O País – A verdade como notícia

Os economistas Edgar Chuze e Gift Essinalo consideram que a recente decisão da companhia aérea Fly Emirates de suspender a emissão de bilhetes em Moçambique é um reflexo da grave escassez de divisas que o país enfrenta, contrariando o discurso oficial de estabilidade cambial.

Para os analistas, os sinais deste problema já vinham sendo observados há meses, nomeadamente nas dificuldades de importação de combustíveis e noutras operações que exigem pagamentos externos, daí a urgência em o Governo encontrar meios para a sua solução.

Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), publicados em Junho passado, mostravam que 1,3 mil milhões de dólares em fundos de companhias aéreas estão bloqueados de repatriação pelos governos desde Abril de deste ano, e Moçambique é destaque e o primeiro na lista, com 205  milhões de dólares.

O economista Edgar Chuze sublinha que o Banco de Moçambique, enquanto regulador, possui poderes suficientes para fiscalizar os bancos comerciais e identificar as causas reais da falta de moeda estrangeira no mercado, mas questiona a aparente falta de acção das autoridades.

“Tais práticas contribuem para alimentar o mercado negro e agravam a escassez de dólares no sistema formal. Se nada for feito, o caso da Fly Emirates poderá repetir-se com outras companhias ou empresas estrangeiras, afastando potenciais investidores e reduzindo a confiança na economia nacional. “Nenhum agente económico quererá investir num país onde não há garantias de repatriamento dos lucros”, afirma.

Para Chuze, a situação cambial tem efeitos directos sobre os preços e a oferta de bens e serviços. A saída de operadores internacionais cria espaço para oligopólios e monopólios que, inevitavelmente, encarecem os produtos.

“A falta de divisas limita também a importação de mercadorias essenciais, o que gera escassez e especulação interna”, diz o economista, ao mesmo tempo que adverte que esta conjuntura poderá afectar as receitas fiscais do Estado, uma vez que a redução das transacções comerciais implica menor arrecadação de impostos e, consequentemente, maior dificuldade na execução orçamental.

Por sua vez, o economista Gift Essinalo considera que a crise de escassez de divisas em Moçambique é real e antiga, apesar das garantias do Banco de Moçambique em sentido contrário. Segundo o analista, o problema reside no mercado formal, onde os agentes económicos enfrentam dificuldades para aceder às moedas estrangeiras. Esta limitação tem levado à migração das operações para o mercado informal, que hoje movimenta a maior parte das divisas no país.

A situação, acrescenta, está a afectar directamente o funcionamento de sectores estratégicos como a aviação e o turismo, exemplificada pela recente decisão da Emirates de suspender a emissão de bilhetes em Moçambique, devido à impossibilidade das agências de viagem transferirem receitas para o exterior.

“O desalinhamento entre a taxa de câmbio oficial e a praticada no mercado paralelo é a principal causa do problema. Enquanto o banco central fixa o dólar em torno de 63 meticais, no mercado informal o valor chega a 74 ou 77 meticais, criando um incentivo especulativo. Este diferencial encoraja bancos comerciais e outros agentes a direccionarem as divisas para o circuito informal, onde obtêm margens de lucro superiores”, explica.

O economista entende que, sem um realinhamento gradual da taxa de câmbio, continuará a haver fuga de divisas e fragilidade no sistema financeiro, com consequências directas sobre a actividade económica e a previsibilidade dos sectores produtivos.

“O Banco de Moçambique deve liberalizar a taxa de câmbio, permitindo que esta reflicta mais fielmente a realidade do mercado. Embora reconheça que essa medida possa provocar uma subida da inflação e do serviço da dívida externa. A escassez de divisas reduz a capacidade de importação, cria carência de bens e serviços e, inevitavelmente, leva ao aumento dos preços”, sublinha o economista.

Em 2024, Moçambique havia bloqueado 127 milhões de dólares das companhias ao nível do mundo. A região da África e do Oriente Médio (AME) é responsável por 85% do total de fundos bloqueados, equivalentes a 1,1 mil milhões de dólares.

