O País – A verdade como notícia

O economista Edgar Chuzi diz que o Banco de Moçambique apareceu no momento certo para reduzir a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) e as reservas obrigatórias dos bancos comerciais, dado que milhares de empresas do sector privado já se encontravam de rastos e a precisar de recuperação após saques e vandalização no âmbito dos protestos pós-eleitorais, mas também algumas sequelas deixadas pela COVID-19.

O banco central anunciou, no passado dia 27, mais uma redução da taxa MIMO, tendo desta vez saído dos anteriores 12,75% para 12,25%, a primeira do ano 2025 após ter feito três reduções graduais no ano passado (2024), mas também anunciou a redução do coeficiente de reservas obrigatórias, de 39% para 29%, a primeira desde Setembro do ano 2023, medidas que aparecem como lufada de oxigénio na economia nacional, bastante fragilizada pelos adventos da situação sociopolítica do país e pelas mudanças climáticas.

Em entrevista exclusiva ao “O País Económico”, o economista Edgar Chuzi saudou a decisão anunciada pelo governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, por entender que se abre espaço para aliviar o serviço da dívida pública e maior circulação da moeda.

“Ora, temos aqui a redução das reservas obrigatórias numa percentagem que eu acho que, numa primeira fase, é aceitável. Isto cria a disponibilidade de recursos financeiros na banca para poder se ceder a terceiros. Ou seja, estas duas medidas não podiam ter sido tomadas num momento melhor que este, altura em que o sector empresarial está a necessitar de recuperação face, primeiro, àquilo que são as vandalizações que conhecemos nos últimos meses, dos protestos pós-eleitorais, mas também sem nos esquecermos que o sector empresarial ainda não se tinha refeito da crise da pandemia da COVID-19, que levou anos sem fim para que pudéssemos conhecer uma recuperação económica propriamente dita”, disse Edgar Chuzi. 

Defende ainda que o banco central tomou a medida certa em relação aos pontos percentuais reduzidos, tendo em vista os riscos oferecidos pelo ambiente político do país.  

“É preciso ver o lado do risco associado. Se a redução fosse muito acentuada, por exemplo, de 2, 3 ou 4 pontos percentuais, havia de existir uma demanda acelerada na busca de créditos que não seriam apenas para revitalizar a actividade económica como em si, mas para pagar outros serviços de dívidas ou despesas ou dívidas internas com trabalhadores, fornecedores, com o risco de não gerar fluxos financeiros para poder cumprir com o serviço da dívida. Não digo que foi apenas esta a razão que ditou esta redução um pouco mais baixa em relação à última redução que nós conhecemos, mas é preciso precaver-se de algumas situações”, explicou o economista.

Edgar Chuze avança ainda que os próximos dias podem ser de bonança para os empreendedores.

“É um ambiente muito positivo para o sector privado, mesmo para as micro, pequenas e médias empresas, porque o custo do dinheiro estará relativamente baixo, e a disponibilidade do mesmo será elevada dentro das instituições financeiras”, avançou.

Uma outra boa nova, segundo o economista, é que, apesar de elevada a dívida pública interna, com maior disponibilidade de dinheiro no sector financeiro, poderão ser concedidos mais créditos ao Estado, para dinamizar as despesas públicas.

“Neste momento, com maior disponibilidade, eu penso que há condições de ceder a ambos os sectores, seja o público, seja o sector privado”, apontou.

Em relação às empresas destruídas no âmbito dos protestos pós-eleitorais e que provavelmente tenham créditos parados, Chuzi entende que a banca e os seus clientes devem renegociar as dívidas e ponderar a possibilidade de ajudar esses empresários a revitalizarem os seus negócios, para que a posterior possam conseguir pagar as suas obrigações, pois, se os empreendimentos não voltarem a fluir, não haverá outra forma de saldar as contas a não ser penhorar as garantias mutuárias.

