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A tensão pós-eleitoral fez a economia nacional regredir 4,9% no quarto trimestre do ano passado. Os dados constam do mais recente relatório do Instituto Nacional de Estatística. 

Trata-se de uma queda da economia de quase 5% justificada, fundamentalmente, pelo impacto das tensões pós-eleitorais e pelos efeitos dos choques climáticos na maior parte dos sectores de actividade, refere o INE.

Comparativamente ao quarto trimestre do ano de 2023, a economia nacional esteve praticamente de rastos. É que, enquanto a queda foi de 4,9% em 2024, no ano anterior, o crescimento do Produto Interno Bruto foi de 4,8%.

O período em análise foi marcado por protestos populares diversos que culminaram na paralisação de actividades comerciais de vários tipos e por muitos dias, a nível nacional, e vandalização de várias entidades empresariais.

Como consequência, pelo menos 900 empresas foram afectadas e mais de 12 mil pessoas perderam os seus empregos. Muitas empresas foram incendiadas e outras sofreram saqueamento de bens, incluindo mercadorias diversas.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, no primeiro trimestre de 2024, o crescimento da economia foi de 3,2%, tendo no segundo trimestre crescido 4,5% e reduzido um pouco no terceiro trimestre para 3,7%.

As vendas de bens para o resto do mundo renderam às empresas que operam no país cerca de 6.2 mil milhões de dólares de Janeiro a Setembro de 2024. O valor ultrapassa o alcançado em igual período de 2023 em 218 milhões.

De acordo com o Relatório Trimestral da Balança de Pagamentos, de Janeiro a Setembro do ano 2024, as vendas de bens pela economia moçambicana para o resto do mundo renderam ao país cerca de 6,2 mil milhões de dólares.

O valor, sustentado basicamente pelo aumento das vendas dos produtos dos Grandes Projectos e da economia tradicional, é 218 milhões de dólares acima do que havia sido alcançado em igual período do ano de 2023. 

“No caso dos produtos dos Grandes Projectos, destacam-se os da indústria extractiva (com ênfase no gás natural), que cresceram 2,6 %, totalizando 3 386,7 milhões de dólares, assim como, os produtos de energia eléctrica, que aumentaram 7,2 %, alcançando 535,0 milhões de dólares”, refere o documento.

Por sua vez, o aumento dos produtos exportados pela economia tradicional foi de 77 milhões de dólares, totalizando 1 528,1 milhões. O destaque vai para produtos agrícolas, que geram receitas de 79 milhões de dólares.

Em contrapartida, os produtos que viram as suas vendas ao exterior caírem estão o carvão mineral, com uma queda de 4,8 %, o alumínio, com uma diminuição de 7,2 % e as areias pesadas, com menos 44,8 milhões de dólares.

A Índia, com 1 166 milhões de dólares, foi o principal destino das exportações de Moçambique, representando 19,0 % do total. A África do Sul ocupa a segunda posição, com uma participação de 15,0% do total das exportações.

A recente redução do preço dos produtos petrolíferos no país desde ontem, quinta-feira, é vista com bons olhos pelo sector privado, que afirma que é um passo assertivo rumo à redução do custo de vida para os cidadãos nacionais. Segundo o presidente da CTA, Agostinho Vuma, as ligeiras baixas  nos combustíveis vão reflectir-se no desempenho da indústria de processamento.

Eu compreendo que o anseio da maioria também era a gasolina. Sendo, portanto, um subsídio da parte do Governo, penso que elegeu a parte que representa a maioria de nós, tanto o cidadão, mas também o sector produtivo. Portanto, penso que foi um passo assertivo. É preciso um pouco mais, entendo, mas também é preciso olhar para a estrutura de custos, sendo Moçambique um país que importa o preço, uma vez que nós não produzimos combustíveis”, reagiu Vuma.

Vuma entende que é necessário mais, a avaliar pelo alto custo de vida no país, provocado pelas manifestações e ocorrência de desastres naturais. Para o empresário “O Governo está a tentar buscar de onde não tem nada. Então, há um esforço que está a ser feito, e eu felicito pelo facto de ter sido eleito o gasóleo como o que recebeu uma cifra maior na sua redução. Olhando-se para os factores que referi, portanto, o sector produtivo, a maioria das máquinas usam gasóleo, transporte público, para a questão dos nossos chapas, portanto isso pode reduzir, pode impactar directamente o cidadão, nomeadamente no preço do transporte público, que já era uma aflição para os meus colegas que investem na área do transporte público.”

