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Vários expositores dizem estar a vender muitos produtos na sexta edição da Mozgrow e a estreitar parcerias, bem como projectar as suas marcas. Já os participantes afirmam que os produtos à venda na feira são frescos e com preços acessíveis.

Quinta-feira, 25 de Julho de 2024. Mais uma vez, todos os caminhos foram dar à feira Mozgrow.

Na sexta edição da Mozgrow, está exposta toda a produção agro-pecuária nacional e internacional.

De Gaza, o distrito de Chókwè está a expor na feira as suas potencialidades agrícolas, com destaque para o arroz do Regadio do Baixo Limpopo.

“Nós trazemos quase tudo o que produzimos, a partir de hortícolas, o arroz, assim como a parte da pecuária. Portanto, outro aspecto muito importante é que o nosso distrito de Chókwè, além de ser forte na área de agricultura e pecuária, tem potencialidades na área da aquacultura e piscicultura”, enumerou Eceu Muianga, administrador do distrito de Chókwè.

E é para estas novas áreas que o distrito busca investidores na sexta edição da Mozgrow. “Queremos, a partir deste programa, convidar todos os empreendedores para que se aproximem ao nosso distrito a fim de empreender e, sobretudo, precisamos de uma fábrica para o processamento da carne e das hortícolas”, referiu Eceu Muianga.

Por um lado, buscam-se na Mozgrow investidores para o processamento de hortícolas em Chokwè e, por outro, os que produzem esta cultura já estão a vender, e muito, na feira de agro-negócio.

“Estamos a vender muito e esperamos vender mais. Está a valer a pena participar da Mozgrow. É uma grande oportunidade e é um privilégio estar aqui (na feira). É a minha primeira vez e gostei bastante. Espero voltar nas próximas edições”, disse Nomsa Norberto, expositora na Mozgrow.

A qualidade do produto exposto na feira de agro-negócio e o preço são os atractivos para os clientes. “Os produtos são frescos e aproveitamos para apreciar, claro, e levar algumas coisas para casa”, justificou Luís Ribeiro, um dos compradores na feira Mozgrow.

E isso impressiona os demais compradores. “Está a ser muito bom. Estamos a comprar produtos frescos e acessíveis, acima de tudo, porque é o que mais interessa. É uma boa iniciativa e gostaríamos que durasse mais dias”, manifestou o seu anseio Luís Ribeiro, também comprador na feira.

É a Mozgrow e as suas boas surpresas. A Província de Maputo, concretamente o distrito de Matutuine, está a expor morangos.

Pela qualidade do próprio produto, o tamanho e a sua embalagem, é difícil aceitar que é produto de Maputo. “O morango é muito bom e é produzido sem produtos químicos”, expôs Guilherme Basílio, que está na feira Mozgrow como expositor.

Mas a Mozgrow, igualmente, tem soluções para várias doenças. Tudo à base de plantas. “Nós temos um chá à base de plantas e chama-se chá milagroso. É um pó que modifica a vida de alguém para quem tem problemas de próstata, impotência e infertilidade. Isto também serve para as mulheres, que têm problemas de miomas, cólicas dolorosas e menopausa precoce”, revelou Verónica Rafael, expositora na feira Mozgrow.

Verónica Rafael não só está a vender na feira, como também tem a missão de quebrar alguns tabus sobre os produtos que expõe. “Muita gente tem tabu quanto ao gonazololo. Isto também é um remédio para infecção urinária”, esclareceu Verónica Rafael.

E na Mozgrow há uma forma de estes expositores se conectarem ao mercado, fechar parcerias e fazer negócios.

“O Conecta Negócios é um programa de capacitação e, eventualmente, espera-se que 100 empresas poderão beneficiar-se do programa e, possivelmente, serem conectadas com as grandes empresas, isto é, grandes projectos”, explicou Fáuzio Midiwe, da Conecta Negócios.

Para a mecanização da produção agrícola, a Afritool está à disposição dos produtores com uma variedade de máquinas. “Temos geradores, motorizadas, que são usadas pelos extensionistas, assim como por todos os agricultores. Temos as alfaias agrícolas, enxadas, pulverizadores e muito mais”, arrolou Morgado Muchanga, da Afritool.

É tudo isto e muito mais que atraiu visitantes de todas as idades, incluindo estudantes, personalidades e empresas para a Mozgrow.
“No caso concreto, estou na Mozgrow por razões profissionais. Estou no BCI e temos estado desde as primeiras edições da Mozgrow, inclusivamente, temos um stand. Estamos muito interessados em apoiar o sector da agricultura. Por isso, temos acompanhado sempre a feira”, destacou Luís Aguiar, administrador do BCI.

E Márcia Muiambo acrescenta: “A feira está muito interessante. Deu para fechar alguns negócios e obter algumas informações sobre a área de agricultura”.

O segundo dia da feira Mozgrow foi, também, marcado pela chegada de um camião com carne proveniente do Reino de Eswatini.

Logo depois da chegada do camião, a carne foi descarregada para o stand da Eswatini Industries, que registou uma avalanche de pessoas que queriam comprá-la.

Produtores agro-pecuários sentem que o Estado tem feito pouco para ajudar as empresas a resistirem às mudanças climáticas. Dizem que os nacionais não têm condições de competir com estrangeiros e a situação piora quando um desastre acontece.

Arif Razak, produtor, transformador e comerciante de carne bovina, André Horta, da Merec, e o professor universitário de veterinária, Rafael Escrivão, juntaram-se, na manhã desta quinta-feira, no primeiro painel do segundo dia da Mozgrow.

O tema da discussão era mesmo a adaptação e resiliência às mudanças climáticas no sector da agro-pecuária. Todos foram incisivos ao afirmar que falta intervenção do Estado no país.

Por exemplo, André Horta, que começou por falar do final da cadeia, disse que “é importante que a compra do produto nacional seja estimulada”.

Para fazer isso, chama-se a intervenção do Estado, que é quem deverá aprovar políticas que possam criar algumas barreiras à entrada de produtos estrangeiros e facilitar a produção e comercialização local, tal como se fez com o frango nacional.

Isso seria óptimo, mas Arif Razak entende que há mais que possa fazer, até porque, para ele, “não é só mudar as políticas, mas é preciso, também, capacitar as pessoas com as novas soluções”.

A questão de financiamento é um problema transversal. Por falar em transversalidade, esteve lá uma plateia diversa. Aliás, entre os participantes estava a directora provincial de Pesca e Agro-pecuária de Maputo, que negou a ausência de políticas de resistência às mudanças climáticas na área.

Mariamo José disse que há, sim, políticas, mas é necessário que todas tenham a vontade de fazer a sua parte. Só que o professor universitário, Rafael Escrivão, disse que o problema maior é que essas leis, mesmo existindo, não são devidamente divulgadas, e isso dá cabo da eficácia delas.

Da plateia veio também o posicionamento de que, entre a existência e a eficácia, há muitas coisas a serem feitas. Por exemplo, uma participante defendeu que é preciso que se crie um alinhamento entre esses documentos e as pessoas que estão no terreno para aplicá-los.

Medidas de restrição cambial do Banco de Moçambique estão a criar escassez de divisas no mercado. O alerta foi lançado, hoje, pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior organização empresarial do país.

Falando a jornalistas, um representante da CTA fez saber que a situação preocupa, a cada dia que se passa, os agentes económicos, porque tem resultado na queda das receitas de exportações. O sector privado diz que as medidas restritivas do banco central são a razão.

De acordo com Zuneid Calumia, vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, a situação está a causar diversos constrangimentos.

“Há registo de transtornos, tais como  descredibilidade dos fornecedores moçambicanos, multas por atraso de pagamento; falta de stock; atraso no fornecimento de serviços; atraso na expedição de equipamentos para Moçambique”, desabafou Zuneid em nome da CTA.

Outros constrangimentos causados pela situação são: queda da produção e de facturamento; falha no cronograma de conclusão dos projectos e aumento dos custos de implementação; entre outros constrangimentos, fez saber o representante da CTA.

No geral, a falta de divisas no mercado tem constrangido o processo de pagamento das facturas com o exterior, o que tem afectado directamente as operações externas.

De Janeiro a Fevereiro do presente ano, as importações caíram em média 2,3%, enquanto no primeiro trimestre a redução foi de 2,5% face ao mesmo período do ano passado. Para resolver a situação, os empresários dão algumas sugestões.

“O sector privado tem vindo a advogar a redução do coeficiente das reservas obrigatórias em moeda estrangeira que actualmente se situa em 39%, facto que concorreria para libertar a liquidez para o mercado”, sugeriu a Confederação.

Segundo a CTA, a mesma posição foi defendida, também, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na sua última missão que realizou ao país.

Numa outra abordagem, os empresários disseram não estar a favor do tratamento privilegiado de concorrentes estrangeiros na prestação de empreitadas públicas, fornecimento de bens e prestação de serviços ao Estado.

Bento Machaila, membro do conselho directivo da CTA e presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros, é que manifestou o posicionamento. “Sendo sabido que, actualmente, é praticamente nula a possibilidade de adjudicação a empresas nacionais de contratos financiados por agências de cooperação estrangeira ou organismos financeiros multilaterais, a referida norma tem o sentido prático de não sujeitar à fiscalização prévia os contratos celebrados com empresas estrangeiras sempre que tenham por objecto projectos e programas financiados por essas entidades”.

Outrossim, com tal medida, diz a CTA que a lei confere larga vantagem aos concorrentes estrangeiros que, além de os respectivos processos de contratação não se sujeitarem ao procedimento da obtenção do “visto” do Tribunal Administrativo, ficam isentos do peso dos emolumentos pela submissão de contratos à jurisdição administrativa.

A confederação refere, ainda, que tal medida, associada à falta de verificação por parte da entidade contratante dá veracidade do conteúdo dos documentos apresentados no processo de contratação, prejudicando o Estado e os concorrentes nacionais.

“Por isso, não se compreende o fundamento que está na origem do alargamento desta excepção de isenção da fiscalização prévia aos processos de contrato financiados por agências de cooperação estrangeira e organismos financeiros multilaterais”, diz a CTA.

Adianta ainda a CTA que não se compreende o fundamento que está na origem do alargamento de isenção da fiscalização prévia aos processos de contrato financiados por agências de cooperação estrangeira e organismos financeiros multilaterais.

 

Os mandantes de crimes de raptos e sequestros no país são oriundos do continente asiático, suspeita o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFIM). Os indivíduos têm antecedentes criminais, são maioritariamente nacionais ou têm nacionalidade adquirida.

Sem revelar nomes, rostos, nem idades, o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique assegura saber quem são os indivíduos suspeitos de mandar raptar ou sequestrar empresários em Moçambique, no seu mais recente relatório.

No Relatório de Análise Estratégica acabado de ser publicado, o GIFIM diz ter recolhido e analisado comunicações, informações e relatórios referentes ao período de 2014 a 2024.

Dos dados, o Gabinete de Informação Financeira concluiu que os supostos mandantes dos crimes de raptos no país são, maioritariamente, indivíduos nacionais ou com a nacionalidade adquirida, oriundos de países ou jurisdições da Ásia, com antecedentes criminais.

Coincidência ou não, grande parte das vítimas são também de origem asiática, segundo refere o relatório. “São maioritariamente indivíduos nacionais ou com a nacionalidade adquirida, oriundos de países ou jurisdições da Ásia com a profissão de empresário e/ou comerciante e/ou seus familiares”, lê-se na publicação.

Por seu turno, os suspeitos de executar os crimes de raptos e sequestros são também provenientes do continente asiático e não só: são ainda da África do Sul e de outras partes do mundo e possuem ou adquiriram nacionalidade moçambicano.

Os indivíduos suspeitos raptam ou sequestram as vítimas em Moçambique, levam-nas a cativeiros e exigem em troca o resgate em dinheiro, muitas vezes em numerário.

Nos últimos 10 anos, o valor solicitado pelos sequestradores, até aqui apurado, ultrapassa 2,1 mil milhões de Meticais, o equivalente a mais de 33 milhões de dólares norte-americanos.

