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O País – A verdade como notícia

O comércio electrónico e a economia digital consolidam-se como alguns dos segmentos de crescimento mais acelerado da economia mundial, mas continuam a enfrentar um problema central: a falta de dados estatísticos consistentes e comparáveis. Para responder a este desafio, a Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento lançou uma nova base de dados global dedicada à medição do valor do comércio electrónico.

A iniciativa reúne estimativas nacionais já existentes e identifica áreas críticas onde a recolha regular de informação ainda é insuficiente. A apresentação ocorreu no âmbito de uma reunião internacional que juntou representantes de dezenas de países, reflectindo a crescente preocupação com a incapacidade de muitos Estados de acompanharem, em termos estatísticos, a transformação digital em curso.

O comércio realizado através da internet, os serviços digitais e as transacções transfronteiriças online crescem a um ritmo superior ao do Produto Interno Bruto global, segundo a ONU. No entanto, grande parte dessas operações continua fora das estatísticas oficiais, dificultando a formulação de políticas públicas eficazes em áreas como tributação, concorrência, protecção do consumidor e inclusão digital.

A organização aponta que as lacunas de informação também tendem a mascarar desigualdades no acesso às tecnologias digitais, especialmente entre países desenvolvidos e economias em desenvolvimento. Face a este cenário, considera-se que, sem dados fiáveis, muitos governos ficam limitados na capacidade de apoiar micro, pequenas e médias empresas na transição para o ambiente digital ou de negociar acordos comerciais adaptados à nova realidade económica.

Especialistas em comércio digital defendem que a medição neste sector deve evoluir para incorporar fenómenos emergentes, como a inteligência artificial, os novos modelos de negócio digitais, o trabalho remoto e os serviços totalmente prestados online. Para isso, defendem que é necessário actualizar os indicadores existentes e adoptar metodologias inovadoras de recolha de dados.

Na leitura da ONU, o processo enfrenta um obstáculo adicional da redução do financiamento internacional para o desenvolvimento, que compromete a capacidade de muitos países de investir em sistemas estatísticos modernos. Neste contexto, cresce o apelo a uma cooperação mais estreita entre governos, sector privado e organizações internacionais, de forma a evitar duplicações, garantir coerência global e assegurar que a economia digital seja devidamente reflectida nas contas nacionais.

 

A Índia deu mais um passo decisivo no seu processo de ascensão económica global ao ultrapassar o Japão e assumir a posição de quarta maior economia do mundo. O marco foi anunciado pelo próprio governo indiano na sua mais recente análise económica anual e reforçado por projecções do Fundo Monetário Internacional, que indicam que a mudança deverá ser oficialmente confirmada com os dados consolidados do Produto Interno Bruto em 2026.

Com uma economia avaliada em cerca de 4,18 biliões de dólares, a Índia reforça a sua posição entre os grandes motores do crescimento global, sustentada por um mercado interno robusto, uma população jovem numerosa e uma forte expansão dos sectores de serviços, tecnologia e indústria transformadora. As previsões apontam para que, já no próximo ano, o PIB indiano ultrapasse o do Japão, que deverá situar-se ligeiramente abaixo desse patamar.

O governo indiano trabalha ainda com um horizonte mais ambicioso. As estimativas oficiais indicam que, mantendo o actual ritmo de crescimento, a Índia poderá superar a Alemanha nos próximos três anos, tornando-se a terceira maior economia do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. As projecções para 2030 apontam para um PIB próximo de 7,3 biliões de dólares.

Apesar deste desempenho expressivo em termos agregados, o país enfrenta desafios estruturais. O PIB per capita indiano permanece baixo quando comparado às economias desenvolvidas, reflectindo desigualdades sociais profundas e um nível de rendimento médio ainda distante dos padrões das economias avançadas. Em 2024, o rendimento médio por habitante na Índia foi várias vezes inferior ao registado no Japão e na Alemanha.

