O País – A verdade como notícia

Os mandantes de crimes de raptos e sequestros no país são oriundos do continente asiático, suspeita o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFIM). Os indivíduos têm antecedentes criminais, são maioritariamente nacionais ou têm nacionalidade adquirida.

Sem revelar nomes, rostos, nem idades, o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique assegura saber quem são os indivíduos suspeitos de mandar raptar ou sequestrar empresários em Moçambique, no seu mais recente relatório.

No Relatório de Análise Estratégica acabado de ser publicado, o GIFIM diz ter recolhido e analisado comunicações, informações e relatórios referentes ao período de 2014 a 2024.

Dos dados, o Gabinete de Informação Financeira concluiu que os supostos mandantes dos crimes de raptos no país são, maioritariamente, indivíduos nacionais ou com a nacionalidade adquirida, oriundos de países ou jurisdições da Ásia, com antecedentes criminais.

Coincidência ou não, grande parte das vítimas são também de origem asiática, segundo refere o relatório. “São maioritariamente indivíduos nacionais ou com a nacionalidade adquirida, oriundos de países ou jurisdições da Ásia com a profissão de empresário e/ou comerciante e/ou seus familiares”, lê-se na publicação.

Por seu turno, os suspeitos de executar os crimes de raptos e sequestros são também provenientes do continente asiático e não só: são ainda da África do Sul e de outras partes do mundo e possuem ou adquiriram nacionalidade moçambicano.

Os indivíduos suspeitos raptam ou sequestram as vítimas em Moçambique, levam-nas a cativeiros e exigem em troca o resgate em dinheiro, muitas vezes em numerário.

Nos últimos 10 anos, o valor solicitado pelos sequestradores, até aqui apurado, ultrapassa 2,1 mil milhões de Meticais, o equivalente a mais de 33 milhões de dólares norte-americanos.

Do trabalho de análise realizado pelo GIFIM constatou-se ainda haver indícios para a suspeita do envolvimento de membros das Forças de Defesa e Segurança, advogados, empregados bancários, supostos/pretensos empresários, magistrados nos crimes, entre outros.

Os criminosos recorrem a contas bancárias de familiares mais próximos ou a empresas por si controladas ou pelos seus familiares, bem como de funcionários das Forças de Defesa e Segurança, para introduzir o dinheiro, muitas vezes pago em numerário, para o resgate das vítimas. Para tal, mentem que o dinheiro é resultante de receitas das actividades da empresa.

Os crimes são frequentemente cometidos na Cidade de Maputo, províncias de Maputo, Manica, Sofala e Nampula.

“Para efeitos de dissimulação, foram criadas várias empresas controladas por indivíduos e/ou grupo de indivíduos suspeitos, e abertas várias contas bancárias em diversas entidades financeiras da República de Moçambique, em nome das mesmas, que, através de múltiplos depósitos em numerário, introduziram fundos no sistema financeiro nacional, bem como realizaram transferências bancárias complexas entre si e com outras entidades”, diz o GIFIM.

De seguida, as quantias resultantes da lavagem de dinheiro são enviadas para Dubai, Hong-Kong, Tailândia, Singapura, Portugal, Ilhas Maurícias e África do Sul, alguns deles tidos como paraísos fiscais. Denúncia dos casos suspeitos é a principal recomendação do relatório.

De acordo com o Gabinete de Informação Financeira, os raptos seguidos de extorsão são motivados pela necessidade de vida fácil dos criminosos, mas também podem estar associados a focos de instabilidade política e de conflitos internos.

Mais de 150 empresários foram raptados e cerca de 100 já abandonaram o país, do ano 2012 a esta parte, revela a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). Por isso, os “patrões” exigem do Governo medidas enérgicas.