Do trabalho de análise realizado pelo GIFIM constatou-se ainda haver indícios para a suspeita do envolvimento de membros das Forças de Defesa e Segurança, advogados, empregados bancários, supostos/pretensos empresários, magistrados nos crimes, entre outros.

Os criminosos recorrem a contas bancárias de familiares mais próximos ou a empresas por si controladas ou pelos seus familiares, bem como de funcionários das Forças de Defesa e Segurança, para introduzir o dinheiro, muitas vezes pago em numerário, para o resgate das vítimas. Para tal, mentem que o dinheiro é resultante de receitas das actividades da empresa.

Os crimes são frequentemente cometidos na Cidade de Maputo, províncias de Maputo, Manica, Sofala e Nampula.

“Para efeitos de dissimulação, foram criadas várias empresas controladas por indivíduos e/ou grupo de indivíduos suspeitos, e abertas várias contas bancárias em diversas entidades financeiras da República de Moçambique, em nome das mesmas, que, através de múltiplos depósitos em numerário, introduziram fundos no sistema financeiro nacional, bem como realizaram transferências bancárias complexas entre si e com outras entidades”, diz o GIFIM.

De seguida, as quantias resultantes da lavagem de dinheiro são enviadas para Dubai, Hong-Kong, Tailândia, Singapura, Portugal, Ilhas Maurícias e África do Sul, alguns deles tidos como paraísos fiscais. Denúncia dos casos suspeitos é a principal recomendação do relatório.

De acordo com o Gabinete de Informação Financeira, os raptos seguidos de extorsão são motivados pela necessidade de vida fácil dos criminosos, mas também podem estar associados a focos de instabilidade política e de conflitos internos.

Mais de 150 empresários foram raptados e cerca de 100 já abandonaram o país, do ano 2012 a esta parte, revela a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). Por isso, os “patrões” exigem do Governo medidas enérgicas.

Os empresários já não sossegam devido ao recrudescimento dos raptos no país, diz Pedro Baltazar, presidente do pelouro de segurança e protecção na CTA. “No âmbito do fenómeno dos raptos contra os empresários em Moçambique, a CTA tem desencadeado a advocacia em prol da sua eliminação, desde as primeiras ocorrências. No mesmo âmbito, e  quadro do diálogo público-privado estabelecido, com vista a dar uma melhor atenção à advocacia contra os raptos, criámos o Pelouro da Segurança e Protecção Privada, que, entre outras matérias, tem dialogado incansavelmente e a diversos níveis”.

Baltazar diz que “junto dos nossos associados, temos auscultado de forma permanente sobre as melhores abordagens para a erradicação deste mal, entre as recomendações saídas dos referidos processos de auscultação, que partilhamos também com o Governo. Os nossos membros, a comunidade empresarial no seu todo, têm estado a exercer pressão, para que possamos tomar medidas radicais para pressionar o Governo. Vocês próprios já ouviram que os empresários, várias vezes, ameaçaram paralisar a actividade comercial. Como líderes, temos estado a gerir estas pressões. O Governo é nosso parceiro e é por isso que optamos pelo diálogo. Em algum momento, podemos não conseguir segurar esta pressão”.

E face ao aumento de casos, a Confederação das Associações Económicas diz ter partilhado com o Governo recomendações para acabar com os raptos.

“A CTA tem estado, ainda, a partilhar com a imprensa, nos comunicados anteriores, os impactos negativos que este fenómeno tem causado na economia, e passados cerca de 12 anos desde a ocorrência do primeiro rapto, achamos que é tempo suficiente para que o Governo se posicione de forma mais pragmática e dar um ‘basta’ a este mal”.

Eduardo Sengo, director-executivo da CTA, considera que o envolvimento de membros das Forças de Defesa e Segurança nos raptos inibe os empresários raptados de colaborarem com as autoridades, e é por isso que os empresários exigem um posicionamento claro do Governo. “A colaboração do empresário vai ser cada vez maior no esclarecimento do que está a acontecer na prestação de informação, como tem estado a exigir o Ministério do Interior”.

