O País – A verdade como notícia

O Instituto de Aviação Civil de Moçambique afirma que não é sua competência regular o preço das passagens aéreas no país e que foi ele que detectou a sobrefacturação de tarifas aplicadas pela LAM. O PCA da autoridade reguladora afirmou, ainda, que o licenciamento da Solenta Aviation está a seguir procedimentos normais.

O Instituto de Aviação Civil de Moçambique (IACM) reagiu, nesta quarta-feira, ao assunto da sobrefacturação das tarifas de passagens aéreas pela LAM.

A autoridade reguladora da aviação civil no país começa por esclarecer que não é sua competência fiscalizar os preços das passagens aéreas.

“Não é tarefa do Instituto ou da Autoridade Reguladora da Aviação Civil. Nós olhamos para os aspectos de segurança, os aspectos que dão garantias que as aeronaves voem em segurança e protejam a vida de pessoas e garantam confiança. Há órgãos que devem tratar essa matéria. Penso que isto talvez teremos que remeter ao Ministério das Finanças, através da Autoridade Tributária, que devem ser os órgãos que devem avisar. Nós não! Nas políticas económicas do país não interferimos, mas alertamos que está mal em indicadores internacionais”, esclareceu o PCA do Instituto de Aviação Civil de Moçambique, João de Abreu.

E foi isso que o instituto diz ter feito em 2020, quando percebeu que alguma coisa não estava boa no preço das passagens aéreas aplicadas pela companhia de bandeira.

“Portanto, o nosso objectivo é que o preço do bilhete de Sambico seja justo e que seja acessível a todos. Foi sempre esta a nossa orientação. E divulgámos. Tivemos várias palestras onde divulgámos e demonstrámos, temos provas para isso, onde  divulgámos.

O instituto nunca esteve indiferente, pelo contrário, foi buscar sinergias de outros órgãos com melhores poderes para a solução do problema, que desaguou onde desaguou. Provavelmente, não teria chegado a este ponto se não houvesse essas predominâncias de não cumprimento das solicitações e de participação e cooperação à Autoridade Reguladora de Concorrência”, revelou João de Abreu.

O PCA da autoridade reguladora da aviação civil de Moçambique considera, ainda, que o preço de passagens aéreas no país é exagerado.

“Os nossos cálculos em matéria de uma hora de voo, em função dos overheads das companhias, dos preços operacionais directos e variáveis, em uma hora de voo, no mercado que fosse de low cost, não seriam mais do que 65 a 70 dólares. Agora, não compete ao regulador, este regulador, porque este é um regulador que se rege por organismos internacionais não regula preços, há outras entidades, há outras instituições que devem verificar, porque a criação, a construção do custo de um bilhete passa por estes aspectos que eu falei, mas também passa pela estrutura que a própria companhia possa ter”, explicou o PCA do IACM.

Sobre a morosidade no licenciamento da Solenta Aviation, De Abreu afasta qualquer tentativa de sabotagem da operadora e diz que o processo está a seguir procedimentos normais.

“A primeira acção que foi feita foi a avaliação económica financeira da Solenta. Logicamente que essa avaliação foi feita, passou, que é para permitir o licenciamento neste segmento de voos regulares. O segundo passo foi a parte de avaliação técnica. Nós estamos, agora, no terceiro passo. Este passo é aquele que se deve enquadrar nas políticas económicas do transporte aéreo, baseados no master plan e alinhados ao programa quinquenal do Governo.

Não há nada de pecaminoso aqui. É verdade que o utente está ansioso, o mercado está ansioso, mas não podemos criar condições de uma coisa acontecer e depois não vir a acontecer. Neste caso ainda a autorização não está concluída, está em processo, esta é a verdade. Está a levar o tempo normal. Está a levar o tempo normal que pode e que for necessário. Não é só uma coisa sui generis moçambicano, é internacional. Especialmente quando está num processo de transformação e mudanças”, justificou João de Abreu.

A Solenta Aviation está com quatro aviões em terra e, em parceria com a sul-africana Fastjet, já operou no mercado nacional entre 2017 e 2019.