Os empresários já não sossegam devido ao recrudescimento dos raptos no país, diz Pedro Baltazar, presidente do pelouro de segurança e protecção na CTA. “No âmbito do fenómeno dos raptos contra os empresários em Moçambique, a CTA tem desencadeado a advocacia em prol da sua eliminação, desde as primeiras ocorrências. No mesmo âmbito, e  quadro do diálogo público-privado estabelecido, com vista a dar uma melhor atenção à advocacia contra os raptos, criámos o Pelouro da Segurança e Protecção Privada, que, entre outras matérias, tem dialogado incansavelmente e a diversos níveis”.

Baltazar diz que “junto dos nossos associados, temos auscultado de forma permanente sobre as melhores abordagens para a erradicação deste mal, entre as recomendações saídas dos referidos processos de auscultação, que partilhamos também com o Governo. Os nossos membros, a comunidade empresarial no seu todo, têm estado a exercer pressão, para que possamos tomar medidas radicais para pressionar o Governo. Vocês próprios já ouviram que os empresários, várias vezes, ameaçaram paralisar a actividade comercial. Como líderes, temos estado a gerir estas pressões. O Governo é nosso parceiro e é por isso que optamos pelo diálogo. Em algum momento, podemos não conseguir segurar esta pressão”.

E face ao aumento de casos, a Confederação das Associações Económicas diz ter partilhado com o Governo recomendações para acabar com os raptos.

“A CTA tem estado, ainda, a partilhar com a imprensa, nos comunicados anteriores, os impactos negativos que este fenómeno tem causado na economia, e passados cerca de 12 anos desde a ocorrência do primeiro rapto, achamos que é tempo suficiente para que o Governo se posicione de forma mais pragmática e dar um ‘basta’ a este mal”.

Eduardo Sengo, director-executivo da CTA, considera que o envolvimento de membros das Forças de Defesa e Segurança nos raptos inibe os empresários raptados de colaborarem com as autoridades, e é por isso que os empresários exigem um posicionamento claro do Governo. “A colaboração do empresário vai ser cada vez maior no esclarecimento do que está a acontecer na prestação de informação, como tem estado a exigir o Ministério do Interior”.

O país e o mundo vivem um momento particular no que se refere à produção de alimentos. Cada vez mais, as técnicas usadas durante o cultivo são importantes para os produtores e para os consumidores. Por isso mesmo, a sexta edição da MOZGROW, neste segundo dia, reflectiu sobre a inovação e pesquisa aplicada em agricultura sustentável.

Na Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo, três intervenientes juntaram-se num painel, que procurou elaborar uma radiografia do sector da agricultura, sempre focado em propostas sólidas.

Como que a lançar o debate,  Gabriel Viegas, Director da Faculdade de Engenharia e Agricultura da UnISCED, ao defender que a produção de alimentos depende de uma sustentável inovação e pesquisa aplicada, referiu-se à importância do aumento de áreas no processo de produtividade agrícola.

Para o orador, a expansão horizontal da produção, combinada com a intensificação da agricultura, com duas ou três campanhas na mesma área e com aumento de produção de estratégia tecnológica e investigação aplicada, é um factor determinante.

Visto que as plantas não crescem sem água, o Director da Faculdade de Engenharia e Agricultura da UnISCED defendeu que o uso racional do líquido, de fertilizantes e a capacitação dos agricultores são práticas imprescindíveis. De seguida, avançou a necessidade de se ter atenção à importação de sementes mediante à sua adaptabilidade dos solos. De contrário, “podemos importar e as sementes não germinarem”.

Como produzir sem causar problemas para o planeta? A esta pergunta retórica, Viegas respondeu: “Com agricultura sustentável, que permite pensar nas gerações vindouras, com recursos a usar de forma consequente, com uso  mínimo  de pesticida e fertilizantes, com gestão consciente”.

Antes de concluir, Gabriel Viegas defendeu, também,   a importância de se formar as pessoas. “Só assim poderemos garantir a produtividade e a sustentabilidade. Temos de capacitar as pessoas que trabalham com os agricultores”.

A reflexão sobre o tema proposto na sexta edição da MOZGROW foi continuada por Sebastião Famba, da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). O orador iniciou a sua intervenção debruçando-se sobre a agricultura  e resiliência climática, onde fez menção aos estudos realizados pela sua instituição nas zonas costeiras do Sul do país, designadamente, Maputo, Gaza e Inhambane. O objectivo é avaliar o desempenho das práticas agrícolas  feitas e desenvolver com agricultores cenários para a sua intensificação.

Assim, as pesquisas da Universidade Eduardo Mondlane incluíram um estudo diagnóstico participativo, com envolvimento de grupos que abarcam a cadeia de valor, com atenção para a diversificação cultural, protecção dos recursos, redução de insumos e de fertilizantes.

Sebastião Famba propôs a identificação de modelos de intensificação agrícola que não põem em causa o ambiente e o investimento na monitoria dos resultados alcançados.

Binaíssa Castiano, do Instituto Politécnico de Manica, por sua vez, começou por lembrar que as mudanças climáticas prejudicam os rendimentos dos produtores nacionais. Apontou alguns exemplos de constrangimentos nas províncias de Tete e Manica e revelou que a sua instituição tem levado culturas que melhoraram a estrutura do solo.

Na sua abordagem, o orador disse, ainda, que, nas suas actividades, o Instituto Politécnico de Manica pensa, não só na alimentação em si, mas, igualmente, na questão de renda.

Tendo em consideração pesquisas realizadas em dias de campanhas do ano passado e deste, “vimos que cultivo em faixa de feijão-boer e algodão dava melhores resultados em termos de consistências”, e acrescentou: “O cultivo de gergelim e milho também dá resultados satisfatórios. Mas são apenas os resultados preliminares, pois precisamos validar os dados deste ano”.

Outra estratégia adoptada pelo Instituto Politécnico de Manica foi a introdução de quintais produtivos, seleccionados por serem adequados para obtenção de melhores rendimentos e redução da falta de alimentos na comunidade. “A comunidade deve ser informada e formada em negócio e maneio das áreas produtivas, de modo que as suas práticas possam reflectir no rendimento económico”, explicou Castiano.

Já a terminar, Binaíssa Castiano apontou para os resultados das pesquisas que não são implementados nos locais indicados, como um dos principais constrangimentos para o sector da agricultura sustentável. E acrescentou que, nas zonas com maior produção agrícola, têm-se verificado problemas de escoamento devido às péssimas qualidades de estrada.

Assim, o país vê-se obrigado a depender da África do Sul até para importação de tomate. “Os nossos produtos não circulam. Algumas políticas e alguns decisores políticos não estão interessados em alavancar a produção agrícola interna. E ainda temos o problema de aprovação de leis inerentes ao tipo de mecanismo a adoptar para a produção”.

A sexta edição da MOZGROW continua esta tarde, na Arena 3D, na Catembe.

Os produtores de carne e seus derivados queixam-se de prejuízos decorrentes dos efeitos das mudanças climáticas no país. O aumento da temperatura nos últimos anos, por exemplo, fez com que a produção diária de leite baixasse.

No segundo dia da maior feira de agronegócios de Moçambique, a MOZGROW, foi debatida a resiliência e adaptação da agropecuária às mudanças climáticas.

De acordo com os painelistas, os efeitos das mudanças climáticas têm sido “catastróficos”, chegando a causar grandes prejuízos aos produtores.

A subida da temperatura foi um dos problemas apresentados pelos actores do sector pecuário. 

Segundo Rafael Escrivão, veterinário e docente universitário,  depois do ciclone Idai, que fustigou a região centro do país em 2019, o sector pecuário começou a registar grandes perdas, resultantes de doenças originadas pelo ciclone.

Escrivão diz ainda que o aumento da temperatura faz com que o gado gaste mais energia, contribuindo, assim, para a perda de gorduras e outros valores nutritivos. 

O presidente da CTA visitou, hoje, a Mozgrow e destacou a evolução meteórica e resiliência da iniciativa face a inúmeras adversidades. Já o PCA do Grupo Soico agradece a todos os parceiros que apoiam e acreditam na maior feira de agro-negócios do país.