Este pode ser um dos vários passos que o Executivo poderá dar nos próximos dias,  no que toca ao exercício de redução de combustíveis, mas alerta: “O Governo também tem de olhar para a estrutura do custo para não tentar habituar-nos àquilo que não podemos. Então, tem de ficar um sinal que indique que o nosso país importa o preço do combustível, ou seja, não sendo produtor, nós temos de pagar todo o resto do serviço até chegar ao combustível. Por um lado, e depois olhando para as questões de divisas, eu considero ser um esforço que foi feito, significativo, por ter eleito o gasóleo. Na gasolina, apesar de ser numericamente insignificante a redução, mas ele tem o pendor de sinalizar aquilo que foi a acção do mercado internacional – reduziu, e também temos de o fazer”.

O Governo decidiu reduzir os preços de produtos petrolíferos, com destaque para o da gasolina, que saiu dos actuais 86,25 Meticais para 85,82. Por sua vez, o gasóleo,  comercializado por 91,23 Meticais por litro, passa a custar 86,79, uma redução de 4,44 Meticais por litro. Houve ligeiras mexidas no preço do gás veicular e do petróleo de iluminação. Já o preço do gás de cozinha mantém-se.

Os protestos pós-eleitorais registados no país desde o mês de Outubro do ano passado afectaram negativamente o desempenho económico de 2024, com maior impacto no último trimestre, em que apresentou uma redução em cinco pontos percentuais no Índice de Robustez Empresarial nacional, face ao terceiro trimestre, saindo de 30% para 25%.

A avaliação é dos empresários moçambicanos que estiveram reunidos nesta quinta-feira, em Maputo, na 18ª edição do Economic Briefing, que juntou o sector público e privado. Segundo as projecções dos “patrões” o sector do comércio foi o mais afectado, sendo que as perdas totais e o impacto no PIB totalizaram cerca de 24,8 mil milhões de Meticais, cerca de 2,2% do PIB. Por esse motivo, as projecções do crescimento económico de 2024 passaram a situar-se em 3,3%, bem abaixo dos 5,5% da previsão inicial.

De forma directa, as paralisações durante a quadra festiva, nomeadamente nos dias 23, 24 e 25 de Dezembro, resultaram em perdas estimadas em 7,4 mil milhões de Meticais, sendo que 56% destas perdas resultaram das vandalizações e as restantes 44% das constantes paralisações e redução da procura.

Apesar das incertezas, a CTA afirma que os factores macroeconómicos que afectam os custos das empresas permaneceram estáveis.

No que diz respeito à receita, observou-se um aumento nos preços de mercadorias primárias de origem agrícola, pecuária e mineral, entre os trimestres em foco, com uma subida de cerca de 4,8 pontos percentuais. O índice passou de 113,6 para 118,4, o que pode impactar positivamente a receita das commodities exportadas por Moçambique.

“Durante o período em análise, registou-se uma redução do desempenho empresarial, o que se traduziu na deterioração da situação financeira das empresas, tendo em consideração que o nível de prejuízos passou de 200,37 Meticais por unidade para 564,84 Meticais por unidade. Esta situação reflecte uma redução do volume de receitas acima do observado no custo de produção”, explicou Agostinho Vuma.

A economia nacional regrediu em cerca de 4,9% no quarto trimestre do ano passado, contrariando a tendência crescente de Janeiro a Setembro de 2024. Trata-se de uma queda justificada, fundamentalmente, pelo impacto das tensões pós-eleitorais e pelos efeitos dos choques climáticos na maior parte dos sectores de actividade.

Combustíveis: economistas questionam a fórmula de fixação de preços de produtos petrolíferos no país.

Hollard Moçambique registou lucro líquido total de 337,4 milhões de Meticais em 2024, apesar de desafios ligados à redução das taxas de juro e ao aumento das reservas obrigatórias. Índice de robustez empresária reduziu de 30% (terceiro trimestre) para 25% (quarto trimestre), alertou ontem a Confederação das Associações Económicas de Moçambique. 

A economia moçambicana caiu 4,87% no quarto trimestre de 2024, em termos homólogos, período marcado pela contestação pós-eleitoral no país, segundo dados do Governo.

“O Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) apresentou uma variação negativa de 4,87% no quarto trimestre de 2024, quando comparado ao mesmo período do ano 2023, perfazendo um acumulado [no ano] de 1,85%”, lê-se no relatório de execução orçamental relativo ao ano passado, do Ministério das Finanças, citado pela Lusa.