O país e o mundo vivem um momento particular no que se refere à produção de alimentos. Cada vez mais, as técnicas usadas durante o cultivo são importantes para os produtores e para os consumidores. Por isso mesmo, a sexta edição da MOZGROW, neste segundo dia, reflectiu sobre a inovação e pesquisa aplicada em agricultura sustentável.

Na Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo, três intervenientes juntaram-se num painel, que procurou elaborar uma radiografia do sector da agricultura, sempre focado em propostas sólidas.

Como que a lançar o debate,  Gabriel Viegas, Director da Faculdade de Engenharia e Agricultura da UnISCED, ao defender que a produção de alimentos depende de uma sustentável inovação e pesquisa aplicada, referiu-se à importância do aumento de áreas no processo de produtividade agrícola.

Para o orador, a expansão horizontal da produção, combinada com a intensificação da agricultura, com duas ou três campanhas na mesma área e com aumento de produção de estratégia tecnológica e investigação aplicada, é um factor determinante.

Visto que as plantas não crescem sem água, o Director da Faculdade de Engenharia e Agricultura da UnISCED defendeu que o uso racional do líquido, de fertilizantes e a capacitação dos agricultores são práticas imprescindíveis. De seguida, avançou a necessidade de se ter atenção à importação de sementes mediante à sua adaptabilidade dos solos. De contrário, “podemos importar e as sementes não germinarem”.

Como produzir sem causar problemas para o planeta? A esta pergunta retórica, Viegas respondeu: “Com agricultura sustentável, que permite pensar nas gerações vindouras, com recursos a usar de forma consequente, com uso  mínimo  de pesticida e fertilizantes, com gestão consciente”.

Antes de concluir, Gabriel Viegas defendeu, também,   a importância de se formar as pessoas. “Só assim poderemos garantir a produtividade e a sustentabilidade. Temos de capacitar as pessoas que trabalham com os agricultores”.

A reflexão sobre o tema proposto na sexta edição da MOZGROW foi continuada por Sebastião Famba, da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). O orador iniciou a sua intervenção debruçando-se sobre a agricultura  e resiliência climática, onde fez menção aos estudos realizados pela sua instituição nas zonas costeiras do Sul do país, designadamente, Maputo, Gaza e Inhambane. O objectivo é avaliar o desempenho das práticas agrícolas  feitas e desenvolver com agricultores cenários para a sua intensificação.

Assim, as pesquisas da Universidade Eduardo Mondlane incluíram um estudo diagnóstico participativo, com envolvimento de grupos que abarcam a cadeia de valor, com atenção para a diversificação cultural, protecção dos recursos, redução de insumos e de fertilizantes.

Sebastião Famba propôs a identificação de modelos de intensificação agrícola que não põem em causa o ambiente e o investimento na monitoria dos resultados alcançados.

Binaíssa Castiano, do Instituto Politécnico de Manica, por sua vez, começou por lembrar que as mudanças climáticas prejudicam os rendimentos dos produtores nacionais. Apontou alguns exemplos de constrangimentos nas províncias de Tete e Manica e revelou que a sua instituição tem levado culturas que melhoraram a estrutura do solo.

Na sua abordagem, o orador disse, ainda, que, nas suas actividades, o Instituto Politécnico de Manica pensa, não só na alimentação em si, mas, igualmente, na questão de renda.

Tendo em consideração pesquisas realizadas em dias de campanhas do ano passado e deste, “vimos que cultivo em faixa de feijão-boer e algodão dava melhores resultados em termos de consistências”, e acrescentou: “O cultivo de gergelim e milho também dá resultados satisfatórios. Mas são apenas os resultados preliminares, pois precisamos validar os dados deste ano”.

Outra estratégia adoptada pelo Instituto Politécnico de Manica foi a introdução de quintais produtivos, seleccionados por serem adequados para obtenção de melhores rendimentos e redução da falta de alimentos na comunidade. “A comunidade deve ser informada e formada em negócio e maneio das áreas produtivas, de modo que as suas práticas possam reflectir no rendimento económico”, explicou Castiano.

Já a terminar, Binaíssa Castiano apontou para os resultados das pesquisas que não são implementados nos locais indicados, como um dos principais constrangimentos para o sector da agricultura sustentável. E acrescentou que, nas zonas com maior produção agrícola, têm-se verificado problemas de escoamento devido às péssimas qualidades de estrada.

