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O país passará a ter mais capacidade de internet e aceleração da conectividade, através do cabo submarino lançado pela Vodacom Moçambique, há cerca de duas semanas. A informação foi partilhada por Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique, que falava no Tech Talks da 11ª edição da Moztech, maior feira de tecnologias no país, organizada pelo Grupo Soico.

Trata-se de uma tecnologia do consórcio 2Africa, composta por oito empresas, nomeadamente China Mobile International, Meta (Facebook), MTN GlobalConnect, Orange, center3 (stc), Telecom Egypt, Vodafone/Vodacom e WIOCC, através da qual os fornecedores de serviços poderão obter capacidade numa base justa e equitativa, encorajando e apoiando o desenvolvimento de um ecossistema saudável nos serviços de Internet.

“Nós activámos essa capacidade e, certamente, vai ajudar na transformação digital. Moçambique passa a ter mais capacidade de internet, mais ligações para o mundo e vai, certamente, com os investimentos que estão a ser feitos, atrair grandes empresas multinacionais para o país”, disse Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique.

Em um mês e meio, a Vodacom vai, igualmente, lançar um novo centro de dados, com cerca de oitocentos racks disponíveis para o uso no mercado.

“Vai ser construído em fases. Nesta inicial, terá cerca de duzentos racks e estará disponível para o uso no mercado”, disse Marques.

E porque o espaço é propício para falar de tecnologias, a MCNet fez também o lançamento de um data center XCLOUD, uma iniciativa inclusiva comprometida com a transformação digital, que pretende ser rápida, optimizada e acessível.

“Estamos a criar uma infra-estrutura que vai permitir que o académico, a pequena empresa, possam ir para lá e fazer o seus trabalhos com recursos à medida, pagando somente pela sua necessidade no exacto momento”, avançou o director de operações da MCNet, Ricardo Taca.

No mesmo evento, a PHC lançou o seu primeiro Software de inteligência artificial para gestão. A Cris é a nova aposta para a gestão eficiente nas empresas.

“Quando nós conseguimos juntar a inteligência artificial e o sistema integrado de gestão empresarial, temos um resultado que é a excelência, que para nós tem nome: é inteligência artificial que está dentro do PHC, que nos ajuda nas nossas tarefas do dia-a-dia. Funciona como um chat Gpt”, explicou Victor Cau, representante da PHC.

As estatísticas indicam que, até 2030, a juventude africana vai representar 42% da população mundial, e que uma pessoa em cada cinco poderá estar em África Subsariana, daí a necessidade de Moçambique se preparar para responder à demanda da tecnologia no ecossistema digital.

Um adolescente de 17 anos de idade expõe, na Moztech, drones que ele próprio monta com recurso a material local reciclado. Os dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros. Ainda na feira tecnológica, várias empresas expõem seus produtos e serviços.

Há inovações tecnológicas na 11ª edição da maior feira de tecnologias do país. Um adolescente de 17 anos de idade, de nome Cleyton Michaque, está a expor na Moztech drones que ele próprio monta, reciclando material local.

“Eu uso um programador do CNA, que é para desenhar o escopo, o frame e o corpo do drone, de como vai ser em função das finalidades, se é para corrida, filmagem ou freestyle. Depois, uso um configurador, que é better flight, que se comunica com o drone, mas usa a linguagem python, que é para poder ter a conexão com o visor e o remote e, para voar, é necessário um motor específico.

Se quiser motor para corrida, procuro um de altos quilovolts e, se for para filagem, baixo os quilovolts”, explicou Cleyton Michaque, expositor na Moztech.

As cheias e ciclones que assolaram o país em 2019 é que serviram de inspiração para esta inovação. “Fiquei preocupado. As pessoas mandam bombeiros para fazer resgate. Só que mandar essas pessoas para o resgate é, também, um risco para elas, e foi daí que pensei: porque não levam máquinas?”, perguntou Cleyton, de forma retórica.

E foi dessa resposta que surgiu a inovação de montar drones. “Eu pensei numa coisa que voa e que transmitisse em tempo real, que é o drone. Em vez de ir fazer o mapeamento e voltar a mostrar-me informações, ele (o drone) pode dar-me informação em tempo real”, contextualizou o adolescente inovador.

Estes dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros e Cleyton só precisa de 45 minutos para montar um drone. “Então, quando eu identificar alguém, é possível dar coordenadas de que zona poderá estar e os que ajudam lá podem chegar. E os drones por mim montados são flexíveis. Porque é feito de fibra carbono, ainda que bata em alguma coisa, ele não se quebra. Ele continua a percurso”, destacou Cleyton Michaque.

Empresas continuam a vender produtos e serviços

Além de inovações tecnológicas, houve exposição de produtos e serviços. A MCNet está a expor o seu centro de dados, que traz a componente da cibersegurança como diferencial.

“Temos uma infra-estrutura robusta e, também, a parte de disaster recovery, bem como da cibersegurança. Temos parceria com empresas de fora, que lidam com a componente da cibersegurança, e este é um dos pontos fortes da actualidade”, referiu Sérgio de Lobo, da MCNet.

E a BCX leva para a Moztech uma das soluções para a segurança de dados das empresas e instituições públicas, ao expor o que se chama de cloud local. “Nós, ao colocarmos uma cloud local, estamos a permitir que as organizações criem as suas instâncias localmente. Todos os seus dados são processados a nível local, em Moçambique. Para além de ter o suporte, tem a legislação moçambicana, ao contrário das outras clouds públicas, que estão fora de Moçambique e a lei é do país que detém a infra-estrutura”, avançou Mussa Mussagy, responsável pela área comercial na BCX.

Já a Tmcel, com o seu parceiro Limitless VR, leva aos presentes na Moztech para uma viagem virtual com pacotes de internet acessíveis e bonificados. “Nós estamos a fazer viagens para as várias cidades do mundo e estamos a usar a internet da Tmcel para mostrar o quão rápido se pode sair de Maputo até Nova York, por exemplo, com os nossos óculos de realidade virtual”, expôs Tozé João, da Limitless, numa parceria com a Tmcel.

Para quem quer inscrever-se na escola de condução e não tem tempo de ir às aulas teóricas, na Moztech, está exposta uma solução virtual. “Nós também pensamos nesses que não têm tempo de ir à escola de condução todos os dias. Eles podem inscrever-se na escola de condução e, de seguida, baixar o aplicativo Carta Fácil MZ, através do qual poderão ter acesso às aulas perdidas. Temos mais de 40 vídeo aulas das escolas de condução”, revelou Vânia Macheque, da Mawo Nelo.

As startups e as fintechs também estão a expor seus produtos e serviços na maior feira tecnológicas do país. “Nós, a Hiveonline, como fintech, contribuímos com a ligação de acesso ao mercado, ajudamos os produtores a chegarem ao financiamento, através dos bancos e aquisição de insumos”, indicou Gilton Simango da Hiveonline, uma Fintech presente da feira Moztech.

Há, na feira de tecnologias, empresas emergentes. “Somos incubadora de negócios, onde temos algumas startups, com destaque para Rhumuka, Conecta Saúde e temos uma de Sabor e Saúde, que produz alimentos saudáveis”, enumerou o representante da Incubadora de empresas, uma startups que expõe na Moztech.

Mais de 50 empresas estão a expor os seus produtos e serviços na 11ª edição da Moztech, que decorre sob o lema: Cibersegurança – Desafios da Transformação Digital.

Os ataques cibernéticos podem estar a ganhar terreno no país pelo facto de haver ainda muita gente que não conhece os riscos associados às conexões na Internet. Por isso, encontra-se uma saída na literacia digital.

Uma das grandes ameaças da segurança na internet são as pessoas malformadas e sem entendimento básico dos aspectos de segurança, considera o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do CEDSIF.

No entender do responsável da entidade, Manuel António dos Santos, tanto as instituições públicas como as privadas devem apostar na formação dos seus quadros, de modo a evitar que sejam surpreendidas.

Segundo o PCA do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF), o Banco de Moçambique, no dia 24 de Março de 2024, lançou um aviso que visa ajudar as empresas ou instituições.

“Falo de bancos, instituições de moeda electrónica, entre outras. Devem fazer uma análise, uma reflexão daquilo que acontece nas suas próprias empresas, devem ter um Centro de Operações de Segurança”, lembrou.

Manuel António dos Santos falava, ontem, em KaTembe, Cidade de Maputo, no segundo dia da expo digital de Moçambique, a Moztech, num painel que debateu a Segurança e a Privacidade na Era da Conectividade.

Quem também defende a necessidade da literacia digital é o responsável pela segurança cibernética na Vodacom e no M-pesa. “Penso que temos muitos desafios, e o principal é a literacia digital”, disse o responsável.

Em nome da Vodacom e do M-pesa, Marco Correia considerou muito importante o equilíbrio entre a literacia e o uso habilitado de produtos e serviços. Define ainda a segurança como confidencialidade e privacidade.

“É possível fazer um investimento nos dois, em simultâneo. Em alguns casos específicos, pode ser que haja uma canalização maior para uma área e menor para outra, mas estão interligadas uma às outras”, disse Correia.

No mesmo painel de debate, Aristides Parruque, gestor da BCX em Moçambique, disse que a questão da segurança é crucial nos dias de hoje. É ainda seu entender que a segurança e a privacidade devem andar sempre juntos.

Parruque diz que, muitas vezes, a segurança e a privacidade são tratados de forma diferente e de forma separada a nível institucional, o que, no seu entender, não faz sentido. O gestor da BCX em Moçambique explica-se.

“Posso criar condições para garantir segurança dentro da minha instituição, mas, se as outras com quem lido no dia-a-dia não estiverem seguras, significa que a minha vulnerabilidade é possível que venha de alguém com quem lido”, alerta o gestor.

Por seu turno, Adilson Gomes, gestor do Instituto Nacional de Comunicações (INCM) disse que a questão da cibersegurança hoje é muito mais complexa do que vírus, malwares, e por aí além.
No entender do painelista da Moztech, é preciso que o Governo olhe para esse problema com mais responsabilidade, dado que há 19 milhões de subscritores que usam Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

“Estamos a permitir que as pessoas usem as TIC para facilitar a sua vida e para facilitar a nossa interacção, então, começa de ali o grande desafios, porque, a partir do momento em que eu permito, devo garantir que aquela pessoa está segura ou vai usar de forma segura”, disse Adilson Gomes.

A maior fragilidade na protecção de dados no sistema financeiro está nas pessoas. Este é o entendimento dos oradores do painel sobre segurança e privacidade de dados da expo digital, Moztech, que defendem mais investimento dos bancos comerciais e das carteiras móveis na educação dos clientes.

No segundo dia da Moztech, os discursos estavam ligados à segurança e privacidade de dados no sector financeiro.

O sector financeiro está entre os mais avançados na digitalização de serviços aos clientes. No entanto, as facilidades andam de mãos dadas com os riscos. Esta quinta-feira, a Moztech juntou bancos comerciais, carteiras móveis, especialistas em fintechs e o regulador das TIC para diagnosticar o problema e apontar soluções.

“Nessa altura, o que nós percebemos é que as pessoas que perpetraram aquelas fraudes tinham sistemas que punham números de um a cem, vamos dizer assim, e ficavam ali a adivinhar os nomes e mandavam aqueles spam. Mediante essas cem tentativas, acabavam por ter sorte de uma delas cair. Na segunda perspectiva, quando já introduzimos a possibilidade de os clientes não necessariamente verem o nome do destinatário por inteiro, mas aquele nome mascarado já dava um pouco mais de confiança ao remetente de que estava a enviar o valor realmente para a pessoa certa”, explicou Stélio Matias, director de Tecnologia e Operações do M-Pesa.

As pessoas são o elo mais fraco em materiais de ataques cibernéticos

“Há um sector em Moçambique cuja regulamentação é forte: é a banca. Estamos aqui hoje, 2024, a falar da privacidade de dados e, em 2017, Moçambique já legislava sobre a privacidade de dados. Portanto, se formos a olhar o passado e se formos a cumprir aquilo que a lei estabelece, tanto para as instituições financeiras quanto para os outros sectores, nós teríamos aqui um nível considerável de segurança sobre os dados do cliente”, disse Arafat Mohamed da Associação Moçambicana de Bancos.

Arafat Mohamed explicou, ainda, que, na banca, para além daquilo que é legislado em Boletins da República, o Banco de Moçambique é muito incisivo com os avisos que os bancos comerciais e outras instituições de crédito financeiro devem cumprir, desde a recolha e o tratamento de dados, os níveis de segurança que esses dados devem ter, a rotulagem e a classificação que os dados devem ter.

Sobre a protecção de dados, Mohamed diz que, às vezes, se cria uma situação de ficção científica, como se de algo fácil se tratasse. Esclarece ainda que há dados que não podem ser tornados públicos de uma forma deliberada. Para a sua divulgação, torna-se necessária uma autorização judicial.

“Existe um conjunto de requisitos que as instituições financeiras devem seguir. Cada instituição, provavelmente, vai adoptar a sua estratégia de como proteger esses dados”, acrescentou.

“Se eu tiver acesso a um sistema através do qual eu consigo ter acesso às informações dos clientes, porque consigo rapidamente aceder às credenciais de um cliente, porque consigo ter o reverso daquilo que é a credencial, então tenho uma fragilidade enorme.”

De acordo com Mohamed, muita das vezes, o que acontece é que o elo mais fraco são as pessoas. Muita das vezes, o que acontece, quando há esses casos de quebra de segurança sobre as contas, é que o cliente foi deliberadamente ou de forma inocente vítima de um ataque.

A digitalização da maioria dos serviços financeiros veio aumentar ainda mais a vulnerabilidade dos clientes à violação da privacidade dos seus dados. O Presidente da Associação das Fintechs fala do risco associado às compras online e aos cartões bancários sem exigência de código para algumas transacções.

João Gaspar diz que os cartões contactless são os mais seguros olhando para o actual cenário do mercado financeiro e dos recorrentes ataques cibernéticos.

Com o contactless, não tenho de passar o cartão para uma terceira pessoa. Sou eu que toco no meu cartão no terminal. Se eu dou o meu cartão bancário, mesmo de débito, a uma terceira pessoa, se ela for minimamente astuta, consegue fixar alguns números deste cartão, depois, quando me vou embora, basta chegar a qualquer site de comércio electrónico amazon, Alibaba ou qualquer que seja e utiliza os números do meu cartão e é a minha conta que paga o produto dele. A protecção começa no utilizador do cartão.

País ainda não tem uma lei específica de segurança de dados financeiros

Moçambique tem um vazio legal na área de segurança e privacidade de dados, embora já existam regulamentos que, apesar de não serem “mandatórios”, contribuem para o combate a ataques cibernéticos. A informação foi avançada pelo director da Divisão de Segurança e Protecção de Dados no INTIC, Eugénio Geremias.

Os ataques cibernéticos constituem um dos maiores problemas com os quais o país se tem debatido nos últimos anos.  Só no ano passado, Moçambique sofreu cerca de  1,5 milhões de ataques cibernéticos por mês, o que configura uma urgência no estabelecimento da segurança.

Como solução para o problema, Eugénio Jeremias aponta para a necessidade de criação de uma legislação específica sobre cibersegurança.

O director da Divisão de Segurança e Protecção de Dados no INTIC explica, por exemplo, que, actualmente, questões viradas para a segurança de dados no sector financeiro são norteadas por regulamentos elaborados pelo Banco de Moçambique.

“Os vários instrumentos aprovados fazem menção da protecção de dados, mas não são mandatórios. Mesmo a Constituição da República já faz menção da protecção de dados e recomenda a implementação de legislação específica nesta matéria, daí que é necessária a elaboração da lei de protecção de dados”, explicou.

 

Diversas personalidades que participaram, esta quarta-feira, na 11ª. Edição da Moztech destacam a organização do evento e a importância do tema em debate, que é a “Cibersegurança – o Futuro da Transformação Digital”.

O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional das Comunicações (INCM), Autoridade Reguladora das Comunicações, Tuaha Mote, destacou que a Moztech se tem revelado cada vez mais relevante para o sector público, privado e a sociedade, em geral, devido à relevância dos temas trazidos para o debate e seu impacto nos diferentes sectores de actividades.

“Não podemos falar da transformação digital sem falar da segurança cibernética. É fundamental que, ao adoptarmos as Tecnologias de Informação e Comunicação, ao adoptarmos a transformação digital, este ambiente seja seguro e confiável, porque se todos os serviços forem digitais, esses serviços têm de ser seguros”, referiu Tuaha Mote.

Alexandre Mano é um dos especialistas em cibersegurança que opera em Moçambique, na África do Sul, em Portugal e em Dubai. Diz ser importante discutir a cibersegurança por se tratar de um tema actual e relevante, na medida em que envolve informação sensível.

“A cibersegurança é um assunto da actualidade que está na ordem do dia, sobretudo o que tem acontecido, o que acontece no mundo, actualmente, nas organizações, connosco a nível pessoal, também com a nossa segurança e todos os desafios que passamos. Estamos num evento em que está de parabéns o Grupo Soico pelo tema que escolheu, muito bem organizado e que está aqui a trazer um conjunto de temas extremamente interessantes”, considerou Alexandre Mano.

Por seu turno, Taís, advogada de profissão, em entrevista ao jornal O País, explicou que veio à Moztech para saber mais sobre cibersegurança, uma vez que há, nos últimos tempos, crimes relacionados com o uso da Internet.

“Acho que é relevante, sim, porque agora estamos num contexto em que existem muitos ataques cibernéticos e muitos riscos com o uso da Internet, especialmente nas fintech”, disse Taís.
Os participantes da Moztech, que são provenientes de diferentes sectores de actividades, mostraram-se satisfeitos com o evento.

A BCX Moçambique, empresa especializada no desenvolvimento e apoio à transformação digital em três sectores críticos para a economia do país: mineração e energia, serviços financeiros e sector governamental, procedeu, esta quarta-feira, na 11 edição do Moztech, o lançamento de uma plataforma na núvem denominada “BCX ALP CLOUD”.

O projecto traz inovações tecnológicas para o país, que vão contribuir para o melhoramento do ambiente de negócios.

Falando no acto do lançamento da plataforma, no segundo painel da Moztech, o Director-executivo da BCX, Jonas Bogoshi, disse que esse acto constiui um momento histórico para a empresa, que opera em Moçambique desde 2005.

“É um dia especial, não só para mim ou na minha vida, mas também para a vida da BCX Moçambique. Hoje lançamos a BCX ALP CLOUD. A parceria entre a BCX e Alibaba Cloud traz para Moçambique uma das melhores plataformas do mundo”, disse.

Jonas Bogoshim explicou ainda que a plataforma foi lançada na África do Sul, no ano passado, sendo Moçambique o segundo país a beneficiar do projecto. Justificou que a escollha do país prende-se ao facto de ser um exemplo no que diz respeito ao desenvolvimento.

“A aposta em Moçambique enche-nos de esperanças, pois acreditamos que esta plataforma vai contribuir para a qualidade da tecnologia neste país. Vamos, com os nossos serviços, fazer a diferença pela forma como olhamos para o desenvolvimento tecnológico”.

Por seu turno, o Eric Wan, responsável pela Alibaba Cloud, empresa voltada para o mercado de computação em núvem, entende que a aposta em novas soluções tecnológicas vai permitir o avanço do país na área de tecnologias.

Intervindo na Moztech, Wan acrescentou que a parceria com a BCX tem como foco melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos tendo como foco a satisfação dos clientes.
“Trazemos uma nova concepção de como lidar com a tecnologia em Moçambique, através de inovações que vão permitir maior dinâmica em vários sectores”.

Para Jan Bouwer as soluções propostas pela BCX são relevantes para o desenvolvimento tecnológico no país. Disse também, na sua intervenção, que as inovações tecnológicas são uma oportunidade para a África desenvolver-se rapidamente.

O Instituto Nacional de Tecnologoias de Informação e Comunicação (INTIC) desafiou a BCX a inscrever-se, tendo em conta que esta é a única instituição na qualidade do provedor desses serviços.
“Já há muitas empresas que se inscreveram no INTIC. A nossa luta é que mais empresas possam juntar-se a nós. Todos estamos a trabalhar para o mesmo objectivo, que passa por melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos no país”, explicou Louruno Chemane, PCA do INTIC.

Durante o lançamento da plataforma, a BCX assinou um memorando de entendimento com a Universidade São Tomás de Moçambique (USTM), que vai permitir que haja troca de serviços entre as duas instituições.

 

O ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, diz haver necessidade de melhorar a segurança das plataformas públicas, incluindo de vários Ministérios e organismos reguladores. O governante falava, hoje, na sessão de abertura da Moztech, a expo digital.

No entender de Mateus Magala, há lacunas no país para o combate efectivo aos crimes cibernéticos. Diz que é chegada a hora de passar das discussões para as acções, porque na avaliação que faz, concluí que o processo transformativo é lento e precisa ser acelerado.

“No ano passado, estivemos aqui numa conversa profunda sobre a cibersegurança e hoje, um ano depois, é altura para fazermos uma auto-reflexão sobre em quanto é que progredimos nesta área. Infelizmente, não posso dizer que progredimos tanto quanto gostaríamos”, referiu.

Magala diz que o Governo reconhece a importância da digitalização e segurança cibernética, bem como dos debates que têm havido. Entretanto, admite que o país não foi tão bem sucedido no último ano, como o desejado, por isso, chegou a hora de dar passos concretos.

Para o governante, abordar aspectos fundamentais ligados à cibersegurança, de forma proactiva, pode trazer muitos benefícios ao país. Mas, alerta que os desafios que o país enfrenta necessitam de uma série de factores como o financiamento insuficiente, a falta de conhecimento especializado e falta de domínio da segurança cibernética.
“Para ultrapassarmos esses obstáculos, é preciso criar parcerias com as instituições internacionais e entidades do sector privado que possuam as competências e os recursos necessários”, sugeriu o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Mateus Magala.

Mas, não são necessárias apenas parcerias. Mateus Magala entende que ao se elaborarem as leis e os regulamentos para reforçar a segurança cibernética, é necessário ter em conta as nossas limitações de recursos. É também necessário auditar as infra-estruturas cibernéticas.

Durante a sua apresentação na sessão de abertura da Moztech, o ministro dos Transportes e Comunicações sugeriu dez pontos que podem ser implementados, que no seu entender são estratégicos, com destaque para a construção de bases sólidas sobre a segurança cibernética; o desenvolvimento de competências em matéria de segurança cibernética; o reforço da parcerias público-privadas; o financiamento da segurança cibernética; a criação de um fundo de segurança cibernética; a colaboração internacional, entre outros.

Mateus Magala usou da ocasião para felicitar o Grupo Soico e seus parceiros pela realização regular da Moztech. “O sector dos Transportes e Comunicações tem nesta feira uma oportunidade única para poder partilhar e enriquecer a sua visão sobre a digitalização do país que é uma prioridade na visão estratégica dos próximos anos”, disse o governante.

