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Dez pessoas da mesma família morrem afogadas na Ilha Josina Machel 

Dez pessoas da mesma família morreram afogadas ao tentar sair da ilha Josina Machel, em busca de um lugar seguro para estar. Centenas de pessoas continuam a ser resgatadas diariamente e há quem até hoje ainda não teve o resgate e é seu sétimo dia dentro da água. 

A cada cinco minutos um helicóptero pousa no campo do Posto Administrativo 3 de Fevereiro no distrito da Manhiça, para transportar a face triste das cheias que assolam o país. São crianças no colo das suas mães, outras carregadas por voluntários, idosos que mal conseguem andar e trazem consigo trouxas, mas acima de tudo carregam muita dor e luto. 

As mulheres aqui choram não de emoção por terem sido salvas, mas, porque mais do que perder tudo nas águas, perderam membros das suas famílias. Não foi um, não foram dois e nem três, mas de uma só vez, 10 pessoas morreram. 

“Perdi 10 pessoas”. Estavam a bordo de um barco a tentar atravessar, mas o mesmo naufragou e todos morreram. São dois filhos, um deles tem 18 anos de idade, o outro tem 13 e alguns netos filhos”, disse  Julieta Matsolo, uma Vítima.       

As vítimas contam que de onde vêm a água está no nível do peito. São pessoas que estiveram dentro da água por seis dias. Chegaram ao centro de acolhimento completamente molhadas, com água a escorrer pelo cabelo e roupas e a tremerem sem parar. 

Cada relato, uma história que até chega a ser difícil de acreditar. Como pode alguém viver seis dias dentro d’água e com crianças?! “Colocaram blocos até ao nível do tecto para conseguirmos dormir com as crianças. Colocaram blocos também para conseguirmos cozinhar”, conta uma vítima.    

Neste processo de resgate, há crianças que chegam sozinhas e não sabem onde estão seus pais. “Saí há muito tempo para cá e vim ver se posso encontrar alguém da minha família. Hoje consegui localizar o meu neto e pedi para levá-lhe, porque estava sozinha”, partilha Olívio José, outra Vítima .  

Um outro aspecto chama atenção… neste campo há muita gente. Aparentemente meros espectadores que querem ver o show dos helicópteros. Mas são, na verdade, pessoas que estão aqui, há dias à espera de ver seus familiares descerem das aeronaves. 

E quando uma aeronave chega e não vêem seus familiares, vem a desilusão, mas, há quem tem sorte, e reencontrou quem esperava ver chegar há seis dias. 

Ao todo na Ilha Josina estavam mais de 600 pessoas, não há terra firme e por isso estavam todas dentro da água. Até esta quarta-feira já tinham sido resgatadas mais de 300 pessoas.

 

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