PERDÃO DE JUROS DA DÍVIDA COM A CHINA PODE AMAINAR A SITUAÇÃO

Apesar do cenário preocupante, Edgar Chuze reconhece como positiva a decisão da China de perdoar os juros da dívida moçambicana e financiar parte do Orçamento do Estado, por aliviar temporariamente a pressão sobre as reservas cambiais. Contudo, deixa um aviso: “Nada é dado de graça nas relações bilaterais.” Para o economista, o país deve assegurar que o perdão da dívida não acarrete custos políticos ou económicos superiores ao benefício imediato.

Chuze defende ainda medidas urgentes e transparentes para restaurar a confiança no sistema financeiro e travar a degradação da economia moçambicana.

Chamado a reagir ao assunto, o economista Gift Essinalo alerta que o alívio que poderá sair deste perdão de dívida deve ser usado para a recuperação económica.

“O perdão de juros da dívida concedido pela China deve servir para criar espaço fiscal e estimular a economia, e não para contrair novas dívidas. Caso contrário, o país arrisca-se a ver a sua classificação financeira degradada e perder a confiança dos investidores internacionais”, advertiu.

O grupo CFAO Mobility Mozambique, representante oficial das marcas Toyota, Suzuki e Hino, lançou, na quinta-feira, a primeira pedra da sua nova sede em Maputo. O projecto, com duração estimada de 12 meses, visa consolidar a operação da marca em Moçambique, elevando os padrões de atendimento, pós-venda e eficiência operacional. O investimento, na ordem dos 10 milhões de dólares, reflecte o compromisso do grupo com o desenvolvimento económico, social e urbano da capital, acompanhando a expansão já em curso da sua rede nacional.

Com dois pisos e mais de 27 mil metros quadrados, o novo complexo incluirá um novo showroom de viaturas novas Toyota, outro de viaturas usadas, uma oficina de última geração, lojas de Peças Genuínas Toyota, áreas técnicas e zonas verdes. O projecto privilegia processos mais flexíveis, maior conforto para clientes e colaboradores, e soluções de eficiência de recursos, como iluminação técnica optimizada e mobiliário e equipamentos mais modernos.

Como parte integrante deste projecto, estão também em curso obras de requalificação das vias de acesso às futuras instalações, com o objectivo de melhorar significativamente a mobilidade dos clientes, colaboradores e da população local. Paralelamente, está a ser desenvolvido um sistema de escoamento seguro de águas pluviais, abrangendo tanto o edifício como a via pública. Esta iniciativa visa mitigar os riscos ambientais associados à erosão, contribuindo directamente para a promoção de condições de vida mais seguras e dignas para a comunidade envolvente.

“Com esta nova sede, damos um passo decisivo para servir melhor os nossos clientes, sempre de acordo com os padrões técnicos de referência da marca Toyota. É um investimento na qualidade do serviço e no futuro da mobilidade em Moçambique. O grupo CFAO acredita no nosso mercado e, apesar de vivermos períodos menos bons, continuamos a investir. Esta infra-estrutura materializa a nossa visão de crescimento sustentado, combinando tecnologia, excelência operacional e um design moderno, permitindo oferecer aos colaboradores e clientes mais conforto e eficiência nos nossos serviços”, considera Henrique Bettencourt, Director-geral da CFAO Moçambique.

O grupo CFAO Mobility está presente em Moçambique com dois showrooms, duas oficinas e duas lojas de Peças Genuínas Toyota em Maputo, e mais recentemente na Matola. Presente em todas as províncias, através de uma rede nacional de Centros de Serviços Autorizados Toyota (CSAs), com técnicos certificados e equipamentos de alta performance, assegurando assim um serviço de excelência, maior proximidade ao cliente, prazos de atendimento reduzidos e a qualidade Toyota, onde quer que esteja.

O Município de Nampula perde cerca de um milhão de meticais por mês devido à venda informal, com bancas vazias nos mercados municipais e ruas transformadas em centros de comércio desordenado. A autarquia aponta perdas significativas de receita e anuncia medidas para inverter o cenário, numa altura em que a Procuradoria provincial intensifica a pressão e a ameaça com sanções caso o município não actue com urgência.

O comércio informal na cidade de Nampula tornou-se num dos maiores desafios da governação local, com impactos directos na economia municipal, na segurança e na imagem urbana. De acordo com o vereador da Salubridade e Gestão Funerária, Assane Ussene, o a edilidade perde cerca de um milhão de meticais por mês, resultado da existência de bancas vazias e da resistência de muitos vendedores em ocupar os mercados formais. Esta perda de receita tem consequências imediatas: compromete o pagamento de salários, a recolha de resíduos, a reabilitação de vias de acesso e o funcionamento regular dos serviços municipais.

O vereador admite, ainda, que a escassez de receita limita investimentos em sectores como saúde, saneamento, educação e infra-estruturas. “Se tivéssemos mais receitas, poderíamos construir mais maternidades, adquirir mais equipamentos para manutenção de estradas e intervir simultaneamente em vários bairros”, destacou o vereador, alertando que a actual situação compromete o desenvolvimento previsto no plano quinquenal do município.

Estima-se que mais de dois mil vendedores ambulantes ocupem diariamente as principais avenidas da cidade, como a Paulo Samuel Kankhomba, a zona dos bombeiros e as imediações do Mercado Central, preferindo os locais de maior movimento. O centro urbano tornou-se o ponto de concentração de quem procura vender, de quem compra e também de quem sobrevive do improviso, mas o preço é alto. As ruas estão congestionadas, o ambiente é caótico e aumentam os relatos de furtos e agressões. 

“A nossa estimativa aponta para uma perda na ordem de um milhão de meticais por mês só por causa do mercado de Namicopo”, afirmou o vereador, explicando que esta receita perdida “acaba por afectar directamente o funcionamento da autarquia e atrasar projectos essenciais”, refere o vereador que falava no programa Manhã Informativa da STV.

O município reconhece que o desemprego é um dos principais factores que empurram os jovens para o comércio informal, mas sublinha que o problema está na desorganização e na ocupação indevida das vias públicas. “Precisamos de espaços próprios, ordenados e seguros, que garantam dignidade tanto para os vendedores como para os cidadãos”, afirmou Ussene.

Entre as medidas anunciadas, destacam-se o reforço do uso dos mercados existentes, como o de Namicopo, com capacidade para cerca de 300 vendedores, e a requalificação do mercado do Matadouro, preparado para acolher novos comerciantes. O mercado grossista do Waresta, apontado como um dos pontos mais críticos da cidade, também será alvo de um estudo com vista à sua reestruturação, tornando-o num espaço digno e funcional que sirva não apenas Nampula, mas também as províncias de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia.

Enquanto o município tenta organizar o comércio, a Procuradoria Provincial apertou o cerco. Pela terceira vez, intimou a edilidade a retirar os vendedores das ruas, sob pena de incorrer em sanções por desobediência. A edilidade reconhece a legitimidade da intervenção e diz estar também preocupada, mas defende uma abordagem negociada. “Encara­mos a acção da Procuradoria como um esforço conjunto para resolver um problema que também é nosso. Estamos a trabalhar com base na sensibilização e na criação de comissões que vão calendarizar as actividades para resolver esta questão (…) sem violência”, disse o vereador.

Ussene sublinha que a actual gestão quer romper com práticas do passado, em que a força foi usada para retirar vendedores, gerando tumultos e destruição. “Não queremos violência; queremos que a população compreenda os seus direitos e deveres de viver numa cidade organizada”, frisou, acrescentando que o processo envolverá líderes comunitários, religiosos, a Polícia da República de Moçambique e os próprios encarregados de educação. “Quem é pai ou encarregado de um jovem vendedor deve encorajá-lo a procurar um espaço adequado, porque a via pública é perigosa tanto para ele como para a cidade.”

A edilidade aposta ainda no Fundo de Desenvolvimento Local, criado para financiar projectos de empreendedorismo juvenil. O objectivo é oferecer alternativas reais à economia informal e reduzir o número de vendedores nas ruas. “Queremos que os jovens apresentem projectos, recebam financiamento e criem os seus próprios postos de trabalho, empregando outros no processo”, explicou Ussene.

O desordenamento do comércio informal, segundo o vereador, é mais do que um problema económico: é uma ameaça à segurança, à mobilidade e ao futuro da cidade. “Algumas pessoas já evitam o centro com medo de serem roubadas ou agredidas”, lamentou. Por isso, o município quer devolver a ordem e a confiança à cidade, apostando numa transição gradual e inclusiva. “A violência destrói, cria ódio e inimizade. A via da sensibilização é mais sustentável, porque quando as pessoas compreendem as razões, agem de forma consciente”, concluiu Ussene. O desafio que se impõe à edilidade é equilibrar a urgência imposta pela Procuradoria com a necessidade de planear uma solução justa e sustentável. 

A pobreza poderá atingir mais de 1,6 milhão de moçambicanos até 2050 se não forem feitos investimentos na resiliência climática. O alerta do Banco Mundial foi lançado hoje pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá.

Moçambique está entre os 10 países do mundo mais vulneráveis a eventos climáticos extremos. Nos últimos 35 anos, o país sofreu 52 desastres naturais, incluindo 14 ciclones tropicais e de 2000 a 2019, posicionou-se como o 5º país mais afectado.

Diante dos desastres, cada vez mais frequentes no território nacional, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, fez soar um alarme do Banco Mundial, segundo o qual, a falta de investimento pode aumentar a pobreza.

“O desafio que temos diante de nós é imenso. Para atingir a resiliência climática do capital humano físico e natural plena até 2030, segundo estimativas do Banco Mundial, Moçambique precisa de mobilizar 37,2 mil milhões de dólares. Se não o fizermos, mais de 1,6 milhões de moçambicanos poderão ser empurrados para a pobreza até 2050 devido aos impactos combinados de choques climáticos e degradação ambiental”, avisou Salim Valá. 

O ministro da Planificação e Desenvolvimento diz que os números não são só estatísticas. São vidas, são famílias, o futuro das crianças e dos adolescentes e dos jovens moçambicanos. 

Para evitar os referidos danos, o Governo lançou a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-234 que prevê a exploração de mecanismos de troca de dívida por clima, à semelhança de países como Cabo Verde. 

Segundo Valá, Cabo Verde trocou sua dívida soberana por accção climática, convertendo obrigações financeiras em investimentos para transição energética e investiu parte dos recursos em fundos nacionais de resiliência, tendo combinado sustentabilidade financeira e autonomia de desenvolvimento.

“O mercado de carbono já começa a posicionar Moçambique como líder regional, fruto da parceria com a African Carbono Marketing Initiative que prepara o lançamento da activação do mercado de carbono. Da mesma forma, a recente troca da dívida com a Bélgica que converteu 2,4 milhões de euros em investimento climático é um exemplo tangível de como a diplomacia económica pode gerar impactos ambientais e sociais positivos”, disse Valá.

Bélgica e Reino Unido estão disponíveis para apoiar Moçambique no acesso ao financiamento para investir no clima, mas sugerem a inclusão do sector privado.

De acordo com Delphine Perremans, embaixadora do Reino da Bélgica, é importante dispor das ferramentas necessárias para envolver o sector privado, bem como implementar reformas para criar um ambiente favorável. Por seu turno, Domonic Ashton, alto comissário adjunto do Reino Unido faz sugestões.

“Para se destacar, Moçambique deve reforçar a qualidade técnica dos seus projectos e demonstrar clareza, estratégia e fortalecer a capacidade institucional para gerir fundos através de reformas que promovam a transparência e gestão financeira sustentável”, afirmou o diplomata britânico.

Estimativas do Banco Mundial apontam ainda que o impacto das mudanças climáticas poderá levar a uma redução de 4% a 14% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique entre os anos 2040 e 2050.  

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) deu início à fase 2 do projecto de reabilitação da Central Sul (RS2), no âmbito do seu programa de modernização e reabilitação do complexo hidroeléctrico, integrado no Plano de Investimentos “CAPEX Vital 10 Anos”.

De acordo com o Presidente do Conselho de Administração da HCB, Tomás Matola, “este projecto tem como principal objectivo melhorar a eficácia e a eficiência dos equipamentos responsáveis pela produção e transporte de energia eléctrica, assegurando a sustentabilidade, fiabilidade e competitividade do sistema de geração”.

Com a implementação do RS2, a HCB prevê aumentar em 90 megawatts (MW) a potência total de produção da Central Sul, elevando a capacidade de cada um dos cinco grupos geradores de 415 MW para 433 MW. O incremento vai reforçar o fornecimento de energia à região, apoiando o crescimento económico, além de prolongar a vida útil operacional da central para mais de 45 anos, mitigando riscos de indisponibilidade e melhorando o desempenho do sistema de geração.

