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O País – A verdade como notícia

O conceituado músico angolano escolheu Moçambique para comemorar as suas três décadas na “estrada da música”, num espetáculo que terá lugar, este sábado, na capital do país.

Numa “Noite Brilhante”, nome do espetáculo, Dom kikas pretende celebrar os trinta anos de carreira musical no coração de Moçambique, Maputo.

Em conferência de imprensa, esta quinta-feira, o artista esclareceu que o concerto “estará focado, sobretudo, nas músicas que construíram esta carreira com mais relevância, durante estes 30 anos”. Terminou a frase para logo depois continuar, prometendo novidades, “vou cantar pelo menos dois temas que são recentes, um que saiu há um mês e outro que é um inédito”.

Dom kikas vai partilhar o palco com artistas nacionais, angolanos e cabo verdianos. A lista inclui  Johnny Ramos, Konde Martins, Calisto Ferreira, Euridse Jeque e Valdemiro José.

Na mesma conferência de imprensa, Valdemiro José prometeu empenhar-se para interpretar um tema musical que tem com o aniversariante, produzido  há 11 anos. “é uma honra e um prazer enorme partilhar este momento marcante”, disse o artista.

“Quando Dom Kikas começou a sua carreira musical, eu tinha dois anos, só para ver que é um enorme prazer fazer parte desta grande história’’, recordou  Euridse Jeque.

São três décadas que Dom Kikas já fez na estrada da música e, por isso, os detalhes são acertados ao pormenor.

“ O nosso objectivo é unir artistas moçambicanos aos de fora e tentarmos fazer aproximação entre culturas”, disse Joana Chipande do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chisso, lugar onde vai decorrer o evento, este Sábado (28).

Dom Kikas é conhecido por sucessos como “Saquirima” e “Angolanamente Sensual”. Tem seis álbuns lançados, destacando-se “Pura Sedução” e “Xeque Mate”.

Na próxima terça-feira, às 18h00, o Camões – Centro Cultural Português recebe uma sessão de leitura e conversa sobre o livro “Mutiladas”, de Eduardo Quive, chancela pela Catalogus. Para a organização, será um momento de conversa entre o autor e o público, contando com a participação especial de Dora Chipande, que tecerá os seus comentários sobre a obra e também de Lorna Zita, que fará leituras do livro. A moderação da conversa será feita por Elton Pila.

Eduardo Quive iniciou a escrita do seu mais recente livro durante a residência literária que realizou em Lisboa, em 2022, ao abrigo de um programa que resulta de uma parceria entre o Camões – Centro Cultural Português em Maputo e a Câmara Municipal de Lisboa.

“Mutiladas” são histórias sobre as mulheres, a vida urbana e o exercício de memórias do autor, numa escrita breve, intensa e provocadora. O destino das personagens reflecte uma sociedade de tragédias diárias, onde a violência e a indiferença se transformaram num manifesto de desumanidade. Em “Mutiladas”, a vida é líquida e dilui-se sem que os protagonistas se dêem conta, lê-se na nota de imprensa do Camões.

Eduardo Quive nasceu em Maputo, a 08 de Junho de 1991. É escritor, jornalista, produtor e programador cultural. Membro fundador do Movimento Literário Kuphaluxa, editou a Literatas – revista de artes e letras e é cofundador de Catalogus – portal de autores moçambicanos.

Escreve poesia e prosa. A sua poesia está publicada em antologias em Moçambique, Brasil e Itália. É autor do livro Lágrimas da Vida Sorrisos da Morte (Poesia, Literatas, 2012); Para onde foram os vivos (Poesia, Alcance Editores, 2022); e Mutiladas (Contos, Catalogus, 2024).

É coautor do livro Brasil & África-Laços Poéticos (Editora Letras, 2014); coorganizador das colectâneas Contos e crónicas para ler em casa vol. I e vol. II (Literatas, 2020); coorganizador do livro O Abismo aos pés – 25 escritores lusófonos respondem sobre a iminência do fim do mundo (Literatas, 2020).

Na semana passada, o Centro Cultural Português na Beira recebeu dois painéis de debates subordinados aos temas “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”, orientados por José dos Remédios, jornalista e ensaísta, e pelos docentes universitários Martins Mapera, Fernando Chicumule, Nelson Moda, Cremilde de Andrade e Nídia Chamussora. As duas conversas foram moderadas pelas também docentes universitárias Carla Karagianis e Cidália Alberto.