Transformação digital e o desafio da cibersegurança foi tema do primeiro painel de debate no arranque da décima primeira edição do Expo digital Moztech, que acontece na Arena 3D no distrito municipal da Katembe. E para o alcance deste objectivo, os três  primeiros painelistas, defenderam a necessidade de financiamento e estabelecimento de bases legais nacionais.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação referente ao ano 2023, o país chega a sofrer cerca de 1.5 milhão de ataques cibernéticos por mês, o que configura uma urgência no estabelecimento da segurança.

Para o presidente do conselho de Administração da Mozambique Community Network (MCNet) parte da Solução da Janela Única Electrónica, Rogério Samo Gudo, o país deve acelerar o aprimoramento de medidas de controle e segurança, em todas as  instituições do estatais  e privadas como principais infraestruturas críticas.

“ No meio de todo o cenário, precisamos primeiro aceitar as transformações e aceleração no processo de identificação do que e como melhorar nos sistemas que temos no país, integrando a  tecnologia em todas as áreas da vida humana. Desta forma conseguiremos agregar valor em tudo o que fizermos para o desenvolvimento de todos sectores.” Disse Samo Gudo, na sua primeira intervenção. Acrescentando ainda que “várias instituições, incluindo a área sensível que compreende o sistema financeiro, estão vulneráveis a quaisquer ataques, daí a necessidade da garantia da segurança e integridade dos bancos comerciais, incluindo o Banco Central.

O Administrador Delegado da BCX Moçambique, uma empresa de soluções informáticas e defesa cibernéticas que milita em cinco países do mundo, desta como parte da solução, a melhoria dos sistemas e alocação de dispositivos com padrões internacionais, afirmando ser quase que impossível o país conseguir caminhar ao mesmo ritmo com o mundo sem investir no sector.

“Para uma resposta à altura da dinámica actual, temos vindo a trabalhar em sistemas que nos ajudem a antecipar os ataques. Nos dias actuais já não é suficiente investir em um antivírus ou qualquer outros sistemas de defesa, é necessário mais envolvimento. Nós temos vindo a dar formação aos nossos clientes com objecvtivo de criar uma cultura e consciência que lhes permita compreender os possíveis riscos existentes nas operações diárias, no uso de celulares ou computadores.” Sugeriu Emilio Jorge.

Por sua vez, o Governo representado pelo Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação, reconheceu o atraso na implementação do instrumento legal para a regência do sector  e diz contar com o apoio do sector privado para o alcance do objectivo. Entretanto, decorre a implementação de 26 estratégias para elevar o nível de segurança cibernética.  “A 

“Por orientação do Governo estamos  a trabalhar na criação da lei de segurança cibernética que é um instrumento fundamental para o estabelecimento de normas e princípios a serem adotados por todos. A experiência mostra que ao nível internacional o sector que mais presta serviços ao governo é  privado, por isso é que contamos com todos nessa causa.” informou Lourino Chemane, PCA do INTIC. quue advertiu ainda que “ a segurança cibernética é  um processo dinamico em função dos atores envolvidos e o processo de elaboração de políticas e estratégia é relativamente lento em relação à adoção pelos malfeitores.”

Houve espaço de interação com a plateia onde foram esclarecidas todas as dúvidas sobre o tema, e apresentação das estratégias de criação de negócios digitais. Os debates sobre tecnologia e informação  continuam até sexta-feira, último dia da décima primeira edição do Moztech. 

Os moçambicanos devem reflectir conjuntamente sobre a problemática e os impactos dos crimes cibernéticos, que têm vindo a aumentar a nível do país e do mundo, defende o primeiro-ministro, que falava na abertura da 11ª. Edição da expo digital Moztech.

Para Adriano Maleiane, o tema escolhido para o evento, Cibersegurança, Desafios e Transformação Digital, é de importância capital para a resolução dos referidos problemas que têm causado elevados danos morais e financeiros aos cidadãos.

No entender do governante, tais acções de pessoas mal-intencionadas têm afectado negativamente o desenvolvimento económico. Por isso, Moçambique começou a fazer alterações à legislação há cerca de 10 anos.

“Procedeu-se, em 2014, à revisão do código penal, de modo a incluir o título terceiro sobre os crimes informáticos e fraudes electrónicas, assim como está em implementação a política nacional de segurança cibernética e a respectiva estratégia”, disse Maleiane.

De acordo com o primeiro-ministro, a referida legislação realça, dentre outras acções, a necessidade de mais coordenação, bem como da promoção de investigação e inovação, no sentido de se protegerem infra-estruturas e activos de informação diversos.

No âmbito internacional, já que crimes cibernéticos são transnacionais, o Governo diz que tem vindo a reforçar a cooperação a nível bilateral e multilateral em matéria de segurança cibernética e transformação digital para evitar problemas para o país.

Maleiane destaca a ratificação, em 2019, por Moçambique, da convenção da União Africana sobre cibersegurança e protecção de dados pessoais. E, actualmente, está em curso a adesão do país à Convenção de Budapeste, “uma importante plataforma para a ajuda mútua e obtenção de provas contra crimes cibernéticos a nível internacional”.

Porque estava numa expo digital, o primeiro-ministro falou da evolução das tecnologias que têm impacto no mercado da geopolítica mundial. No seu entender, o desenvolvimento do 5G permite a transmissão rápida de elevado volume de dados.

Rever continuamente a legislação em vigor no país é um desafio, considera Maleiane. É um exercício que, segundo o governante, pode criar condições para que as Tecnologias de Informação e Comunicação sirvam para dinamizar o desenvolvimento social inclusivo.

“Desafiamos os participantes deste evento a trazerem propostas inovadoras com vista a garantir o contínuo desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação e maior segurança do espaço cibernético no nosso país”, sugeriu Adriano Maleiane.

O Governo espera, ainda, da Moztech propostas que promovam literacia digital, melhoria da boa governação, desenvolvimento do capital humano, aumento dos níveis de produção e produtividade, do fluxo de investimento, do comércio e da bancarização.

Maleiane explicou a participação de membros do Governo na cerimónia de abertura da Moztech. Diz tratar-se de uma plataforma de interacção e promoção de inovações, produtos, serviços e soluções tecnológicas que apoiam a economia.

No seu discurso de abertura da Moztech, o primeiro-ministro felicitou os organizadores e seus parceiros pela perseverança e ganhos obtidos ao longo dos 11 anos de realização da iniciativa e falou das acções levadas a cabo pelo Governo no mesmo sentido.

“Pretendemos assegurar que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) sejam, de facto, nesta era digital, uma ferramenta importante e facilitadora do processo de desenvolvimento socioeconómico sustentável e inclusivo do nosso país”, disse Maleiane.

Segundo o primeiro-ministro, as TIC possuem um enorme potencial de viabilizar, em tempo útil, com eficiência e eficácia, o acesso à informação por parte da sociedade, melhorar a interacção entre os cidadãos, entre estes e o Governo e o sector privado.

Nos últimos anos, o país aprovou os seguintes instrumentos: decreto de registo dos cartões SIM, em 2015, a lei de telecomunicações (2016), o quadro de interoperabilidade do Governo electrónico (2017), a lei das transacções electrónicas (2017), a política para a sociedade de informação (2018) e o sistema de certificação digital (2019).

“Temos a destacar a marcação electrónica do serviço de obtenção dos bilhetes de identidade, passaporte, carta de condução, assim como outras aplicações relativas ao sistema de prova de vida electrónica, o e-SISTAFE, o e-tributação, o sistema de informação de gestão de terras, entre outros”, disse Adriano Maleiane.

Na sessão de abertura da Moztech, participou também o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, que considerou a Moztech uma iniciativa de capital importância para a promoção da transformação digital, uma das prioridades do seu sector.

Estiveram, igualmente, na sessão de abertura, o vice-ministro do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, especialistas, empresas e gestores públicos ligados ao sector de Tecnologias e Informação e Comunicação, expositores, entre outras entidades.

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