Para garantir o alinhamento sobre o escopo, metas e plano de trabalho, a HCB realizou um encontro de três dias com os parceiros do projecto — o consórcio Andritz Hydro, os consultores técnicos da SIJV (Sweco e Intertechne Joint-Venture) e a Fichtner — empresas com larga experiência em matéria de hidroeléctricas.

O RS2 integra os esforços contínuos da HCB para inovar e fortalecer o sector energético nacional, assegurando que o complexo hidroeléctrico se mantenha operacional e estruturante, mesmo após 50 anos de existência.

O plano de implementação prevê a reabilitação anual de cada um dos cinco grupos geradores, incluindo substituição de equipamentos e posterior colocação em serviço. Para colmatar o défice temporário de produção, a HCB prioriza dois novos projectos estratégicos: a Central Norte de Cahora Bassa, com capacidade instalada de 1245 MW (três grupos de 415 MW cada), e a Central Solar Fotovoltaica, estimada em 400 MWac, ambas na Província de Tete.

Estas infra-estruturas reforçarão a produção de energia renovável, reduzindo a dependência hídrica e promovendo a sustentabilidade, consolidando a posição da HCB como um dos maiores produtores de energia hídrica da África Austral.

A câmara de comércio Moçambique-Portugal apela ao Governo a criar um ambiente mais favorável ao investimento estrangeiro e a acarinhar as iniciativas que promovam mais a exportação. O apelo foi feito pelo presidente do órgão, João Figueiredo, durante a celebração dos 15 anos da agremiação. 

A Câmara de Comércio Moçambique-Portugal reuniu empresários associados e não só,  o Governo e demais gestores empresariais, num jantar de celebração dos 15 anos da agremiação. 

O órgão, fundado para facilitar a interacção entre empresários dos dois países lusófonos,  sofreu, ao longo do tempo, metamorfoses que, no entender do actual Presidente, João Figueiredo, foram cruciais para o que hoje representa para as duas economias.

João Figueiredo aponta a crise de divisas como um dos desafios da actualidade que exige acções mais enérgicas.

O ministro da economia, uma das presenças destacadas no evento, aponta a cadeia de valor do turismo como carenciado e prioritário para investimento. Contudo, Basílio Muhati reconhece o papal das empresas portuguesas na economia nacional.

Os empresários  querem que o órgão seja mais actuante.

Os 15 anos da  câmara de Comércio Moçambique-Portugal foram marcados pela a entrega de diplomas de reconhecimento pelo apoio dado ao organismo, nomeadamente ao BCI, o intelec holding e ao

Economistas Egas Daniel, Clésio Foia e Júlio Saramala defendem que o Governo deve persistir na cobrança de mais-valias à Galp, de forma a evitar que outras multinacionais adoptem a mesma postura de recusa de pagamento destes impostos. Os especialistas, que falavam durante o programa O País Económico desta quinta-feira, na STV, alertam ainda para a necessidade de melhorias na legislação fiscal.

O economista Egas Daniel salienta que a tributação sobre as mais-valias geradas na venda de activos é uma prática normal e prevista pela legislação fiscal, tanto em Moçambique como internacionalmente. Segundo ele, “quando o valor de venda de um activo é superior ao valor contabilístico, este diferencial é tributável”, reforçando que a cobrança da Autoridade Tributária à Galp se encontra dentro das normas. Egas acrescenta que Moçambique é historicamente pouco exigente na arrecadação deste tipo de imposto, o que torna a cobrança actual legítima e coerente com padrões internacionais.

Como primeira situação ilustrativa, Egas explica: “Se eu comprei um activo a determinado valor e o vendo por um valor superior, há um ganho, chamado mais-valia, sobre o qual incide imposto”. Salienta que esta operação é comum em todo o mundo e segue uma lógica simples: o Estado deve tributar o lucro gerado pela diferença entre o preço de aquisição e o valor de venda, garantindo que os recursos retornem à população e ao Tesouro.

Apesar disso, Egas alerta para os riscos da arbitragem internacional, lembrando que “a pressão desta queixa internacional pode fragilizar a posição do Estado moçambicano perante multinacionais com grande poder económico”. Como segunda situação, menciona que, mesmo após a Galp ter transferido os seus activos, o Governo poderá enfrentar dificuldades práticas na execução da cobrança.

