O País – A verdade como notícia

Dominguez, Mexer e Reinildo deixam a selecção nacional

Os três capitães dos Mambas, Dominguez, Mexer e Reinildo Mandava anunciaram o encerramento do seu ciclo na selecção nacional, ao fim de mais uma campanha no Campeonato Africano de Futebol (CAN-Marrocos 2025). Ícones da selecção nacional, os três jogadores marcaram uma geração que sonhou e sempre procurou algo maior para Moçambique. 

 Após o jogo contra a Nigéria, Reinildo Mandava tomou a palavra para anunciar a sua despedida dos Mambas, ao cabo de 12 anos vestindo as cores da bandeira de Moçambique, com muita responsabilidade e amor à selecção. 

Referência obrigatória, sobretudo para a nova geração, Mandava falou não como quem sai, mas como quem entrega o testemunho, sublinhando a honra e o peso que é envergar a camisola dos Mambas, deixando um legado de união, ambição e compromisso que ultrapassa resultados e continuará a orientar o futuro da Selecção Nacional de Moçambique.

 “Este foi o meu último jogo, a minha última campanha. Agora é tempo de dar força aos mais novos. A Selecção sempre foi uma terapia para mim. O meu coração estará sempre aqui”, sentenciou Reinildo Mandava.

Quem também anunciou a sua retirada é Mexer, um dos maiores rostos  da selecção nacional, que no seu discurso dirigido aos seus colegas, equipa técnica e direcção da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) deixou uma mensagem de esperança e responsabilidade. 

“Com esta geração vamos fazer coisas bonitas, acreditem. Eu, o Reinildo e o Dominguez partimos daqui, mas a Selecção Nacional continua. Corram sempre uns pelos outros, ainda que tenham desavenças fora do campo. Muito obrigado por estes anos, por partilharem este momento. Amamos todos vocês e vou sentir muita falta”, disse Mexer. 

 Ao cabo de mais de 20 anos envergando a camisola do Mambas, Dominguez, parco em palavras, anunciou o fim de um ciclo marcado por desafios, sonhos e conquistas.  O “puto maravilha” resumiu uma vida inteira dedicada à Selecção Nacional numa única expressão de gratidão. Não houve discurso longo, nem frases ensaiadas, apenas o silêncio pesado de quem deu tudo pelo país, de quem carregou a braçadeira com honra em momentos bons e difíceis.

A sua despedida foi o retrato mais puro do amor à pátria: contida, sincera e profundamente humana, capaz de tocar todo um balneário e de ficar gravada na memória de uma geração.

 O Seleccionador Nacional, Chiquinho Conde, não escondeu a dificuldade do momento, assumindo-o como um dos mais duros da sua liderança. 

“Foi tudo surpreendente. Tenho conversado várias vezes com o Reinildo e fiz de tudo para que isto não acontecesse. Se eu estou aqui é porque eles também quiseram. É um golpe duro, é como perder um membro da família”, confessou.

Num discurso profundamente humano, o técnico destacou que mais do que jogadores, Dominguez, Mexer e Reinildo são homens que marcaram o grupo. 

“Tudo o que sei como treinador aprendi convosco. Foram sempre dignos de representar uma nação. Aos mais jovens, peço que segurem este legado, porque ainda há muito por fazer. A minha admiração por vós nunca se vai perder”, anotou. 

 O Vice-Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Paito Mucuana, manifestou o sentimento nacional. 

“É um momento de gratidão. Estamos tristes, mas profundamente orgulhosos daquilo que os Mambas fizeram. O país está orgulhoso. Conseguiram o que muitas gerações não conseguiram”, disse.  

O dirigente apelou ainda ao Reinildo para que reconsiderasse a sua decisão, reconhecendo a sua juventude e o peso desportivo e simbólico da sua presença.

 Dominguez, Mexer e Reinildo saem como referências de compromisso, sacrifício e liderança. A sua despedida não encerra apenas um ciclo competitivo, encerra um capítulo de identidade, união e ambição que redefiniu o lugar de Moçambique no futebol africano.

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos