O País – A verdade como notícia

Das febres do Pedro Goiabeira

Pedro goiabeira é, no mínimo, um ser que se auto abomina, tudo a começar pelo espermatozóide que o concebeu. Não se conforma com o facto de o mesmo ter somente o proporcionado uma rasteira existência. Para além da mente, agora os ombros são outro atrofiamento, pois parece ter um macaco nas axilas que os levanta, numa infinita busca de mais algum centímetro. Dor original viver na respiração de poeiras da sola dos transeuntes! Pode esticar os ombros, mas por questões anatómicas, o nariz, esse, por mais empinado que se apresente, jamais se livrará do nível da poeira em que foi concebido. Um pária é sempre um pária. Pedro Goiabeira sofre essa dor e busca forçar alguma rivalidade com as alturas que se afiguram diante da rasteira existência original. É certo que os ares da cidade libertam, mas, na pressa de urbanizar o espírito agreste, acabou deveras encruado. O que entende como maneirismo de maputenses, buscando assimilar a todo o vapor, apenas o tornou um ser desprezível. Por onde busca consolidação de alguma amizade, talvez pela proximidade do intestino grosso ao cérebro, é de vómito fecalóide e ninguém lhe aguenta a proximidade. Pedro Goiabeira na verdade é vómito em si na gravidade do seu mundo, onde procura viver, auto-ampliando-se as faltas da inexistência. Não se concebe a liberdade de viver sem buscar rivalidade com seres superiores à sua minúscula existência, de textículos falhados. Se não serve como pau mandado para as alturas, sob a espora de outra meia polegada, toda se armando de rancores doentios, vive fugitivo de si próprio, forçando rivalidades para a elevação da rasteira existência. Meia polegada mais outra meia, uma insignificante polegada. Goiabeira, rivalidade requerer semelhança, ou, no mínimo, proximidade física ou intelectual, pois, de contrário, mera zelotipia, a raiz de todo o complexo de inferioridade de que Pedro Goiabeira se reinventa. E porque quem canta seus males espanta:

“Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos