O País – A verdade como notícia

A Associação Black Bulls perdeu, ontem, diante do Enyimba da Nigéria, por 1-4, em jogo da quarta jornada do Grupo D da fase de grupos da Taça CAF. Num jogo em que não contou com Kadre, o representante moçambicano entrou a perder, sofrendo golo aos seis minutos. 

A Black Bulls igualou  a partida seis minutos depois, através de Ejaita. A formação nigeriana marcou mais dois golos na primeira parte, saído ao intervalo a vencer por 3-1. Na segunda parte, os “touros” não conseguiram mudar o rumo do jogo, acabando por consentir mais um golo, tendo o jogo terminado com a vitória do representante nigeriano. 

A Black Bulls, que soma quatro pontos na terceira posição, volta a jogar no próximo domingo diante do líder do Grupo, Zamalek do Egipto. 

 

Há bairros, nas cidades de Maputo e Matola, que foram obrigados a cancelar ou interromper os campeonatos recreativos devido aos protestos pós-eleitorais. Nos bairros T3, Mavalane e Mafalala, por exemplo, as provas só retomaram no fim-de-semana. Tradicionalmente, muitos bairros da cidade de Maputo e Matola têm realizado campeonatos recreativos em todos os anos. 

Geralmente, o início das provas coincide com o término dos campeonatos oficiais do país, no caso Moçambola, Taca de Mocambique e campeonatos provinciais. Os campos constituem um ponto de convergência dos amantes do futebol, oportunidade que também tem servido para entreter os jovens, assim como uma oportunidade de negócio para muitas pessoas. 

No ano passado as coisas foram diferentes por conta dos protestos pós-eleitorais, facto que condicionou a realização de algumas provas e as que, pelo menos arrancaram, tiveram, nalgum momento, de interromper.  No bairro do Bagamoyo, por exemplo, nem sequer o campeonato local denominado Futbaga arrancou, ainda que a organização do evento tivesse agendado o início para Novembro.

“Infelizmente fomos obrigados a cancelar a realização do nosso campeonato, mas por causa da situação que o país vive não foi possível. A situação está difícil. O nosso tem andado vazio por esses dias, o que em condições normais não tem acontecido”, lamenta Judice Chemane, responsável pela organização da prova. 

Por estas alturas, assegura Chemane, que o campeonato estaria na derradeira fase e já se poderia vislumbrar o campeão. Enquanto tudo continua sendo uma miragem, projecta-se a reposição dos danos causados pela acção dos protestos pós-eleitorais.

 “O nosso campo sofreu bastante a acção dos protestos. Por exemplo, foram retirados todos os pneus ao redor do campo que serviam como bancadas. Temos de recomeçarmos a fazermos a reposição, de modo a garantirmos comodidade aos adeptos”, anota.

A reposição não é apenas das bancadas destruídas. Há, também, outros danos, tal é o caso  da alegria que o campeonato criava nos adeptos que aos fins-de-semana tinham onde divertir-se.

“Esta é uma forma de entreter as pessoas e aglutinar as várias massas do bairro do Bagamoyo. Além dos adeptos, o nosso evento tem servido como oportunidade para algumas pessoas fazerem negócios”, explica.

No meio de muitas incertezas, ainda resta esperança de um possível retorno da prova. Ainda assim, só o tempo poderá encarregar-se de dar as melhores respostas.

“Estamos a acompanhar o andamento da situação sociopolítica do país. Infelizmente, só podemos esperar até que a situação volte à normalidade”.

Para Germano Sebastião, um dos fervorosos adeptos do Futbaga, a não realização do campeonato arrancou-lhe a alegria. Os seus fins-de-semana já não são os mesmos e resta-lhe recuar a máquina do tempo para desfrutar das doces memórias.

“Em todos os anos os meus fins-de-semana passados no campo onde assistia aos jogos. Faço isso há mais de 20 anos, ou seja, desde que essa iniciativa foi criada. Agora sou obrigado a ir aos outros bairros para poder ver futebol. Hoje (sábado), por exemplo, em condições normais estaria como os meus amigos a apoiar a minha equipa no meu respectivo bairro (Bagamoyo).

 

“TITANIC” QUASE AFUNDOU NO T3

No bairro T3, no município da Matola, durante um mês quase o barco afundou. O Titanic, como é designado o campeonato recreativo deste bairro, deu sinais de que resistiu à maré alta no sábado. 

