O País – A verdade como notícia

A candidata à presidência da Confederação das Associações Económicas (CTA), Maria Abdula, defende uma visão estratégica, coragem e capacidade de unir forças  para fazer face aos desafios actuais do sector privado. Abdula disse que só o seu manifesto engloba tais iniciativas e que com o suporte empresarial nacional tudo será possível.  

Maria Abdula, candidata a presidência da CTA, afirmou, na noite deste domingo, na cidade da Beira, em plena campanha eleitoral, num evento que contou com a participação de representações de  associações empresariais da província de Sofala, que o país vive momentos desafiadores que exigem mais do que uma liderança. Maria Abudala referiu que quer liderar esta iniciativa, através da CTA.

A candidata disse que se vencer as eleições o seu mandato irá  assentar, entre outros aspectos, em pilares como a transparência, coesão e inovação.   

As  agremiações empresariais   que apoiam a candidatura de Maria Abdula pediram  votos aos empresários de Sofala, indicando que  tem como visão uma organização unida em prol do fortalecimento do sector privado e  dinamizador da economia.

Os empresários de Sofala  depois de ouvirem atentamente o manifesto de Maria Abdula, mostraram preocupação em relação à falta de autonomia das organizações do sector privado, que para eles interfere de forma grave na actuação dos mesmos e esperam mudanças.  

O Governo poderá usar todo o dinheiro que vai ser arrecadado dos projectos de petróleo e gás, neste ano. Os dois mil milhões, que deveriam ir à poupança no Fundo Soberano, vão financiar projectos do próprio Executivo, entre os quais livros escolares, vacinação de crianças e compra de sementes.

 

De acordo com o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado 2025, o Governo espera arrecadar, neste ano, uma receita de cerca de cinco mil milhões de Meticais proveniente dos projectos de petróleo e gás.

Deste valor, 40 por cento deve ser canalizado ao Fundo Soberano e 60 para o Orçamento do Estado.

Os 40 por cento, o correspondente a mais de dois mil milhões de Meticais, é destinado à poupança “para as futuras gerações, através da colecta de receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural e as resultantes dos respectivos investimentos”, tal como estabelece a alínea B, do artigo 3, da Lei 1/2024, que cria o Fundo Soberano.

Porém, não é bem assim como as coisas estão a ser projectadas.

Além de receber os 60 por cento das receitas de petróleo e gás no Orçamento do Estado, o Governo vai, também, usar os 40 por cento para projectos sociais que devia ser ele a financiar, deixando, assim, o Fundo sem fundos.

Ao todo, são 15 projectos, que o Executivo prevê financiar com o dinheiro do Fundo que iria à poupança e estão avaliados em mais de três mil milhões de Meticais.

São parte deles: Produzir, distribuir e plantar 6 674 660 mudas de cajueiros, absorvendo o montante de 90,0 milhões de Meticais; Manter a 95% ou mais a cobertura de crianças menores de 1 ano completamente vacinadas, no montante de 416,4 milhões de MT; Adquirir e distribuir 15.080.550 livros escolares para todas as escolas primárias, no valor de 779,5 milhões de MT; Expandir e reabilitar infraestruturas de abastecimento de água, no valor de 679,0 milhões de MT; 

E todos esses projectos não maximizam os retornos do Fundo, tal como prevê o artigo 4 da Lei 13/2024 do Regulamento que cria o Fundo Soberano de Moçambique.

“A gestão do FSM deve ser conduzida com prudência, assegurando que todas as decisões de investimento sejam tomadas com cuidado e diligência, para proteger o capital do fundo, maximizar os retornos e garantir a sua sustentabilidade ao longo do tempo”

Fátima Mimbire, que coordenou o movimento cívico sobre o Fundo Soberano, diz que o Governo está a ser imprudente ao gastar o que deveria ir à poupança.