Apesar de haver maior disponibilidade de dinheiro nos bancos, Edgar Chuzi alerta que as famílias e as empresas devem ter cautela ao contrair créditos, sobretudo os de consumo e explica: “Devemos, sim, demandar fluxos financeiros ou crédito bancário, com projectos bem estruturados, que sabemos que vão gerar fluxos na sua implementação, vão gerar fluxos financeiros para o retorno de alguma actividade. Não aconselharia muito ao crédito de consumo, porque, como vimos, muitas famílias ficaram fora dos seus empregos e têm problemas para poder fazer face às suas obrigações. Uma oportunidade é uma oportunidade. Se eu vir que há uma oportunidade de ter dinheiro a um custo barato e o dinheiro está disponível, é de demandar, mas preciso de reflectir primeiro se terei condições de cumprir com o serviço da dívida, antes de ter a apetência de demandar este crédito”, aconselhou.

Por outro lado, Edgar Chizi recomenda ao governo liderado por Daniel Chapo que olhe para todos os sectores da economia de igual forma, no âmbito da revitalização, mas sem esquecer quais é que foram mais afectados pela vandalização, pilhagem, e ausência de turistas, no caso das estâncias turísticas.

De olhos lançados ao futuro, o analista pauta por uma ideia de diversificação.

“Nós temos de começar desde a agricultura, mas não a agricultura de subsistência. Uma agricultura industrial, um agronegócio que seja sustentável. É um sector que nós sabemos que temos condições climáticas e terras aráveis, mas também temos o sector da indústria, todos esses precisam de ser alavancados para que deixemos de depender pura e simplesmente, ou na maior parte, da questão de extracção mineira. Nós temos de primeiro potenciar o nosso sector privado para que possa concorrer em pé de igualdade com essas grandes economias que fez referência, a China, a América, entre outros”, sugeriu e acrescentou que “o sector privado deve ser um sector robusto, que terá capacidade de gerar rendimentos e pagar o justo imposto, só assim estaremos aí para aquele resultado final que o presidente da república referiu na sua investidura, a independência económica e financeira.”

Refira-se que esta medida do banco central já foi saudada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), apesar de considerar que é conservadora, especialmente quando comparada com a postura mais arrojada adoptada aquando do aumento da taxa.

A CTA diz que a redução, pelo Banco de Moçambique, da taxa MIMO e de reservas obrigatórias dos bancos comerciais vão facilitar o acesso a empréstimos pelo empresariado. Os patrões dizem, entretanto, que o Banco Central deveria obrigar a banca a estender o prazo para cobrar juros de mora devido ao contexto de crise pós-eleitoral.

A decisão do Banco de Moçambique em reduzir a taxa de reservas obrigatórias em 10 por cento para a moeda nacional e 10,5 em moeda estrangeira faz parte das exigências feitas pelo sector privado durante o último trimestre do ano passado. A medida é acertada, diz a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, porém afirma que tal devia ser acompanhado por outras medidas.

“Apesar de se tratar de uma medida positiva, que vem trazer algum alívio ao mercado e recuperar, paulatinamente, a confiança, ela peca por ser bastante conservadora, diferentemente da postura assumida no momento da subida da mesma, onde duplicou. E, atendendo ao fundamento do Banco de Moçambique para manter as taxas directoras altas, segundo o qual existe um elevado nível de liquidez no mercado”,  disse Paulo Oliveira, pelouro da informação na CTA.

O sector privado, que afirma que esta foi a única medida por enquanto atendida no universo do quadro proposto ao Governo em Novembro passado, acusa o banco central de nada ter feito para melhorar a economia. Segundo o sector privado, “ o Banco de Moçambique sugou moeda externa do mercado através das Reservas Obrigatórias estimadas em 1,8 milhões de dólares. Adicionalmente, o Banco Central sugou cerca de 286 milhões de dólares através de compras diversas de divisas no mercado.”

De acordo com a CTA, o Banco Central em coordenação com o governo deve de forma urgente arranjar mecanismos de facilitação de pagamentos das dívidas que muitas empresas têm para com os bancos centrais, à margem da queda do ambiente normal dos negócios no país.

“Actualmente no mercado, temos muitas empresas com facturas de importação não pagas há mais de 9 meses e com os respectivos termos de compromissos em aberto. Estes constrangimentos de liquidez em moeda estrangeira poderão afectar o processo de importação de equipamentos e acessórios das empresas afectadas pelas manifestações pós-eleitorais, atrasando, assim, a retoma das actividades produtivas pelas mesmas”, explicou Oliveira. 