Sobre o primeiro painel – “Relação entre Literatura, Direito e Religião” –, os oradores afirmaram que, tanto o Direito quanto a Religião abordam temas sobre valores e princípios que a sociedade deve seguir para o seu bem-estar em diferentes áreas. Entretanto, nem sempre essa relação é saudável, uma vez que, segundo os intervenientes, o que o Direito, às vezes defende, não encontra concordância com a religião, havendo, por essa razão, discordância entre os dois ramos.

No evento, falou-se da literatura como sendo o campo mais aberto e aglutinador, dado que nela são vistos o Direito e a Religião de uma determinada sociedade, através dos textos que abordam os diferentes comportamentos.

Quanto à segunda mesa – “Inventário da Memória” –, que também é o título do livro composto por um conjunto de artigos organizados pelo ensaísta e jornalista José dos Remédios, em comemoração aos 60 anos da obra “Nós Matamos Cão Tinhoso”, de Luís Bernardo Honwana, os painelistas sublinharam que não se deve observar a memória como um instrumento usado somente para buscar o passado. Pelo contrário, segundo os oradores, a memória servirá como um instrumento para observar o modo pelo qual a sociedade caminha, evitando, assim, repetir os erros do passado.

A este propósito, “Nós Matamos Cão Tinhoso”, de acordo com os painelistas, denuncia as diversas faces do comportamento colonial em Moçambique, de forma particular, e em África, em geral. Assim, entendem que, com o livro, é possível ter a imagem da dominação em variados contextos.

Por: Vitor Gonçalves

 

Comecei a ler, aqui no NASCER DO SOL, o manifesto anti – Mia, do João Vasco Rodrigues (JVR), convencido que a coisa era sobre literatura.
Engano – percebi logo na segunda linha.
Afinal, é uma nova receita de bacalhau.
Abóbora! Afinal também não o é – entendi logo a seguir: é antes um ataque cerrado aos serviços gerais de empacotamento avulso. Mas, não percebi bem qual a dimensão do pacote em causa, nem o destinatário do envio.
Mas que texto tão ricamente embrulhado, que magnífico labirinto de metáforas; a que vastos e profundos becos somos conduzidos, pela galharda prosápia do autor.
É notável, como dispara – linha, após linha, após linha – múltiplas e absolutamente desnecessárias descobertas sobre tantos, tão diversos e complexos assuntos.
Um verdadeiro paladino de verdades gerais.
E, mesmo quando – modestamente – nos inclui nas suas geniais descobertas geográficas: – “Todos sabemos como África permanece um continente vastíssimo e ainda desconhecido.” – não deixa de vincar o carácter inovador e mesmo disruptivo do seu pensamento.
Como nunca tinha eu pensado nisto?
De facto, ele tem toda a razão: a África não tem encolhido quase nada, permanece um continente vasto, como sagazmente conclui.
Por que será?
Arguto, o autor responde fingindo que não sabe, mas sabendo, como não podia deixar de saber, porque o escreve.
É claro que é por causa daquilo que ele afinal conhece, mas finge – só para nos entusiasmar – não conhecer:
“Conhecemos apenas os seus desastres: as secas, as chuvas intensas, os ciclones, a fome severa…”. Brilhantemente original.
Registe-se o inteligente uso das reticências nesta frase, deixando-nos, poeticamente, vogar pela tal vastidão do Continente, de desgraça em desgraça. Honesta e definitiva a confissão.
Quem bom, que ele nos alerte para o facto.
E sim, desconhecido, como conclui.
Magnífica, a forma incansável como, palavra a palavra, JVG nos dá um cabal testemunho dessa tão comum ignorância. Notável, como cada uma das suas declarações comprova o seu axioma.
Que se cale de Pangloss toda a redonda retórica, Cândido tem novo mestre.

Só me atrevo, um quase nada, a perturbar a clarividência do autor para reclamar pela irritante e contumaz falta do artigo em África. Que diabo, pobres seremos, mas isto de sermos o único Continente que nem artigo pode ter já me cansa.
Em Moçambique não temos posses para ter quatro estações por ano.
Temos duas e a muito custo.
Ao menos deixem-nos um artigo bem definido.

Imparável, JVG, passa da ignorância assumida sobre o Continente, para a ignotícia sobre o Mia Couto.
E, numa hodierna reinterpretação do Mapa cor-de-rosa – na qual nos revela o seu profundo conhecimento de alguns arcanos e misteriosos sortilégios africanos – empacota o Mia e o Agualusa na tal literatura africana e, com aquela audácia que só a profunda ignorância permite, declara-os …”(…)dois vendedores de banha da cobra,(…) dois capatazes dissimulados de uma literatura africana(…).
Que inteligência, que argumento subtil. Vejam como ele metaforiza bem, como domina a antropologia e a História, como sintetiza – a África, as cobras e os capatazes numa polida frase.
Navega, de metáfora em metáfora, com a delicada elegância do hipopótamo, para nos atermos à fauna local.

“Talvez tenha chegado o momento de nos atravessarmos. E foi assim que por estes dias nos atirámos à leitura de “Compêndio para Desenterrar Nuvens”.
Esta é que me deixou de rastos.
Confesso, agora estou entusiasmado!
Isto vai aquecer, o plural majestático não nos permite duvidar.
Ele atirou-se – e sem rede como se percebe – à leitura de um livro. E teve a generosidade de o ler todo!
É sobre-humano, como num ápice, ele alcança uma compreensão tão profunda e genuinamente ignorante da obra do Mia.
Como, num relance, percebe que todos os que ao longo das últimas décadas admiraram a sua escrita estão errados.
Com que coragem denuncia a enormidade da conspiração intercontinental, que levou dezenas de incautos a, um pouco por todo o mundo, atribuírem os mais conceituados prémios da literatura a tal homem.
Ora, lá está outra vez o tal mistério africano que parece atormentar JVG.
Mas, como é que faz para conseguir ser o único a marchar com o passo certo nesta multidão de coxos?
E os adjectivos, já mediram bem o trabalho que dá atingir aquele nível de vulgaridade? É obra.
Os mais incautos de entre nós ainda poderiam vislumbrar, por entre as palavras assanhadas, um verde assomo de inveja por tantos e tão prestigiados prémios, por tão longa e profícua carreira.
Os mais distraídos, talvez pudessem pensar que tanto azedume não passa de uma tentativa serôdia e disparatada de, ao se confrontar com algo que não pode emular, sublinhar publicamente a sua incapacidade.
Uma espécie de Salieri caseiro, um pequeno Iago.
Mas não consigo acreditar que tão dramático objectivo habite em tão irreflectida prosa.
Nem percebi bem a metáfora culinária do bacalhau, ou a da banha.

E, confesso, que não fui suficientemente perspicaz para entender JVG, quando, magnânimo, declara:
Se, por um lado, nos vem oferecido diariamente como uma espécie de herói da literatura africana,  por outro, talvez nos bastasse o dia em que deixasse de escrever e de interferir na dinâmica da edição de livros, para que pudéssemos então começar a ouvir falar daquilo que nos oferecem grandes escritores como Maryse Condé, Aimé Césaire, Luís Bernardo Honwana ou Achille Mbembe.
Fiquei confuso.
Será uma intrincada citação de Camões – “Cesse tudo o que Musa antiga canta”?
Por momentos, debati-me com a complexidade da proposta.
Depois percebi a meridiana clareza da ideia: para promover a literatura, é preciso que um escritor deixe de escrever.
Não sendo Camões, será Goebbels?
Ultrapassa-me.

“Herói da literatura africana”, não sei bem se o Mia o será, mas se JVG diz que o é, lá terá as suas razões.
Mas acreditar que o seu heróico super-poder lhe permite estender a sua influência maléfica pelo espaço, do Índico às Caraíbas, para silenciar Maryse Condé; e pelo tempo – para calar Césaire e atirar Honwana aos cães; e convencer os Camarões e a Sorbonne que fazem mal em ler o Mbembe, porque ele está mesmo aqui à mão… isto não sei se o Mia o conseguirá.
Mesmo com o recurso aos tais mistérios africanos já listados.
Mas JVG diz que sim. E ele lá saberá o que diz.