“Que fique claro. Ter poupança não significa guardar dinheiro só por guardar. É dizer que está a guardar dinheiro de forma prudencial porque há de haver momentos bastante críticos como, por exemplo, momentos como a COVID, que nós vimos acontecer ou acontecer uma grande calamidade do norte a sul e nós precisarmos de dinheiro para investir e não ficar a estender a mão a pedir esmola”, chamou à atenção, Fátima Mimbire, ex coordenadora do Movimento Cívico do Fundo Soberano.

A activista social estranha, ainda, que o Executivo recorra ao Fundo Soberano para financiar projectos sociais que deveriam ser suportados pelo Orçamento do Estado.

“É interessante que aquilo que o Governo se compromete a financiar com o Fundo Soberano tenha a ver com alocação de carteiras escolares, livros, construção de algumas salas de aula e vacinação. A pergunta que nos colocamos é se dentro do sector da Educação, não há provisões, recursos disponíveis para financiar os seus projectos? Isto levanta questões sobre afinal o orçamento que vai para o sector da educação e saúde, vai para pagar o quê se o Governo não tem dinheiro dentro das rubricas específicas do sector para financiar essas despesas, que são muito concretas do sector”, questionou Fátima Mimbire.

Já o economista Egas Daniel defende que se o Fundo não for aplicado em projectos rentáveis, poderá ser difícil multiplicar o respectivo dinheiro. “Tem retorno, mas não é um retorno financeiro. É um retorno social razão pela qual ele capta e a intenção ou o espírito do Fundo é financeiro porque há uma parte que vai ao Orçamento do Estado, que vai satisfazer demandas sociais. A outra parte que vai para o Fundo, era suposto que o investimento estivesse relacionado a projectos que possam garantir que o Fundo seja rentável de per si”, explicou o economista Egas Daniel,

As actuais pressões sociais podem, no entender de Egas Daniel, justificar a aplicação de todo o dinheiro de Fundo para outros projectos.

“Se achamos que estamos num momento, onde as necessidades relevantes e o dinheiro ainda é pouco e não justifique que o guardemos, então vale a pena repensar se, de facto, começamos a operacionalizar agora o Fundo Soberano ou esperamos o tempo necessário para que a dada altura tenhamos condições para podermos aplicar o dinheiro, seguindo as regras previstas da operacionalização do próprio Fundo, investindo em projectos dentro ou fora, mas principalmente fora de baixo risco, que tragam retorno para que Fundo seja multiplicado”, observou Egas Daniel.

O economista acrescenta que a falta de uma estrutura de gestão operacional do Fundo, é que pode ditar o uso de todo o dinheiro, até que se atinja um nível de maturidade na exploração de recursos e encaixe de receitas que se justifique poupar.

 

A candidata à presidência da CTA, Maria de Assunção Abdula, acredita na capacidade dos empresários moçambicanos em competir com excelência no mercado nacional e internacional, por isso propõe-se a dinamizar ainda mais o sector privado. Os empresários, por sua vez, querem que se aposte no conteúdo local.

Depois de Quelimane, Maria de Assunção Abdula esteve na cidade de Nampula com su equipa para apresentar o seu manifesto eleitoral visando a eleição à presidência da CTA. Na reunião com os empresários, a equipa de candidatura encabeçada por Maria de Assunção Abdula explicou com detalhes os pilares que norteiam a esta candidatura.

Os empresários de Nampula apreciam o manifesto eleitoral apresentado e entendem que a questão do conteúdo local deve ser o centro das atenções para o fortalecimento do empresariado nacional, caso seja esta a lista vencedora.

As eleições na CTA são na quarta-feira.

 

O Tribunal de Kampfumo decidiu mais uma vez a favor da Câmara de Comércio de Moçambique, suspendendo todas as sanções disciplinares e admitindo com efeitos imediatos a sua candidatura.

Esta quarta-feira, o Tribunal Judicial do Distrito Kampfumo, Cidade de Maputo, decidiu, através de uma Providência cautelar: Suspender a eficácia da deliberação do Conselho Directivo da CTA do dia 17 de Abril de 2025, no que se refere a aplicação de sanções disciplinares à requerente e ao seu representante; Suspender a eficácia de todos os actos posteriores que da deliberação dependam ou que sejam sua consequência directa.