Sobre a suspensão de projectos financiados pelos Estados Unidos da América, a CTA afirma categoricamente que a medida vai penalizar o ambiente de negócios durante o primeiro trimestre do presente ano. 

Sem dúvidas as actuais medidas decretadas pelos EUA vão afectar a entrada de divisas via porojectos paralisados que estavam em curso e que tinham financiamento directo dos pais hoje liderado Donald Trump. Reconhecemos que estes projectos também faziam parte da fonte de entrada de divisas e que alimentam as reservas nacionais”, lamentou Eduardo Sengo, Director Executivo da CTA.   

Tal como o Banco de Moçambique, a CTA tem dificuldades em fazer projeções do crescimento económico a curto e longo prazo devido às incertezas face à onda de protestos no país.

O Banco de Moçambique anunciou, esta segunda-feira, que pretende injectar mais dinheiro na economia nacional para apoiar empresas afectadas pela tensão pós-eleitoral. Por isso, decidiu reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias de 39% para 29%.

Finalmente, o Banco de Moçambique decidiu responder, positivamente, a uma das maiores preocupações do sector privado nacional, reduzindo o coeficiente de reservas obrigatórias, tanto em moeda nacional como em moeda estrangeira.

Os bancos comerciais eram obrigados a guardar no Banco de Moçambique 39% dos depósitos dos seus clientes em jeito de reservas, como forma de proteger os seus depósitos de eventuais crises, mas agora passam a depositar 29%. 

Com a medida, o banco central pretende disponibilizar mais dinheiro aos bancos comerciais para que tenham capacidade de financiar as famílias, empresas ou ao próprio Estado, por terem sido fortemente afectados pela tensão pós-eleitoral.

“O Comité de Política Monetária decidiu reduzir os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 39% para 29% e em moeda estrangeira de 39,50% para 29,50%, visando disponibilizar mais liquidez para apoiar a economia na reposição da capacidade produtiva”, disse, ontem, o governador do banco central, Rogério Zandamela.

Importa lembrar que desde Maio do ano de 2023 que o Banco de Moçambique não reduzia os coeficientes de reservas obrigatórias. Para já, o Banco de Moçambique diz possuir reservas confortáveis para cobrir necessidades de importação de bens e serviços durante cinco meses. Porém, afirma que o Governo deve pôr a mão na massa para evitar problemas na economia.

“Quais são as reformas subjacentes que vão aumentar a produtividade da economia, que vão aumentar investimento, que vão melhorar o ambiente de negócios, que vão lidar com todos aqueles assuntos que nós conhecemos, entre os quais os problemas da corrupção, o branqueamento de capitais? Há muitos factores por trás do crescimento. Então, é uma agenda ampla, complexa e difícil que pouco depende do Banco de Moçambique”, referiu Zandamela.

No que toca ao crescimento económico, o governador avisa que não se pode esperar muito. “Nossa previsão para o primeiro trimestre seria de perda, no sentido de que tivemos uma situação muito difícil. Na melhor das hipóteses, poderemos ter crescimento zero ou provavelmente negativo. Mas, a partir do segundo trimestre, a nossa expectativa é que a economia comece a crescer e no ano como um todo teremos um crescimento modesto”, disse.

Rogério Zandamela comentou ainda a suspensão do apoio externo pelos Estados Unidos da América. Diz que a medida não é ainda clara para o caso de Moçambique. “Não estou ao corrente que a administração Trump disse que a ajuda a Moçambique vai ser cortada. Então, prefiro não ser pessimista. Conheço situações da minha experiência passada, que até mesmo quando fazem um corte geral, há países que acabam saindo a ganhar. É difícil dizer neste momento, exactamente, o que quer dizer a administração visa viu Moçambique”, considera.

Zandamela voltou a alertar para o agravamento da dívida interna do Estado. Diz que se situa em 435,6 mil milhões de Meticais, um aumento de 20,1 mil milhões face a Dezembro.

A Hidroelétrica de Cahora Bassa alcançou os níveis planeados de produção energética em 2024. Assim, prevê mais um resultado líquido recorde na história da Empresa.

