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A Sasol anunciou um reforço substancial no financiamento dos Acordos de Desenvolvimento Local (ADL) nas zonas onde opera em Moçambique, particularmente na província de Inhambane. Para o quinquênio 2025-2030, a multinacional sul-africana prevê injectar 43 milhões de dólares norte-americanos, valor que mais do que duplica os recursos aplicados no ciclo anterior, e que permitirá expandir a cobertura de 37 para cerca de 70 comunidades beneficiárias.

Segundo o Diretor-Geral da Sasol em Moçambique, Ovídio Rodolfo, que fala em exclusivo ao jornal O País, durante a sexagésima edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), os novos acordos, assinados a 30 de junho de 2025, marcam uma nova fase na estratégia da empresa de aprofundar a sua responsabilidade social corporativa, alinhada às políticas do Governo para a indústria extrativa. “Saímos de 20 milhões para 43 milhões de dólares, o que representa um salto significativo. Além disso, entramos agora num distrito que antes não estava contemplado, Vilanculos, o que demonstra o crescimento da nossa cobertura geográfica”, explicou o responsável.

O investimento vai beneficiar diretamente milhares de famílias que vivem na área de exploração de gás natural, sobretudo nos distritos de Inhassoro, Govuro e agora Vilanculos. Para Rodolfo, trata-se de um compromisso com a melhoria das condições de vida das comunidades vizinhas aos projectos da empresa. “Passamos de 37 para cerca de 70 comunidades. Isto significa não apenas maior abrangência, mas também maior impacto social, com investimentos em áreas prioritárias que foram definidas em conjunto com os governos locais e as próprias comunidades”, acrescentou.

Um dos aspetos destacados pela Sasol é o impacto positivo na dinamização da economia local, sobretudo através da valorização do chamado conteúdo local. Nos últimos cinco anos, a multinacional apostou em programas de capacitação e acreditação de pequenas e médias empresas moçambicanas, permitindo que estas pudessem competir em pé de igualdade com fornecedores internacionais.

“Quando assumimos os primeiros acordos, a participação das empresas nacionais no fornecimento de bens e serviços rondava níveis muito baixos. Hoje, cerca de 50% das nossas aquisições são feitas a fornecedores moçambicanos. Do universo de 55 milhões de dólares gastos anualmente, mais de metade vai para empresas locais”, revelou Ovídio Rodolfo.

O impacto é particularmente visível em Inhambane, onde as empresas locais aumentaram de forma exponencial a sua participação. “Há cinco anos, as empresas da província faturavam menos de 500 mil dólares com a Sasol. Hoje, esse valor ascende a 13 milhões de dólares, resultado direto do trabalho de capacitação e do procurement preferencial que adotamos. Isso representa uma verdadeira transformação económica para as comunidades locais”, sublinhou.

À nossa redação, o Diretor-Geral da Sasol detalhou ainda as áreas de investimento prioritárias dos ADL II, estruturadas em três pilares. O primeiro diz respeito a programas estratégicos, que incluem o acesso à água, saneamento básico e cadeias de valor locais, como a pecuária bovina e caprina ou o processamento de frutas, iniciativas que visam aumentar a renda das comunidades. 

O segundo pilar abrange as chamadas infra-estruturas independentes, como sistemas de abastecimento de água, escolas, hospitais e outras obras de impacto coletivo. Já o terceiro foca-se em projectos de pequena escala, definidos directamente pelas comunidades, que incluem campos de futebol, centros comunitários e outras infraestruturas sociais. “Neste momento temos já uma lista preliminar de projetos, que se encontra em fase de discussão e seleção final. Em breve entraremos na etapa de implementação”, garantiu Rodolfo.

Além do reforço no fundo dos ADL, a Sasol avança também para a fase final de implementação do projecto de gás doméstico em Inhambane. Este investimento, avaliado em cerca de 730 a 740 milhões de dólares, encontra-se na fase de comissionamento e deverá entrar em plena produção entre outubro e novembro de 2025.