O Tribunal Judicial do Distrito Kampfumo decidiu ainda admitir com efeitos imediatos a candidatura da Câmara de Comércio de Moçambique,  representada por Álvaro Massingue, nas eleições dos órgãos sociais da CTA. O momento é de celebração para a câmara de comércio de Moçambique, que espera que a CTA cumpra a decisão.

A câmara de comércio diz estar preparada para as eleições da CTA e acredita na vitória.

As eleições da CTA estão previstas para o dia 14 de Maio próximo.

 

O Governo falhou, no ano passado, o pagamento de uma dívida de 3,4 mil milhões de Meticais devido à instabilidade pós-eleitoral. O maior credor é Portugal, que tem a receber pouco mais de 1.8 mil milhões de meticais. 

Pressionado é como está o actual Governo devido a uma dívida cujo pagamento falhou em 2024, devido à tensão pós-eleitoral. Segundo o Relatório Anual da Dívida Pública. Pesou mais para o atraso, a limitação na arrecadação de receitas.

Constam da lista dos principais credores da dívida de cerca de 3,4 mil milhões de Meticais, que o Governo falhou o pagamento no ano passado, os seguintes: Portugal, que ter a receber pouco mais de 1.8 mil milhões de meticais; Fundo Monetário Internacional, com cerca de 718,7 milhões de meticais; Rússia, com um valor a receber na ordem de 259.9 milhões de meticais; Banco Islâmico de Desenvolvimento, com cerca de 206,2 milhões; e Índia, com uma dívida a receber de cerca de 102.7 milhões de Meticais.

Diante do cenário, o actual Executivo já fala de pressão às contas públicas.

“A transição desses montantes para 2025 implica uma pressão adicional sobre a tesouraria do Estado, dado o aumento dos compromissos financeiros que deverão ser honrados no próximo exercício orçamental. Este cenário desafiador acentua a necessidade urgente de implementar medidas eficazes para mitigar os riscos associados ao serviço da dívida”, lê-se no relatório do Governo.

O stock da dívida em atraso agrava-se, quando se adicionam 394,3 milhões de dólares de compromissos pendentes com credores que não consideram o alívio da dívida ao país nos termos acordados com o Clube de Paris, nomeadamente: Líbia (253,38 milhões de dólares); Angola (61,45 milhões de dólares); Bulgária (57,8 milhões de dólares); e Polónia (21,7 milhões de dólares).

O relatório refere que o Governo está em negociações com os referidos credores, para encontrar soluções coordenadas para a regularização das dívidas.

O Aeroporto de Nacala, tido como elefante branco, devido à sua incapacidade de gerar recursos para a sua sustentabilidade, carrega o maior encargo de dívidas no sector empresarial do Estado, de acordo com o novo relatório da dívida pública. A dívida para a construção do Aeroporto de Nacala foi contraída pela Aeroportos de Moçambique (ADM) junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil (BNDES), e, devido ao fracasso nos reembolsos, o Governo revelou, no ano passado, que assumiu a dívida.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil (BNDES) lidera a lista de credores externos directos do sector Empresarial do Estado (SEE), detendo 52,5%, o equivalente a 9.3 mil milhões de meticais (146,13 milhões de dólares) do stock da dívida externa directa, financiamento este contraído pela ADM, E.P para a construção do aeroporto de Nacala.

O anterior governo reconheceu que o Aeroporto Internacional de Nacala não está a ter tráfego suficiente para gerar um rendimento à altura de assegurar a amortização da dívida contraída junto do Brasil.

A dívida da construção da infra-estrutura foi contraída pela empresa Aeroportos de Moçambique, na qualidade de gestor do sistema aeroportuário moçambicano, junto do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), instituição financeira do Governo brasileiro.

Perante a situação, o Governo assumiu a dívida. “Enquanto a gente não resolver o problema do Aeroporto Internacional de Nacala, que tem muito a ver com o tráfego, é preciso que o Estado tome conta do que se passa com essa dívida”, disse, na altura, o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane.

O documento do Ministério das Finanças revela que, para além do BNDES, compõem a lista dos cinco maiores credores externos do SEE em 2024, a Development Bank of Southern Africa (DBSA) com 24,0% (66,73 milhões de dólares), Vale Emirates com 11,6% (32,39 milhões de dólares), Exim Bank da Índia com 3,3% (9,07 milhões de dólares), Trade and Development Bank (TDB) com 2,5% (6,90 milhões de dólares) e Kreditanstalt für Wiederaufbau (KFW) com 2,2% (6,25 milhões de dólares).

“A ADM, E.P lidera a estrutura da carteira da dívida externa por beneficiários, tendo absorvido 9767 milhões de meticais (152,83 milhões de dólares -54,9%) do financiamento externo directo, seguida da EDM, E.P, com 2.824 milhões de meticais (44,19 milhões de dólares -15,9%), da EMEM, S.A, com 2076 milhões de meticais (32,49 milhões de dólares 11,7%), da TMCEL, com 1938 milhões de meticais (30,33 milhões de dólares -10,9%), do BNI, com 610 milhões de meticais (9,55 milhões de dólares -3,4%), e da PETROMOC, com 579 milhões de meticais (9,07 milhões de dólares -3,3%)”, escreve o relatório.

No global, o stock total da dívida directa do Sector Empresarial do Estado (SEE) registou uma redução de 1,88%, passando de cerca de 39 mil milhões de meticais em 2023 para 38 379,2 milhões de meticais em 2024. 

O Governo justifica que “esta contracção resulta da diminuição de 4,87% no stock da dívida interna directa do SEE, impulsionada pelo cumprimento do serviço da dívida e pela implementação de uma política restritiva na contratação de novos empréstimos”. 

GOVERNO PRESSIONADO POR DÍVIDAS NÃO PAGAS EM 2024

O stock da dívida pública registou um crescimento significativo nos últimos cinco anos, aumentando de 946 019,61 milhões de meticais em 2020 para 1 043 544,35 milhões de meticais em 2024. A informação é do Relatório da Dívida Pública 2024, lançado pelo Ministério das Finanças.

De acordo com o documento, este incremento foi impulsionado, em grande medida, pelo crescimento acelerado do endividamento interno, resultante do financiamento do défice de Tesouraria, após o congelamento do apoio ao Orçamento do Estado por parte dos parceiros internacionais. Entretanto, a dívida do governo central mantém-se predominantemente composta por dívida externa, que representa 61% do total, enquanto os restantes 39% correspondem à dívida interna. 

O documento traz a público que, dos pagamentos programados, o governo de Filipe Nyusi não honrou com alguns credores, e estes pagamentos transitaram para o actual exercício económico, pressionando as contas do Estado.

“Os atrasados do Estado referiam-se exclusivamente à dívida externa, totalizando 3,4 mil milhões de meticais, distribuídos entre 2,95 mil milhões de meticais em capital e 492,28 milhões de meticais em juros, valores transitados para 2025”, escreve. 

O Governo explica que, entre os principais credores, Portugal se apresentou como o maior credor bilateral, com um total de 1818,76 milhões de meticais em atraso. 

Também estiveram entre os credores mais significativos, com os montantes mais elevados, o FMI (718,75 milhões de meticais) e o Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID), que soma 206,24 milhões de meticais, considerando os créditos em aberto com a instituição.

O documento esclarece que o atraso observado decorreu, sobretudo, da limitação na arrecadação de receitas, condicionada pelo clima de instabilidade pós-eleitoral. Para além disso, o PESOE não previu na totalidade os montantes necessários para a cobertura do serviço da dívida em 2024, tendo sido orçamentado um total de 115 097,89 milhões de meticais, face a uma previsão de 123 433,58 milhões de meticais, o que resultou num défice de 8335,69 milhões de meticais, conduzindo à transição de encargos para o exercício seguinte.