Em 2024, a empresa  produziu um total de 15.753,52 GWh. Como resultado deste desempenho, estima-se que, em 2025, a HCB contribua para os cofres do erário público, entre impostos e taxas, (IRPS, IRPC, IVA e taxa de concessão), mais dividendos, com cerca de 292 milhões de dólares norte-americanos (cerca de 18,5 mil milhões de Meticais).

Segundo uma nota de impresa da HCB, “esta cifra foi atingida num contexto hidroclimatológico adverso caracterizado por uma seca severa imposta pela ocorrência do fenómeno El Niño, cujo impacto negativo levou à adopção e implementação de medidas de gestão da exploração da albufeira, que visavam salvaguardar a segurança hidráulico-operacional da Barragem e infraestruturas conexas, o que permitiu que Cahora Bassa tivesse níveis de armazenamento de água melhores do que as barragens dos países à montante”.

“Apesar dos constrangimentos de ordem hidro-climatológica, como corolário de uma gestão cuidadosa dos recursos da Empresa, assentes em princípios de austeridade e maximização dos ganhos financeiros, dados ainda em processo de auditoria, indicam que o desempenho de 2024 poderá gerar resultados líquidos de mais de 225 milhões de dólares norte-americanos, valores que ultrapassam os registos do exercício económico de 2023 e de toda a história da HCB”, lê-se no documento.

O nível de endividamento do Estado moçambicano continua elevadíssimo, embora com algumas melhorias na última década, após a descoberta das dívidas ocultas em 2016. Depois de situar-se em 113% do Produto Interno Bruto (PIB), a dívida pública, contraída pelo Governo, reduziu até 84% em Setembro de 2024, duas vezes acima do recomendado (40%).

Os dados mais actualizados constam do Boletim Trimestral sobre a Dívida Pública, referente ao período de Julho a Setembro de 2024, publicado em meados do mês de Janeiro corrente na página electrónica do Ministério das Finanças, ex-Ministério da Economia e Finanças.

De acordo com o documento, no terceiro trimestre do ano passado, a dívida pública e garantida pelo Estado aumentou em cerca de 819,35 milhões de dólares em comparação com o segundo trimestre, ao passar de 16 532,04 milhões para 17 351,39 milhões de dólares.

O Governo de Filipe Nyusi, que cessou as suas funções no passado dia 15, considera que a trajectória de crescimento da dívida pública é influenciada, principalmente, pela dívida interna por si contraída, com maior ênfase para a emissão da dívida contraída a curto prazo.

Por seu turno, o recém-criado Ministério das Finanças refere, em nota publicada na sua página electrónica, que o Governo está empenhado em honrar as suas obrigações e continuará a gerir a dívida pública de acordo com a sua Estratégia de Dívida de Médio Prazo 2022–2025.

Segundo a referida nota, o objectivo do Governo é reduzir o serviço da dívida a médio prazo (em 2 a 4 anos) e melhorar o perfil de crédito do país. Por isso, no que diz respeito à dívida interna, diz que estão em curso reformas na estrutura e funcionamento do mercado de títulos públicos, com o objectivo de reduzir a eficiência e os custos de financiamento público.

“Essas reformas incluem, entre outros: introdução de leilões de troca de dívida; e, dinamização do mercado secundário através da introdução de novos instrumentos de emissão de dívida que permitam uma maior participação de investidores institucionais, famílias e particulares”, refere o Ministério das Finanças no documento publicado no dia 22 de Janeiro.

No que toca à dívida externa, o Governo de Daniel Chapo, empossado há menos de uma semana, diz que continuará a envidar esforços para negociar a dívida bilateral, a fim de alcançar os seus objectivos de gestão sustentável da dívida pública.

Lembre-se que, em Abril de 2016, a então directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, justificou a suspensão do financiamento a Moçambique com o facto de haver sinais claros de corrupção escondida por parte das autoridades do país.

Na altura, o Governo enfrentava uma grave crise financeira e de credibilidade no mercado internacional, devido à descoberta de dívidas secretas de aproximadamente 1,4 mil milhões de dólares. Como consequência, o FMI, o Banco Mundial, o G-14, grupo dos países que financiam o Orçamento do Estado, e o Reino Unido suspenderam a ajuda a Moçambique.