Esta projecção surge numa altura em que mais de um quarto da população indiana tem entre 10 e 26 anos, o que coloca pressão adicional sobre a capacidade do país de criar empregos qualificados em número suficiente. Ao mesmo tempo, o país enfrenta tensões no comércio internacional, incluindo tarifas mais elevadas impostas por parceiros estratégicos, num contexto de crescente fragmentação geopolítica.

Ainda assim, a trajectória da Índia confirma uma mudança estrutural no equilíbrio económico global, com as economias emergentes a ganharem peso e influência, redefinindo o mapa do crescimento mundial.

 

O Banco de Moçambique denuncia a proliferação de esquemas fraudulentos associados a propostas de financiamento de projectos de investimento e de donativos no País, envolvendo entidades que actuam à margem do sistema financeiro formal e recorrem a práticas enganosas para obter pagamentos antecipados.

Num comunicado divulgado recentemente, o banco central refere que “tem vindo a registar a actuação de entidades que apresentam propostas com características típicas de burla, destacando-se a indicação de montantes irrealistas, a utilização de canais de transferência não reconhecidos pelo sistema financeiro nacional, frequentemente designados como ‘codificados’, e a exigência de pagamentos prévios como condição para a suposta libertação de fundos”.

De acordo com o documento, as referidas propostas “incluem ainda a emissão de documentos de transferência não reconhecidos pelos bancos comerciais, bem como a prestação de informações pouco claras, contraditórias ou incompletas”, factores que elevam o risco de prejuízos financeiros para cidadãos, empresas e instituições.

Perante este cenário, o Banco de Moçambique não recomenda a efectivação de pagamentos antecipados como requisito para o desbloqueio de fundos alegadamente provenientes do exterior, sublinhando que tal prática constitui um forte indício de fraude.

Por outro lado, o banco central exige o cumprimento obrigatório dos instrumentos legais que estabelecem deveres rigorosos de avaliação de risco, identificação, verificação e diligência, no âmbito da prevenção e combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa, como forma de minorar o infortúnio.

O Banco de Moçambique recomenda ainda que “os potenciais beneficiários procedam à verificação da credibilidade dos financiadores ou doadores, através da análise do respectivo perfil de risco, recolha de informações sobre investimentos semelhantes realizados noutros países, avaliação de projectos em curso no território nacional, confirmação da utilização prévia do sistema financeiro nacional para envio de fundos, bem como a obtenção de dados sobre eventuais sócios ou representantes locais”.

O banco central, que se diz preocupado, sublinha que qualquer proposta de financiamento ou donativo que apresente sinais de irregularidade deve ser analisada com elevada prudência, de forma a mitigar a ocorrência de burlas e outros actos fraudulentos que colocam em risco a estabilidade do sistema financeiro e a confiança dos agentes económicos.

Matola e Pemba são as autarquias com as dívidas comerciais mais elevadas, com um peso de 93% da dívida comercial total em 2024, com maior preocupação para a de Pemba, por estar a falhar o pagamento das prestações.

O stock da dívida total das autarquias em 2024 foi equivalente a cerca de 95% da receita própria que arrecadaram. Tal mostra que há um nível elevado de endividamento das edilidades face à sua capacidade de gerar recursos próprios.

Os dados constam do Relatório de Riscos Fiscais das Autarquias Locais 2019-2024. O documento aponta ainda que as autarquias atravessam momentos de vulnerabilidades relevantes em termos de sustentabilidade fiscal. 

Importa destacar que a dívida das autarquias aos seus fornecedores tem o maior peso, correspondendo a aproximadamente 82% da dívida total, o que reflecte constrangimentos de liquidez e atrasos nos pagamentos correntes. 

Segundo o relatório, este perfil de endividamento foi fortemente influenciado por algumas autarquias, com destaque para Matola, Pemba e Maputo, com cerca de 1,776 mil milhões, 600 milhões e 535 milhões de meticais em dívidas.

O documento refere ainda que a elevada concentração de dívidas nestes municípios aumenta o risco sistémico nas autarquias e reforça a necessidade de medidas de consolidação fiscal, de melhoria da gestão de tesouraria e de reforço da capacidade de arrecadação de receitas próprias por parte dos municípios.