Por fim, Egas sublinha a importância de uma actuação firme do Estado, afirmando que “a postura da Autoridade Tributária e a aplicação da legislação nacional conferem segurança e legitimidade ao processo”. Para ele, manter a coerência normativa e cobrar correctamente as mais-valias protege a soberania fiscal de Moçambique, evita precedentes perigosos e garante que os recursos provenientes de operações de exploração de gás beneficiem efectivamente a população, reforçando a confiança interna e internacional no regime fiscal do país.

O economista Júlio Saramala destaca que a questão central da disputa entre a Galp e a Autoridade Tributária (AT) não é a cobrança do imposto sobre mais-valias, pois “existem claramente bases legais, já com histórico”, incluindo regimes específicos de tributação e benefícios fiscais em operações petrolíferas. Para ele, o principal ponto de divergência reside na metodologia de cálculo da base tributável, já que o Estado pode considerar o valor bruto da operação, enquanto a Galp defende uma base líquida, deduzindo empréstimos e investimentos amortizados. Esta diferença metodológica pode gerar uma taxa efectiva distinta da taxa nominal prevista na lei.

Como primeira situação, Saramala menciona a primeira parcela recebida pela Galp, no valor de cerca de 880 milhões de dólares: “Em termos numéricos, a tributação deveria aplicar-se estritamente ao valor já recebido da Galp”. Ele sublinha que, mesmo considerando valores futuros da Coral Norte, a cobrança sobre o montante já recebido deve ser clara e imediata, para evitar atrasos na arrecadação e assegurar a aplicação consistente da legislação fiscal.

O economista alerta ainda para os riscos de recorrer a instâncias internacionais, lembrando que, “se já existe, neste momento, uma empresa portuguesa a ter de recorrer a instâncias internacionais, isso demonstra que, futuramente, outras empresas poderão agir com maior cautela e exigir garantias adicionais”. Como segunda situação, aponta que tal prática poderá levar outras multinacionais a adoptarem medidas de protecção, como seguros ou garantias suplementares, antes de investir em Moçambique, evidenciando a necessidade de proteger a soberania fiscal e evitar precedentes que fragilizem a posição do Estado.

Saramala reforça que os ganhos das operações devem beneficiar a população moçambicana e que a legislação nacional precisa de ser aplicada de forma transparente. “Independentemente de esta alienação ter ocorrido dentro ou fora do país, a lei é clara: deve haver uma mais-valia que beneficie a população moçambicana.” Considera positiva a postura do governo, mas enfatiza a necessidade de prever possíveis disputas futuras, garantindo segurança jurídica e previsibilidade para investidores e para o Estado.

Já Clésio Foia destaca que a questão central da disputa entre a Galp e o Estado moçambicano não é o valor da venda dos direitos de exploração, mas sim a matéria colectável, ou seja, a diferença entre o valor da venda e os custos nos quais a empresa declara ter incorrido. O Estado moçambicano questiona a validade de certos custos, receando que uma sobrevalorização conduza a uma tributação mínima sobre as mais-valias, afectando a arrecadação e a soberania fiscal.

Como primeira situação, Foia cita precedentes de operações bem-sucedidas que beneficiaram o Estado: em 2017, a venda de acções da ExxonMobil à ANI gerou 350 milhões de dólares em mais-valias, e da Anadarko à Total que resultou em cerca de 800 milhões de dólares para o tesouro moçambicano. Estes casos demonstram que, quando a legislação fiscal é aplicada correctamente, o Estado assegura receitas significativas, reforçando a necessidade de tributação adequada das mais-valias da Galp.

O economista alerta, também, para o risco de pressões externas e disputas internacionais. Como segunda situação, menciona que “a Galp poderia recorrer a arbitragem internacional sob alegação de protecção a investidores não residentes, pressionando o Estado moçambicano e criando precedentes perigosos. Esta estratégia poderia permitir que futuras multinacionais minimizassem a tributação ou transferissem ganhos para fora do país, sem contrapartidas em tecnologia ou investimento local, prejudicando a arrecadação e a soberania fiscal”.