No entender do economista Firmino Xavier, é a referida crise, que vigorou entre os anos de 2016 e 2020, que criou espaço para o endividamento excessivo do Estado, dentro da economia nacional, tendo como credores as empresas privadas e as famílias.

“Nessa senda de endividamento, principalmente o interno, foram sofrendo as pequenas e médias empresas e as famílias que necessitam de financiamento para a realização dos seus investimentos. Então, esse crédito que devia ser alocado ao sector familiar e empresarial foi para o Estado”, referiu, na quinta-feira, Firmino Xavier, no programa O País Económico, da STV.

No entender de Xavier, dois anos são suficientes para o Governo tornar a dívida sustentável. Para tal, entende que é necessário alargar a base tributária, reduzindo ou isentando alguns custos para as pequenas e médias empresas para se licenciarem num período de seis meses.

“Nesse período, o Estado podia perder a curto prazo, mas ganhar a longo prazo, porque, depois da sua formalização, tais empresas poderão pagar impostos, o que poderá alavancar as receitas fiscais. Porque, neste momento estão a ser cobradas as mesmas empresas, daí que é preciso abrir espaço”, sugeriu o economista Firmino Xavier, como uma das medidas. 

Outro aspecto importante para Firmino Xavier é a redução da burocracia e do período para a abertura de empresas. “Moçambique é dos países nos quais se leva muito tempo para abrir empresas. Na África do Sul, é só uma semana, em Ruanda são dois dias apenas. Porque nós temos de levar 30 dias ou mais de 60 dias?”, questionou.

Por seu turno, o economista Moisés Nhanombe entende que, além do alargamento da base tributária, é necessário fazer mais para reduzir o endividamento público excessivo. No seu entender, medidas de diversificação da economia são necessárias, bem como a criação de incentivos fiscais.

“É necessário criar incentivos fiscais para sectores que têm maior potencial de empregabilidade, para permitir que as famílias tenham mais empregos e salários, criando, assim, condições para o aumento da procura agregada e pagamento de mais impostos via IVA ou mesmo IRPS. Então, com mais receitas, é possível que o rácio entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) possa reduzir”, sugeriu o economista Moisés Nhanombe. 

Por outro lado, Moisés Nhanombe entende que é preciso que o Estado corte as despesas desnecessárias, como pretende fazer o Governo de Daniel Chapo. “Penso que há um certo exagero nas regalias e nas despesas que o Estado incorre com tais regalias, numa economia onde mais da metade da população enfrenta uma pobreza extrema”, disse, sem assumir quanto tempo será necessário para atingir níveis de endividamento público sustentável.

De acordo com o Cenário Fiscal do Médio Prazo referente aos anos 2025 e 2027, publicado na página do Ministério das Finanças, a dívida pública atingiu 73,8% do Produto Interno Bruto em 2023, o que elevou os custos do serviço da dívida para 3,1% do PIB. 

“Projecta-se que a dívida pública diminua para 67,2% do PIB em 2024 e continue esta trajectória de redução, alcançando 60,5% do PIB em 2025. Esta trajectória reflecte uma estratégia fiscal focada em superávits primários e sustentabilidade fiscal”, indica o relatório.

Dívida interna do Sector Empresarial do Estado aumentou no terceiro trimestre de 2024

O nível de endividamento público do Sector Empresarial do Estado (SEE), no III trimestre de 2024, situou-se em 22 086 milhões de Meticais, representando um aumento de 6,83% (1413 milhões de Meticais), face ao registado no II trimestre do mesmo exercício. 

“Esta variação resulta da expansão do stock da dívida, tanto das empresas públicas em 8,12% (949,27 milhões de MT) como das empresas participadas em 5,16% (463,94 milhões de MT) comparativamente ao trimestre anterior”, avança o recém-extinto Ministério da Economia e Finanças no seu Boletim Trimestral sobre a Dívida Pública de Julho a Setembro de 2024.

De acordo com o documento, as empresas que mais se destacaram para o aumento da dívida interna foram: CFM, cujo saldo aumentou em 1278 milhões de Meticais (17,61%) decorrente da contratação de novos financiamento para investimento em equipamento; EMOSE, que contraiu um financiamento de 237 milhões de Meticais no âmbito da execução da garantia detida junto ao Banco Mais; e a LAM, pelo atraso no pagamento da prestação vencida em Setembro último, no valor de 207,25 milhões de Meticais.

O Governo moçambicano diz estar empenhado em reduzir o serviço da dívida a médio prazo e melhorar o perfil de crédito no país. O anúncio foi feito através de uma nota de esclarecimento do Ministério das Finanças. 

A recém-empossada ministra das finanças, Carla Alexandra Louveira, alertou, sábado, para a urgência de reestruturação da dívida. 

“Um dos desafios que temos é mesmo a gestão da dívida pública. O trabalho que temos de fazer é uma reflexão para a reestruturação da nossa dívida, para que, dentro daquele espaço orçamental, possamos assegurar o pagamento da dívida, mas também responder às necessidades correntes do Orçamento do Estado”, cita o Diário Económico. 

Em reacção, o Ministério das Finanças emitiu uma nota de esclarecimento, na qual esclarece que  “o Governo está empenhado em honrar as suas obrigações e continuará a gerir a dívida pública de acordo com a sua Estratégia de Dívida de Médio Prazo 2022-2025”. 

O documento diz ainda que o objectivo principal do Governo é reduzir o serviço da dívida a médio prazo e melhorar o perfil de crédito do país. 

No que diz respeito à dívida interna, o Governo avança que “estão em curso reformas na estrutura e funcionamento do mercado de títulos públicos, com o objectivo de melhorar a eficiência e reduzir os custos de financiamento público interno”, lê-se no documento. 

As reformas incluem a introdução de leilões de troca de dívida, a dinamização do mercado secundário através da introdução de novos instrumentos de emissão de dívida, que permitam uma maior participação de investidores institucionais, famílias e particulares.

Quanto à dívida externa, “o Governo continuará a envidar esforços para negociar a dívida externa bilateral, a fim de alcançar os seus objectivos de gestão sustentável da dívida pública”, conclui. 

Marco Abalroado já não é administrador delegado e presidente da Comissão Executiva do Access Bank, após servir no cargo durante mais de seis anos. Por motivos pessoais, decidiu afastar-se, indica uma nota de imprensa, partilhada com a imprensa.

Como administrador delegado da instituição, “Marco Abalroado, desempenhou um papel determinante na criação e lançamento do banco, em 2019, e na sua condução estratégica, contribuindo significativamente para o seu crescimento e sucesso”, facto comprovado pela actual oitava posição ocupada no ranking das maiores instituições bancárias do país.

Para preencher a vaga, o Access Bank decidiu indicar Chiwetel Obikwelu, o actual administrador delegado adjunto, para assumir o cargo de forma interina, enquanto decorre o processo de selecção de um novo administrador delegado.

Com mais de 20 anos de experiência, Chiwetalu Obikwelu é licenciado em Gestão de Imóveis pela Universidade de Lagos (Nigéria), possui um mestrado em Administração de Empresas, pela Bangor University (Reino Unido), e participou em programas executivos de prestígio como o ‘Leading Global Businesses’ da Harvard Business School e o programa de liderança do MIT Sloan. Em Moçambique, impulsionou o crescimento estratégico e a visibilidade da marca Access Bank. Antes, foi responsável pela criação e desenvolvimento da divisão de Corporate Banking do Access Bank África do Sul.

“Esta nova etapa marca um momento de renovação, com o banco empenhado em criar soluções financeiras personalizadas que impulsionem o sucesso dos clientes, suas famílias e das empresas moçambicanas”, afirma a instituição, que coloca como desafios ao novo dirigente a garantia de uma transição harmoniosa e a continuidade das operações do banco.

O Porto de Maputo movimentou, durante o ano de 2024, um total de 30,9 milhões de toneladas de carga, menos um por cento em relação a igual período do ano de 2023. Entretanto, apesar da ligeira redução, o terminal de carga mostrou resiliência face aos desafios logísticos, aponta a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), entidade que faz a gestão do empreendimento.

De acordo com a entidade, a redução dos volumes nos terminais portuários do Porto de Maputo e Porto da Matola “deveu-se, principalmente, aos protestos pós-eleitorais e aos bloqueios rodoviários no corredor de Maputo, incluindo o encerramento da fronteira durante vários dias e ao condicionamento da operações fronteiriças e rodoviárias durante mais de um mês.”

“O Porto de Maputo enfrentou um último trimestre do ano desafiante, mas a resiliência da nossa equipa, juntamente com o nosso enfoque contínuo na diversificação e eficiência, permitiu-nos manter um forte desempenho operacional em geral. O crescimento das nossas operações directas e dos volumes de transporte é um testemunho deste esforço”, afirmou Osório Lucas, director-executivo da MPDC.

Durante o período em análise, as operações directas da MPDC demonstraram um crescimento robusto, de cerca de 14,2 milhões de toneladas, o que significa um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Outrossim, os volumes rodoviários atingiram um crescimento significativo, com um aumento de 11% em termos anuais, passando de 9,5 milhões de toneladas para 10,7 milhões de toneladas. 

A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo aponta que “os volumes ferroviários, que constituem um dos principais focos críticos para a estratégia de sustentabilidade da companhia, cresceram 7%, isto é de 2,8 milhões de toneladas para 3,019 milhões de toneladas”, o que sublinha a capacidade da MPDC de manter uma distribuição equilibrada no manuseio da carga apesar dos constrangimentos logísticos. 

2024 não foi só ano de desníveis. O MPDC destaca “o aumento das receitas resultantes para o Estado das taxas de concessão pagas ao Governo de Moçambique, que aumentaram 12% para 46,8 milhões de dólares, em comparação com 41,7 milhões de dólares em 2023”. A referida contribuição exclui as receitas adicionais para o Estado, nomeadamente as provenientes dos impostos sobre os lucros e os dividendos ao seu accionista, os Caminhos de Ferro de Moçambique.

Expansão e investimentos planeados para 2025

Agendado para o início dos grandes projectos de expansão no Porto de Maputo, incluindo a tão esperada expansão do terminal de contentores e do terminal de carvão, ambos com início previsto para o primeiro semestre, 2025 é descrito como de grandes realizações e continuidade dos níveis alcançados no ano passado.

Com a implementação dos projectos de expansão, o Porto de Maputo espera fortalecer ainda mais a sua posição como centro estratégico de comércio e logística na África Austral. A combinação de resiliência operacional, diversificação logística e investimentos estratégicos posiciona o porto como um pilar para o crescimento económico de Moçambique.

A empresa Águas da Região Metropolitana de Maputo (AdRMM) afirma ter sofrido um prejuízo de cerca de 200 milhões de Meticais, resultantes da recusa de pagamento dos serviços por parte dos seus clientes, no âmbito dos protestos pós-eleitorais convocadas pelo antigo candidato eleitoral Venâncio Mondlane, há três meses.

Através de um comunicado divulgado esta semana, a empresa afirma que as vandalizações  comprometeram o normal fornecimento do precioso líquido.

“Registou-se a destruição de lojas, condutas de água, painéis eléctricos, muros e materiais de escritório, que geraram prejuízos financeiros significativos, totalizando aproximadamente 200 milhões de Meticais. A vandalização de bens públicos afecta, não apenas o funcionamento das infra-estruturas, mas também a saúde pública e o desenvolvimento social. Cada acto de preservação é um passo essencial para garantir água potável de qualidade para todos”, descreveu a empresa.

Recentemente, Venâncio Mondlane declarou o não pagamento de serviços públicos, com destaque para a água abastecida pela empresa Águas da Região Metropolitana de Maputo, o que, segundo a AdRMM, compromete directamente a qualidade e a continuidade do abastecimento de água potável, expondo as comunidades ao risco de doenças e atrasando investimentos em projectos de expansão e reabilitação da rede.

“Além disso, a recuperação dos danos exige recursos que poderiam ser alocados para melhorias e ampliação dos serviços, retardando ainda mais os esforços para prover água potável a áreas sem acesso ao serviço”, lê-se no documento.

Neste sentido, a instituição reforça a necessidade de protecção das infra-estruturas de toda a cadeia de abastecimento de água.

Os prejuízos avançados pela empresa Águas da Região Metropolitana de Maputo podem vir a aumentar, uma vez que o decreto do Mondlane que exorta os seus apoiantes a não pagar  os serviços por um período de três meses.

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