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O Banco de Moçambique anunciou, esta quarta-feira, a indicação de Osvaldo Benedito Chiluvane para a função de inspector residente do Absa Bank Moçambique. Através de um comunicado, o Banco Central justifica que a decisão surge no âmbito da necessidade de reforço da monitoria daquela instituição financeira.

“O Banco de Moçambique comunica que, na sequência da necessidade de reforço da monitoria ao Absa Bank Moçambique, SA, indicou o Senhor Osvaldo Benedito Chiluvane, quadro desta instituição, para desempenhar as funções de inspector residente neste banco, com efeitos a partir do dia 18 de Dezembro de 2024”, lê-se no documento.

O comunicado explica que “o inspector residente irá, dentre outras tarefas, monitorar o modelo de negócio e a estratégia do banco, acompanhar e analisar os desenvolvimentos no sistema de controlo interno do banco e participar em reuniões relevantes dos órgãos colegiais”.

O Banco de Moçambique sublinha que, apesar da supervisão o Absa Bank Moçambique, SA continua sólido e estável.

 

Empresas do sector hoteleiro e respectivos prestadores de serviços já perderam mais de 500 milhões de meticais devido aos protestos pós-eleitorais. Segundo o presidente do Pelouro do Turismo na Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Muhammad Abdullah, o sector continua a enfrentar cancelamentos de reservas e pedidos de reembolsos devido à instabilidade que se vive no país.  

Os protestos pós-eleitorais têm estado a desestabilizar a economia no país devido à paralisação das actividades em vários sectores, e o  pelouro do turismo é um dos mais afectados.  

“A indústria do turismo está, neste momento, prejudicada por esta situação, na ordem dos 500 milhões de meticais. Aqui há duas vertentes, as empresas, investiram para poder receber os turistas nesta época, agora não só não terão o retorno do seu investimento, como também terão que reembolsar pelas reservas que estão a ser canceladas. É uma situação complicada, que nos preocupa bastante, que não sabemos ainda como e quantas empresas irão sobreviver neste momento” lamentou Muhammad Abdullah, Presidente do Pelouro do Turismo na CTA.

Segundo a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, a actual crise que o sector do turismo enfrenta é mais grave se comparada com a enfrentada  no âmbito da Covid-19, e as consequências serão drásticas. 

“Estamos a falar numa situação de clima de insegurança, de medo, de falta de mobilidade. Aquelas imagens e as notícias que se espalharam pelo mundo fora, das pessoas que ficaram retidas nos aeroportos e até estendidas descansarem no chão do aeroporto. Estas imagens, quando rodam pelo mundo fora, o resultado é catastrófico para o nosso país e especialmente para o nosso turismo” explicou Muhammad Abdullah. 

Muhammad Abdullah alerta que esta instabilidade terá sequelas e, obviamente, vai retrair o desenvolvimento do turismo. 

“Será difícil colocar novamente no agendamento das pessoas que Moçambique é um país seguro, que não há problemas em visitar, porque fica esta imagem desta instabilidade, desta insegurança, desta falta de mobilidade, destes bloqueios que infelizmente acontecem neste momento das manifestações e desta crise pós-eleitoral que o nosso país está a viver. Terá que-se procurar um caminho complicado, um caminho longo e que virá a travar aquilo que são as nossas aspirações e a grande velocidade com que o turismo moçambicano vinha crescendo na mente e nas preferências do turista internacional” apontou o empresário. 

A CTA diz que está preocupada com a situação e alerta que algumas empresas do sector turismo poderão encerrar as actividades. 

Os preços dos serviços e produtos essenciais subiram 2,84% de Novembro do ano passado a esta parte. Alimentos e serviços de restauração e hotelaria tiveram a maior subida durante o período em análise.

Os dados do mês de Novembro passado, quando comparados com os de igual período de 2023, indicam que o país registou um aumento do nível geral de preços na ordem de 2,84%, segundo o último Índice de Preço ao Consumidor do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

“As divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas e de restaurantes, hotéis, cafés e similares foram as que tiveram maior aumento de preços, ao variarem com cerca de 7,36% e 4,10%, respectivamente”, escreve o INE.

Segundo o INE, a cidade de Quelimane registou o maior aumento de preços com cerca de 4,34%, seguida da cidade de Xai-Xai, com 3,64%, e pela cidade de Chimoio, com 3,53%.

Apesar de a trajectória de queda da inflação ter sofrido ligeira alteração, nos últimos três meses, a subida continua distante de dois dígitos.

Aliás, as perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito, no médio prazo, de acordo com o Banco de Moçambique, cujo último CPMO, enfatizou que a manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo reflecte, essencialmente, a estabilidade do Metical e o impacto das medidas tomadas pelo CPMO.

A trajectória da inflação, aliada a outros factores, contribuiu para a redução da taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 13,50% para 12,75%.

“Esta decisão é sustentada pela contínua consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, não obstante as incertezas quanto à duração da tensão pós-eleitoral e o seu impacto sobre os preços de bens e serviços”, avançou o regulador.

O regulador também avançou que a avaliação dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação mantém-se favorável e destacou como possíveis factores de contenção da inflação, no médio prazo, a estabilidade do Metical e a redução dos preços das mercadorias no mercado internacional, não obstante as incertezas quanto à duração da tensão pós-eleitoral e o seu impacto sobre os preços de bens e serviços.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, FEMATRO, revelou, em entrevista ao “O País Económico”, que o sector sofreu um prejuízo de cerca de 375 milhões de Meticais nas receitas e vandalização de carros pelos protestatários. O cenário agravou os problemas do sector, que já se ressentia da falta de passageiros e de carga, principalmente nas carreiras interprovinciais.

Os protestos pós-eleitorais que têm ocorrido um pouco por todo o país estão a fragilizar a economia nacional, e o sector dos transportes é um dos mais afectados.

Os últimos dias tiveram um impacto muito mais negativo para os transportadores de passageiros, segundo dados tornados públicos pela Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), que já vinha reportando prejuízos na actividade devido a vários factores conjunturais.

“O sector já andava com défice de carga e de passageiros. Nas viagens interprovinciais,  temos o problema da degradação da Estrada Nacional Número 1, que quase destrói os carros todos os dias”, disse Jorge Manhiça, porta-voz da FEMATRO.

De forma cumulativa, o sector perdeu cerca de 375 milhões de Meticais, um  valor que pode  crescer, uma vez que a movimentação ainda acontece de forma tímida, segundo Jorge Manhiça.

“Para os transportes urbanos, interurbanos e internacionais, as perdas estão em cerca dos 375 milhões de Meticais durante estes dias”, explicou Manhiça.

Em entrevista exclusiva ao nosso jornal, o responsável apontou que, além do desfalque em receitas, há registo de danos avultados nas viaturas.

“Tivemos essa problemática de viaturas serem queimadas, vidros quebrados, em alguns casos se registou, também, a entrada dos manifestantes dentro dos carros onde retiravam todos os bens dos ocupantes, incluindo as tripulações”, avançou, tendo acrescentado que “o sofrimento foi de igual modo, não há rota que sofreu menos que a outra. O sector todo foi afectado”.

O porta-voz recordou que a circulação era interrompida durante oito horas por dia, isto é, das 8h às 16h. “Assim, os carros podiam sair às 4h30 e tentaram fazer as voltas que pudessem, mas aquilo que eles gastavam não compensava as receitas”, revelou, para depois acrescentar que “Os autocarros não conseguiam sequer repor o combustível. Como se não bastasse, o tráfego também não perdoava nas referidas horas de livre circulação, porque todos os automobilistas se faziam à rua ao mesmo tempo”.

Segundo Manhiça, “a situação veio a complicar muito mais aquilo que é o trabalho, porque qualquer cidadão que tem o seu carro, quando saísse, queria ganhar tempo para poder chegar ao local de trabalho antes das 8h e também depois das 16h, porque havia um outro fenómeno, depois das 20h, o qualquer um parava na rua e começava a fazer cobranças ilícitas, essas portagens clandestinas que estão por aí”, esclareceu. 

O porta-voz da FEMATRO alerta que, com a retoma normal da circulação a partir desta quinta-feira, há transportadores que tentam agravar as tarifas de forma clandestina, e diz que a federação se distancia.  

“Agora que houve retoma, há colegas que não são honestos. Estão a tentar especular as tarifas. Nós, como federação, distanciamo-nos e vamos coordenar com as associações das rotas para que mobilizem os operadores para não percorrerem por esse caminho de especular as tarifas”, tranquilizou e disse mais: “Importa frisar que a tarifa não foi aumentada, as tarifas são as mesmas que foram aprovadas em 2022 e temos de as cumprir. Não podemos tirar partido do sofrimento da população.”

Questionado sobre projecções futuras, tendo em vista a quadra festiva, momento em que há mais procura no sector dos transportes, Manhiça esclareceu que, apesar da incerteza, o sector está a redobrar esforços para que haja capacidade de resposta na quadra festiva.

“Nós não gostamos de ser futuristas, mas temos o nosso plano de trabalho, com rotas onde somos sempre muito mais procurados no período festivo. Nós redobramos o esforço para que não haja falta de transporte. Aliás, se as condições permitirem, nós estaremos lá para transportar e levar qualquer cidadão para o ponto que desejar. Para isto, estamos preparados”, garantiu. 

Sobre a possível continuidade dos protestos, A federação posiciona-se com críticas. “Mais uma paralisação destas, creio que não sobrará um de bem, e isso vai ter impactos negativos para a sociedade, porque haverá muita perda de emprego, para além da não realização de viagens a tempo. Aliás, já é notório um pouco disso, porque há pessoas que, sem coragem até agora, ainda não se ligaram em tirar os seus carros”, revelou.

Para já, a circulação dos transportes foi retomada em todas as rotas. 

Pelo menos dois países do interland sofreram restrições na importação de combustíveis devido à crise pós-eleitoral em Moçambique. Malawi e Zâmbia decidiram suspender por alguns dias a circulação de camiões de carga que transportam, principalmente, diesel e gasolina. Malawi suspendeu a importação a partir do Porto da Beira.

A petrolífera PUMA Energy Zâmbia foi uma das primeiras a mandar parquear todos os seus camiões em lugares seguros em Moçambique, devido aos protestos pós-eleitorais, no princípio de Novembro.

Na sequência, a companhias de petróleo do Malawi suspenderam parcialmente a importação de combustível desde o Porto da Beira, também devido aos protestos em alguns pontos da região Centro de Moçambique.

O porta-voz da Companhia Nacional de Petróleos do Malawi, Raymond Likambale, citado pela Rádio Moçambique, disse que, face aos protestos pós-eleitorais em Moçambique, que afectaram o transporte de combustível, o produto passará a ser transportado desde Tanzânia, até que a situação das manifestações em Moçambique se  normalize.

Aliás, segundo a fonte, a situação agudizou a crise de combustíveis na região Sul do Malawi, sobretudo na cidade de Blantyre, que actualmente importa combustíveis a partir do Porto de Dar es Salaam, em Tanzânia, num percurso mais longo em relação à Beira.

Raymond Likambale revelou que cerca de um milhão de litros de diesel estão a caminho do Malawi, através de caminhos-de-ferro, desde o Porto de Nacala, mas a circulação das locomotivas está a ser condicionada.

O Malawi importa 50% do seu combustível através da Beira e 20% através de Nacala, ambos em Moçambique, enquanto Dar es Salam, na Tanzânia, movimenta 30%, de acordo com a Autoridade Reguladora de Energia do Malawi.

A Companhia Nacional de Petróleos, a Associação dos Transportadores do Malawi e a Associação dos Retalhistas do Malawi afirmam que a situação actual é volátil, abrindo dúvidas sobre uma eventual subida de preços.

No país, apesar dos protestos comprometerem o acesso aos diversos portos,  ainda não foram divulgados dados dos prejuízos ou eventual ruptura de stock por parte das gasolineiras.

O ministro de transporte e comunicação, Mateus Magala, anunciou, hoje, uma série de medidas que serão tomadas pelo Governo, com vista a garantir o abastecimento em bens e serviços, para a satisfação das necessidades básicas da população. Mateus Magala afirma que as medidas surgem no âmbito do o actual estágio adverso que o país atravessa, motivado por manifestações.

Durante a abertura da avaliação dos indicadores da actividade económica moçambicana, no III Trimestre. Mateus Magala disse que “o actual estágio adverso que atravessamos, motivado por manifestações pós-eleitorais, merece, de todos nós, acções conjuntas, visando ultrapassá-las para alavancarmos”.

É nesse contexto, que “o Governo tomou algumas medidas de mitigação para o período da quadra festiva, com destaque para alguns produtos da cesta, tais como: arroz, óleo, farinha de milho e açúcar, de modo a evitar a subida de preços nesta quadra festiva”.

As medidas incluem 10% de desconto para os transportes interprovinciais, de 15 de

Dezembro de 2024 a 15 de Janeiro 2025;  Isenção de taxas de manuseamento de produtos alimentares, no Porto de Pescas de Maputo em 94 tons, de 15 de Dezembro  a 15 de Janeiro do próximo ano. Pagar 3,1 mil milhões de meticais dos subsídios dos programas de protecção social básica até 20 de Dezembro;  Garantir o pagamento de pensões e salários do mês de Dezembro de 2024 até o dia 20 do mesmo mês e Acelerar o pagamento das dívidas do Estado com os fornecedores de bens e serviços, no valor orçado de 1,4 mil milhões. 

O ministro dos transportes e comunicação explicou que pretende, com estas medidas, “assegurar o acesso aos serviços e produtos alimentares para as famílias moçambicanas”, e sublinha que as medidas só serão efectivas e com impacto desejado com o apoio do sector privado. 

Magala reconheceu que o país tem desafios novos e emergentes por enfrentar, para alcançar o desenvolvimento sustentável, mas reitera a importância do sector privado para a sua superação. 

“Os efeitos adversos da volatilidade dos preços dos géneros alimentícios, bem como a crise da água provocada por secas persistentes e os impactos das alterações climáticas continuam a merecer atenção do Governo (…) Por isso, Moçambique tem vindo a promover a diversificação da economia”, explicou.

Magala chamou atenção que “temos a oportunidade para tirar partido dos pontos fortes que o país tem, através de desenvolvimento de cadeias de valor e prosseguir com reformas ambiciosas, para salvaguardar a estabilidade macroeconómica e resolver os obstáculos ao crescimento, a fim de alcançar padrões de vida mais elevados para todos”, concluiu.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) exige a devolução das armas roubadas por supostos protestatários. Segundo o porta-voz do Comando-Geral da Polícia, trata-se de armas subtraídas durante a invasão de subunidades policiais durante os protestos.

A exigência foi feita, nesta terça-feira, por Orlando Mudumane, em conferência de imprensa sobre a situação do país no período pós-eleitoral. 

“Algumas armas que tinham sido roubadas já foram recuperadas. Neste momento, decorrem diligências no sentido de recuperar uma e outra, que ainda estejam nas mãos destes indivíduos malfeitores, porque nenhum manifestante político se atreve a atacar uma unidade ou subunidade policial. Neste momento, estão em curso diligências no sentido de neutralizar esses indivíduos, porque a Polícia da República de Moçambique tem imagens e vídeos que identificam esses indivíduos”, disse.

O porta-voz do Comando-Geral da PRM disse que foram registrados, no último domingo, 69 casos de perturbação da ordem pública no país, que culminaram com a detenção de dez indivíduos.

O Governo aprovou, na terça-feira, a Política de Investimentos do Fundo Soberano de Moçambique, que define, entre outros, a duração de aplicação dos recursos do fundo e as margens de desvio permitidas. O documento deu ainda luz verde aos detalhes como limites de risco de crédito aceitáveis para a gestão de recursos.

O acto teve lugar durante a 36ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, em Maputo.

A política de investimento define o perfil de risco dos investimentos; o Índice de Referência Estratégico e limites de risco, que estabelece directrizes sobre a classe de activos, seus limites máximos ou mínimos, tipos de instrumentos, países e moedas elegíveis para os investimentos dos recursos do Fundo Soberano de Moçambique.

Além da duração referencial de aplicação dos recursos do fundo e das margens de desvio permitidas, a política de investimento estabelece também os limites de risco de crédito aceitáveis para a gestão de recursos do Fundo Soberano de Moçambique, incluindo mercados, emissores, instrumentos, contrapartes e prazos de vencimento de investimentos.

Define também um ou mais comparadores a serem aplicados para avaliar a gestão da administração dos recursos do Fundo Soberano, incluindo os critérios de valorização da carteira de investimentos dos referidos recursos.

A confederação das associações económicas (CTA) de Moçambique diz que decorrem diligências para se reunir com os partidos políticos, inclusive com Venâncio Mondlane, de forma a encontrar saídas para actual crise pós-eleitoral. Agostinho Vuma, que falava aos jornalistas, diz que solicitou, ao Presidente da República, a escolta dos camiões de carga da fronteira para o Porto de Maputo.

Depois do encontro com o presidente da República, a confederação das associações económicas de Moçambique chamou a imprensa, nesta terça-feira, para dizer que vai se reunir com partidos políticos em busca de soluções para a crise pós-eleitoral.

Enquanto o encontro não ocorre, o sector empresarial propõe o que chamou de trégua, para salvaguardar a economia.

Porque há, neste momento, longas filas de camiões à espera de entrar em Moçambique, o sector propôs a existência de escoltas militares ate ao porto de maputo.

CTA diz que está a somar prejuízos incalculáveis, sobretudo nos subsectores de turismo e hotelaria. Por isso, pede uma solução urgente.

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