Por fim, Foia defende a flexibilização da certificação de custos e a definição clara de regras fiscais. Salienta que “sem flexibilidade e clareza, as multinacionais poderiam inflacionar custos, reduzindo a matéria colectável e comprometendo receitas”. Para ele, a aplicação rigorosa da legislação, a resistência a pressões externas e a previsão objectiva do guião fiscal são essenciais para preservar a soberania fiscal, garantir a justa contribuição das multinacionais e fortalecer o desenvolvimento da indústria de gás e outros recursos naturais em Moçambique.

O Instituto de Amêndoas de Moçambique realiza, nesta sexta-feira, a I Sessão do Comité de Amêndoas, na Cidade de Maputo. A sessão tem como objectivo central definir o Preço de Referência de compra da castanha de caju ao produtor para a Campanha de Comercialização 2025/26.

Com a iniciativa, pretende-se garantir uma remuneração justa e sustentável aos actores da cadeia de valor do caju.

A reunião, orientada por Momade Juízo, secretário de Estado do Mar e Pescas, procurará alcançar consenso sobre o preço a ser praticado a nível nacional, tendo em conta a avaliação dos custos de produção (mudas, mão-de-obra, insumos, colheita, transporte e armazenamento) e os custos de processamento industrial.

De acordo com um comunicado do instituto, no evento, vai-se partilhar o desempenho da Campanha de Comercialização 2024/2025 e fazer o prognóstico da produção para a Campanha 2025/2026.

Irão participar na sessão, membros do Conselho de Técnico do Instituto e outros actores da cadeia de valor de amêndoas nomeadamente: produtores, comerciantes, processadores, sindicatos, representantes dos Ministérios da Indústria e Comércio, Economia e Finanças, convidados do sector público e parceiros de cooperação.

O Estado diz que a Galp deverá pagar cerca de 336 milhões de dólares pela venda de seus activos em Moçambique e alerta que o valor pode vir a subir. A Autoridade Tributária acusa a empresa de agir com falta de idoneidade. 

Assim, um braço de ferro está instalado entre as empresas Galp e o Estado moçambicano, representado pela Autoridade Tributária de Moçambique. 

Em causa está um diferendo pela venda das participações da multinacional à Abu Dhabi National Oil, na área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

Como resultado da venda, as empresas Galp devem pagar uma quantia global de cerca de 336 milhões de dólares, divididos em duas partes, nomeadamente: a primeira, equivalente a 175.9 milhões de dólares, que já deviam ter sido pagos, referente à venda das participações no projecto Coral Sul, que exporta gás natural desde o ano de 2022; a segunda, equivalente a 160 milhões de dólares, que dependem de duas decisões finais de investimento: uma tomada na semana passada, do projecto Coral Norte e outra por ser tomada, pelo projecto Rovuma.

Os valores a serem pagos são referentes a impostos devidos pelo ganho adquirido pelas empresas Galp no negócio em causa, quantias que para a multinacional portuguesa são absurdas, por isso não fez o pagamento.

Por não encontrar elementos que justifiquem a reclamação e por violar prazos, a Autoridade Tributária determinou que o pagamento deverá ser coercivo.

“Dentro do prazo previsto para o pagamento do imposto liquidado (de cerca de USD 175,9 milhões), o mesmo não foi efectuado, tendo, deste modo, sido virtualizada a dívida para efeitos de cobrança coerciva que corre os seus termos legais”, refere a Autoridade Tributária de Moçambique em comunicado.

Na nota, a administração tributária avança ainda que “no decurso da execução, as empresas deduziram embargos de executados tendo ainda interposto recurso contencioso junto do Tribunal fiscal da cidade de Maputo, onde apresentaram uma garantia que foi considerada, pela administração tributária, não idónea”.

Diante dos factos, a decisão da Autoridade Tributária mantém-se e as empresas Galp decidiram recorrer à arbitragem internacional e aguardam-se os resultados.

Num passado recente, negócios do género foram feitos e empresas envolvidas em consórcios similares aos que as firmas Galp pertenciam fizeram pagamentos.

Por exemplo, em 2017, o Estado encaixou 350 milhões de dólares de mais-valias resultantes da venda das participações em Moçambique da empresa italiana Eni à multinacional norte-americana Exxon Mobil no projecto de gás.

Outro encaixe de mais-valias do Estado moçambicano, de cerca de 880 milhões de dólares, foi referente à venda das participações da Anadarko à Total.

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