A campa onde jaziam os restos mortais de uma menor, que morreu vítima de doença, na sua primeira semana de vida, foi profanada na cidade da Beira. O corpo foi descoberto pelos pais fora da campa, quando chegaram no cemitério para fazer a limpeza da mesma. Esta é a segunda vez na Beira em menos de dois anos, que uma campa é profanada.
Três meses após sepultarem o seu filho, um jovem casal foi surpreendido, na tarde desta terça-feira, com os restos mortais da finada fora da campa, no cemitério localizado no bairro de Inhamízua. Os autores deste crime, as motivações e as circunstâncias em que tal acto ocorreu ainda dão desconhecidos, mas deixou os progenitores desolados.
Foi a mãe que descobriu que a campa foi profanada, quando se dirigiu ao cemitério para a limpeza da campa. Ela afirmou que começou por vez numa mata próximo ao local onde estava a campa uma capulana e vestes usadas nas cerimônias fúnebres da sua filha.
“Eu fiquei admirado quando vi a capulana e logo abri um pouco. Vi que era a roupa da minha filha que foi enterrada com ela que estava lá”, disse Isabel Cabachi, mãe da criança.
Isabel Cabachi disse que ficou aterrorizada e depois no meio da angústia procurou o marido. A comunidade e estruturas do bairro foram informadas e juntos dirigiram-se ao cemitério onde certificaram as palavras da jovem mãe.
“Nós já estávamos a esquecer o assunto. Já não contávamos mais com esse assunto porque quem morreu, morreu, não mais acorda. Mas fazer limpeza é algo que está nas nossas mentes, para nos lembrarmos do nosso bebé. Mas o que aconteceu é algo difícil para nós porque não é coisa normal”, disse João Lobo, pai da finada.
Dado o estado avançado da decomposição do finado não foi possível saber no local se teria sido retirado algum órgão do corpo. O pai da finada diz que não há razões para suspeitar de quem quer que seja.
No mesmo cemitério os familiares abriram uma outra cova onde a finada voltou a ser sepultada. As autoridades lamentaram e lembraram que este é o segundo caso de profanação de túmulos em menos de dois anos no mesmo posto administrativo.
O SERNIC em colaboração com as autoridades locais e os membros da comunidade de Inhamízua estão a investigar o caso, enquanto isso as autoridades municipais garantiram que vão aprimorar a segurança nos cemitérios.
