Na sua primeira intervenção, Abel Xavier disse que estava ciente do historial negativo que havia nos confrontos entre Moçambique e Zâmbia, em que nas 20 partidas oficiais anteriores os Mambas nunca tinham vencido. Mas esse historial era para ser quebrado. Embora “devêssemos respeitar esse passado”, era preciso deixar essas referências do passado “no lugar próprio”, porque, depois da vitória, o momento é mesmo para “viver e festejar”.
Festejar com pés Assentes no chão
Do ponto de vista técnico-desportivo, “que para mim é o mais importante”, diz Abel Xavier, o importante é aceitar o facto de que Moçambique só conseguiu apenas três pontos diante da Zâmbia. O técnico refere que no seu grupo de trabalho não há euforias, sendo que tanto a equipa técnica como os jogadores estão com “os pés bem assentes no chão” de que, de facto, “contam três pontos de uma caminhada longa”, aonde deverá haver a consolidação dos processos de treinamento e do crescimento da equipa, tendo em conta os indicadores obtidos nos jogos até agora realizados, nomeadamente, diante de Angola, Lesotho e Zâmbia. O seleccionador nacional assume que esses indicadores “são positivos”.
Mas para que o resultado diante da Zâmbia tenha um real significado, é necessário que na dupla jornada que se segue, nomeadamente, diante da Guiné-Bissau e da Namíbia, ambos os jogos em casa, “nos apresentemos mais fortes”, de modo a conquistarmos vitórias e darmos um passo gigantesco rumo à qualificação ao CAN-2019. O seleccionador nacional diz que “não é descabido que possamos alimentar este lado positivo”, uma vez que os indicadores que a selecção tem tido em casa, com vitórias seguidas nos últimos jogos, “também são positivos”, aliando isso ao “aglutinar da crença dos adeptos”.
Alterações motivacionais dão consistência aos Mambas
Para este sucesso que os Mambas têm tido nos últimos tempos, Abel Xavier assume que teve que fazer um trabalho de base junto dos jogadores, trazendo uma convicção de valores que mudaram a sua mentalidade. Aliás, refira-se que esta mudança iniciou logo com a chegada do luso-moçambicano ao comando dos Mambas, onde foram feitas “algumas alterações profundas e estruturantes”.
O seleccionador nacional entende que há várias componentes que são importantes no exercício de um treinador, onde não basta falar de questões técnicas, tácticas e motivacionais. Abel Xavier diz que teve que fazer um levantamento para descortinar o défice competitivo que existia ao nível da selecção nacional, “talvez aliado a questões inerentes à estrutura dos próprios clubes”, onde há uma formação que considera deficitária e que precisa de constantes mudanças estruturais, para se poder formar bons formadores capazes e competentes, de modo a alcançar etapas inerentes a altos rendimentos e à alta competição.
E foi preciso incutir nos jogadores que, no espaço da selecção, não há lugares cativos, embora haja um “respeito pelos jogadores que vêm fazendo uma brilhante carreira e que são exemplo, quando vêm para o espaço da selecção nacional, no meio de tanta juventude”, defende.
E considera que a equipa responde ao que é exigido, muito por causa da alteração do modelo de jogo, com um crescente desenvolvimento mostrado pelos jogadores. “Eu acredito que o processo que temos feito, na estrutura e no modelo de 4x4x2, pelas características dos nossos jogadores e também pela faixa etária, permite-nos ter esse sucesso que temos estado a ter”, explicou Abel Xavier, seleccionador nacional.
“Mas não é só treinar por treinar”, afirma, “de uma forma aleatória”, é preciso treinar, ver e “retreinar” sucessivas situações, para que, dentro da naturalidade, aconteçam em jogo. “Antecipamos cenários e eu penso que, neste enquadramento com outras situações a acrescer, nós conseguimos mudar um pouco a mentalidade dos próprios jogadores, um modelo de jogo e de posicionamento, onde a equipa é mais proactiva do que reactiva”, congratula-se Abel Xavier.