No princípio da tarde de hoje, uma delegação da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, chefiada pelo respectivo presidente, visitou a feira Mozgrow.

Depois de recebida e acompanhada pelo presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico, Daniel David, a delegação da CTA foi de stand em stand e interagiu com vários expositores.

De cada um deles, eles recebiam a explicação do que se está a expôr. Mais do que saber o que estava a ser exposto, à delegação da CTA interessava, também, saber a expectativa dos expositores em relação à feira Mozgrow.

E a Mozgrow é, igualmente, uma plataforma para quem quer queira comprar produtos agro-pecuários. Foi por isso que a delegação da CTA comprou parte dos produtos em exposição na feira. Vendia-se tanto que nem sobra para os outros.

Desengane-se quem pensava que, na feira Mozgrow, só há expositores nacionais. O Reino de eSwatini está no evento a expor a sua indústria de carne.

“Estamos aqui para reavivar as boas relações. Nós vendíamos muito bife para Moçambique, antes de muitos outros países começarem a trazer a carne para o país. O que nós queremos fazer é reintroduzir a nossa aposta”, contextualizou a representante da indústria de carne de eSwatini.

E a porta desta reintrodução da indústria de carne de eSwatini vai ser a feira Mozgrow, onde haverá um festival de carne.

“Nós vamos trazer uma variedade de carne. Nós estaremos a saborear isso aqui (na Mozgrow). Nós vamos cozinhar para a população moçambicana e para todos”, revelou a representante da indústria de carne de eSwatini.

Enquanto isso não acontece, há que saborear o que já está a ser preparado noutros stands.

Depois de degustar da carne, um aceno afirmativo das cabeças e um sinal no dedo polegar era um indicativo de que a carne e tudo o que está a ser preparado na Mozgrow é delicioso.

E, depois disto, todo o mundo quis aproximar-se e confirmar o sabor delicioso do que na Mozgrow se prepara.

De tanto ser bom, há quem levou uma parte para casa.

Depois de tudo isto, o presidente da CTA ficou impressionado com a feira e elogiou a iniciativa.

“Acho que a Mozgrow tem uma evolução meteórica daquilo que consigo ver hoje (actualmente). Com os desafios da COVID-19, houve dificuldades de implementar como era desejável, mas este (a Mozgrow) passou a ser o ponto de encontro de fazedores de negócio no campo do agro-negócio”, referiu o presidente da CTA, Agostinho Vuma.

O presidente da agremiação dos empresários considera a Mozgrow “um dos grandes eventos que Moçambique tem e, no campo do sector privado, o grande evento que temos e que promove o agro-negócio, que cria um one stop shop para o encontro de homens de negócio no campo, particularmente, do agro-negócio. Portanto, as minhas felicitações e espero que mais empresas e expositores deste sector se cruzem neste evento”.

E o PCA do Grupo do Soico agradece a todos os que acreditam e acarinham a Mozgrow.

“Um sentimento de gratidão, principalmente por estes parceiros que estão na feira e que nos apoiam e acreditam que o crescimento empresarial é baseado em negócio. A Mozgrow visa encontrar a procura e a oferta e criar valor para ambos os lados, satisfazendo necessidades e desejos, e o empresário ganhando o que deve ganhar”, disse Daniel David, PCA do Grupo Soico.

A ideia, explica Daniel David, “é que os parceiros vendam e possam criar, na Mozgrow, uma unidade de negócio, e essa unidade de negócio impacta as pessoas. Nós estamos aqui numa área, minimamente, empresarial. Fundamentalmente, agregando valor aos produtores e àqueles que querem consumir. É um projecto inovador”.

Que o digam o que estão a expor os seus produtos na maior feira de agro-negócio do país.

“Estamos com um público maravilhoso, sempre engrandecendo e melhorando o nosso negócio. Espero, no evento, tudo de melhor, e o nosso produto também é muito bom”, observou Verónica da Rocha, expositora na Mozgrow.

Na feira Mozgrow, não só se come, como também se bebe. Enfim, é um pouco disto que uma multidão de pessoas está a desfrutar na sexta edição da feira Mozgrow.

Os produtores precisam de ter, pelo menos, um pluviómetro para monitorizar e planear melhor as actividades de produção, de modo a minimizar o impacto das mudanças climáticas, defende o climatologista Isaías Raiva, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM). Já o gestor de projectos de desenvolvimento comunitário, Goi Francisco, diz que o país precisa de apostar na permacultura.

Num contexto em que a agricultura do país se ressente dos impactos das mudanças climáticas, provocadas pelo fenómeno El Niño, a sexta edição da Mozgrow discutiu o tema: “Agro-negócio e o desafio das mudanças climáticas”.

A considerar as fragilidades de acesso à informação que os agricultores têm, Isaías Raiva afirmou que seria ideal que cada agricultor tivesse, pelo menos, um pluviómetro para previsões claras sobre os níveis de precipitação.

“Seria importante que cada agricultor tivesse, no mínimo, um pluviómetro. Isso ajudaria a monitorizar melhor a sua actividade. Com o instrumento, eu saberia em que áreas colocar a minha cultura, se vai chover ou não. Este instrumento deve custar 200 Meticais, e nós mostraremos como usar”.

Isaías Raiva também sugeriu que os agricultores devem ter acesso às previsões sazonais que o INAM disponibiliza de forma gratuita. “Saber qual será o clima dos próximos três ou seis meses permite saber quando, o que e onde vou semear e se está a chover o suficiente para a minha agricultura”.

Por sua vez, o gestor de projectos de desenvolvimento comunitário da IPERMO, entidade responsável por projectos de permacultura, em Mahubo, no distrito de Boane, defende que a resiliência do agro-negócio depende do uso e aproveitamento racional das potencialidades de cada região.

Considerando uma pesquisa da FAO, que indica que “a população africana vai aumentar de 15% para 19% até 2030, num ritmo contrário à fertilidade do solo”, e que, “se o continente não adoptar novas abordagens para regenerar o solo até 2050, a terra arável por pessoa vai reduzir para ¼ do que era em 1960”, a IPERMO alerta que é preciso adoptar a permacultura, como forma de potenciar a resiliência aos desafios climáticos.

A permacultura pretende criar um sistema de assentamentos humanos sustentáveis, ecologicamente saudáveis e economicamente viáveis, capazes de ser sustentáveis a longo prazo

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) lançou hoje, em Maputo, o portal do fornecedor, que visa conferir mais transparência, eficiência e justiça no fornecimento de bens e serviços à HCB.

A HCB é a maior produtora de energia eléctrica de Moçambique e uma das maiores de África, com cerca de 500 milhões de dólares em receitas anuais e mais de 200 milhões de dólares de resultado líquido. Em média, a hidroeléctrica regista em torno de 2,2 mil milhões de Meticais de compras anuais em bens e serviços no portal do fornecedor, dos quais 60% são feitos no mercado nacional, e o remanescente no mercado internacional. E é para conferir maior confiança e transparência que a empresa apresentou, esta quarta-feira, o portal do fornecedor, aliás, é uma plataforma inovadora, visto que anterior se mostrou obsoleta.

“O Portal do Fornecedor da HCB, representa essa nossa convicção e comprometimento com a transparência, eficiência e justiça nas nossas práticas, em todos os nossos processos de compras.

É uma prova da nossa dedicação em promover relações fortes e mutuamente benéficas com os nossos fornecedores, mas, acima de tudo, revela o nosso compromisso em impulsionar o desenvolvimento económico de Moçambique, através do empresariado nacional, proporcionando um ambiente de equidade e igualdade entre todos.

“Julgamos que o desenvolvimento a que nos referimos passa por criar acessibilidades e facilidades ao empresariado nacional, criando oportunidades de participar em todas as licitações para o fornecimento de bens e serviços para a HCB, através de uma plataforma em que todos têm igualdade de acesso à informação”, disse Tomás Matola, Presidente do Conselho de Administração da HCB.

