito tempo, presidiu a Comissão de Plano E Orçamento, que lida com questões económicas no Parlamento moçambicano.
António Niquice também é docente universitário e pesquisador do Centro de Estudos

A Sociedade Interbancária de Moçambique, SIMO, defende que deve haver maior investimento por parte dos bancos para garantir flexibilidade, de modo a evitar congestionamentos nas transações. A SIMO completou este sábado 13 anos de existência.

As recorrentes falhas nos sistemas de pagamentos não são de hoje. Um problema bem conhecido pelos utentes e reconhecido pela SIMO REDE, que através do seu administrador-executivo, Raimundo Matwhassa avançou algumas explicações.

“Quando uma solução entra há sempre alguns ajustamentos que devem acontecer, tanto da parte dos bancos como da própria SIMO e neste momento acreditamos que a rede está estável. É tecnologia e temos de estar sempre a ver se o problema é o tempo de resposta da instituição e como a SIMO está a tratar, então temos de ver isso, refinar os parâmetros para termos a melhor resposta para evitar qualquer congestionamento.”

Para minimizar as  falhas nos sistemas de pagamento, a SIMO defendeu que é preciso que todos os intervenientes sejam flexíveis, sobretudo os bancos.

“Temos de garantir os investimentos, garantir maior colaboração com os bancos, que são também os players,  porque numa transação estão envolvidos muitos players e o tempo de resposta conta muito para evitar congestionamento.”

Ainda à margem das celebrações do décimo terceiro aniversário da SIMO Rede, Mathwassa insistiu que a rede não deve ter quaisquer problemas. “A nossa rede não pode ter nenhum problema. Nós temos certificações internacionais que não podem falhar e qualquer falha da certificação internacional significa não operarmos”, alertou.

A cerimônia, que contou com a presença do Governador do Banco de Moçambique, foi marcada pela premiação dos funcionários que mais se destacaram ao longo dos 13 anos de existência da SIMO Rede.

O sector privado diz que a nova Lei Cambial, ora em fase de divulgação pelo Banco de Moçambique, está a gerar restrição no acesso a divisas. Um dos sectores que mais se ressente é o de viagens, onde já se regista fuga de companhias aéreas devido a dificuldades para repatriar capitais e realizar operações no mercado.

Enquanto, por um lado, o aumento da margem do investimento directo estrangeiro em Moçambique sem validação do Banco de Moçambique é recebido com azáfama, há, por outro, críticas em relação à Lei Cambial. Por exemplo, o sector do turismo incorre em prejuízos, de acordo com a Confederação das Associações Económicas.

Segundo o presidente do pelouro do Turismo na CTA, Muhammad Abdullah, a confederação tem recebido reclamações relacionadas à falta de divisas, o que está a afectar negativamente, de forma particular, o sector das viagens, principalmente a continuidade dos negócios das companhias aéreas.

“O turismo precisa de novas companhias, mas as companhias que cá estão a actuar estão a sofrer por falta de divisas. Estas entidades precisam, nalgum momento, de repatriar capitais para fazerem face aos custos das operações de handling e combustíveis. Enfrentam constrangimentos para as suas operações quando aterram nos aeroportos de Maputo, Beira e Nampula”, disse Abdullah.

O sector privado fala de registo de duas companhias aéreas que deixaram de operar no mercado moçambicano, como é o caso da Air France, que já voou para Moçambique e tinha a pretensão de voltar, mas retrocedeu na sua decisão.
“Deu 20 passos para trás. Não só cancelou os voos como também cancelou o seu inventário ao mercado moçambicano”, pelo que as agências de viagens não podem sequer agendar voos para estas companhias, segundo explicou o responsável.

“A situação não afecta só as empresas aéreas, mas também o cidadão, se o cidadão moçambicano quer comprar passagens pela Air France. Não se pode aceder à partilha do mercado moçambicano, tem de se recorrer à África do sul ou outro país. Tivemos também o caso da Cathay Pacific. Deixou de estar activo cá, em Moçambique, e pediu a intervenção da CTA para que, através da plataforma de diálogo com o Governo, fizesse chegar e resolvesse esse problema da nossa economia”, disse Abdullah.

O sector privado entende ser mais do necessária uma intervenção do Governo. “Nós queremos mais investimento. Nós queremos mais movimento turístico e que companhias aéreas venham para Moçambique. Essa é uma questão que é primordial, que o Governo, os ministros da Economia e Finanças e do Turismo devem resolver”, explicou.

O sector privado não avança números quanto aos prejuízos, até porque ainda estão em processo de levantamento.

Para a CTA, é preciso criar algum incentivo para atrair novas companhias aéreas ao país. “Basta ver que os preços das viagens domésticas são proibitivos, não direi que é por falta de concorrência, mas sim por falta de soluções e investimento, o que afecta o turismo no país. O turista consegue ter uma viagem de Londres para Maputo, por exemplo, por 30 mil Meticais, mas, quando chega aqui e quer ir para Nampula, tem de pagar entre 30 a 40 mil Meticais. Temos recebidos essas reclamações”, revelou a finalizar.

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