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O Presidente da República convida o Grupo Banco Mundial a investir na diversificação energética no país e nos sectores como logística, agricultura, turismo e recursos minerais. Daniel Chapo falava em Songo, Tete, durante a visita do dirigente daquela agremiação ao país.

É a primeira visita do dirigente máximo do Grupo Banco Mundial a Moçambique a convite do Presidente da República, Daniel Chapo. Na companhia do Chefe de Estado, Ajay Banga aterrou, este sábado, na Vila de Songo, província de Tete.

Os dois dirigentes foram recebidos por membros do Governo local a todos os níveis e grupos culturais. Na verdejante vila de Songo, um dos destinos do número um do Grupo Banco Mundial era a barragem de Cahora Bassa.

Em Songo, o presidente do Grupo Banco Mundial visitou a barragem de Cahora Bassa, onde foi-lhe apresentado todo o empreendimento e ficou a saber dos projectos em manga para o aumento da produção de energia eléctrica, assim como da diversificação da matriz energética.

E foi o PCA da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Tomás Matola, que apresentou o empreendimento que conta com cinco geradores verticais ao presidente do Grupo Banco Mundial.

Além de apresentar a infra-estrutura, o PCA falou dos desafios do empreendimento, como por exemplo, a substituição dos equipamentos obsoletos, já com cinquenta anos, o aumento da produção de energia e diversificação da matriz energética.

“Temos dois projectos que visam aumentar a nossa capacidade. Um deles é a Central Norte, que vai acrescentar 250 Megawatts de energia, que é o outro lado da barragem. O outro grande projecto que temos, uma vez que nós precisamos de diversificar a nossa matriz energética, temos o plano de produzir 400 Megawatts de energia fotovoltaica”, disse Matola na apresentação do empreendimento.

Depois de receber as explicações de como funciona a barragem, o presidente do Grupo Banco Mundial manteve um encontro à porta fechada com o Chefe do Estado.

À imprensa que acompanhou a visita, Ajay Banga disse ter ficado impressionado com o que viu. “E, francamente, nesta parte de África, ninguém tem capacidade de fazer ou que pode ser feito com o acesso a este país”, disse.

E o Grupo Banco Mundial diz estar disposto a ajudar Moçambique com os projectos em carteira na Hidroeléctrica de Cahora Bassa.

“Penso que podemos trazer um designer de projectos, financiamento de capital e o financiamento de dívida com IRBD, podemos trazer uma garantia de risco parcial, com MIGA podemos trazer uma política de risco de seguro e, claro, com IDA podemos trazer financiamento de concessão para a transmissão e, também, para o designer dos projectos e a respectiva preparação”, destacou Ajay Banga.

O Presidente da República, Daniel Chapo, sublinhou o interesse de Moçambique em fazer uma parceria público-privada com as instituições do Grupo Banco Mundial para a diversificação da matriz energética.

Por isso, Daniel Chapo convidou o grupo para “vir investir nesta matriz energética toda que estamos a falar, produzir energia através de centrais hidroeléctricas, centrais solares, centrais a gás, centrais a vento, portanto centrais eólicas”.

Chapo destacou ainda que “esse é o objectivo principal desta visita, mas como disse também o presidente do Banco Mundial, não vamos terminar por aqui”.

Contudo, não é só na componente energética que o presidente da República convida o Grupo Banco Mundial a fazer investimentos. “Queremos nos concentrar em quatro áreas principais com o Banco Mundial. A questão do turismo, que Moçambique tem um potencial enorme para podermos catapultar o turismo em Moçambique. Também queremos nos concentrar na agricultura, Moçambique tem um potencial enorme. Recursos minerais e energia, como estamos agora já a trabalhar nesta área. Também o desenvolvimento de infraestruturas e principalmente os nossos corredores de desenvolvimento. Estamos a falar do corredor do Maputo, no sul, corredor de Nacala, no norte e corredor da Beira, no centro”, frisou Daniel Chapo.

A visita do presidente do Grupo Banco Mundial a Moçambique tem a duração de dois dias. Além de Cahora Bassa, o presidente do Grupo Banco Mundial sobrevoou o projecto Mpanda Nkuwa, cuja barragem, depois de concluída, terá capacidade para gerar mais de 1.200 megawatts de energia.

O país não se deve preocupar muito com o crescimento da população, mas deve focar-se na educação e na produção para conseguir controlar a economia. A opinião é do economista e professor universitário José Chichava. Por seu turno, o economista Egas Daniel diz que o crescimento da dívida pública limita os investimentos do Estado em projectos sociais.  

Cinquenta anos de gestão das finanças públicas e desenvolvimento local foi tema do debate organizado pelo Fórum de Monitoria do Orçamento, nesta quinta-feira, na Cidade de Maputo. Entre várias opiniões, o economista e professor universitário José Chichava mostrou desacordo com a ideia de que o país precisa de controlar o número de filhos por cada casal para controlar a economia.

“Não é necessário fazer uma gestão demográfica nenhuma. Caso contrário, qualquer dia, alguém vai dizer o seguinte: as pessoas têm de ter um filho ou não ter filhos. Não é por aí, essa não é a solução. A solução é a educação.  Se educarmos as pessoas e as comunidades, por exemplo, as pessoas com o meu nível de educação já sabem o que significa ter três, quatro, cinco ou seis filhos sem que ninguém lhes diga. Elas próprias optam por ter menos filhos. Portanto, não é limitando a natalidade que vamos resolver o problema”, disse o economista, que falou igualmente da Estratégia Nacional de Desenvolvimento, que, no seu entender, “ela não pode planificar o desenvolvimento da economia sem considerar a população”.

Para Chichava, “o Governo deve focar-se primeiro na educação e depois na produção”.

Questionado sobre a situação actual da dívida pública, José Chichava diz que o crédito do Estado com os bancos comerciais prejudica o crescimento do sector privado.

“E por causa disso que nós temos um sector produtivo que não produz, porque os empresários, quando vão ao banco, têm dificuldades para obter financiamentos. O que acontece é que os montantes que deviam ser absorvidos para darmos crédito ao sector empresarial para poder criar mais postos de emprego, para poder produzir mais, são aqueles que o Estado usa para pagar salários da sociedade e para outras despesas”, explicou.

Aliás, o economista Egas Daniel aponta que o crescimento da dívida interna e a pressão de liquidez a curto prazo limitam a capacidade do Estado de promover melhores condições de vida ao povo moçambicano.

“O serviço da dívida, que são as prestações que o Estado tem de pagar,  também entra na contabilização das despesas que o Estado deve efectuar naquele determinado ano. Isso significa que, para um determinado ano, se a dívida contraída nos anos anteriores implicar um maior serviço da dívida no presente ano, então os sectores prioritários, os sectores sociais vão ficar reprimidos. E são, talvez, os mais fáceis, ou pelo menos os que, supostamente, ao longo do tempo, vão sofrendo uma diminuição no seu aumento, porque parte do aumento da receita é canalizada para o pagamento do serviço da dívida”, elucidou e acrescentou que, em vez de aumentar os recursos para os sectores da educação, saúde, agricultura ou qualquer outro que seja considerado importante, uma parte significativa da receita é canalizada para o pagamento do serviço da dívida, suprimindo a relevância dos sectores sociais dentro do orçamento.

Com os problemas elencados, Egas Daniel aponta como saída o alinhamento da estratégia de gestão da dívida com a realidade macroeconómica, o cenário fiscal e as perspectivas económicas é essencial para garantir a sua execução. Estratégias demasiado otimistas tendem a não ser cumpridas. O não cumprimento também pode resultar da falta de coerência com outros instrumentos de planificação pública. Para uma melhor gestão da dívida, é importante limitar os riscos do sector empresarial do Estado e aprimorar a selecção de investimentos, especialmente os financiados por crédito externo

Egas Daniel termina apontando que  “muitos projectos não passam por avaliações de viabilidade, como pode ser o caso do aeroporto de Chongoene”, o que levanta preocupações sobre a eficácia na utilização dos recursos fundos públicos provenientes da dívida.

SITUAÇÃO ACTUAL DA DÍVIDA PÚBLICA DE MOÇAMBIQUE (2025)

Nos últimos anos, a dívida pública de Moçambique tem crescido rapidamente. Em 2024, a dívida alcançou cerca de 74,2% do PIB, segundo o Governo, com expectativa de redução para 67,6 % em 2025 e 60,8% em 2029, como parte do Programa Quinquenal (PQG) 2025–2029. Porém, o risco fiscal permanece alto e a relação dívida/PIB pode subir a até 80,5% caso o crescimento económico não se concretize conforme o previsto .

O serviço da dívida (juros e amortizações) disparou, com previsão de aumento de 17,3% em 2025, totalizando cerca de 120,6 mil milhões de meticais, ou 7,8% do PIB, o que pressiona ainda mais o espaço orçamentário para investimentos sociais e de desenvolvimento. O documento orçamental admite que o serviço da dívida e a remuneração da função pública consomem aproximadamente 85% da receita tributária, evidenciando uma severa limitação ao orçamento estatal .

Em termos de stock de dívida, o país superou a cifra de 1 trilhão de meticais (cerca de 16,7 mil milhões de dólares) no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 2,7% em relação ao trimestre anterior. A maior parte desse crescimento foi impulsionada pela dívida interna, que aumentou 8,9 % (~6,9 mil milhões de dólares), enquanto a dívida externa recuou ligeiramente, para 9,8 mil milhões de dólares.

A dependência de financiamento doméstico de curto prazo, especialmente por meio de Tesouro e empréstimos do banco central, é preocupante. Cerca de 41 % da dívida interna é de curto prazo, o que eleva os riscos de refinanciamento e pressiona o tesouro público. A agência S&P chegou a rebaixar o rating da dívida interna moçambicana para “Default Selectivo” (SD), devido a atrasos em pagamentos e reestruturação de títulos, ressaltando a fragilidade fiscal e a deterioração da confiança dos investidores.

O Banco de Moçambique revela que houve um crescimento de 62% nas reclamações apresentadas por clientes contra bancos comerciais e microbancos no ano passado. O aumento perfaz mais de 1800 casos, acompanhado pela devolução de 1,4 mil milhões de meticais aos clientes, após acções sancionatórias, tratamento de queixas e inspecções.

O banco central aponta que o aumento da consciência dos direitos e deveres dos consumidores impulsionou este resultado. Relativamente às queixas sobre caixas automáticas, registou-se um incremento de casos de 230 para 860 em 2024.

No mesmo período, foram aplicadas sanções aos bancos no valor de 100 milhões de meticais, devido a várias irregularidades, sobretudo no âmbito do combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.

MOÇAMBIQUE NO GRUPO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA

Moçambique foi admitido no grupo global Egmont de Unidades de Informação Financeira, dedicado ao combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. A informação foi tornada pública nesta quinta-feira, através de um comunicado de imprensa do Ministério das Finanças.

Na nota, consta que a decisão foi formalizada a 10 de Julho corrente, como resultado dos esforços do Executivo para tornar o sistema de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e crimes conexos mais robusto e eficaz.

A admissão do país ocorre numa altura em que Moçambique se prepara para uma reunião de avaliação em Setembro, com vista à possível retirada da “lista cinzenta”, após ter cumprido 26 acções recomendadas pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

“O Egmont é um fórum constituído por 170 países, criado em Junho de 1995, em Bruxelas, para promover a cooperação, a troca de informações e coordenar a capacitação entre os países membros. Para a adesão, Moçambique contou com o apadrinhamento das congéneres da África do Sul, Brasil e Maláui”, revelou o Governo.

ZÂMBIA TENCIONA ALCANÇAR 6% DE CRESCIMENTO ECONÓMICO

A Zâmbia pretende alcançar um crescimento económico de pelo menos 6% ao ano até 2028, como parte de um plano de objectivos macroeconómicos aprovado pelo Conselho de Ministros. O país também ambiciona aumentar as receitas internas em mais de 22% por ano, limitar o endividamento interno líquido a 1,7% por ano e expandir a economia de forma sustentável.

O plano prevê ainda a redução da taxa de inflação para um único dígito até ao final do período referido.

Outra meta é manter reservas de divisas suficientes para cobrir, no mínimo, três meses de importações, reforçando, assim, a segurança económica do país. O Conselho de Ministros refere que se pretende igualmente avaliar as isenções fiscais em vigor e criar um novo quadro de incentivos fiscais mais eficaz, que favoreça tanto o crescimento económico como a expansão da base tributária nacional.

CPLP APELA À COOPERAÇÃO EMPRESARIAL PARA SEGURANÇA ALIMENTAR

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desafia os empresários a promoverem acções que garantam a soberania alimentar e nutricional. O apelo foi lançado durante o II Fórum Económico Empresarial da CPLP, que reuniu empresários dos países-membros nesta quinta-feira, na capital guineense, Bissau.

Segundo a Agência de Informação de Moçambique, no evento destacou-se que os países da CPLP dispõem de condições climáticas favoráveis à produção agrícola, mas carecem de integração entre conhecimento técnico, recursos naturais e políticas públicas. O Governo da Guiné-Bissau apelou à eliminação dos obstáculos comerciais e ao aumento dos fluxos de investimento, explorando sinergias regionais e entre blocos económicos.

Na ocasião, foi ainda apresentado o “Compacto Lusófono de Desenvolvimento”, promovido pelo Banco Africano de Desenvolvimento, para fomentar parcerias e investimentos público-privados nos países africanos da CPLP, com o apoio de Portugal e do Brasil.

A multinacional Mozal está em negociações com o Governo de Moçambique, no sentido de prorrogar o contrato de fornecimento de energia eléctrica, uma vez que o vigente termina em Março do próximo ano. A Mozal adquire anualmente 950 Megawatts de energia para o seu funcionamento normal.

De acordo com um documento partilhado pela empresa, as negociações decorrem desde o ano passado e ainda não há consenso entre as partes, o que faz com que a empresa viva na incerteza sobre o futuro do fornecimento de energia, apesar de ter como segunda opção a Eskom.

Uma resposta satisfatória para a renovação do contrato parece estar longe de se concretizar, tudo porque o Governo de Moçambique veio a público apresentar a sua visão no tocante ao contrato. Inocêncio Impissa, porta-voz do Executivo, disse, durante a vigésima quinta sessão ordinária do Conselho de Ministros, que a Mozal deve passar a adquirir a energia junto da Electricidade de Moçambique, empresa instituída para a venda no país.

Com base nas novas regras do jogo que o Governo quer estabelecer, a tarifa deverá ser definida de forma a tornar o contrato viável e sustentável, evitando impacto negativo na operação da fábrica.

A posição do Executivo significa que o formato da comercialização da electricidade para a Mozal muda drasticamente, abandonando-se os modos antigos em que a empresa adquiria directamente a energia à Hidroeléctrica de Cahora Bassa, através de um gerador posicionado na hidroeléctrica.

Continuamos a dialogar com o Governo da República de Moçambique, a HCB e a Eskom para garantir o fornecimento de electricidade acessível para permitir à Mozal operar para além de Março de 2026 e manter o seu substancial contributo para a economia de Moçambique”, lê-se num comunicado da South 32 o maior accionista com 63,7 por cento.

AFINAL, O QUE SIGNIFICA A MOZAL PARA A ECONOMIA MOÇAMBICANA?

A Mozal contribui com aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e é uma importante empregadora industrial, gerando empregos para milhares de funcionários e contratados. O seu peso financeiro é de mais de 43 mil milhões de meticais. As contribuições da Mozal aos cofres do Estado não ficam por aqui: a empresa encaminha dividendos aos cofres nacionais por o Estado ser detentor de 3,9% do capital social.

De acordo com a Conta Geral do Estado de Moçambique, em 2022 a Mozal pagou 839,8 milhões de meticais em dividendos ao Estado e, no ano seguinte, reduziu cerca de 560 milhões de meticais, tendo conseguido transferir cerca de 274 milhões de meticais. Entretanto, em 2024, a empresa não pagou dividendos ao Estado devido aos prejuízos averbados.

REPENSAR O CONTRATO DE FORNECIMENTO DE ELECTRICIDADE À MOZAL É NECESSÁRIO, DIZ JOAQUIM DAÍ

Reagindo ao assunto durante o programa O País Económico de ontem (quinta-feira), o economista e gestor Joaquim Daí disse ser urgente a mudança dos termos do contrato entre o Estado moçambicano e a Mozal, para melhor controlo do negócio, concordando com a proposta do Governo que defende que o negócio deve ser feito directamente com a Electricidade de Moçambique.

Segundo o economista, durante 27 anos, a multinacional do alumínio beneficiou de um contrato especial de fornecimento energético a preços preferenciais, sem intermediação da Electricidade de Moçambique, uma situação que enfraquece o papel da empresa pública no sector.

“De que vale termos uma EDM, se as entidades não compram energia da EDM?”, questionou o economista, acrescentando que a empresa estatal deve ser reposicionada como fornecedora central de energia para todos os sectores estratégicos.

Daí reconheceu que a Mozal continua a ter um peso relevante na economia nacional, representando cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e sendo uma das maiores exportadoras do país. No entanto, frisou que a sua contribuição fiscal é “extremamente limitada”.

“A Mozal não paga IVA nem direitos de importação sobre bens de produção, e os dividendos do Estado, que detém apenas 3,9% das acções, são insignificantes. Em 27 anos, a empresa contribuiu com apenas 3,2 milhões de dólares em dividendos. Isso é quase nada”, afirmou.

A instabilidade no fornecimento de energia, registada principalmente no último trimestre de 2024, teve impacto directo na produção da Mozal e reflectiu-se na performance económica do país. Segundo o economista, houve uma quebra de cerca de 4,9% na contribuição do sector industrial para o PIB, anulando o crescimento registado nos trimestres anteriores.

Face a este cenário, Daí defende que o Estado deve adoptar uma abordagem estratégica e dialogar com os megaprojectos para rever cláusulas contratuais, mesmo sem recorrer à força legal. “Não é uma questão de legalidade, mas de interesse nacional. Temos que explicar por que razão os contratos devem ser ajustados às novas exigências do país”, argumentou.

O gestor apela ainda à diversificação das fontes de energia e à aposta em projectos como Mphanda Nkuwa, gás natural e outras centrais hidroeléctricas, para garantir maior capacidade de produção interna e autonomia energética.

Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um orçamento de 17 milhões de dólares (mil milhões de meticais) para apoiar os programas de reconstrução da província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique, afectada pelo terrorismo desde 2017.

Num comunicado citado pela agência Lusa, a entidade refere que a verba deverá contribuir para a criação de 24 mil postos de emprego para jovens com idades entre 18 e 35 anos, sendo que 50% do valor será destinado a apoiar mulheres, beneficiando um total de 100 mil.

“O desemprego juvenil atinge actualmente 25% da população da província, na maioria jovens sem emprego e sem estarem matriculados em cursos de educação ou formação”, afirmou Babatunde Omilola, gestor de Capital Humano, Juventude e Desenvolvimento de Competências do Gabinete Regional do BAD.

Mencionado na nota, o responsável explicou que o fundo vai ser alocado no âmbito do Projecto Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, Paz e Segurança (RISE-PS) que visa combater as fragilidades de Cabo Delgado através do empoderamento. “O programa coloca os jovens como agentes de construção da paz, libertando o seu potencial por meio do desenvolvimento de competências, do empreendedorismo e de oportunidades de trabalho dignas para impulsionar os esforços de estabilização económica”, sustentou.

Omilola frisou que de entre as várias iniciativas a materializar, a RISE-PS vai avançar, dentro do mesmo pacote de financiamento, com a criação de um Centro de Investimento para a Paz e a Segurança, a ser coordenado pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) de Moçambique.

A Mozal está a enfrentar dificuldades para a renovação do contrato de fornecimento de energia elétrica com a Hidroelétrica, cujo término será em março do próximo ano. Entretanto, o Governo diz estar a acompanhar as negociações e quer que a compra seja feita através da Empresa Electricidade de Moçambique e não directamente da HCB.

O contrato de fornecimento de energia elétrica entre a Hidroelétrica de Cahora Bassa e a multinacional Mozal termina em março do próximo ano, e as negociações para a sua renovação têm-se revelado menos conseguidas. Através de um documento da gigante fundida de alumínio, apresentado em Moçambique desde 1998, a que O País teve acesso, a companhia afirma estar em negociações com o Governo de Moçambique para a extensão do acordo, entretanto, até esta parte, nada está assegurado.

“Temos vindo a trabalhar com o Governo da República de Moçambique, a HCB e a Eskom nos últimos seis anos para garantir o fornecimento de eletricidade à Mozal para além de março de 2026. Até à data, a Mozal ainda não chegou a acordo sobre uma tarifa de preços de eletricidade acessível. A HCB também fez recentemente consultas com os clientes para considerar o impacto do aumento dos custos de eletricidade e da capacidade de geração hidroelétrica prevista para este ano”, lê-se no documento.

Devido à situação, a empresa assume estar a viver na incerteza relativamente ao futuro do fornecimento de energia elétrica, maioritariamente gerada em Moçambique por um gerador hidroelétrico da HCB, e diz estar a avaliar a previsão das opções financeiras disponíveis no mercado. Para além da hidroelétrica nacional, a empresa tem recorrido à Eskom, outro parceiro no fornecimento de energia para a dinamização dos seus serviços, mas em quantidade insuficiente, daí o diálogo com a parte moçambicana.

“Continuamos a envolver-nos com o Governo da República de Moçambique, a HCB e a Eskom para garantir a continuidade do fornecimento de eletricidade à Mozal para além do termo do contrato existente em março de 2026 e manter a sua contribuição substancial para a economia de Moçambique”, predispõe-se a empresa.

O Governo de Moçambique diz ter consciência do contributo da empresa para a economia nacional; entretanto, o fornecimento de energia eléctrica deverá passar a ser feito através da Electricidade de Moçambique e não pela HCB.

Segundo Inocêncio Impissa, “hoje a contratação é feita de forma direta, e o que se pretende é introduzir o jogador, que é a EDM, que é uma entidade responsável pela comercialização da energia produzida pela nossa hidroelétrica. E há aqui elementos que têm de ser fechados para o efeito. Então, tem de haver uma transição entre o atual fornecedor desta energia para a EDM, para que a EDM possa fazer o braço comercial deste negócio.”

Os termos deverão continuar a ser debatidos nos próximos dias, mas o Governo garante que a Mozal não ganhará sem energia. “Os termos dos contratos ainda devem ser debatidos, mas com certeza a Mozal não vai ficar sem energia, porque é uma indústria cujo interesse não é só da própria Mozal, mas sobretudo dos moçambicanos”, disse Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros.

A Mozal é um dos principais projetos industriais do país, responsável por cerca de 3% do Produto Interno Bruto moçambicano, empregando milhares de trabalhadores diretos e indirectos.

Os preços de bens e serviços aumentaram 4,15% no mês passado, segundo revelam os dados do Instituto Nacional de Estatística. Os preços de alimentos, refeições e bebidas, roupa e calçados foram os que mais subiram.

Depois da estabilidade dos preços de bens e serviços registada no mês de Maio, os preços voltaram a subir no mês de Junho último. De acordo com dados mais actualizados do Instituto Nacional de Estatística, a subida foi de 4,5%.

Trata-se de uma subida explicada grandemente pelo agravamento dos preços de produtos alimentares em 9.38%, das refeições e bebidas em 8,65%, bem como de roupa e calçados, cujos preços aumentaram 2,30%. 

Com estes e outros aumentos de preços registados no mês passado, a vida ficou mais cara, com a cidade de Tete a registar o maior aumento de preços, na ordem de 6,31%, seguida de Xai-Xai com 5,67%, província de Inhambane com 5,53%.

Em termos acumulados, durante o primeiro semestre do ano em curso, todas as cidades e províncias registaram um aumento do nível geral de preços, com Tete a liderar as subidas com 3%, seguida da província de Inhambane e Xai-Xai.

Para o presente ano, o Governo prevê que a subida generalizada de preços seja de 7%, cumprindo assim com os objectivos do Banco de Moçambique de manter a taxa de inflação abaixo de um dígito, ou seja, em nível inferior a 10%.

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos  Lucas, reiterou o compromisso de Moçambique de continuar a avançar com o  processo de implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana. 

Ao intervir na 47ª Reunião do Conselho Executivo da União  Africana (UA), na qual participa desde quinta-feira, em Malabo,  capital da Guiné Equatorial,  Maria Manuela dos Santos Lucas assegurou que estão a ser criadas  todas as condições para a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana, com a intenção de  promover o comércio intra-regional e intra-continental. 

Felicitou o Secretariado da Zona de Comércio Livre Continental Africana pelo  excelente trabalho realizado, que se reflecte no aumento do número de países a  aderirem à iniciativa. 

Neste evento, a ministra testemunhou a eleição da Comissária de Desenvolvimento Económico, Comércio,Turismo, Indústria e  Minerais, Francisca T. Balope da Guiné Equatorial, do Comissário de Educação,  Ciência, Tecnologia e Inovação da União Africana, Gaspard Banyankibona do  Burundi, e de cinco membros do Conselho Consultivo da UA contra a  Corrupção. 

O país registou uma ligeira redução do custo de vida em Junho deste ano, com uma deflação de 0,07%, impulsionada sobretudo pela queda dos preços do tomate, couve, alface, feijão manteiga, gasóleo e gasolina. No entanto, comparando com Junho de 2024, o custo de vida continua mais elevado, com uma inflação homóloga de 4,15%, reflectindo aumentos persistentes nos preços de alimentos e serviços básicos.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o alívio verificado em Junho marca uma inversão momentânea na tendência de subida de preços registada ao longo do primeiro semestre. No acumulado do ano, a inflação situa-se, agora, em 1,20%, com destaque para as divisões de Alimentação e bebidas não-alcoólicas e Restaurantes e similares, que contribuíram com 0,43 pontos percentuais cada para esse valor.

Em Junho, vários alimentos básicos ficaram mais baratos nos mercados moçambicanos. Hortaliças como o tomate, a couve e a alface registaram quedas de preços entre 7% e 9%, enquanto o feijão manteiga e o coco também baixaram, com reduções entre 3% e 6%. Esses produtos, amplamente consumidos pelas famílias, ajudaram a aliviar o custo de vida no mês.

Estes produtos foram responsáveis por cerca de 0,32 pontos percentuais negativos na variação mensal. A redução dos preços destes itens, essenciais na dieta diária, contribuiu diretamente para o alívio no custo de vida durante o mês.

Outro factor que contribuiu para a redução do custo de vida em Junho foi a queda nos preços dos combustíveis. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o gasóleo ficou 3,1% mais barato e a gasolina teve uma redução de 1,0%, aliviando os custos com transporte e distribuição de produtos.

PRODUTOS QUE CONTRARIARAM A QUEDA:

Apesar da queda geral de preços, alguns produtos ficaram mais caros em Junho e reduziram o impacto da deflação. Entre os que subiram estão o pão de trigo (+2,8%), o carapau (+2,1%), o peixe fresco e seco (ambos +1,2%) e a galinha viva (+1,5%). Também houve aumento nos produtos para o lar, como lençóis e fronhas (+4,9%), e nos veículos em segunda mão, com uma subida de 3,4%. Esses aumentos reflectiram-se no dia-a-dia, especialmente em produtos de consumo regular e bens duráveis.

Esses produtos contribuíram com 0,20 pontos percentuais positivos para a variação mensal.

Embora Junho tenha registado uma ligeira queda nos preços, os dados mostram que a vida continua mais cara do que há um ano. A inflação homóloga foi de 4,15%, o que significa que, em média, os preços subiram 4 meticais por cada 100, em comparação com Junho de 2024. Os maiores aumentos foram nas áreas de alimentação e bebidas não alcoólicas (+9,38%) e restaurantes, hotéis e cafés (+8,53%), sectores que pesam directamente no bolso das famílias.

Produtos como pão de trigo, arroz em grão, feijão manteiga, sumos naturais, refeições em restaurantes e sabão em barra mantêm tendência de subida e contribuíram com 0,98 pontos percentuais para a inflação acumulada.

Por exemplo, uma refeição que custava 100 meticais em Junho de 2024 passou a custar 109 meticais em Junho deste ano.

Já a análise regional mostra que o aumento do custo de vida foi mais sentido em algumas zonas do país. As maiores subidas de preços, em comparação com Junho de 2024, ocorreram em Tete (+6,31%), Xai-Xai (+5,67%), Inhambane (+5,53%), Beira (+4,43%) e Chimoio (+4,07%), indicando que estas regiões enfrentaram uma inflação acima da média nacional.

Maputo registou uma inflação homóloga de 3,68%, enquanto Quelimane teve a mais baixa, com 2,72%.

A deflação registada em Junho oferece um alívio momentâneo às famílias, sobretudo em produtos alimentares e transportes. No entanto, a inflação homóloga revela que a vida continua mais cara do que há um ano. O impacto é sentido principalmente pelas famílias com rendimentos mais baixos, que destinam grande parte do orçamento mensal para alimentação, transporte e serviços básicos.

Apesar do recuo pontual, os dados indicam que o custo de vida em Moçambique mantém-se pressionado por factores estruturais e globais, exigindo monitoria constante da evolução dos preços e da capacidade das famílias em enfrentar as dificuldades económicas.

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