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Desigualdades sociais são um perigo para a democracia 

O filósofo e pesquisador José Castiano diz que as desigualdades sociais em Moçambique, onde há poucos ricos e muitos pobres, são o maior perigo para a democracia, por isso propõe a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

Castiano falava durante a aula de sapiência orientada para estudantes de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane, sobre vida e obra de Luísa Diogo.

A Faculdade de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane convidou, nesta terça-feira, o pesquisador e vice-reitor da Universidade Pedagógico de Maputo, José Castiano para orientar uma aula de sapiência, em homenagem à vida e obra de Luísa Diogo. 

Durante mais de uma hora e meia, Castiano defendeu a tese de que Diogo morreu defendendo que a reestruturação económica não pode ignorar a justiça social. 

“Ela defendeu com todas as energias a questão da igualdade social, a questão do acesso à saúde, a questão do acesso à educação e aos outros benefícios. Para quem lê a “Sopa de Madrugada”, para quem lê e ouve as suas intervenções, vai certamente notar a insistência que fazia para resistir à destruição dessas conquistas da fase socialista”, defendeu o filósofo.

O pesquisador recorda, triste, que Luísa Diogo conseguiu o perdão de uma dívida pública, em 2005,  no âmbito da iniciativa Países Pobres Muito Endividados, cujo esforço parece não ter valido a pena. 

“Uma pessoa que conseguiu libertar-nos da dívida externa,  para depois ver, ainda em vida, o processo de reendividamento, escandaloso.  O grande desafio que nós temos, como Moçambique, é lidar com o problema da dívida externa,  porque ela, em vez de nos ajudar, está nos empobrecendo cada vez mais. O exemplo da Luisa foi um, mas há outros exemplos. Mas o mais importante é olharmos para nós nas condições de hoje”.

Outro desafio apontado como de urgente resolução é a Soberania Alimentar.

“Nenhum país vive feliz quando come o que não produz e não produz o que come. Soberania alimentar significa comer o que você produz e produzir o que você quer comer. Não estou a dizer que não possa comer queijo, só porque não produz. o deve ser feito é produzir dinheiro suficiente para ter capacidade para comprar os produtos”, disse. 

A solução, diz o filósofo, é a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

“Eu estou convencido que a maior divisão que Moçambique tem entre o rico e o pobre,  esta é que vai minar a nossa unidade nacional. Quando esta divisão começar a crescer, hoje 20% comem 80% da população, 20% dos nossos ricos comem 80% do que produzimos, e os 80% comem apenas 20%.  Esta é uma desigualdade extrema. Então uma democracia não pode sobreviver nessas condições. Temos que encontrar formas de uma democracia reconciliatória no seu sentido social do tempo”, concluiu. 

O evento contou com a presença do viúvo, filhos e familiares de Luísa Diogo, que agradeceram o reconhecimento das obras da finada. 

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