Por seu turno, a dívida comercial foi fortemente explicada pelas autarquias da Matola e Pemba, representando um peso de 93% do total em 2024, com maior preocupação para a de Pemba, por incumprimento do pagamento das prestações.

São autarquias com alto risco fiscal: Metangula, Pemba, Montepuez, Mueda, Nampula, Ilha de Moçambique, Nacala, Angoche, Ribáuè, Quelimane, Mocuba, Ulongue, Manica, Catandica, Sussundenga, Dondo, Marromeu, Gorongosa, Quissico, Xai-Xai, Chókwè, Mandlakazi, Namaacha e Cidade de Maputo.

Com cerca de 33% da receita própria global e 25% da receita total, a autarquia da Cidade de Maputo faz parte do grupo, o que distorce os resultados médios do grupo, melhorando os rácios relativos à receita própria. “Se retirarmos esta autarquia do grupo, os rácios assumem valores mais alarmantes”, alerta a nota.

Tais autarquias fazem parte do grupo de alto risco por inúmeras razões, entre elas as seguintes: apresentam múltiplas fragilidades, como baixa capacidade de arrecadação da receita própria, despesas salariais elevadas em relação às receitas próprias e elevado peso do endividamento, pode-se ler no documento.

“Os rácios receita própria por despesa total situam-se abaixo de 40%, indicando forte dependência de transferências do Estado; os rácios salários por receita própria superam os 100%, indicando que as autarquias não têm capacidade de financiar salários com seus próprios recursos; e dívidas superiores a 60% da receita própria comprometem a liquidez e capacidade de investimento”, refere.

O Relatório de Riscos Fiscais das Autarquias Locais 2019-2024 aponta ainda que os gastos com pessoal são a principal causa dos desequilíbrios, ao estarem acima do limiar de autonomia em 71% das Autarquias analisadas.

“Há necessidade de acompanhamento contínuo e regular das finanças autárquicas para melhorar a previsão e a gestão dos riscos fiscais a longo prazo, acautelando crises financeiras que possam afectar a capacidade de prestação de serviços públicos essenciais à população”, considera o Ministério das Finanças.

No geral, a receita própria das autarquias registou um crescimento médio de 35% de 2019 a 2024, motivada pelo esforço empreendido na arrecadação da receita própria através de campanhas de fiscalização e sensibilização, digitalização de serviços de cobrança e alargamento da base tributária.

“Cerca de 36% da receita própria global é detido pela autarquia de Maputo, seguida das Autarquias de Matola, Beira, Nampula e Tete com 14%, 11%, 7% e 6%, respectivamente”, aponta o relatório do Ministério das Finanças.

Outro dado não menos importante que consta do Relatório de Riscos Fiscais das Autarquias Locais 2019-2024 é que mais de 70% da receita própria é gerada em cinco municípios, com destaque para as cidades de Maputo, Matola e Beira.

O stock da dívida das autarquias em 2024 foi equivalente a 95% da receita própria que estas arrecadaram. Segundo o Ministério das Finanças, Matola e Pemba, esta última a falhar pagamentos de prestações, são as autarquias com as dívidas comerciais mais elevadas, com peso de 93% no valor global.

Índia reclama ter ultrapassado o Japão e diz ser agora a quarta maior economia do mundo na sua mais recente análise económica anual

Distrito de Chibabava poderá ter fábrica de cimento em 2027, num investimento avaliado em cerca de 280 milhões de dólares dos EUA

Financiamentos e donativos: Banco de Moçambique denuncia esquemas fraudulentos

 

A Autoridade Tributária prevê arrecadar, em 2026, cerca de 15 mil milhões de meticais a mais nas receitas, em resultado das reformas das leis fiscais recentemente aprovadas pela Assembleia da República. A tributação das operações digitais é apontada como o principal motor da subida.

A Autoridade Tributária de Moçambique chamou, nesta segunda-feira, a imprensa para fazer o balanço das actividades de 2025, mas começou por perspectivar o 2026, com o impacto da revisão do pacote fiscal.  

“O resultado expectável deste pacote todo extenso de reforma tributária é de cerca de 15 mil milhões que o Estado vai passar a cobrar, a coletar para os seus cofres a partir de 2026.  Portanto, seria mais ou menos a cereja por cima do bolo deste grande exercício que foi  feito durante o ano de 2025. Dentro da Autoridade Tributária nós temos o que se chama o E-Tributação, por exemplo”, explicou Fernando Tinga, Porta-voz da AT.

A Tributação das plataformas e operações digitais é apresentada como o principal meio de coleta.

“E fora da Autoridade Tributária, por exemplo, há uma infraestrutura criada pelas próprias  operadoras. Vou dar um exemplo. Um segmento específico das operadoras tem uma estrutura própria que tem que se comunicar com a infraestrutura da Autoridade Tributária.

Num e noutro caso há de ser necessário criar outros mecanismos, mas tudo no sentido de  garantir que todo o comércio que é feito a nível digital possa ser do conhecimento da Autoridade e onde houver espaço para a tributação, essa tributação seja feita”, esclareceu. 

A AT apresentou ainda um camião com bebidas alcoólicas apreendido, resultantes de contrabando.

“Graças ao trabalho de inteligência foi possível identificar e imobilizar a viatura que trazia várias bebidas alcoólicas, avaliadas a cerca de 700 mil meticais. Depois foi possível chegar a um esconderijo onde constatamos a presença de outras materiais do género, no local onde eram acondicionadas”.

Fernando Tinga referiu-se ainda à apreensão de 382 viaturas que violaram o regime de importação e exportação.

Inhambane volta a abrir os braços ao mundo depois de um período marcado por incertezas, cancelamentos e praias vazias. As projeções apontam para a entrada de mais de 60 mil visitantes, um número que representa mais do que estatísticas, mas sim o regresso da confiança e do turismo como motor essencial para o desenvolvimento da economia local.

Depois de um 2024 atípico, em que a instabilidade e as manifestações afastaram turistas nacionais e estrangeiros, Inhambane reencontra-se com a sua vocação natural. A chamada “terra da boa gente” volta a ser procurada como destino preferido para descanso, lazer e celebração. Nesta quadra festiva os hotéis, estâncias turísticas, casas de férias e operadores locais registam níveis de procura raramente vistos nos últimos anos.

A primeira imagem de quem chega à cidade de Inhambane pelo ar é reveladora: um território aberto, luminoso e convidativo, recortado pelo azul do Índico e pela paisagem que mistura cidade, natureza e mar. Mas é em terra firme que a receção ganha corpo e alma. 

À saída do aeroporto, a música local, as danças típicas de Inhambane e pequenos gestos de hospitalidade traduzem o calor humano que caracteriza a província. Não se trata apenas de receber turistas; trata-se de fazer com que cada visitante sinta que chegou a casa.

O governador da província de Inhambane, Francisco Pagula,  esteve pessoalmente no aeroporto para dar as boas-vindas aos turistas. Para o chefe do executivo provincial, o contacto directo com quem escolhe Inhambane como destino é uma mensagem clara de confiança, segurança e proximidade. Mais do que discursos, a presença no terreno procura transmitir tranquilidade e reforçar a ideia de que a província está preparada para acolher.

“O que nós temos vindo a deixar para os nossos hóspedes ou para os nossos turistas é a necessidade de que eles se sintam em casa, mas também que, em qualquer dificuldade que tiverem no seu dia-a-dia, possam contactar as autoridades governamentais”, afirmou o governador de Inhambane, sublinhando que o objectivo é facilitar a experiência de quem visita Inhambane.  Para Francisco Pagula, é fundamental que os turistas percebam que há instituições disponíveis, organizadas e prontas para responder, criando um ambiente de segurança e confiança.

Os números confirmam o optimismo das autoridades e dos operadores turísticos. Apenas para esta quadra festiva, a província prevê a entrada de cerca de 63 mil turistas, dos quais aproximadamente 25 mil são nacionais. A taxa de reservas ronda os 98%, enquanto a taxa de ocupação efectiva situa-se nos 85%, indicadores que refletem uma retoma clara do sector. São números que contrastam fortemente com a realidade vivida no mesmo período do ano passado.

Em 2024, a ocupação durante a quadra festiva não ultrapassou, em muitos casos, os 10 a 15 por cento. Hoje, com níveis de ocupação efetiva acima dos 80 por cento e reservas praticamente esgotadas, o cenário é descrito como “dez vezes melhor” do que o registado no ano anterior. Para as autoridades provinciais, esta recuperação não acontece por acaso, mas resulta de um esforço conjunto entre o governo, o setor privado e as comunidades locais.

O impacto económico desta retoma é significativo. A presença de milhares de visitantes deverá traduzir-se em cerca de 154 milhões de meticais em receitas diretas associadas ao turismo apenas nesta quadra festiva. São recursos que circulam na economia local, beneficiando hotéis, restaurantes, transportadores, vendedores informais, artesãos, guias turísticos e pequenos negócios que dependem diretamente do fluxo turístico para sobreviver.

Embora reconheça que o valor ainda está aquém do potencial total da província, o governador considera os números animadores, sobretudo quando comparados com o cenário de 2024. “É pouco naquilo que é a nossa expectativa de crescimento, mas é bom, fazendo uma comparação com 2024, onde todos nós sabemos que foi um ano muito atípico para o nosso turismo”, afirmou.

Para além da dimensão económica imediata, a retoma do turismo tem um peso simbólico importante. Representa a recuperação da imagem de Inhambane enquanto destino seguro, acolhedor e atrativo, num contexto regional e internacional cada vez mais competitivo. 

A recente distinção de Inhambane como capital do turismo surge como um reforço adicional desta trajectória. O estatuto projecta grandes investimentos no sector, desde a hotelaria à restauração, passando pelas infra-estruturas, pela promoção turística e pela valorização do património cultural e natural. Para a província, trata-se de uma oportunidade estratégica para consolidar a sua posição como um dos principais destinos turísticos de Moçambique.

A aposta passa também por garantir que o crescimento do turismo seja sustentável e inclusivo. As autoridades defendem que o desenvolvimento do sector deve beneficiar as comunidades locais, criando emprego, rendimento e oportunidades, sem comprometer os recursos naturais que fazem de Inhambane um destino único. O desafio, reconhecem, é crescer sem perder identidade.

O ano económico de 2025 foi marcado por desafios atípicos, que exigiram das empresas resiliência e capacidade de adaptação. É a avaliação do sector privado e de gestores, que consideram que, apesar das dificuldades, foram lançadas as bases para a retoma do crescimento económico do país, fruto das reformas implementadas no primeiro ano deste quinquénio.

O fecho do ano económico revelou uma trajectória marcada inicialmente pela queda de receitas, consequência das manifestações registadas no país, bem como por choques externos e algumas reformas estruturais. Apesar disso, os empresários consideram que as condições para um crescimento sustentável estão a ser criadas.

Noor Momade, presidente do Conselho de Administração da Cotur, reconheceu as dificuldades enfrentadas:
“Não foi um ano fácil, mas trabalhámos. Tivemos momentos complicados e ainda há desafios, mas, como em tudo na vida, os problemas passam. Tivemos o Covid-19, que foi terrível, mas passou. É preciso sermos resilientes, aguentar firmes e persistir. Com proximidade e empenho, as coisas tornam-se diferentes”, afirmou Momade.

Um dos assuntos mais discutidos durante o ano foi a escassez de crédito. Segundo Momade, este tema está no topo das prioridades do governo:
“Nós temos estado a falar com várias instituições, que estão preocupadas e querem resolver a situação. Não há varinha mágica, não podemos pedir milagres, mas, desde que exista essa vontade de resolver, acredito que a situação será ultrapassada. É apenas uma questão de tempo, e temos fé e esperança”, acrescentou.

Agostinho Vuma, presidente do Conselho Executivo da Fundação para o Desenvolvimento Empresarial, destacou a postura do governo: “Houve humildade ao reconhecer os desafios e implementar reformas que tornam Moçambique um destino privilegiado para o investimento.”

Ainda segundo Vuma, embora as linhas de financiamento aprovadas para reanimar empresas sejam positivas, a sua implementação ainda não é efectiva devido às condições de acesso. A mesma perspectiva de crescimento é apontada para o sector das infra-estruturas, com destaque para a reabilitação da EN1, sinal de progresso no desenvolvimento nacional.

Os intervenientes fizeram estas avaliações durante o brinde de fim de ano, orientado pelo Presidente da República, em Maputo, encerrando assim 2025 com uma visão de esperança e confiança na retoma económica em 2026.

A Kreab Worldwide, rede global de consultoria estratégica e comunicação, anunciou a aquisição do Grupo JLMA, que integra cinco empresas, entre as quais a JLM&A Moçambique. Esta operação consolida a presença da Kreab nos mercados de Língua Portuguesa e amplia significativamente a capacidade de resposta da JLM&A Moçambique em projectos complexos, tanto a nível local como internacional.

De acordo com Elcídia Pereira, directora-geral da JLM&A Moçambique,  “esta aquisição é uma validação do percurso de sucesso da nossa equipa em Moçambique e uma oportunidade única de crescimento. Continuaremos a ser a mesma consultora, com a mesma cultura de rigor, excelência e proximidade com os nossos clientes. Agora, contamos com o reforço de uma rede global que nos permite oferecer soluções mais integradas, escala internacional e ‘expertise’ sectorial avançada. Para os nossos clientes, é uma garantia de que estamos ainda mais preparados para acompanhar a sua evolução e os desafios que se avizinham, com mais recursos e uma visão alargada. Por outro lado, demonstra a confiança de investidores internacionais na economia nacional e no seu potencial de crescimento.”

A JLM&A Moçambique mantém total autonomia operacional e de gestão, continuando a ser liderada pela sua directora-geral, Elcídia Pereira. A equipa local permanecerá focada no mercado moçambicano, garantindo a continuidade e a qualidade dos serviços prestados. No entanto, passará a contar com o apoio alargado de uma multinacional especializada em comunicação corporativa, financeira, digital e ESG, acedendo a conhecimentos, ferramentas e redes globais que potenciarão a sua oferta.

Para os clientes moçambicanos, esta integração significa mais robustez, especialização e alcance. A JLM&A Moçambique poderá, agora, responder com maior celeridade e profundidade a desafios de comunicação e reputação, com o apoio activo de uma estrutura internacional presente em 30 países e com mais de 50 anos de experiência.

Peje Emilsson, fundador da Kreab Worldwide, afirmou: “A integração do Grupo JLM&A na nossa rede internacional reforça e consolida a visão da Kreab como ponte entre mercados, culturas e oportunidades de negócio. Isto também nos permitirá expandir o alcance da Kreab através dos escritórios em Moçambique e Angola, aumentando assim a nossa capacidade de aconselhar clientes que operam e transformam a economia global”.

A Kreab Worldwide, fundada na Suécia em 1970, tem uma vasta presença na Europa, Ásia e América Latina. A entrada do Grupo JLMA – que inclui ainda a JLM & Associados (Portugal), M Public Relations, JLM Angola e JLM_K – reforça a estratégia da Kreab de actuar como ponte entre mercados e culturas, com particular enfoque na economia portuguesa e nos seus mercados conexos, como Moçambique.

A operação permitirá ainda aprofundar serviços em áreas estratégicas para o desenvolvimento de Moçambique, nomeadamente comunicação financeira, sustentabilidade/ESG e transformação digital, apoiando empresas, instituições e investidores na sua consolidação e expansão.

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