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Dívida em África desce, mas ainda é maior que a despesa pública

A ONU estima que o rácio da dívida pública sobre o PIB na média dos países africanos caia ligeiramente, este ano, para 62,1%, um valor, ainda assim, insuficiente para garantir o necessário investimento público.

A região do norte de África lidera o índice dos maiores rácios de dívida face ao PIB, com 76%, seguida da África Austral, onde está Angola e Moçambique, com 70,7%, sendo a África Oriental a região menos endividada, com uma dívida pública que está nos 39,2% do PIB, de acordo com a Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) .

Segundo a  UNECA, citada por Lusa,  a dívida pública em África deverá descer de 62,5%, no ano passado, para 62,1%, este ano, depois de, em 2023, ter chegado aos 67,3%, mas esta queda não chega para eliminar a crise da dívida que muitos países da região enfrentam.

“Apesar da ligeira queda, os níveis de dívida ainda estão elevados e são comparáveis aos valores registados antes das iniciativas de alívio da dívida, em meados dos anos 2000”, lê-se no Relatório Económico sobre África (REA), divulgado na sequência da conferência dos ministros das Finanças africanos, que decorreu este mês na capital da Etiópia, Adis Abeba.

No documento, os peritos da ONU escrevem que a política orçamental está a voltar ao normal, mas alertam para “significativos pagamentos de dívida este ano, com os desafios financeiros actuais a obrigarem os países a reduzirem despesas públicas essenciais e a direcionarem recursos para o serviço da dívida”, o que perpetua o ciclo de endividamento.

Os custos de servir a dívida deverão ter chegado a 163 mil milhões de dólares, mais 12% do que no ano anterior, diz a UNECA, salientando que apesar de 2024 dever ter marcado o ano de pagamentos mais altos, “os valores vão continuar bem acima dos níveis anteriores à pandemia da Covid-19, a curto e médio prazo”.

A instituição refere ainda “as vulnerabilidades a permanecerem elevadas, demonstradas pelas elevadas taxas de juro, volatilidade das finanças públicas, acumulação de atrasos nos pagamentos e um prolongado impacto dos choques externos”.

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