Os fornecedores e potenciais fornecedores de bens e serviços que marcaram presença naquele evento público tiveram a oportunidade de questionar como funciona o portal. Na mesma ocasião, foi explicado que toda a transação vai ocorrer dentro do portal e exigiu-se seriedade e rigorosidade no uso da plataforma.

O PCA da HCB reafirmou a convicção de que o portal vai dinamizar a prestação de serviços à hidroeléctrica e impulsionar o empresariado nacional.

“Ao embarcarmos neste novo capítulo, estamos conscientes das responsabilidades que o acompanham. Por isso, estamos empenhados em manter os mais elevados padrões de integridade, ética e conformidade, em todas as nossas interacções com os nossos fornecedores. Este portal será um veículo para reforçarmos estes princípios e garantirmos que as nossas práticas de compras são conduzidas com o máximo profissionalismo e justiça, pois reconhecemos que os nossos fornecedores são parceiros cruciais para o nosso sucesso e estamos empenhados em criar um ambiente que lhes permita prosperar.”

Para terminar o seu discurso, Tomás Matola agradeceu aos que colaboraram para a renovação da plataforma.

“Finalmente, gostaria de expressar o meu sincero agradecimento a todos os colaboradores e equipas técnicas que estiveram envolvidas e que trabalharam incansavelmente para concretizar a renovação do portal do fornecedor, bem como para a realização deste evento. A vossa dedicação e entrega abnegada foram fundamentais para tornar esta visão uma realidade.”

A hidroeléctrica de Cahora Bassa garante que, com este portal, foi reforçada a transparência.

Moçambique poderá assinar acordos, dentro de três meses, para fornecer feijão à China. Por isso, o Presidente da República, Filipe Nyusi, convidou, hoje, empresários árabes para investirem no país, tanto nessa como noutras áreas de actividade.

O convite foi feito a uma delegação de empresários árabes que se encontra em Moçambique à procura de oportunidades de investimento.

Os homens de negócios participam, entre hoje e amanhã, na Cidade de Maputo, no Fórum de Negócios e Investimento Árabe em Moçambique.

Na abertura do evento, o Presidente da República convidou os empresários a investirem em diversas áreas, entre elas a agricultura.

“Estamos a preparar, ainda este ano, dentro de dois ou três meses, vamos assinar acordos de fornecimento de feijões para a China, e as quantidades são enormes, o que significa que precisamos de produzir para sustentar esse interesse. O mercado do consumo é enorme”, disse Filipe Nyusi.

No entender do Chefe do Estado, são também enormes as oportunidades nos sectores de estradas e transportes. Uma dessas oportunidades está no Aeroporto de Nacala.

“É preciso colocar mais meios para aproveitar o tráfego que é desviado para outras rotas vantajosas, assim como aproveitar o potencial do aeroporto de Nacala. Eu tenho dito que o Aeroporto de Nacala fica próximo de tudo. De Nacala, vai-se, em poucas horas, para Ásia, para Europa, para as américas, portanto, estrategicamente é um aeroporto que pode e deve ser explorado. O mesmo acontece com a EN1. Há aquele ditado do ovo e da galinha, no qual se questiona o que é o primário, o ovo ou a galinha, mas, quando as coisas acontecerem, o movimento vai gravitar”, explicou o Presidente da República.

E porque Moçambique tem um enorme potencial energético, Nyusi quer ainda que os árabes façam investimentos para reduzir o défice energético na região da África Austral.

“Pela projecção da Barragem de Mpanda Nkuwa, que joga um papel crucial na geração de energia limpa para o mercado da África Austral, que se encontra numa fase de estruturação comercial para a sua viabilização, incluindo a viabilização de financiamento, a energia é limpa por si só, mas a energia na África Austral tem mercado, porque, até agora, para se produzir, há uma carência de energia. Portanto, é um projecto vendável e viável”, disse Filipe Nyusi.

O fórum é organizado pelo Ministério da Indústria e Comércio, através da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações, em parceria com o Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África – BADEA.

No evento, o Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) mostrou-se disponível a continuar a financiar projectos no país.

“Nos últimos cinco anos, o BADEA e os parceiros deste grupo contribuíram para o financiamento para o desenvolvimento em mais de 600 milhões de dólares para apoiar o desenvolvimento em Moçambique nos transportes, energia, saúde, saneamento, TIC, ambiente e desenvolvimento de capacidades”, disse o presidente do BADEA, Sidi Ould Tah.

O primeiro painel desta tarde, na MOZGROW, evento que decorre na Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo, debateu sobre “Agricultura como actividade de reinserção social: cultivando oportunidades e transformando vidas”.

O encontro envolveu Alcides Nhamatate, da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze; Augusto Novo, do Serviço Cívico de Moçambique; e Cremildo Fernando Nhacololo, do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP).

O debate sobre as questões que afectam o sector em debate iniciou com a intervenção de Alcides Nhamatate, da Agência do Zambeze, que se referiu ao compromisso da sua instituição com o desenvolvimento de projectos que pretendem fomentar a integração de jovens através de negócios sustentáveis, no caso, nas penitenciárias das quantro províncias do Centro do país, onde actua.
Segundo Nhamatate, é importante a capacitação institucional manuseamento de materiais e insumos, treinamento aos formadores e aos formados, aos internos e aos prestadores de serviços cívicos. Paralelamente, Nhamatate defendeu a relevância da facilitação  de financiamento, em espécie, com kit para que os internos possam iniciar um negócio, uma vez regressado ao convívio familiar.

Com as suas acções, a Agência do Vale do Zambeze espera que surjam start up e empresas capazes de gerar empregos até para os que nunca foram presos.

Desde 2023, a Agência do Zambeze já alocou, no projecto de reinserção social, tratores, insumos diversos de agropecuária, equipamentos de carpintaria, corte e costura. Em termos de produção, já conseguiu alcançar mil toneladas.

Reagindo a uma pergunta do público, Nhamatate disse que o grande desafio é adaptar os internos aos programas e levá-los a acreditar que, ao saírem da penitenciária, podem ser iguais a tantos outros cidadãos.

O projecto de reinserção do Vale do Zambeze foi lançado em Fevereiro do ano passado.

O segundo orador a intervir, no primeiro painel desta tarde, foi Augusto Novo, representante do Serviço Cívico de Moçambique. Na intervenção, Augusto Novo disse que, desde o princípio, o foco da sua instituição sempre foi capacitar os jovens para saberem fazer. Agora, o projecto realizado em parceria com a Agência do Vale do Zambeze implica desenvolver habilidades para, ao voltarem à comunidade, os formandos possam abrir o seu negócio com base naquilo que lhes foi transmitido quando estiveram a cumprir o serviço cívico. “Nós desenvolvemos várias actividades para poder empoderar as Forças Armadas e reduzir os seus custos. Em várias áreas e não apenas ao nível da agricultura”, acrescentou Augusto Novo: “A parceria com a Agência do Vale do Zambeze é uma almofada porque tínhamos dificuldades de apoiar os formandos, quando voltassem a casa. Agora, eles têm um kit e um financiamento para iniciar com o seu próprio negócio”.

Por fim, interveio o representante do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP). Segundo Cremildo Fernando Nhacololo, a instituição possui unidades de produção em todas as províncias e em quase todos os distritos com representação. “Verifica-se, hoje, que onde a Agência actuou, houve desenvolvimento”. E disse mais: “Fazemos uma avaliação positiva. Se um indivíduo sai da prisão e não sabe fazer nada, a sua sobrevivência fica em causa, e, provavelmente, voltará à prisão. O nosso desafio é ajudá-los para, ao sairem, possam encontrar emprego ou possam ser empreendedores”.
A MOZGROW continua a decorrer na Arena 3D, esta tarde, até sexta-feira.

+ LIDAS

Siga nos