Fora destes aspectos, o documento observa que se verificaram distorções nas projecções causadas pelas limitações do antigo sistema CS-DRMS, levando a desvios do tecto aprovado para 2024 e resultando na incidência de juros de mora.

Nesta senda, o Governo alerta que a transição desses montantes para 2025 vai causar uma pressão adicional sobre a tesouraria do Estado, dado o aumento dos compromissos financeiros que deverão ser honrados neste exercício orçamental.

“Este cenário desafiador acentua a necessidade urgente de implementar medidas eficazes para mitigar os riscos associados ao serviço da dívida e optimizar os fluxos financeiros no Estado”, escreve, acrescentando que, “até ao final de 2024, o stock da dívida externa em atraso inclui, adicionalmente, compromissos pendentes junto de quatro credores bilaterais que não consideram o alívio da dívida nos termos acordados com o Clube de Paris, nomeadamente a Líbia (253,38 milhões de dólares), Angola (61,45 milhões de dólares), Bulgária (57,8 milhões de dólares) e Polónia (21,7 milhões de dólares), totalizando 394,33 milhões de dólares”.

Face à situação, o Governo diz que continua empenhado em negociações com os referidos credores, com vista à obtenção de soluções coordenadas para a regularização destas responsabilidades financeiras, à semelhança do consenso de alívio da dívida alcançado com o Iraque, em 80% (256,13 milhões de dólares) do total da dívida (320,16 milhões de dólares) do país em relação a este credor, e reprogramação do remanescente 20% (64,03 milhões de dólares) por um período de 15 anos (2029 2043), precedidos por um período de graça de quatro anos.

DESTAQUES

 

  • O stock da dívida pública registou um crescimento significativo nos últimos 5 anos, aumentando de 946 019,61 milhões de meticais, em 2020, para 1 043 544,35 milhões de meticais, em 2024

 

  • O atraso observado decorreu, sobretudo, da limitação na arrecadação de receitas, condicionada pelo clima de instabilidade pós-eleitoral. Para além disso, o PESOE não previu na totalidade os montantes necessários para a cobertura do serviço da dívida em 2024, tendo sido orçamentado um total de 115 097,89 milhões de meticais, face a uma previsão de 123 433,58 milhões de meticais, o que resultou num défice de 8 335,69 milhões de meticais, conduzindo à transição de encargos para o exercício seguinte.

Moçambique e Zâmbia passarão a beneficiar de um gasoduto a ser construído  entre as cidades da Beira e Ndola, com capacidade para transportar 3,5 milhões de métricos de toneladas de produtos petrolíferos por ano. A infra-estrutura será erguida em quatro anos.

Avaliada em cerca de 1,5 mil milhões de dólares norte-americanos, a infra-estruturas vai permitir a facilitação do transporte de produtos petrolíferos para o mercado Zambiano, reduzindo a circulação de camiões nas estradas. Com a infra-estrutura erguida, as partes terão a capacidade de movimentar anualmente cerca de 3,5 milhões de métricos de produtos petrolíferos.

“O sucesso do gasoduto Beira–Angola pode servir de referência para o desenvolvimento de outros oleodutos ou infra-estruturas energéticas regionais.

A nível nacional, vai aumentar o tráfego do Porto da Beira e a utilização do terminal de combustíveis, promovendo a sua sustentabilidade, além de criar oportunidades de emprego local na construção, manutenção e operação desta infra-estrutura”, afirmou Estevão Pale, ministro dos Recursos Minerais e Energia.

Com o referido acordo, Moçambique quer posicionar-se ao nível da região e permitir maior fluidez comercial, aproveitando a sua localização. De acordo com o governante, “Estes acordos vão além de simples parcerias técnicas; representam uma visão conjunta de interdependência e progresso partilhado. Moçambique reforça, assim, a sua posição geoestratégica como corredor energético da SADC, contribuindo para a segurança energética regional e para o equilíbrio da nossa balança comercial através da exportação de energia”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique.

No seu breve discurso de reacção ao memorando, o alto-comissário da Zâmbia em Moçambique disse que a infra-estrutura irá trazer desenvolvimento e facilidades em ambas as partes. Ademais, Kenya Londe afirma que a materialização do projecto vai criar postos de trabalho.

“O memorando de entendimento beneficiará os zambianos e os moçambicanos, uma vez que irá gerar muitos empregos locais, e também porque a energia é a principal fonte de desenvolvimento. Acima disso, todos precisamos de energia para produzirmos”, disse a fonte.

Moçambique e Zimbabwe reforçam cooperação energética

No local, foi também assinado um acordo de cooperação bilateral para o fornecimento, geração e transmissão de energia eléctrica entre Moçambique e Zâmbia. O referido acordo inclui ainda mecanismos para facilitar o comércio de combustíveis e o desenvolvimento de infra-estrutura energética, criando as condições necessárias para apoiar o crescimento industrial do Zimbabwe e promover a integração energética regional.

“Este acordo cobra ainda mecanismos de facilitação do comércio de combustíveis, a utilização e o desenvolvimento de infra-estruturas de combustíveis, garantindo o fornecimento confiável de derivados de petróleo”, frisou o ministro dos Recursos Minerais e Energia em seu discurso.

Moçambique e Zimbabwe controlam relações energéticas estratégicas, principalmente na exportação de electricidade a partir da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), localizada em Moçambique. A energia é transmitida pela linha Songo–Bindura, que liga os dois países, sendo essencial para o abastecimento energético do Zimbabwe, que enfrenta constantes crises de energia.

Apesar dos desafios relacionados ao pagamento de dívidas por parte do Zimbabwe, os dois países continuam a negociar acordos para garantir o fornecimento contínuo. Ambos integram o Southern African Power Pool (SAPP), uma plataforma de cooperação regional que facilita o comércio de energia eléctrica na África Austral. A relação energética entre Moçambique e o Zimbabwe é vital para a estabilidade energética regional e continua a ser reforçada por projectos conjuntos de infra-estrutura e interligação eléctrica

Os instrumentos foram assinados na manhã desta quinta-feira, no último dia da décima primeira edição do fórum de energias de Minas e Energias, que teve lugar em Maputo.

Duas boas novas abrem novas perspectivas no mercado de gás natural liquefeito. A Total promete retomar a construção da planta de gás em Palma em meados deste ano, de acordo com a garantia dada pelo CEO da Total Energies, Patrick Pouyanné, um anúncio que sucede à aprovação do plano de Desenvolvimento da Plataforma Coral Norte FLNG, com capacidade para a produção de 3,5 milhões de toneladas de gás por ano.

A novidade soa com ânimo para as empresas locais que têm cada vez maior apetite de tirar benefício dos projectos da indústria do gás, e as poucas certezas acompanham as novidades, por exemplo, como serão usados os 10% dos gás do Coral Norte que, por decreto do Governo, devem ser canalizados ao mercado doméstico?

Sobre a questão, o “O País Económico” ouviu Florival Mucave, presidente-executivo da Câmara do Petróleo e Gás de Moçambique, e Joaquim Dai, economista.

Para Florival Mucave, a alocação de 10% do gás natural para a economia doméstica é uma componente que vai contribuir para a diversificação da economia moçambicana e para a industrialização do país.

Entretanto, alerta para alguma cautela. “Temos de voltar à experiência da Sasol, há 20 anos, quando o Governo exigiu da Sasol a disponibilização de uma quantidade de gás para uso doméstico, surgiu essa questão se há capacidade em Moçambique para a utilização deste gás. Hoje temos vários projectos como a Matola Gás Company, Central de Ressano Garcia, Central de Vaninga, que dependem deste gás e o transformam em energia. O importante é acordarmos que há uma quantidade de gás que deve ser alocado ao mercado doméstico, e uma vez já alocado e usá-lo para a industrialização”. 

Segundo Mucave, o país tem, primeiro, de pensar no Norte, a parte menos industrializada do país. “A parte mais industrializada é o Sul, e não há projectos estruturantes de industrialização no norte do país”, explicou para a seguir acrescentar que “temos de saber que virão mais projectos e pensar hoje onde é que queremos utilizar o gás que há de vir deste projecto”.

O responsável foi mais longe ao dizer que não houve um debate coerente em volta do conteúdo local no país, o que se tornou ainda mais necessário diante de projectos em alto mar, que desafiam a criação de infra-estruturas de acesso da terra ao alto mar para poder beneficiar deste gás. 

Segundo Mucave, este é um debate que ainda não começou, e que é muito oportuno. “Quem é que vai criar as infra-estruturas necessárias para termos este benefício. A ENI pode disponibilizar a boca do poço?”, questiona, para a seguir dizer que “o Governo tem de criar condições para a monetização deste gás”.

Por seu turno, Joaquim Dai entende ser estratégica a exploração e liquefação em alto mar, apesar das levantadas relativamente aos empregos que poderiam ser criados caso o projecto fosse desenvolvido em terra.

“Esta decisão foi tomada a olhar para o momento que o país está atravessar. Precisamos de estimular as exportações, precisamos de melhorar as contas públicas e criar nova dinâmica e nos estabelecermos como um pólo de desenvolvimento no mercado do gás, portanto, é um trade off, vamos perder um pouco na componente empregos e ganhar mais com as exportações.”

Entretanto, Dai encontra uma infalível oportunidade de Moçambique usar os 10% do Coral Norte para a industrialização. “Nós temos vizinhos com sérios problemas de electricidade, daí temos de ter uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo. Não podemos crescer a apalpar, temos aqui duas grandes oportunidades. Moçambique pode tornar-se um pólo energético, podemos pôr este gás na cozinha e parar de importar botijas de gás”, disse.

Moçambique terá uma refinaria com capacidade para a produção de 200 mil barris por dia de combustíveis líquidos. De acordo com o Presidente da República,  o empreendimento deverá ser implementado em 24 meses.

Uma refinaria com capacidade para produzir gasolina, gasóleo, nafta e jet A1, para abastecer o mercado nacional e regional, poderá ser instalada no país, na sequência da assinatura de um memorando de entendimento.

Com capacidade para processar 200 mil barris por dia de combustíveis e o respectivo armazenamento, a infra-estrutura vai tornar Moçambique um actor relevante nos combustíveis líquidos, segundo avança o Presidente da República.

“Este projecto, a ser implementado num período máximo de 24 meses, permitirá o acréscimo da capacidade de armazenagem em 160 mil toneladas métricas para combustíveis líquidos e 24 mil toneladas métricas para GPL – Gás de Petróleo Liquefeito”, disse o Chefe de Estado. 

Um outro acordo entre Moçambique e Zâmbia vai permitir a criação de um gasoduto entre as cidades da Beira, no centro do país, e Ndola, na Zâmbia.

 “Com a previsão de comissionamento dentro de 4 anos e um investimento de cerca de 1.5 biliões de dólares norte-americanos, o gasoduto terá a capacidade para o transporte de 3.5 milhões métricos de toneladas por ano e engloba a construção de infraestruturas de armazenamento em ambas províncias, portanto, província de Sofala, na cidade da Beira, e Ndola, na Zâmbia”, explicou. 

Estas novidades foram apresentadas, nesta quarta-feira, em Maputo, pelo Chefe de Estado,  na Conferência e Exposição de Mineração e Energia. No evento, Daniel Chapo reiterou que o projecto de gás Rovuma LNG avança em 2026.

“Esforços estão sendo levados a cabo no sentido de, ao longo do próximo ano, arrancarmos com o Projecto Rovuma LNG, Gás Natural Liquefeito, avaliado em 27 biliões de dólares, que está sendo liderado pela ExxonMobil”. 

Enquanto, o Coral Sul, projecto liderado pela Eni, na Bacia do Rovuma, já exportou mais de 117 carregamentos de gás desde que arrancou em 2022.

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