A licença PSA (Production Sharing Agreement), que sustenta o projecto, prevê que cerca de 60% do gás seja monetizado dentro do país, através da central térmica de Temane, actualmente em construção, e da produção de gás de cozinha, destinado a substituir importações. “Se tudo correr conforme o planeado, a fábrica de gás doméstico entrará em funcionamento no final de outubro, o que permitirá reduzir em cerca de 60% as importações atuais, fortalecendo a autonomia energética de Moçambique”, referiu o Diretor-Geral da Sasol.

Com este novo pacote de investimentos, a Sasol procura consolidar a sua presença no sector energético nacional, ao mesmo tempo que reforça a sua ligação com as comunidades locais e promove o desenvolvimento sustentável da província de Inhambane.

 

A Electricidade de Moçambique (EDM) tem intensificado seus esforços para garantir que, até 2030, todas as famílias moçambicanas tenham acesso à energia elétrica. Em 2024, mais de 412 mil novos lares entraram na rede elétrica, superando em 103% a meta interna da empresa, elevando a taxa de eletrificação nacional para 61%. Foram também construídos 380 km de linhas de média tensão, 673 km de baixa tensão e instalados 600 transformadores.

Durante sua participação na Feira Internacional de Maputo (FACIM), que coincide com os 48 anos da empresa, fundada em 27 de Agosto de 1977, a EDM apresentou seus principais projectos e resultados. O administrador Francisco Inroga destacou que todas as sedes distritais estão eletrificadas, e a maioria dos postos administrativos já conta com energia elétrica, com apenas 52 a 56 postos ainda faltando, dos quais 22 já estão em execução.

Para acelerar o Plano “Energia para Todos”, a EDM obteve um financiamento de 131 milhões de dólares do Banco Mundial (através da IDA) para a terceira fase do programa, o Projecto ASCENT (“Acelerando a Transformação do Acesso à Energia Limpa e Sustentável”). Desse montante, 117 milhões serão geridos pela EDM. Está prevista a antecipada construção de 3.300 km de rede de baixa tensão, 2.200 km de média tensão e a instalação de 2.200 transformadores, com a ligação de cerca de 146.000 novos consumidores em seis províncias — Maputo, Sofala, Manica, Tete, Zambézia e Nampula — beneficiando aproximadamente 700 mil pessoas. A implementação física das obras deve iniciar em 2026.

Além disso, a segunda fase do programa, com abrangência de 2024 a 2027, requer um investimento previsto superior a 300 milhões de dólares, com o objectivo de ligar mais de quatro milhões de famílias à rede elétrica nacional até 2030.

No primeiro trimestre de 2025, a EDM já efectuou mais de 150 mil novas ligações, representando 26% da meta anual de 600 mil conexões. Ao longo do ano, a previsão é executar 600 mil novas ligações e manter um crescimento anual sustentado de 7%, conforme o diretor de Projetos da EDM.

O progresso recente e os planos futuros revelam que Moçambique já atingiu entre 61% e 67% da meta estabelecida para o quinquénio, o que equivale a cerca de 530 mil novas ligações, o que engaja soluções de energia dentro da rede e alternativas renováveis em áreas isoladas.

Entretanto, a EDM enfrenta desafios persistentes: vandalismo, furto de energia e ligações clandestinas geraram perdas de cerca de 433 milhões de dólares (27,6 mil milhões de meticais) nos últimos cinco anos. Só em 2022 e 2023, os prejuízos alcançaram 12,6 mil milhões de meticais.

Com foco em garantir sustentabilidade ao processo, a EDM tem procurado mobilizar parcerias com o setor privado, cooperantes e o FUNAE, especialmente para sistemas isolados, fotovoltaicos e mini-hídricos. O governo reconhece que a eletrificação não pode se apoiar apenas no setor público.

A Galp Moçambique está a expor o seu potencial na FACIM 2025, com foco na expansão da sua rede de serviços em todo o país. No segundo dia da feira, a empresa distinguiu os seus clientes mais destacados em 2024.

Com mais de 100 anos de presença no mercado moçambicano, a Galp participa na 60ª edição da Feira Internacional de Maputo para reforçar parcerias e concretizar novos negócios.

“Para nós, como Galp, estar aqui, na FACIM, é um momento de reencontro com os nossos parceiros, clientes, consumidores, serviços e produtos. Nestes 105 anos em Moçambique, temos estado sempre ao lado das iniciativas nacionais de promoção do investimento e de valorização do que o país tem de melhor”, destacou Dácio Mavulula, representante da empresa.

Na presente edição da feira, a Galp Moçambique procura reforçar o seu objectivo de expandir o mercado através da inovação e da diversificação. Actualmente, dispõe de 80 postos de abastecimento a nível nacional e tem em curso um ambicioso plano de expansão, com várias novas infra-estruturas em construção, a inaugurar ainda neste ano e nos próximos.

Outro dos focos apresentados é a digitalização. A empresa está a desenvolver continuamente a plataforma de pagamentos Galp Frota, destinada a empresas e a particulares, com vista a aumentar a sua utilização.

Durante a FACIM, a Galp premiou os seus clientes mais destacados em 2024 pela qualidade dos serviços prestados. Os distinguidos manifestaram satisfação pelo reconhecimento e assumiram o compromisso de continuar a oferecer um serviço de excelência.

Segundo Xavier Quive, um dos premiados, “este prémio é também para os nossos colaboradores, que muito contribuíram para que alcançássemos esta posição. O objectivo é continuar a melhorar e a colocar sempre o cliente em primeiro lugar”.

Vigorando já entre os principais operadores de combustíveis no país, a Galp pretende também assumir uma posição de liderança na distribuição de gás de cozinha.

A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) está presente na FACIM e, no seu pavilhão, dá a conhecer as potencialidades da região Norte do país.

A província de Nampula, a mais populosa da região, destaca-se pela diversidade de produtos, sobretudo transformados, como frutas processadas e farinhas de tubérculos. Entre as novidades, figuram a banana passa com castanha, a banana passa com gergelim, os rolinhos de fruta e as farinhas de abóbora.

Já Cabo Delgado, com forte produção de milho e algodão, aposta na promoção da sua farinha fortificada de marca nacional e procura parcerias para aumentar a capacidade de exportação. A província de Niassa evidencia-se na produção de vários produtos agrícolas, com destaque para o feijão, que abastece grande parte do mercado nacional. Contudo, as autoridades locais reconhecem que as parcerias de exportação ainda estão aquém do desejado. 

Os governos provinciais têm acompanhado de perto os seus representantes na FACIM e, no segundo dia do evento, reuniram-se com os principais financiadores, num encontro organizado pela ADIN. Para o governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo, “a província procura na FACIM por investidores económicos, mas também por entidades que possam dinamizar as acções de reconstrução das regiões devastadas pelo terrorismo”.

Por sua vez, o governador de Nampula disse, na ocasião, que a sua província se posiciona como um corredor de viabilização dos demais pontos. “Temos áreas férteis muito boas para o cultivo e grandes oportunidades na área do agro-negócio e agro-processamento”, referiu Eduardo Abdula, governador da província. 

Elina Judite da Rosa, governadora da província de Niassa, também falou das potencialidades que a sua província apresenta, tendo feito convites aos investidores presentes no evento para investirem em Niassa. “A nossa província também precisa do vosso apoio, por isso não deixaria a oportunidade de convidá-los para investirem lá”, disse a governante no seu breve pronunciamento. 

O presidente do Conselho Executivo da ADIN afirma que está na feira também para conseguir novos financiadores para o projecto de reconstrução de Cabo Delgado. Para Loureiro, o processo de reconstrução do Norte deve passar, não apenas pela componente material, mas também pelo fortalecimento humano e pela criação de esperança nas comunidades.

“É encorajador ver muitos pequenos empresários com novos horizontes e uma visão diferente dos seus negócios. Este é o papel da ADIN e do Governo: criar condições para que existam cada vez mais pequenas e médias empresas fortalecidas e mais empregos para a juventude”, destacou Jacinto Loureiro.

No local, ficou ainda patente a vontade dos financiadores internacionais em apoiar a reconstrução de Cabo Delgado e o desenvolvimento regional, com destaque para a ONU. A petrolífera Total anunciou que, em breve, assinará um memorando de entendimento com o Governo de Moçambique, reforçando o seu compromisso com as acções da ADIN.

A primeira-ministra, Benvinda Levi, diz que a nova conjuntura internacional imposta pelos Estados Unidos da América obriga os países a consolidarem o comércio bilateral. Levi falava nesta quinta-feira, em Maputo, durante a visita da vice-presidente da Colômbia, Francia Mina.

A primeira-ministra, Benvinda Levi, recebeu, nesta quinta-feira, no seu gabinete de trabalho, a vice-presidente da Colômbia e sua delegação numa visita de dois dias a Moçambique, onde as partes manifestaram interesse de cooperar em diversas áreas. Na ocasião,  Levi destacou que a actual conjuntura no comércio internacional imposta pelos Estados Unidos da América obriga os países a consolidarem relações comerciais ao nível bilateral. “A recente decisão dos Estados Unidos obriga os países a pensarem como maximizar o comércio bilateral e aproveitar as vantagens comparativas que os países têm em particular”, sublinhou. 

Foi neste contexto que a primeira-ministra disse que, para consolidar estas relações, empresários colombianos que acompanham a vice-presidente estiveram na FACIM para identificar as áreas de investimento igualmente. “No domínio de investimentos, gostaríamos de referir que a delegação de Sua Excelência a vice-presidente da Colômbia se faz acompanhar de empresários que aproveitam a oportunidade para estar na FACIM, ver as potencialidades que o país oferece e, a partir daí, ver em que medida nós podemos cooperar e dinamizar as nossas relações comerciais”, destacou a primeira-ministra.

Paralelamente, a responsável disse que as partes vão continuar a trabalhar em fóruns multilaterais de que ambos são parte, como as Nações Unidas, o Movimento dos Não Alinhados e os grupos dos 77 mais China, para além de outras organizações multilaterais, como o caso da Organização Mundial do Comércio.

A visita da vice-presidente da Colômbia, Francia Mina, enquadra-se no âmbito do esforço que ambos os países pretendem levar a cabo para revitalizar as históricas relações político-diplomáticas existentes entre os dois Estados. Por outro lado, Levi referiu que este encontro serve como caminho para o estabelecimento de relações em várias outras áreas, com particular destaque para a económica.

Para consolidar estas relações, as partes tencionam criar uma ligação aérea que vai permitir conectar os dois países.

“Falámos da possibilidade de futuramente desenvolvermos comunicações aéreas, portanto transporte aéreo entre Moçambique e Colômbia, por forma a permitir o melhor estreitamento das relações entre os dois países”, destacou.

Por sua vez, a vice-presidente da Colômbia, Francia Mina, que agradeceu à primeira-ministra pelo convite para visita a Moçambique formulado à Colômbia no ano passado e também convidou o país a participar na Cimeira Agrária na Colômbia, no próximo ano.

“Do mesmo modo, está previsto que no próximo ano se realize a Cimeira Agrária na Colômbia, e Moçambique foi convidado a participar nesta Cimeira Agrária”. Para a Estadista, a cimeira será um campo fértil para um intercâmbio e partilha de experiências, compromisso com a soberania alimentar e a erradicação da fome no mundo.

As partes descreveram o encontro como muito produtivo e de grande importância para estreitar as  históricas relações entre os dois países. Benvinda Levi disse que foram conversações bastante úteis, profícuas, “em que de forma bastante aberta partilhámos os nossos pontos de vista sobre vários assuntos de interesse comum”.

 

O sector privado, na cidade, manifestou, esta quarta-feira, 28 de Agosto, a sua indignação pelo facto de alegadamente o agenciamento de navios e cargas estar a ser dominado por cidadãos estrangeiros sob capa política e diplomática. Os empresários dizem, neste sentido, que este suposto protecionismo está a contribuir para a perda de divisas.
O primeiro fórum nacional do sector privado, cuja cerimónia de abertura teve lugar esta quinta-feira, na Beira, trouxe algum desconforto por parte do sector privado relativamente ao manuseio e gestão de cargas de navios, processo aparentemente dirigido por cidadãos estrangeiros.
Foi, na verdade, a continuidade da discussão iniciada em 2015, sobre a regulamentação de agenciamento de navios e cargas, um instrumento que viria ser  determinado, em tempos, que devia ser gerido por nacionais.
No entanto, e segundo o sector privado, a realidade actual mostra que nada foi feito para mudar o cenário, porquanto cidadãos estrangeiros continuam a dominar o processo de agenciamento de navios e cargas.
Ou seja, os patrões, na Beira, queixam-se do facto de alegadamente toda  a cadeia logística estar a ser gerida por cidadãos estrangeiros.
” Com forte apoio político de diplomático, tradicional e capacidade financeira, estão a dominar o transporte marítimo e navios. E em breve vai ser o transporte rodoviário. Isto está acontecer”, denunciou Feliz Machado.
Para o presidente da Associação Comercial da Beira, Félix Machado, também agente transitário,  denunciou que o país está a perder divisas ao permitir  que o agenciamento de cargas seja dominado por cidadãos estrangeiros.
O sector privado quantificou que, neste momento, apenas 30 porcento deste processo sobra para o mesmo.
” Se todo o país manuseou um milhão de euros, 70 porcento é controlado e cobrado por cada agente a  cada navio. Se dissermos que 30 porcento do custo, então temos 70 milhões USD como lucro. Onde está este dinheiro? “, questionou, para depois acrescentar que “são taxas ocultas que beneficiam os outros, as empresas estrangeiras com benefícios fiscais que se dizem mais robustas que as nacionais”.
Mas mais do que reclamações, o sector privado garante estar pronto para assumir o agenciamento de navios e cargas.
” É um projecto de neocolonialismo que está a dar cabo do empresariado nacional. O que pedimos é um campo de jogo igual. Isto é sobre soberania”, alertou.
Falando no evento, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, assegurou que o governo está a trabalhar no sentido de assegurar um sistema mais eficiente.
” Capaz de dimensionar o ambiente de negócios”.
Por outro lado, Matlombe apontou os caminhos para o sucesso do processo.
“Reforçar o regime jurídico no programa de agenciamento”.
Matlombe garantiu que o Governo tem em vista a protecção dos empresários nacionais.
Intervindo no evento, o Secretário de Estado de Sofala reconheceu que o agenciamento de navios e cargas constituem pilares de desenvolvimento da economia nacional.
O primeiro fórum de agenciamentos de navios e cargas decorre durante dois dias, sendo que o evento conta com a participação de vários agentes  do sector empresarial no país.

O Governo alemão vai financiar projectos da Agência do Vale do Zambeze com o valor de cerca de 45 milhões de euros. A informação foi revelada, hoje, pelo embaixador da Alemanha em Moçambique, que visitou o pavilhão da instituição na sexagésima edição da FACIM, onde estão expostas todas as potencialidades da zona Centro

Mais uma vez, a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze marca presença na FACIM para expor todos os projectos do agro-negócio, e não só, que por si são suportados.

“A agência traz todas as potencialidades da região centro, da região do Vale do Zambeze. Trazemos aqui desde aquilo que é o agro-negócio, produtos turísticos, trazemos aqui produtos pesqueiros, trazemos aqui aquilo que chamamos de exploração florestal sustentável”, mencionou o director-geral da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, Celso Cunha.

Com tudo isso, a agência está a atrair muitos visitantes para o seu pavilhão e espera que os seus expositores divulguem e vendam os seus produtos. “Portanto, esperamos que os nossos expositores divulguem as suas potencialidades, os seus produtos, celebrem aqui contratos frutíferos e rentáveis e também que eles visitem outros estandes para poderem melhorar o seu processo de produção ou de processamento, melhorando as embalagens, melhorando também o seu produto”, referiu Cunha.

E um dos visitantes do pavilhão da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, nesta quarta-feira, foi o embaixador da Alemanha em Moçambique, que ficou impressionado com o que viu.

“Foi muito impressionante. Já sabemos que a agência tem um papel muito importante no desenvolvimento de vários sectores e somos muito felizes que a Alemanha, o governo da Alemanha, através das agências de desenvolvimento, é parceiro da agência do Zambeze, porque o nosso compromisso é facilitar o desenvolvimento dos vários sectores, especialmente da agricultura também, para o bem-estar do povo”, elogiou Ronald Münch, embaixador da Alemanha em Moçambique.

Por isso, a Alemanha promete continuar a apoiar os projectos da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze através das suas linhas de financiamento.

“São projectos que se iniciam já com o planeamento de uma ideia até o desenvolvimento das pequenas empresas, a certificação para a exportação, até a exportação destes projectos. O que temos agora, na planificação, do lado do Governo da Alemanha, através das nossas agências de implementação, é um projecto de grande tamanho para financiar os projectos da agência do Zambeze, as empresas, e um projecto total de 45 milhões de euros”, revelou o diplomata.

No pavilhão da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, houve degustação de vários alimentos de produção nacional.

O ministro das Comunicações e Transformação Digital afirma que a digitalização dos serviços no país é irreversível. Américo Muchanga, que visitou os stands no ramo tecnológico na FACIM, assegura que as empresas nacionais estão preparadas para a nova realidade

A transformação digital de Moçambique está em exposição na sexagésima edição FACIM e várias empresas ligadas ao ramo tecnológico estão lá para trazer soluções. O ministro das Comunicações e Transformação Digital visitou todos os stands do pavilhão e, pelo que está exposto, concluiu que este é um caminho irreversível para o país.

“Basicamente, o que nós queremos nos próximos cinco anos é podermos servir o público cidadão nacional, as empresas nacionais, a partir do seu sítio. Ou seja, não precisarem se deslocar para onde o Estado está presente para poder ter acesso aos diversos serviços que o cidadão e as empresas procuram no seu dia-a-dia”, revelou o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga.

E um dos serviços que o cidadão procura no dia-a-dia é o transporte público, cujo problema foi minimizado com o táxi por aplicativo. “Hoje em dia, qualquer cidadão da Cidade de Maputo, Matola, Marquena ou Beira consegue solicitar uma viagem ou uma entrega em menos de 5 minutos. Portanto, isto é digitalização. Nós digitalizamos a indústria de táxi em Moçambique e assinamos um mural de entendimento com uma empresa que vai trazer chapelas e motos eléctricas para o mercado e que vai ajudar a reduzir os custos dos operadores”, referiu Momed Adam, director-geral da Yango em Moçambique.

Quem também tem muito mais a oferecer é a Huawei Moçambique, sobretudo para quem pensava que a empresa só lidava com celulares e outros dispositivos portáteis.

“Nós já trabalhamos com o governo moçambicano na construção do Centro de Dados Nacional em 2015. Assim mesmo, nós apoiamos as empresas de telecom que estão aqui, em Moçambique, a actualizar a rede de 3G para 4G. Fizemos o mesmo em 2022, actualizamos de 4G para 5G. Em 2023, nós apoiámos também no processo de lançamento do primeiro sistema de comunicação digital ferroviária junto com o CFM. Assim mesmo, lançámos a nova rede de telecom de electricidade. Neste ano, em 2025, trabalhamos com uma empresa de telecom para construir um centro de dados muito avançado”, mencionou, de forma detalhada, Miss Muthandika, representante da Huawei Moçambique.