Assim, o país vê-se obrigado a depender da África do Sul até para importação de tomate. “Os nossos produtos não circulam. Algumas políticas e alguns decisores políticos não estão interessados em alavancar a produção agrícola interna. E ainda temos o problema de aprovação de leis inerentes ao tipo de mecanismo a adoptar para a produção”.

A sexta edição da MOZGROW continua esta tarde, na Arena 3D, na Catembe.

Os produtores de carne e seus derivados queixam-se de prejuízos decorrentes dos efeitos das mudanças climáticas no país. O aumento da temperatura nos últimos anos, por exemplo, fez com que a produção diária de leite baixasse.

No segundo dia da maior feira de agronegócios de Moçambique, a MOZGROW, foi debatida a resiliência e adaptação da agropecuária às mudanças climáticas.

De acordo com os painelistas, os efeitos das mudanças climáticas têm sido “catastróficos”, chegando a causar grandes prejuízos aos produtores.

A subida da temperatura foi um dos problemas apresentados pelos actores do sector pecuário. 

Segundo Rafael Escrivão, veterinário e docente universitário,  depois do ciclone Idai, que fustigou a região centro do país em 2019, o sector pecuário começou a registar grandes perdas, resultantes de doenças originadas pelo ciclone.

Escrivão diz ainda que o aumento da temperatura faz com que o gado gaste mais energia, contribuindo, assim, para a perda de gorduras e outros valores nutritivos. 

O presidente da CTA visitou, hoje, a Mozgrow e destacou a evolução meteórica e resiliência da iniciativa face a inúmeras adversidades. Já o PCA do Grupo Soico agradece a todos os parceiros que apoiam e acreditam na maior feira de agro-negócios do país.

No princípio da tarde de hoje, uma delegação da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, chefiada pelo respectivo presidente, visitou a feira Mozgrow.

Depois de recebida e acompanhada pelo presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico, Daniel David, a delegação da CTA foi de stand em stand e interagiu com vários expositores.

De cada um deles, eles recebiam a explicação do que se está a expôr. Mais do que saber o que estava a ser exposto, à delegação da CTA interessava, também, saber a expectativa dos expositores em relação à feira Mozgrow.

E a Mozgrow é, igualmente, uma plataforma para quem quer queira comprar produtos agro-pecuários. Foi por isso que a delegação da CTA comprou parte dos produtos em exposição na feira. Vendia-se tanto que nem sobra para os outros.

Desengane-se quem pensava que, na feira Mozgrow, só há expositores nacionais. O Reino de eSwatini está no evento a expor a sua indústria de carne.

“Estamos aqui para reavivar as boas relações. Nós vendíamos muito bife para Moçambique, antes de muitos outros países começarem a trazer a carne para o país. O que nós queremos fazer é reintroduzir a nossa aposta”, contextualizou a representante da indústria de carne de eSwatini.

E a porta desta reintrodução da indústria de carne de eSwatini vai ser a feira Mozgrow, onde haverá um festival de carne.

“Nós vamos trazer uma variedade de carne. Nós estaremos a saborear isso aqui (na Mozgrow). Nós vamos cozinhar para a população moçambicana e para todos”, revelou a representante da indústria de carne de eSwatini.

Enquanto isso não acontece, há que saborear o que já está a ser preparado noutros stands.

Depois de degustar da carne, um aceno afirmativo das cabeças e um sinal no dedo polegar era um indicativo de que a carne e tudo o que está a ser preparado na Mozgrow é delicioso.

E, depois disto, todo o mundo quis aproximar-se e confirmar o sabor delicioso do que na Mozgrow se prepara.

De tanto ser bom, há quem levou uma parte para casa.

Depois de tudo isto, o presidente da CTA ficou impressionado com a feira e elogiou a iniciativa.

“Acho que a Mozgrow tem uma evolução meteórica daquilo que consigo ver hoje (actualmente). Com os desafios da COVID-19, houve dificuldades de implementar como era desejável, mas este (a Mozgrow) passou a ser o ponto de encontro de fazedores de negócio no campo do agro-negócio”, referiu o presidente da CTA, Agostinho Vuma.

