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Diálogo entre real e imaginário marca exposição no Banco de Moçambique

O Museu Banco de Moçambique, na cidade de Maputo, acolheu a exposição temporária “Diálogo das Paisagens de Jacob e Mucavele”, que reúne 12 obras de pintura de dois nomes de referência, Jacob Macambaco, a título póstumo, e Estêvão Mucavele. 

A inauguração da exposição temporária “Diálogo das Paisagens de Jacob e Mucavele” surge numa iniciativa que cruza as diferentes abordagens técnicas destes autores e destaca o contributo das artes plásticas para a identidade cultural moçambicana. 

Jacob Macambaco é reconhecido como um dos primeiros artistas plásticos negros do País e as suas criações são inspiradas em locais onde viveu e que percorreu, transformando memórias e observações directas em narrativas visuais marcantes. 

Ao lado de Macambaco, Estêvão Mucavele apresenta um estilo distinto, marcado por cenários imaginários e pela liberdade criativa. As suas obras exploram uma dimensão mais poética e abstracta da paisagem, criando um contraste que enriquece o diálogo artístico da exposição.

Segundo os organizadores, a iniciativa visa valorizar o papel dos artistas e aproximar o público das artes. “É uma celebração das artes e uma forma de fazer as pessoas perceberem o valor destes artistas, sobretudo para encorajar aqueles que continuam a produzir”, destacou Felisberto Tlhemo, Curador da exposição.

Para Languana, presidente do Núcleo de Arte, a exposição evidencia ainda a complementaridade entre os dois estilos. “Estamos a ver paisagens de diferentes formas: o Macambaco com uma abordagem mais rural e o Estêvão com uma visão mais criativa. No fundo, fundem-se numa só paleta”, afirmou. 

Trata-se de uma iniciativa do Banco de Moçambique, que reforça o compromisso desta instituição com a promoção das artes nacionais. O banco central já promoveu 3 exposições temporárias no Museu Banco de Moçambique e prevê realizar mais 2 até ao final deste ano. 

Estevão Mucavele, actualmente com 85 anos, considerou o reconhecimento significativo e aproveitou a ocasião para incentivar as novas gerações. “Não pensava que a minha obra pudesse estar aqui tão bem-apresentada. Os jovens devem trabalhar mais e apostar na arte”, apelou. 

Além das obras do Banco de Moçambique, fazem parte da exposição 5 obras de um coleccionador anónimo. A exposição está patente até ao mês de Maio.

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