O documento refere que o desempenho da atividade económica no quarto trimestre de 2024 “é atribuído, em primeiro lugar, ao setor secundário, com uma variação negativa de 8,87%, com maior destaque para o ramo da indústria manufatureira com variação de menos 11,14%”, seguindo-se o ramo da eletricidade, gás e distribuição de água, que recuou 4,55%, enquanto a construção teve uma variação negativa de 4,09%.

Além dos impactos das alterações climáticas, com secas severas e ciclones a fustigarem o país, o documento admite igualmente “o impacto negativo das manifestações pós-eleitorais registados no último trimestre de 2024”, as quais “afetaram as atividades económicas e sociais”.

O documento foi publicado esta semana.

As Linhas Aéreas de Moçambique anunciaram, esta terça-feira, a suspensão imediata dos voos de Maputo para Lisboa, Harare e Lusaka por não estarem a ser rentáveis. A LAM diz que a medida visa consolidar o mercado doméstico e, só depois disso, vai perspectivar voos regionais e intercontinentais

As Linhas Aéreas de Moçambique, LAM, chamaram a imprensa esta terça-feira, para anunciar a suspensão de voos em algumas rotas. 

Esta decisão, segundo a companhia, é no âmbito do processo de reestruturação, alinhado com o Plano de Governação dos 100 dias e, também, com a visão do novo conselho de administração da empresa. 

“Uma das primeiras medidas que o Conselho de Administração tomou, foi verificar todas as rotas rentáveis e não rentáveis e, destas rotas não rentáveis, aparece a rota de Harare e Lusaka. Suspendemos de imediato. Temos a rota intercontinental que é Maputo-Lisboa e vice-versa, também, vai ser suspensa de imediato, a partir do dia 19 corrente”, revelou Alfredo Cossa, porta-voz da LAM. 

De acordo com a companhia de bandeira, esta medida visa “consolidar o mercado doméstico. Enquanto a casa não estiver organizada, termos irregularidades constantes nos voos domésticos, não podemos voar grande. Temos que, primeiro, arrumar a casa a nível doméstico. Depois de arrumarmos a casa a nível doméstico, sermos mais sólidos neste mercado doméstico, vamos perspectivar o intercontinental e regional”, justificou Alfredo Cossa. 

A operação Maputo-Lisboa, avança o porta-voz da LAM, a empresa somou o prejuízo de mais de 21 milhões de dólares desde o seu início. “Nós alimentávamos esta rota com os fundos do mercado doméstico. Produzíamos, pagávamos e chegamos a este momento que não estamos a aguentar. Ficamos sufocados”. 

Para já, a LAM está a responsabilizar-se com os passageiros que já tinham voo marcado. “Nós criamos todos os actos administrativos para podermos evacuar os passageiros nas outras companhias e estão a ser evacuados até completarmos. Temos, praticamente, um universo de 1080 passageiros que já haviam comprado bilhetes”, esclareceu o porta-voz da LAM. 

Com a rota de Harare, as Linhas Aéreas de Moçambique tiveram um prejuízo avaliado em cerca de 307 mil dólares, o correspondente a mais de 19 milhões de Meticais ao câmbio actual.  

 

 

Moçambique alcançou um perdão em 80% do total da sua dívida junto à República do Iraque. Os restantes 20% foram reprogramados por 15 anos antecedidos por um período de graça de quatro anos, isto é, de 2029 a 2043.

De acordo com o Ministério das Finanças, a dívida foi contraída no quadro da longa e histórica cooperação mútua nos anos 1979 e 1980 no valor de cerca de 60 milhões de dólares, visando o fornecimento de petróleo.

Entretanto, tendo em conta as dificuldades que o país tem enfrentado, que condicionam o cumprimento das suas obrigações de lá para cá, a dívida junto a este credor situa-se em cerca de 320,16 milhões de dólares.

Com este acordo, significa que Moçambique fica perdoado em cerca de 256,13 milhões de dólares. 

O Banco de Moçambique retirou o  inspector residente do Standard Bank, indicado a 19 de Julho de 2021, para monitorar a implementação do plano de acções dos accionistas, acompanhar e analisar os desenvolvimentos no sistema de governação e controlo interno do banco, e participar em reuniões relevantes dos órgãos colegiais. 

No comunicado a que o “O País” teve acesso, o Banco Central explica que a decisão decorre “da eficaz colaboração do Standard Bank, SA e do seu accionista, bem como dos progressos significativos alcançados na cultura de risco, governação e controlos internos da instituição”. 

Acrescenta ainda que o  Standard Bank, SA continua sujeito à supervisão habitual, em conformidade com os procedimentos aplicáveis às demais instituições do sistema bancário nacional.

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