O presidente da agremiação dos empresários considera a Mozgrow “um dos grandes eventos que Moçambique tem e, no campo do sector privado, o grande evento que temos e que promove o agro-negócio, que cria um one stop shop para o encontro de homens de negócio no campo, particularmente, do agro-negócio. Portanto, as minhas felicitações e espero que mais empresas e expositores deste sector se cruzem neste evento”.

E o PCA do Grupo do Soico agradece a todos os que acreditam e acarinham a Mozgrow.

“Um sentimento de gratidão, principalmente por estes parceiros que estão na feira e que nos apoiam e acreditam que o crescimento empresarial é baseado em negócio. A Mozgrow visa encontrar a procura e a oferta e criar valor para ambos os lados, satisfazendo necessidades e desejos, e o empresário ganhando o que deve ganhar”, disse Daniel David, PCA do Grupo Soico.

A ideia, explica Daniel David, “é que os parceiros vendam e possam criar, na Mozgrow, uma unidade de negócio, e essa unidade de negócio impacta as pessoas. Nós estamos aqui numa área, minimamente, empresarial. Fundamentalmente, agregando valor aos produtores e àqueles que querem consumir. É um projecto inovador”.

Que o digam o que estão a expor os seus produtos na maior feira de agro-negócio do país.

“Estamos com um público maravilhoso, sempre engrandecendo e melhorando o nosso negócio. Espero, no evento, tudo de melhor, e o nosso produto também é muito bom”, observou Verónica da Rocha, expositora na Mozgrow.

Na feira Mozgrow, não só se come, como também se bebe. Enfim, é um pouco disto que uma multidão de pessoas está a desfrutar na sexta edição da feira Mozgrow.

Os produtores precisam de ter, pelo menos, um pluviómetro para monitorizar e planear melhor as actividades de produção, de modo a minimizar o impacto das mudanças climáticas, defende o climatologista Isaías Raiva, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM). Já o gestor de projectos de desenvolvimento comunitário, Goi Francisco, diz que o país precisa de apostar na permacultura.

Num contexto em que a agricultura do país se ressente dos impactos das mudanças climáticas, provocadas pelo fenómeno El Niño, a sexta edição da Mozgrow discutiu o tema: “Agro-negócio e o desafio das mudanças climáticas”.

A considerar as fragilidades de acesso à informação que os agricultores têm, Isaías Raiva afirmou que seria ideal que cada agricultor tivesse, pelo menos, um pluviómetro para previsões claras sobre os níveis de precipitação.

“Seria importante que cada agricultor tivesse, no mínimo, um pluviómetro. Isso ajudaria a monitorizar melhor a sua actividade. Com o instrumento, eu saberia em que áreas colocar a minha cultura, se vai chover ou não. Este instrumento deve custar 200 Meticais, e nós mostraremos como usar”.

Isaías Raiva também sugeriu que os agricultores devem ter acesso às previsões sazonais que o INAM disponibiliza de forma gratuita. “Saber qual será o clima dos próximos três ou seis meses permite saber quando, o que e onde vou semear e se está a chover o suficiente para a minha agricultura”.

Por sua vez, o gestor de projectos de desenvolvimento comunitário da IPERMO, entidade responsável por projectos de permacultura, em Mahubo, no distrito de Boane, defende que a resiliência do agro-negócio depende do uso e aproveitamento racional das potencialidades de cada região.

Considerando uma pesquisa da FAO, que indica que “a população africana vai aumentar de 15% para 19% até 2030, num ritmo contrário à fertilidade do solo”, e que, “se o continente não adoptar novas abordagens para regenerar o solo até 2050, a terra arável por pessoa vai reduzir para ¼ do que era em 1960”, a IPERMO alerta que é preciso adoptar a permacultura, como forma de potenciar a resiliência aos desafios climáticos.

A permacultura pretende criar um sistema de assentamentos humanos sustentáveis, ecologicamente saudáveis e economicamente viáveis, capazes de ser sustentáveis a longo prazo

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