O jogo  entre Tingaway, campeão em título da prova  e Relâmpago marcou o retorno da prova mas com muitos prejuízos à mistura, tal como explica Jonas Cuna, responsável pela organização da prova. 

“O término da prova estava previsto para dia 21 de Dezembro, mas por conta da situação dos protestos tivemos de parar por um mês. Fomos obrigados a redefinir as datas, pelo que o “Titanic” vai terminar no dia 25 deste mês”, lamenta.

Esse é um dos tantos revés que a paralisação da competição sofreu.  Jonas Cuna explica, por exemplo, que este facto condicionou  a realização de uma outra prova, por sinal tradicional, à semelhança do “Titanic”.

“Este mês estariamos a iniciar o campeonato Sub-20. Ora, com o atraso há incertezas quanto a realização dessa prova. Tudo indica que poderemos cancelar a prova, facto que seria doloroso para nós, como organização, assim como para os jovens jogadores”, explica.

Januario dos Santos é um dos que se ressentiram com a paragem do “Titanic”. A alegria de poder voltar a viver o ambiente electrizante do campo é enorme.

“Esta paragem prejudicou muito o campeonato, mas mesmo assim e porque os objectivos da prova devem ser alcançados, estou satisfeito com a retoma. Essas iniciativas são importantes, pois servem para ocupar os jovens”, anota. 

Os bairros do Bagamoyo e T3 são apenas dois exemplos de tantos que desportivamente sofreram o impacto dos protestos nos últimos três meses do ano passado. 

 

A União Desportiva do Songo despediu toda a equipa técnica que dirigiu o clube na época passada. Esta é a segunda vez que os “hidroeléctricos” tomam uma decisão semelhante, depois de no ano passado terem feito o mesmo. O Baía de Pemba também anunciou a saída do técnico Eurico da Conceição e do director desportivo, Artur Semedo.

Um a um, a União Desportiva do Songo foi anunciando, através da página oficial no Facebook, a saída dos treinadores que comandaram a equipa sénior de futebol na época passada, liderada pelo britânico Mark Harrison. Sem avançar os motivos, o clube limitou-se apenas em agradecer aos treinadores pelo trabalho feito.

Mas a saída da equipa técnica pode estar ligada ao fracasso dos “hidroeléctricos” na época 2024, em que falharam a conquista do Moçambola e Taça de Moçambique, apesar do investimento feito.

O clube deverá anunciar o novo treinador nos próximos dias. Através de um comunicado, o Baia de Pemba anunciou, também, o fim da ligação com o técnico Eurico da Conceição e do director desportivo Artur Semedo. A dupla conduziu o clube à segunda manutenção no Moçambola.

O mercado de transferência de treinadores no Moçambola está a intensificar. Os clubes já estão a preparar a época 2025. Akil Marcelino regressa ao Ferroviário da Beira três anos depois. 

A época 2024 do Moçambola fica para a história. Para já, o que interessa é a presente temporada da maior prova futebolística nacional. Entre sucessos e fracassos de um passado recente, os clubes já estão na linha da frente e procuram soluções para imprimir melhorias. 

O Costa do Sol foi o primeiro clube a apontar os sinais dos novos tempos e foi ao sempre e tradicional mercado português buscar Nelson Santos, treinador com fortes ligações ao clube. O técnico tem a missão de devolver o emblema canarinho ao pódio, tendo em conta que não conquista o título desde 2019. 

Recentemente, o Ferroviário da Beira anunciou a contratação de Akil Marcelino. O jovem treinador, que iniciou a sua carreira no Benfica de Macuti, regressa ao clube três anos depois. Akil conduziu o clube de Chiveve à segunda posição do Moçambola em 2021. 

Os próximos dias poderão ser determinantes para muitos clubes, que até agora ainda não definiram as suas respectivas equipas técnicas, com destaque para a União Desportiva do Songo. 

 

O seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, elogiou, numa entrevista ao jornal A Bola, as novas funções de Geny Catamo, no sistema do recém-contratado técnico do Sporting, Rui Borges.

Segundo cita A Bola, Chiquinho Conde afirma que o internacional moçambicano “Tem tudo para crescer e ser mais decisivo em zonas mais adiantadas”.

Para Conde, Geny Catamo é um orgulho do povo moçambicano.

A entrevista do seleccionar dos Mambas, que garantiu a segunda presença concecutiva no CAN, foi publicada em jeito de notícia depois de Geny Catamo ter voltado a decidir um dérbi, em Lisboa, entre o Sporting e o Benfica. 

“Pela segunda vez. Porém, com um papel diferente daquele que ofereceu na era Ruben Amorim na época passada. Desta vez, o ala direito subiu no corredor e foi aposta em zonas mais adiantadas como um extremo no sistema de 4x4x2 de Rui Borges. Uma função que, de resto, há muito desempenha na selecção de Moçambique. Nesse sentido, em conversa com A Bola, Chiquinho Conde, seleccionador moçambicano e antigo jogador dos leões, destacou a importância que poderá ter nessa nova posição”, pode-se ainda naquele jornal: “Estava convencido até que ele dissesse no flash que estava habituado a jogar ali na selecção”, escreve A Bola, “começou por dizer Chiquinho Conde, em tom de brincadeira, fazendo comparações com aquilo que pede ao leão na selecção”.

Para Chiquinho Conde, ganhar coragem num clube grande não é fácil, pois o jogador de futebol, muitas vezes, tem receio de errar e tenta fazer o mais simples. “Digo-lhe para ir além dos outros”, acrescentou Conde ao jornal.

«Dou-lhe sempre a liberdade de ele poder jogar no último terço do campo, fazer uma espécie de jogo de rua, ir para cima do adversário, romper um pouco com as regras. Muitas vezes existe um estilo-tipo, de régua e esquadro, de passa e vai, e ele pegou bem nesse pormenor. Tem esse estilo de futebol de rua e isso é já um caso raro. Confesso que me faz um pouco de confusão porque actualmente é tudo muito formatado, de toque e passe, de movimentos de roptura, e não há situações de desequilíbrio em termos individuais», escreve A Bola.

Ainda na matéria do jornal A Bola, Chiquinho Conde sublinha que “‘Todo o adversário já sabe que ele faz a finta para dentro para depois rematar com o pé esquerdo. Disse-lhe que teria de reinventar-se nesse aspecto e fazer o mesmo em dois tempos. Para fora e depois para dentro. E ele fez isso na primeira parte, com vários cruzamentos’, constatou, acreditando numa evolução: ‘A jogar ali vai ter mais chegada à área onde joga sempre na selecção. A extremo ou na posição 10. Tem tudo para crescer neste sistema. E tem essa cultura de baixar e fazer corredor todo e pode também jogar numa linha de 5 porque a tendência é ajudar na transição ataque/defesa”.

Geny Catamo voltou a ser determinante no “derby” de Lisboa entre o Sporting e o Benfica. O internacional moçambicano marcou o golo da vitória dos “leões” e o Sporting encerrou o ano na liderança da Liga Portuguesa, com 40 pontos. 

Derby de Lisboa para encerrar o ano. Estreia de Rui Borges no comando técnico do Sporting. Geny é um dado importante no xadrez e dele saiu o primeiro cruzamento, com Diamondé a não concluir da melhor maneira. 

Quenda esteve perto do golo, mas faltou-lhe inteligência em posição privilegiada. O Benfica respondeu em situação de bola parada, com Franco Israel a ser enorme. Jogador especial para momentos especiais. 

Geny Catamo voltou a ser determinante no derby lisboeta, ao responder com classe um centro de Gyokeres. Já não é novidade. Já o tinha feito em Abril deste ano contra o Benfica, em que marcou os dois golos da vitória do Sporting contra as “águias”. 

Gyokeres testou a atenção do guardião do Benfica e a resposta foi a altura. Na segunda parte o Benfica entrou melhor, criando duas oportunidades seguidas de golo, porém sem sucesso. Geny Catamo foi eleito homem do jogo. 

“Isso é resultado do trabalho de toda a equipa, que tem feito durante todo o tempo e jogo após jogo, o mais importante é que conseguimos os três pontos. Agora, é focar no próximo, porque é o mais importante, este já passou. Agora, é só desfrutar do momento”, disse Catamo. 

O Sporting encerra o ano na liderança da Liga Portuguesa, com 40 pontos. 

 

O Enyimba da Nigéria, próximo adversário da Black Bulls na Taça CAF, anunciou, oficialmente, a saída do seu treinador principal, Yemi Olarenwaju, com efeito imediato. O técnico não aguentou os maus resultados, depois de oito jogos sem vencer.

A gestão do técnico Olarenwaju no Enyimba começou em Setembro de 2022, quando foi nomeado treinador adjunto de Finidi George.

Após a renúncia de Finidi George, em Maio de 2024, o técnico Olarenwaju assumiu o cargo de técnico interino, liderando a equipa até o final da temporada. Durante o tempo que esteve no Enyimba, a dupla levou o clube ao 9º título da Premier League da Nigéria.

Nas últimas semanas, Enyimba passou por uma fase difícil, sem vitórias há oito partidas, onde somou cinco empates e três derrotas, a última delas frente a Black Bulls, para a terceira jornada da Taça CAF.

Nessa partida, realizada no Estádio Nacional do Zimpeto, os “touros” venceram por três bolas sem resposta, alcançando a primeira vitória histórica, na fase de grupos de uma competição africana de clubes.

Foi a mais longa sequência sem vitórias nos últimos 20 anos para o recordista de títulos na Nigéria.

Numa breve declaração na sua página X, o Enyimba expressou a sua gratidão ao treinador Yemi Olarenwaju pelos seus serviços e desejou-lhe o melhor nos seus compromissos futuros.

“O Enyimba FC pode confirmar que se separou do treinador Yemi Olarenwaju. O clube agradece ao treinador Olarenwaju pelos seus serviços e deseja-lhe o melhor nos seus futuros empreendimentos.” O clube escreveu.

Ele foi posteriormente confirmado como treinador principal permanente em Agosto deste ano. A procura de um novo treinador para o bicampeão africano já começou, sendo que ainda não há nomes avançados.

O Enyimba da Nigéria recebe a Black Bulls no dia 05 de Janeiro, em partida da quarta jornada da fase de grupos da Taça CAF, e até lá pode já contar com um novo timoneiro.

 

Geny Catamo e Manuel Kambala estarão em acção no último fim-de-semana do ano 2024, em partidas dos respectivos campeonatos de Portugal e África do Sul. Catamo defronta o Benfica, no derby de Lisboa, enquanto Kambala terá pela frente o Golden Arrows.

Último fim-de-semana do ano, últimos jogos, liderança em perspectiva. É assim como pensam Geny Catamo e Manuel Kambala, únicos jogadores dos Mambas que ainda tem competição este ano.

Em Portugal, o extremo moçambicano vai ter Rui Borges no banco de suplentes pela primeira vez, mas o adversário é um velho conhecido e com o qual tem boas recordações: o Benfica, em jogo marcado para este domingo.

Na época passada, Geny foi o carrasco do Benfica ao apontar dois golos que foram cruciais para a conquista do título do Sporting. Neste jogo, a ocupar a segunda posição com 37 pontos e com apenas um ponto a separar as duas equipas, os leões vão querer vencer para regressar ao topo da classificação.

Já na África do Sul, Manuel Kambala procura escalar a segunda posição, diante do Golden Arrows, em jogo da 12ª jornada. A equipa do moçambicano, o Polokwana City, é terceiro com 20 pontos, atrás do Mamelodi Sundowns, líder com 24, e Orlando Pirates, segundo com 21 pontos.

O treinador Daúto Faquirá rescindiu o seu contrato que o ligava ao Ferroviário da Beira desde o início da época de 2024. O clube e o técnico decidiram seguir rumos diferentes depois de uma época pálida da equipa na temporada passada.

Fim da linha para o luso-moçambicano no comando dos “locomotivas” de Chiveve. Daúto Faquirá não aguentou o fracasso na turma beirense e “bateu com a porta”.

Depois de encontrar a equipa com estatuto de campeão nacional de 2013, o treinador não conseguiu nenhum dos objectivos traçados pela direcção anterior, que passavam por chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos, revalidar o título de campeão nacional e conquistar a Taça de Moçambique.

De acordo com o Plantel OC, a decisão da nova direcção dos “locomotivas” do Chiveve, chefiada por Rito Almirante, já foi comunicada ao técnico luso-moçambicano.

O Ferroviário da Beira foi afastado na Liga dos Campeões ainda na pré-eliminatória, pelo Mbambane Swallows, com agregado de 1-0, para além de ter terminado na sexta posição no Moçambola-2024, com 27 pontos, a 24 pontos da campeã Black Bulls.

Naquela que seria a salvação da época, Faquirá viu-se eliminado nas meias-finais da Taça de Moçambique pelo homónimo de Maputo, por 2-1, num jogo em que até esteve a vencer.

Assim, a direcção dos “locomotivas” da Beira procura o sucessor de Daúto Faquirá, que pode ser entre Akil Marcelino, Victor Matine e Horácio Gonçalves, três nomes que estão em cima

da mesa.

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