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O presidente da CTA, Álvaro Massingue, reuniu-se nesta quinta-feira, com o representante residente do Fundo Monetário Internacional em Moçambique. O encontro serviu para procurar caminhos para os problemas macroeconómicos que o país enfrenta, como é o caso da dívida pública e défice fiscal.

É o primeiro encontro que a nova direcção da Confederação de Associações Económicas liderada por Álvaro Massingue mantém com o Fundo Monetário Internacional. Além da apresentação das equipas das duas instituições, o encontro serviu para a CTA anunciar e convidar o FMI para a Conferência Anual do Sector Privado.

Na busca de soluções, o FMI apontou alguns caminhos que considera viáveis, sobretudo para a redução da dívida pública.

Ainda nesta quinta-feira, Álvaro manteve encontro com o novo delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que serviu para reforçar as relações e abrir espaço para uma possível cooperação em várias áreas.

Nos dois encontros, a CTA reafirmou o compromisso de continuar a buscar soluções para a melhoria do ambiente de negócios no país. 

A Eni e os seus parceiros CNPC, ENH, Kogas e XRG  tomaram a decisão final de investimento para desenvolver o projecto Coral Norte FLNG,  em águas ultraprofundas ao largo de Cabo Delgado, a norte de Moçambique. A assinatura  ocorreu hoje, em Maputo, na presença do Presidente da República, Daniel Chapo, e do  CEO da Eni, Claudio Descalzi. 

O projecto colocará em produção os volumes de gás da parte norte do reservatório Coral da Área  4, na bacia de Rovuma, através de uma plataforma flutuante de GNL de última geração. O  projecto será implementado pelo consórcio formado pela Eni (50%), CNPC (20%), Kogas (10%),  ENH (10%) e pela XRG (10%). 

“O projecto Coral Norte aproveita as habilidades incomparáveis da Eni em pesquisa, as nossas  capacidades de desenvolvimento rápido, os vastos recursos de gás de Moçambique e a sua  posição estratégica. Com o Coral Norte, contribuiremos para suprir a crescente demanda  mundial por GNL, duplicando tanto a contribuição de Moçambique para a segurança energética  global quanto os benefícios para o país e os seus cidadãos em termos de crescimento económico  e industrial”, disse o CEO da Eni, Claudio Descalzi. 

Coral Norte é o segundo empreendimento da Eni em Moçambique e a segunda FLNG de grande  escala implementada em águas ultraprofundas em todo o mundo, sendo Coral South o primeiro.  Aproveitando a experiência adquirida com Coral South, que está em fase de produção desde  2022, Coral Norte oferecerá vantagens em termos de cronograma, custos, optimização de  desempenho e minimização de riscos de execução, com o objectivo de implementar o projecto  dentro do prazo em 2028. 

Com uma capacidade de produção de liquefação de cerca de 3,6 Milhões de Toneladas por Ano (MTPA), a instalação Coral Noreh FLNG – juntamente com a sua antecessora Coral Sul FLNG, elevará a produção total de GNL de Moçambique para cerca de 7 MTPA, tornando o país o terceiro  maior produtor de GNL em África e reforçando ainda mais o seu papel no cenário energético  global. 

Espera-se que o projecto impulsione a economia moçambicana, bem como a competitividade  das indústrias locais, criando mais empregos e oportunidades para as empresas nacionais,  ampliando significativamente os impactos já gerados pelo Coral South e os investimentos em  projectos de desenvolvimento local.  

A Eni está presente em Moçambique desde 2006. Entre 2011 e 2014, a empresa descobriu vastos  recursos de gás natural na Bacia de Rovuma, nos reservatórios Coral, Mamba Complex e Agulha,  com cerca de 2,400 mil milhões de metros cúbicos de gás no local. Coral South é o primeiro  projecto a produzir gás da Bacia de Rovuma. A Eni também contribui para melhorar a  diversificação económica do país, o acesso à educação, saúde e água através da implementação  de um plano de sustentabilidade abrangente. 

A Área 4 é operada pela Mozambique Rovuma Venture S.p.A. (MRV), um consórcio detido pela  Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation (CNPC), que detém 70% de  participação no Contrato de Concessão e Produção da Área 4. Além da MRV, os outros parceiros  são a Galp, a KOGAS e a ENH, cada uma com uma participação de 10%.

Economistas consideram positiva a decisão do Banco de Moçambique de reduzir a taxa de juro da política monetária de 10,25 % para 9,75 %, porém  é possível que a  medida não traga benefícios concretos. Segundo eles, para as famílias e empresas, haverá relaxamento no valor das prestações para os bancos centrais em cerca de 50 pontos.

O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa de juro de referência de 10,25% para 9,75%. Esta medida é considerada positiva pelos economistas, embora alertem para possíveis impactos na economia do país.

“Haverá um alívio no valor das prestações que famílias e empresas têm de reembolsar aos bancos comerciais. Esse valor fica atenuado em cerca de 50 pontos base. Esse deveria ser o efeito direto; contudo, como referi, infelizmente não há uma correspondência de um para um. Haverá uma variação, sim, mas não de 50 pontos base: poderá ser de 30, 40, seja o que for.
O nosso desejo era que o efeito fosse direto: se a taxa baixou 50 pontos base, também deveria reduzir-se em meio ponto percentual”, analisou Magaço.

Por sua vez, a economista Piedade Dias, também entrevistada pela STV, considera que, embora a medida seja positiva, face ao cenário em que a economia do país se encontra, é pouco provável que venha a trazer benefícios concretos. “Baixar a taxa significa reduzir o custo dos empréstimos e isso pode impactar positivamente o acesso ao crédito. Mas, no contexto em que nos encontramos, em que a economia ainda sofre os efeitos da tensão pós-eleitoral, não acreditamos que seja uma medida capaz de gerar benefícios reais. Basta ver que, desde o início do ano, a taxa estava fixada em cerca de 12,75% e agora encontra-se em 9,75%, uma redução de cerca de 3 pontos percentuais, que deveria ter um impacto visível no custo de vida, uma vez que a taxa de juro tem uma relação direta com a inflação.”

Segundo a economista, esta medida só contribuirá para a recuperação económica do país se os bancos comerciais acompanharem a redução e se famílias e empresas se mostrarem dispostas a recorrer a essas linhas de financiamento.

“Pode, de facto, ajudar na recuperação económica se os bancos comerciais acompanharem essa redução, porque o Banco de Moçambique dá o sinal, mas quem tem de a efetivar são os bancos comerciais, cuja finalidade é precisamente financiar, já que existem para vender dinheiro. Esse é o seu papel. Portanto, se o Banco de Moçambique reduzir, eles devem acompanhar a redução. Mas, mais do que isso, é essencial que famílias e empresas estejam disponíveis para recorrer a essas linhas de crédito. O que está a acontecer é que os bancos comerciais até podem baixar as taxas de juro dos empréstimos, mas os operadores económicos, devido à incerteza que a economia atravessa, têm dificuldade em aceder ao financiamento”, explicou.

O Banco Central continua preocupado com o elevado nível da dívida pública interna. E, segundo os economistas, é necessário haver maior controlo da despesa pública, uma vez que esta também exerce pressão sobre o sistema financeiro.

Prime Rate desce para 16,50% em Outubro

A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique vai manter-se nos 16,50% durante o mês de Outubro, anunciou a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) em comunicado. O anúncio surge dias após a actualização da política monetária.

O custo do dinheiro poderá tornar-se mais baixo nos próximos dias, dado que a taxa de juro da política monetária tende a reduzir. No passado dia 29 de Setembro, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, anunciou a descida deste instrumento de 10,25% para 9,75%.

A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, calculado pelo Banco de Moçambique (fixado em 10,30%), com o Prémio de Custo, definido pela AMB (estabelecido em 6,20%). Este mecanismo visa aumentar a transparência na formação das taxas de juro variáveis e reforçar a transmissão da política monetária.

Desde Janeiro de 2024 que se registam descidas sucessivas, após seis meses em que a taxa permaneceu no valor histórico de 24,10%. Em Agosto caiu para 17,20% e em Setembro para 16,50%, valor que agora se mantém em Outubro.

As instituições financeiras devem aplicar esta taxa como referência em operações de crédito de taxa variável, acrescentando ou reduzindo um spread em função do risco do cliente e da operação. Nos bancos comerciais, os spreads variam entre 1% e 12%, consoante o tipo de crédito — habitação, consumo, leasing mobiliário ou imobiliário, bem como empréstimos de curto e longo prazo. Já nas instituições de microfinanças, os spreads são significativamente superiores: para créditos de consumo a particulares podem atingir 64,45%, enquanto para crédito a empresas oscilam entre 4% e 25,50%.

O documento estabelece ainda condições uniformes para a concessão de crédito. Nos bancos comerciais exige-se um histórico bancário mínimo de seis meses, ausência de incidentes na Central de Registos de Crédito, garantias que cubram até 120% do valor financiado e contratação de seguros obrigatórios. O prazo máximo é de 20 anos para habitação, 5 anos para consumo e 7 anos para empresas. Nas microfinanças, as condições seguem princípios semelhantes, mas adaptados ao perfil dos clientes: são requeridos comprovativos de rendimento, colaterais, garantias e seguros. Para funcionários públicos existe um regime especial que permite prazos até 84 meses, com retenção das prestações directamente na fonte.

Desde Setembro de 2022 que a taxa directora se mantinha nos 17,25%, mas a partir de Janeiro de 2024 iniciou-se um ciclo de cortes graduais que já acumula uma descida de 700 pontos base. Apesar disso, a Prime Rate apenas acompanhou parcialmente este movimento, reduzindo cerca de 600 pontos base no mesmo período.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manteve, esta quinta-feira, em Maputo, um encontro  de trabalho com o Director Executivo da multinacional  petrolífera italiana ENI, Claudio Descalzi, no âmbito da assinatura da  resolução da Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês) do  Projecto Coral Norte FLNG. O líder da ENI considerou o momento  “muito importante e crítico”, sublinhando o impacto do novo  empreendimento para a economia moçambicana, o emprego e o  desenvolvimento social.

“Permitam-me dizer que eu e a minha equipa estamos muito felizes por  estar aqui hoje. Foi um encontro muito positivo”, declarou Claudio  Descalzi, ao fazer o balanço da reunião com o Chefe do Estado. 

O CEO da petrolífera destacou que o Coral Norte FLNG, que o  descreveu como “o grande projecto” e que vem depois do Coral Sul,  permitirá aumentar de 16 mil milhões para 23 mil milhões de dólares  norte-americanos a receita estimada para a vida útil dos dois  empreendimentos. “Então, esse foi um dos principais temas que  discutimos em termos de impacto positivo para a população,  sobretudo em termos de rendimentos para o País”, referiu. 

Entre os avanços registados, Descalzi destacou o aumento substancial  do investimento no conteúdo local, que passa de 800 milhões para  três mil milhões de dólares, além da duplicação dos postos de  trabalho. “E também duplicámos o emprego. Então, são todas boas  notícias”, afirmou, enfatizando a relevância da criação de  oportunidades para os jovens moçambicanos. 

O responsável da ENI revelou ainda que a agricultura foi outro dos  pontos centrais da conversa com o Presidente Chapo. “Claramente,  Moçambique precisa de pessoas com habilidades, grandes  engenheiros especialistas, geólogos, para desenvolver o gás e outros  recursos minerais, mas o País precisa também de emprego em grande  escala para os jovens, acima de tudo. E o emprego massivo pode  chegar, com relativa facilidade, através da agricultura”, disse.  

Nesse quadro, reafirmou o compromisso da ENI em investir em  programas agrícolas que poderão criar cerca de 100 mil novos  empregos no país.

“O Presidente colocou um foco muito importante nisso: treinamentos  para pessoas jovens, agricultura em termos de novos empregos e  também novos trabalhos para os agricultores existentes”, reforçou o  CEO, acrescentando que a iniciativa da empresa em Moçambique  segue a mesma linha de projectos agrícolas desenvolvidos pela  multinacional em outros países africanos. 

Outro sector abordado durante o encontro foi o da energia eléctrica.  “Nós encontrámos um acordo para desenvolver uma central eléctrica  de 75 megawatts. E isso foi feito. Então, nós temos muitos projectos,  muitas iniciativas. E eu tenho que dizer que estamos a trabalhar muito  bem. Nossas equipas estão a caminhar muito bem juntas”, sublinhou. 

Claudio Descalzi destacou ainda a relação de confiança e  cooperação estabelecida com as instituições moçambicanas,  considerando que esta é a chave para o sucesso dos investimentos. 

“Quando você investe oito biliões para o primeiro projecto, oito biliões  para o segundo projecto, então um total de entre 15 e 16 biliões em  um país, você tem que confiar nesse país, você tem que acreditar no  país, você tem que acreditar nas suas pessoas, e não apenas na  minha equipa como tal, mas, igualmente, na sua capacidade para  criar uma boa relação com a equipa do governo, com o ministro do  sector, com toda a administração. De contrário, arriscas, como  empresa, perder o seu dinheiro, perder o seu tempo, incluindo perder  os recursos do país”. 

O CEO concluiu a sua intervenção manifestando satisfação com o  ambiente de trabalho em Moçambique e com as boas relações entre  aquela empresa e o Governo de Moçambique, realçando que a  aprovação da FID do Coral Norte representa não apenas uma 

expansão dos investimentos da ENI em Moçambique, mas também  uma nova fase de oportunidades económicas e sociais para os  próprios moçambicanos.

A cerimónia de assinatura da decisão final de investimento do Projecto terá lugar hoje, em Maputo. A cerimónia contará com a presença do Presidente da República e de distintas individualidades  nacionais e estrangeiras..

O Projecto prevê a construção de uma plataforma  flutuante para a extracção e liquefacção de gás natural ao largo  da Bacia do Rovuma. 

Sob tutela do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o  Projecto será desenvolvido pelos parceiros da Área 4 da Bacia do

Rovuma, nomeadamente a Empresa Nacional de  Hidrocarbonetos (ENH), Eni, CNPC, Kogas e XRG.

O custo de crédito poderá estar ainda mais baixo no país. O Banco de Moçambique decidiu reduzir, mais uma vez, a taxa de juro de referência de 10,25% para 9,75%. O Banco Central garante haver impacto no sistema financeiro. O governador reiterou não haver escassez de moeda estrangeira justificando que as maiores transações ainda acontecem no mercado cambial formal.

É o cumprimento da meta, a taxa de juro de referência está agora abaixo de dois dígitos, no quadro de redução de 10,25% para 9,75%, por decisão do banco central.O Governador do banco diz que o impacto do ciclo de reduções é positivo, com impacto directo na primerate dos bancos comerciais. O crédito à economia, através da cedência de crédito às empresas, famílias e o Estado aumentou.

“Sim, podemos com tranquilidade, olhando para a taxa, o primary, dizer que sim, as taxas caíram. Também vimos uma outra coisa, o crédito à economia, tirando mesmo o setor estado, aumentou. E continuam, apesar do ambiente desafiando do ponto de vista macroeconômico, na média continuamos a ver que os bancos não pararam de conceder crédito à economia. E também o Estado tem beneficiado por isso, continuam também a permitir que o Estado possa fazer as suas operações.”, explicou.

Há, contudo, críticas apontadas por empresas, que não vê nenhuma redução nas taxas finais aplicadas aos empréstimos. Zandamela justifica que tem tudo a ver com o perfil de risco das empresas, que em alguns casos aumentou devido às manifestações.

“Em cada mutuário, ele tem um perfil de risco diferente, o setor da atuação da indústria é diferente, os riscos, o perfil de risco do setor, a situação macroeconômica é diferente. O que é que faz? Os bancos, na conversa, na discussão, no contrato com os mutuários, tomam em conta a situação do cliente e continuam a reavaliar. Vou dar um exemplo, tivemos as manifestações pós-eleitorais, as empresas caíram, algumas faliram. Em alguns casos, não vou esconder, alguns clientes hão de ver a sua taxa até aumentar, se o perfil de risco de tal cliente, de tal empresa, é tal que a banca tem a opção ou larga o cliente, tira-lhe simplesmente da sua carteira, ou diz, a partir de agora, dado o seu perfil de risco, a taxa que é apropriada para si é esta”, avançou o governador.

As reclamações sobre a escassez de divisas voltaram a marcar a comunicação do Banco quando há, desta vez, rumores de que o mercado cambial informal está a substituir o formal.

O Governador diz que o mercado está funcionar bem apesar de exceções de sectores críticos que registaram atrasos.

“Mas quem acompanha o mercado paralelo, esse mercado paralelo é extremamente volátil, tem o seu próprio comportamento e evolução, que não está necessariamente ligado ao mercado oficial de divisa. Agora, o que eu posso garantir com a certeza absoluta, que hoje, ainda, continuamos a verificar uma situação que a maior, de longe, a maior parte das transações de bens e serviços e outros, em termos de divisa, são transacionadas no mercado oficial de divisa. Ser muito, ser pouco, depende dos tomadores desses instrumentos”.

Sobre a Dívida pública, o alarme continua a soar. O governador foi questionado, quando será altura de travar o aumento. Zandamela diz que não cabe ao regulador determinar limites.

“No dia que os credores dessa dívida pararem de financiar esses instrumentos, a mensagem que estão a dar a quem está a buscar esse financiamento é, chega! Então, se ela tem um impacto sobre o crescimento econômico, não pode crescer infinitamente, há um momento que tem que ser acautelado, com medidas apropriadas, já ouviram falar muito disso, medidas de receitas, medidas de despesas, medidas de falas e todo tipo de ajustes que são necessários para tomar conta, para poder reduzir, conter ou mitigar o crescimento desta dívida”, disse.

Zandamela disse também que não cabe ao banco central responder sobre os atrasos no pagamento de bilhetes de tesouro, reportado por agências rating internacionais.

O Banco de Moçambique sancionou os bancos comerciais com uma multa de cerca de 124,8 milhões de meticais, por violação da legislação sobre a prevenção e combate ao branqueamento de capitais. A informação consta do último relatório do Banco Central, que avalia os riscos sistémicos no período entre Novembro de 2023 e Fevereiro de 2024.

Um relatório do Banco de Moçambique sobre a avaliação sectorial de riscos de branqueamento de capitais aponta fragilidades graves no sistema bancário nacional. Apesar de avanços no quadro legal e da aplicação de sanções, os bancos comerciais continuam a revelar lacunas estruturais no combate a este tipo de crime financeiro.

Segundo o documento, a ameaça de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo é classificada como alta, enquanto o risco global do sector bancário é considerado médio-alto. Entre as principais anomalias destacadas está a falta de formação adequada dos colaboradores.

“Predominam formações de conteúdo meramente informativo, relativas a conceitos, sem abordar com profundidade questões de risco de branqueamento de capitais”. (…) Os Oficiais de Conformidade, responsáveis pela monitorização de operações suspeitas, “não têm formação específica sobre a temática da prevenção do branqueamento de capitais”, refere.

Outra falha identificada é a fragilidade no sistema de regras. De acordo com o documento, existe “desproporcionalidade entre o número de clientes, a dimensão das instituições de crédito e os recursos alocados à função de compliance”. Em alguns bancos, há ainda situações de conflito de interesses, já que “os Oficiais de Conformidade exercem simultaneamente funções comerciais, nomeadamente as de gerente de balcão”.

Devido a estas anomalias, o regulador viu-se na obrigação de responsabilizar os bancos comerciais, aplicando uma multa de cerca de 124,8 milhões de meticais. Neste momento, há apenas registo de sanções aplicadas às instituições e não aos membros dos órgãos de gestão, conforme previsto nas recomendações internacionais”.

No relatório que o nosso jornal vem citando, o Banco de Moçambique reconhece a sua incapacidade na alocação do número de supervisores, já que apenas oito técnicos estão destacados para estas matérias.

A segunda edição do fórum Unstoppable Africa 2025, em Nova York, recentemente, destacou a transformação digital e a inovação financeira como motores do crescimento africano. O evento, realizado à margem da Assembleia Geral da ONU, reuniu líderes políticos e empresariais que reforçaram o compromisso com soluções endógenas e sustentáveis para o desenvolvimento do continente.

Entre os anúncios de maior relevo está a criação da primeira rede africana de fábricas de inteligência artificial, projectada por Strive Masiyiwa e equipada com tecnologia de ponta da NVIDIA, com conclusão prevista para 2026. A Meta também reafirmou o seu interesse no ecossistema digital africano, com novos investimentos orientados para a expansão da conectividade e da IA.

No sector financeiro, a Africa Finance Corporation, em colaboração com fundos de pensões africanos, lançou a iniciativa “Africa Savings for Growth”, que pretende mobilizar mais de mil milhões de dólares para projectos de crescimento inclusivo e infra-estruturas críticas. Este movimento visa reduzir a dependência de financiamento externo e estimular o investimento local.

A GABI apresentou ainda dois percursos estratégicos focados na transformação digital e nos cuidados de saúde, com objectivos que incluem a modernização dos serviços públicos, a formação tecnológica e o reforço das cadeias logísticas no sector médico. África, ao apostar nos seus próprios recursos e talentos, dá sinais claros de querer ocupar um lugar central na economia global do futuro.

A pesca ilegal representa uma ameaça silenciosa, mas devastadora para Moçambique, resultando numa perda anual estimada em 70 milhões de dólares e comprometendo a sustentabilidade das comunidades costeiras. Este problema ganhou novo enfoque com o lançamento do projecto Monitorização, Controlo e Fiscalização das Pescas (MSC), desenvolvido pelo Governo com apoio da FAO, UNODC e financiamento da Noruega.

A iniciativa visa reforçar os mecanismos de vigilância sobre as actividades de pesca, tanto industrial como artesanal, com enfoque nas águas territoriais e na zona económica exclusiva. O objectivo é travar práticas que alimentam redes de corrupção, fraude e exploração indevida dos recursos marinhos, prejudicando operadores legítimos e a biodiversidade.

Com a implementação do MSC, Moçambique pretende reforçar a aplicação das políticas públicas e tirar proveito do novo Centro Regional de Coordenação de Monitorização e Fiscalização da SADC, sediado no país. A expectativa é que este centro traga maior eficácia no combate aos crimes marítimos e contribua para a construção de uma economia azul mais resiliente.

A realidade do espaço marítimo nacional, com mais de 570 mil quilómetros quadrados, exige um ordenamento rigoroso face a ameaças como a sobrepesca, poluição e exploração desregulada. A aposta em fiscalização é, por isso, estratégica para preservar recursos, proteger as comunidades e promover um desenvolvimento costeiro sustentável.

 

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