Realizou-se,  em Quelimane,  a VI reunião dos Directores das filiais do Banco de Moçambique, com o propósito de optimizar a administração das casas-fortes, assegurar a preservação da qualidade do dinheiro em circulação e promover a valorização do capital humano.

O encontro, dirigido pelo Governador do Banco Central, Rogerio Zandamela,  centrou-se na gestão das casas-fortes das filiais, com a definição de parâmetros claros para a substituição de moedas metálicas danificadas, garantindo, desta forma,  a integridade e credibilidade da moeda nacional.

Paralelamente, reforçou-se o compromisso da instituição com o investimento no desenvolvimento dos recursos humanos, considerados o activo mais importante para a excelência institucional.

Realizado pela primeira vez em 2018, este ciclo anual de encontros afirma-se como um espaço estratégico para a partilha directa de experiências entre o Governador e os directores das filiais, impulsionando melhorias estruturais e operacionais.

 

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, declarou, este sábado, aberta a sexta  Reunião dos Directores das filiais do Banco de Moçambique, que, este ano, se realiza na Cidade de Quelimane, na Província da Zambézia. 

No seu discurso, Rogério Zandamela lembrou que, desde a sua introdução, em 2018, na cidade de Pemba, o ciclo anual de reuniões, Reunião dos Directores das filiais do Banco de Moçambique, tem vindo a consolidar-se como um instrumento estratégico de interacção directa entre o Governador do Banco e os Directores das filiais.

O propósito das reuniões, acrescentou, mantém-se claro e relevante: colher subsídios operacionais e estratégicos e transformá-los em melhorias concretas que elevam o desempenho da instituição bancária.

“À luz da missão e visão que nos orientam, exorto-vos a manterem o foco na melhoria contínua, no espírito de serviço público e na promoção da integridade em todas as vertentes da nossa actuação. Formulo votos de uma reunião produtiva, cujas recomendações contribuam, de forma significativa, para o reforço da eficácia e eficiência da nossa instituição”, disse Rogerio Zandamela, antes de declarar aberta a sexta Reunião dos Directores das filiais do Banco de Moçambique!

 

Cerca de 77% do crédito concedido pelo Ecobank Moçambique encontrava-se em situação de incumprimento, segundo o relatório sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros do Banco de Moçambique referente ao segundo trimestre de 2025.

O documento do banco central que avalia, trimestralmente, a situação de riscos e solvência dos bancos comerciais na praça evidencia que o Ecobank lidera o incumprimento, com 76,54 por cento do crédito malparado, entre Abril, Maio e Junho.

Trata-se de um aumento de risco na carteira de crédito da instituição, visto que o crédito malparado se situou em 48,17% no trimestre anterior e 42,66% no final de 2024.

O segundo maior rácio de crédito em incumprimento é do Moza Banco, com 40,50%, que superou o seu último posicionamento de 36,58% dos créditos em incumprimento no primeiro trimestre. Na terceira posição, está o Access Bank, que conseguiu reduzir o seu NPL de 20,69% para 13,45%.

Em relação aos que mantêm o rácio dentro do limite recomendado de 5% estabelecido pelo Banco de Moçambique, estão o United Bank for Africa (2,16%), o First National Bank (2,00%), o Standard Bank (3,83%), o First Capital Bank (3,19%) e o Absa (3,84%). O Millennium bim viu o seu NPL recuar para 2,62%, enquanto o BCI registou um aumento para 13,53%.

O relatório também avalia a solvabilidade das instituições de crédito, onde é líder o M-Pesa, com 127,49%. O rácio de solvabilidade é um indicador financeiro que avalia a capacidade de uma empresa cumprir as suas obrigações financeiras de longo prazo.

O segundo mais bem posicionado é o Banco Mais, com 76,68% de solvabilidade, e em terceiro lugar encontra-se o Metropolitano, com cerca de 72%.

76,54%

Maior rácio de crédito em incumprimento, alcançado pelo Ecobank

127,49%

Maior rácio de solvabilidade, alcançado pelo M-Pesa

Os agentes não bancários lideram o mercado, apresentando uma cobertura superior a dos canais bancários. No fim de 2023, havia 5,6 agentes bancários, 4,1 agências bancárias, 8,2 ATM por 100 mil adultos e 1246 agentes não bancários por 100 mil adultos. A informação é da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira, lançada nesta semana pelo Governo, que lança a expectativa de que 60% da população adulta tenha conta bancária numa instituição formal até 2031

A abertura do mercado aos serviços de carteira móvel contribuiu parcialmente para a expansão dos serviços financeiros no país, resultando em quase o dobro do número de agentes bancários nos últimos cinco anos. 

Hoje, os agentes não bancários desempenham um papel crucial na prestação de serviços financeiros às populações não cobertas pelo sistema bancário tradicional, de tal forma que o registo mais recente é de 1246 agentes não bancários por 100 mil adultos em áreas urbanas, contra apenas 557 agentes por 100 mil adultos em áreas rurais.

A estratégia de inclusão aponta que a situação é semelhante para os canais de distribuição bancária, que também exibem uma concentração significativa nas zonas urbanas. A densidade de agentes bancários por 100 mil adultos era de 9,5 por 100 mil adultos nas zonas urbanas, enquanto nas áreas rurais era apenas de 3,2 por 100 mil adultos. Essa discrepância é notável ao considerar o número de agências bancárias, com 7 por 100 mil adultos nas áreas urbanas, em comparação com apenas 2,3 por 100 mil adultos nas áreas rurais. 

O acesso a ATM segue um padrão semelhante, com 15,5 por 100 mil adultos nas zonas urbanas, contrastando com uns meros 4,2 por 100 mil adultos nas zonas rurais, descreve o documento.

“A cobertura das agências bancárias aumentou de 55% para 83% dos distritos, e os agentes bancários expandiram o seu alcance para cobrir 61% dos distritos. Os agentes não bancários alcançaram uma cobertura impressionante, atingindo 100% dos distritos até finais de 2022, promovendo a inclusão financeira em Moçambique”, avança o documento.

Ademais, o acesso à conta bancária continua a ser tendencialmente masculino e a infra-estrutura digital necessária para aceder a sistemas financeiros digitais continua a ser baixa. “Enquanto 77% dos agregados familiares em Moçambique tinham acesso a um telemóvel ou a uma televisão em 2022, apenas 3,3% tinham acesso à internet. Existe uma lacuna rural-urbana no acesso, com 4,5% dos agregados familiares urbanos a terem acesso à internet, em comparação com 2,5% dos agregados familiares rurais. Por sua vez, 52% dos adultos urbanos possuem smartphones, em comparação com 38% dos adultos nas zonas rurais”, explica o documento.

As projecções do Governo são de  60% da população adulta com conta bancária numa instituição formal até 2031. O projecto faz parte da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2025–2031.

Aliás, a ministra das Finanças, Carla Louveira, que falava durante o lançamento em Maputo, disse que a estratégia assente em quatro pilares fundamentais visa assegurar o acesso e uso dos produtos e serviços financeiros de qualidade através do conhecimento, confiança e segurança, providos de forma responsável, que contribuam para o crescimento económico e sustentável, inclusivo e o bem-estar da população moçambicana.

Carla Louveira explicou ainda que os quatro pilares assentes na nova estratégia financeira evidenciam claramente uma evolução substancial do conceito de inclusão financeira que transcende a mera bancarização, passando a englobar a digitalização dos serviços financeiros, bem como o financiamento verde, com vista a promover maior acessibilidade, maior eficiência e inclusão sustentável  para a população sem acesso ao sistema financeiro formal.

A governante reconheceu os feitos alcançados pela Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (2016–2022), mas sublinha que persistem ainda alguns desafios,  “primeiro a consolidação da estabilidade macroeconómica assente na sustentabilidade fiscal, inflação baixa e na sustentabilidade cambial, segundo, a mitigação do risco associado ao financiamento das micro, pequenas e médias empresas, as quais representam 98% do total das empresas activas no nosso país, e foi nesse contexto que o Governo criou o Fundo de Garantia Mutuária, que visa mitigar o risco de crédito assumido pelas instituições financeiras no financiamento às micro e pequenas médias empresas através da contracção e contraprestação   de garantias”, salientou.

No contexto da busca por soluções estruturais, a província da Zambézia posiciona-se como uma das principais regiões com potencial de transformação económica. A participação da província na Expo Japão 2025, em Osaka, marca um passo estratégico na captação de parcerias internacionais.

Liderada pelo governador Pio Matos, a delegação iniciou contactos com empresas japonesas, destacando-se a reunião com a Nippon Koei, uma das maiores firmas de consultoria técnica do Japão, especializada em energia, agricultura, desenvolvimento urbano e infra-estruturas.

Durante o encontro, foi apresentado o projecto da barragem de Mugeba, descrito como uma solução estruturante com impacto duplo: hidroeléctrico e agrícola. A iniciativa procura aproveitar os recursos hídricos abundantes da província e a sua vasta terra fértil para impulsionar a produção local e reduzir a dependência externa de alimentos como o arroz.

Pio Matos reforçou ainda o apelo à cooperação no domínio das energias renováveis, com destaque para a solar, aproveitando o elevado índice de radiação solar da província. “Temos um potencial enorme, com terras férteis, disponibilidade de água e população jovem pronta para trabalhar”, afirmou.

Moçambique importou arroz equivalente a 4,1 mil milhões de meticais apenas no primeiro trimestre deste ano, segundo dados do Banco de Moçambique (BdM). Este valor representa quase 15% do total de bens de consumo adquiridos no exterior, no mesmo período, mantendo o arroz como um dos três produtos mais importados no país. O volume segue a tendência observada em 2024, quando as importações atingiram o recorde histórico de 28,6 mil milhões de meticais, um crescimento de 38,8% em relação ao ano anterior.

Com 30,9 mil milhões de meticais em bens de consumo importados no trimestre, o arroz ficou atrás apenas dos automóveis (5,9 mil milhões) e do óleo alimentar (5,6 mil milhões). Esta dependência do exterior contrasta com a acentuada quebra da produção interna. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, em 2023, o país produziu apenas 161 829 toneladas de arroz, uma queda de 34% face às 245 792 toneladas de 2022, atingindo o nível mais baixo dos últimos cinco anos.

A província da Zambézia liderou a produção nacional, com 48 537 toneladas, seguida de Gaza, com 40 946. A queda acentuada na produção realça a vulnerabilidade da segurança alimentar nacional e a urgência de investimentos estruturais no sector agrícola.

Os protestos prolongados após as eleições presidenciais de Outubro de 2024 resultaram numa actividade económica mais fraca, aumento do défice fiscal e suspensão do programa do FMI no país, prejudicando a capacidade do Governo de honrar com os seus elevados vencimentos em moeda local em 2025 e 2026. A conclusão é do mais recente relatório da agência Fitch Ratings.

Segundo a agência, os empréstimos do banco central e a emissão de bilhetes de tesouro de curto prazo estão a ser usados para pagar dívidas do Estado, mas as grandes necessidades de financiamento representam uma vulnerabilidade significativa. As reservas cambiais mantiveram-se, mas os desembolsos externos diminuíram, o que, somado à dificuldade de financiamento interno, aumenta os riscos de incumprimento de pagamentos externos.

O documento menciona ainda um défice fiscal ampliado. O défice fiscal de Moçambique aumentou para 4,9% do PIB em 2024, depois de 2,1% em 2023, reflectindo principalmente o impacto da violência pós-eleitoral na arrecadação de receitas. A Fitch espera que o défice diminua para 3,4% do PIB em 2025 e faz uma previsão de 3,6% em 2026, impulsionado principalmente pela queda das despesas. 

“As restrições de financiamento reprimiram os investimentos em capital, e prevemos que a massa salarial do sector público cairá em relação ao PIB. No entanto, a rigidez orçamental permanecerá significativamente alta”, escreve a agência de notação financeira.

Em linha com o que já foi assumido pelo Executivo moçambicano, a Fitch diz que o Governo acumulou atrasos de pagamentos de serviços de dívida externa com diversos credores bilaterais e multilaterais em 2024 (incluindo o FMI, Portugal e o Banco Islâmico de Desenvolvimento). 

“Em muitos casos, os pagamentos só foram resolvidos após o término do período de carência especificado. A Fitch não considerou esses incidentes como default (incumprimento), uma vez que a dívida comercial externa não foi afectada. A Fitch entende que o acúmulo de atrasos externos com o sector público continuou em 2025”, diz o documento.

GNL distorce conta corrente

O défice da conta corrente de Moçambique aumentará significativamente para 26% do PIB em 2025 e 29,4% em 2026, face aos 11% em 2024, reflectindo um aumento nas importações (serviços e bens) associadas a projectos de GNL, em particular a retoma da construção do projecto de GNL da Total. Estas importações serão integralmente financiadas por investimentos através da conta financeira e terão um impacto limitado nas reservas internacionais de Moçambique, diz o documento.

Contudo, a Fitch espera que as reservas internacionais permaneçam amplamente estáveis em 3,5 mil milhões de dólares em 2025. A escassez de moeda estrangeira aumentou em 2025, em parte devido à queda nos desembolsos externos ao Governo e à suspensão da USAID (586 milhões de dólares em 2024, equivalente a 3% do PIB). 

Outro facto é que o aumento, em Abril, da parcela da conversão obrigatória das receitas de exportação para a moeda local (de 30% para 50%) aliviará parte da escassez de moeda estrangeira. A Fitch também assume que um novo programa do FMI (e o financiamento associado do sector oficial em geral) será anunciado ao longo do horizonte previsto, escreve.

A agência de notação Fitch reconhece que a suspensão dos apoios da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) a Moçambique contribuiu para o agravamento da escassez de divisas no país, dado que os desembolsos daquela agência representavam cerca de 3% do Produto Interno Bruto.

A USAID investia, em média, entre 250 e 300 milhões de dólares por ano em Moçambique, e a sua saída não só deixou mais de 2500 pessoas sem emprego, como também agravou a situação económica no país, uma vez que a sua presença tinham um peso de até 3 por cento do Produto interno Bruto, de acordo com a agência internacional de Rating Fitch.

Em sua recente publicação, a agência, que em Fevereiro passado classificou Moçambique como de nível muito alto de risco de inadimplência em relação a outros emissores ou obrigações dentro do mesmo país, avança que a saída da USAID terá agravado a crise de divisas no país.

“A escassez de moeda estrangeira aumentou em 2025, em parte devido à queda dos desembolsos externos ao Governo e à suspensão da USAID”, escreve a Fitch, afirmando que aquela agência norte-americana desembolsou em apoios 586 milhões de dólares em 2024.

O economista Clésio Foia não está surpreso com a anotação e diz que o país precisa de redefinir as políticas públicas para incubar a economia que está em défice.

“Estamos a dizer que o mercado cambial fica com um défice de 586 milhões de dólares, que vai pressionar tanto a interacção das forças de mercado entre a procura e a oferta de divisas, fazendo com que haja pressões como consequências da ausência deste financiamento da USAID”, afirma Foia.

Para o economista, a ausência de divisas vai criar pressão no mercado cambial moçambicano. “Primeiro, estamos a falar de pressões inflacionárias, porque se nós temos a ausência de divisas significa que vai haver uma pressão para o mercado câmbio, o câmbio vai reagir de forma progressista para a moeda estrangeira”, explica Clésio Foia.

O peso da dívida externa é um outro mal que assola a economia nacional, e, de acordo com Foia, é preciso que o país comece a preocupar-se com a imagem que deixa para os investidores internacionais.

“Primeiro, está a dar um sinal de que é preciso que haja alguma melhoria naquilo que tem a ver com a gestão, tanto da coisa pública, a transparência governativa, mas também está a dar um desafio para aquilo que são os objectivos do Estado moçambicano para poder começar a pensar no endividamento público orientado para o investimento público.”

O aumento da conversão obrigatória das receitas de exportação para moeda local, de 30% para 50%, deverá ajudar a aliviar a pressão sobre a escassez de divisas. Além disso, a agência aponta para a expectativa de um novo programa com o Fundo Monetário Internacional, que deverá aliviar a pressão.

+ LIDAS

Siga nos