Já a Raxio apresenta um centro de dados, não só avançado, mas também considerado o maior e o mais seguro a nível do país.

“O nosso data center tem capacidade, neste momento, para prestar serviços desde as pequenas às grandes empresas. Nós temos desde um quarto de rack às grandes racks de 54 usadas pelos grandes hyperscalers. O que nós trazemos aqui é uma abordagem para que todas as empresas que queiram guardar os seus dados de forma segura e em Moçambique possam nos contactar para que juntos consigamos encontrar uma forma  de acomodá-los no nosso data center”, expôs Júlio Guivala, director comercial da Raxio Moçambique.

A BCX marca presença nesta edição da FACIM com soluções tecnológicas para os problemas actuais, que preocupam os cidadãos e as empresas. “Atacar alguns desafios que o mercado moçambicano está a enfrentar, por exemplo, o desafio de pagar ao exterior, nós podemos prover soluções locais que vão, de certa forma, reduzir esse sufoco de ter que procurar dólares para pagar aos provedores, por exemplo, serviços de cloud de fora de Moçambique. Queremos também resolver problemas, ou por outra, contribuir para a resolução de problemas como a inclusão financeira, provendo micro-bancos e micro-créditos com uma plataforma de banca como serviço”, referiu Emílio Jorge, director-geral da BCX.

Além do seu centro de processamento de dados, a Vodacom expõe na FACIM um outro serviço e está a conseguir uma boa rede de contactos. “Trouxemos um diferencial para este ano, que é a solução de SD-WAN. Estamos a dizer que hoje um dos maiores interesses que os clientes colocam é ter um único provedor para todas as soluções”, disse Íris Guimarães da Vodacom Business.

A FACIM 2025 decorre sob o lema: Promovendo a diversificação económica rumo ao desenvolvimento sustentável e competitivo de Moçambique”.

 

A Associação dos Operadores Logísticos de Moçambique está preocupada com a ausência de instrumentos legais para o agenciamento de cargas no país, o que, para esta agremiação, abre espaço para a sonegação de impostos e uma competitividade injusta, favorecendo em muitos casos os estrangeiros com capitais robustos

Não há, neste momento, em Moçambique, um ambiente propício para a realização competitiva de agenciamento de cargas, devido à ausência de instrumentos legais neste sector.

Segundo o presidente da Associação dos Operadores Logísticos de Navegação de Moçambique, Bersencio Vilanculos, por conta da falta de regulamentação, o ambiente de negócios é turvo, uma vez que existem muitos desafios para todos os actores ligados a este sector para a regulamentação da actividade, facto que concorre para que não haja clareza.

Para Bersencia Vilanculos, apesar de recentemente se ter criado o Instituto Ferroportuário, entidade que tem a responsabilidade de regular a actuação do mercado, esta instituição ainda não se faz sentir na prática, o que propicia uma competitividade questionável e não justa.

Vilanculos disse ainda que é importante colocar parâmetros no processo de agenciamento de cargas no país, para garantir a sua profissionalização. Alerta que, por falta de profissionalização do sector, o país não tem ganhos satisfatórios.

“Maior parte do agenciamento de mercadorias por alguns actores, que têm as suas sedes fora de Moçambique, a facturação não é dentro do país e os ganhos são, naturalmente, minúsculos”, alerta.

Todos estes problemas que condicionam o desenvolvimento do agenciamento de mercadorias no país poderão ser ultrapassados nos próximos dias, com a realização, na Beira, do primeiro fórum nacional de agenciamento marítimo, organizado pelo Ministério dos Transportes e Logística, com objectivo central de discutir os problemas no sector.

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