Pela primeira vez como Chefe de Estado em solo queniano, o Presidente moçambicano cumpre uma agenda de três dias, marcada pela 4.ª Conferência Internacional de Investidores e pelo reforço da cooperação bilateral. Agricultura e educação são outras áreas de interesse nesta deslocação do presidente moçambicano àquele país africano.
O Presidente da República, Daniel Chapo, iniciou, nesta terça-feira, uma visita oficial de três dias ao Quénia, a convite do seu homólogo William Ruto. O foco da deslocação é claro: consolidar os laços diplomáticos e atrair novos investimentos para sectores estratégicos da economia moçambicana.
A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, destacou aos jornalistas o bom momento das relações entre as duas Nações. “Nós notamos que há um crescimento da cooperação entre Moçambique e Quénia de cerca de 70 milhões de dólares, mas também várias áreas”, afirmou a governante, sublinhando o impulsionamento do investimento queniano na agricultura, indústria, transporte e turismo.
Relativamente à mobilidade, a ministra recordou os acordos assinados entre 2018 e 2023, com especial enfoque na “questão da isenção de vistos para todo tipo de passaporte”.
no Segundo a titular da pasta, o processo “está a caminhar bem”, sendo que o próximo passo será “criar as equipas técnicas para poder resolver alguns desafios técnicos para ultrapassar”.
A agenda presidencial prevê a participação de Daniel Chapo, como convidado de honra, na 4.ª Conferência Internacional de Investimentos do Quénia já nesta quarta-feira. No dia seguinte, quinta-feira, terão lugar as conversações oficiais com o Presidente William Ruto.
Apesar do balanço positivo, Maria dos Santos Lucas reconheceu que ainda há espaço para progressão: “Temos a notar que, na área do comércio, acho que ainda há muita coisa que temos de explorar aqui”.
O objectivo final é claro: aumentar a produtividade nacional e, por essa via, permitir que Moçambique saia definitivamente da dependência alimentar.
A ministra dos Negócios Estrangeiros, Maria dos Santos Lucas, destacou, também, no Quénia, a necessidade de reforçar a formação bilíngue em Moçambique, como forma de facilitar o acesso dos estudantes ao ensino superior internacional.
Maria dos Santos Lucas sublinhou que muitos jovens concluem o ensino secundário com o desejo de prosseguir os estudos no exterior, no entanto, enfrentam dificuldades, sobretudo, devido à limitação no domínio da língua inglesa.
“A formação bilíngue, principalmente em inglês, é fundamental para que os nossos estudantes possam aproveitar oportunidades em países como o Quénia”, afirmou.
A governante lembrou ainda que o Governo queniano disponibilizou cerca de 100 bolsas de estudo para estudantes moçambicanos, mas a iniciativa carece de maior operacionalização.
A aposta na capacitação linguística é vista como uma das principais estratégias para maximizar os benefícios das parcerias internacionais e garantir maior integração dos jovens moçambicanos em instituições de ensino estrangeiras.
A visita insere-se no quadro do reforço das históricas relações de irmandade, amizade, solidariedade e cooperação existentes entre Moçambique e o Quénia, constituindo uma oportunidade para os dois Chefes de Estado avaliarem o actual estágio da cooperação bilateral, bem como partilharem pontos de vista sobre a situação política, económica e social dos seus países, do continente africano e do mundo em geral.
A visita encerrar-se-á com um encontro entre o Presidente Daniel Chapo e a comunidade moçambicana residente no Quénia, reforçando o vínculo entre o Estado e a sua diáspora.
Cuba quer continuar a manter relações com Moçambique
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, na tarde desta segunda-feira, em Maputo, o embaixador de Cuba em Moçambique, Jorqe Luis López Tormo, num encontro que reafirmou a solidez das relações bilaterais e o compromisso de aprofundar a cooperação em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos dois países.
A audiência serviu para reforçar os laços históricos de amizade e solidariedade entre Moçambique e Cuba, com destaque para a intensificação da colaboração nos sectores económico, educacional, científico, agrícola e da saúde.
À saída do encontro, o diplomata cubano destacou a importância da reunião, afirmando que se tratou de um encontro entre irmãos, reflexo da amizade que caracteriza as relações entre Moçambique e Cuba.
Segundo explicou, o diálogo entre as duas partes incidiu na necessidade de continuar a promover o desenvolvimento conjunto, mesmo face aos desafios que se colocam no actual contexto internacional.
O embaixador sublinhou igualmente o espírito de apoio recíproco que orienta as relações bilaterais, referindo tratar-se de um apoio mútuo no desenvolvimento e no esforço contínuo de progresso, apesar das dificuldades.
No plano da cooperação prática, destacou a disponibilidade de Cuba para contribuir com conhecimento técnico e apoio político. “É o nosso suporte a qualquer actividade económica na qual possamos aportar a nossa experiência, os nossos técnicos, os nossos especialistas e, por suposto, um apoio político muito importante, tanto para Cuba como para Moçambique”.
Relativamente ao estado actual das relações Moçambique-Cuba, considerou-as excelentes. “As relações estão muito bem, com muitos desejos de as ampliar a todas as esferas possíveis para o desenvolvimento económico, na educação, na ciência”.
Por fim, reiterou o compromisso de continuidade e expansão da cooperação: “Continuar a ampliar a colaboração na saúde; continuar a ampliar com novos professores para a educação, especialistas para a educação, com especialistas, engenheiros para a agricultura. E estamos prestes a continuar naquelas tarefas, naquelas áreas onde Moçambique precise de nós”.