Indomável, não hesita em discorrer sobre o que ignora.
E passa ao ataque!
Então não é que o Mia, em vez de aplicar o dinheiro em vacinas e nessas coisas a que os africanos se devem dedicar, teve a coragem de participar na criação de uma Fundação dedicada à literatura e à arte?
Mas que raio?
Que sentido é que faz um escritor querer promover a literatura – e o incentivo a jovens escritores; e a reflexão sobre a cultura moçambicana; e o teatro e as centenas e centenas de eventos com que, desde a sua criação, a Fundação Fernando Leite Couto tem marcado a vida cultural da capital moçambicana?
Pois claro, vê-se logo que JVG talvez saiba do que não fala e se mantém consistentemente desinformado sobre o que se passa em Maputo.

Faltava o golpe de mestre. O argumento derradeiro e imbatível.
Então não é – denuncia, garboso, o articulista – que não satisfeito com tanto êxito, o Mia ainda teve o dislate de promover a venda de livros a preços acessíveis ao comum dos cidadãos moçambicanos?
Mas então?
Então, tem algum sentido que um escritor, em vez de se preocupar com as leis do mercado – que JVG tão lustrosamente quer defender – se dedique, ao contrário, a tentar levar os seus livros ao maior número de pessoas possíveis, ao mais reduzido preço que consegue?
E que, não contente com o dislate, este escritor moçambicano, tente que os seus títulos sejam publicados em Moçambique, por uma instituição moçambicana?
Blasfémia!

E, finalmente, com o espírito de indómito cruzado que anima toda a sua catilinária, João Vasco Rodrigues termina com um apelo directo a deus.

Estou certo que será ouvido.
Ou não fosse dos simples o reino dos céus.

 

 

 

 

 

 

 

As actividades desenvolvidas pela Associação Kulemba, em prol da literatura em Moçambique, marcam a grande diferença, em termos práticos, na valorização da literatura moçambicana. Essa posição foi defendida pela actriz Ana Magaia, depois do encerramento da quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2024), que decorreu entre os dias 18 e 20 de Setembro.

Para Ana Magaia, a Kulemba está a fazer o que devia ter sido feito há muito tempo. A actriz acrescentou que a associação está a dar aulas a grandes gerações ao proporcionar eventos como a FLIB, que permitem discutir vários aspectos da literatura moçambicana.

Na FLIB 2024, Ana Magaia participou no sarau de encerramento do evento, no qual fez uma leitura encenada do conto “Rosita, até morrer”, da autoria Luís Bernardo Honwana, escritor homenageado na quarta edição da FLIB.

Em relação ao trabalho apresentado, a actriz sublinhou que encenar qualquer peça sobre a obra de Honwana é motivacional e inspirador, uma vez que faz recordar vários episódios da sua juventude nos diferentes palcos do país, pois ela estreiou esta peça, pela primeira vez, nos anos 80.

Palestras, conversas, debates, sarau cultural e feira de livros foram as actividades programadas para a quarta edição, que decorreu no Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, Livraria Fundza, Universidade Licungo, Centro Cultural Português na Beira e Casa do Artista. Nessas actividades, houve participação de diferentes públicos que celebraram a grande festa do livro.

No seu discurso de encerramento, Dany Wambire, presidente da Associação Kulemba, sublinhou que esta edição é uma continuação da celebração dos 60 anos de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso, uma vez que, ainda neste ano, houve, em Maputo, actividades iniciais, como o simpósio e a publicação do livro “O inventário da memória”, organizado por José dos Remédios.

Depois destes quatro dias de intensas actividades, Dany Wambire afirmou que Associação Kulemba conseguiu cumprir, com sucesso, os objectivos traçados para a festa de seis décadas da obra emblemática que marcou várias gerações em Moçambique e no estrangeiro.

A Fundação MUSIARTE – Conservatório de Música e Arte Dramática, em parceria com o Conselho Municipal de Maputo, deu início à iniciativa Cultura e Cidadania, que consiste na utilização das artes como veículo para o desenvolvimento humano e na contribuição para a solução de problemas sociais concretos. Neste contexto, foi assinado um memorando de parceria entre as duas instituições.

Segundo a organização, o objectivo da iniciativa Cultura e Cidadania é colaborar com o Pelouro da Educação, Cultura e Desporto, para o melhoramento ambiental da baixa da capital, incentivar e difundir a cultura de cidadania, assim como a consciência e o exercício dos deveres e direitos cívicos colectivos. 

À esta iniciativa juntam-se outras entidades nos esforços de melhoria dos patrimónios culturais da capital do país e organização de eventos culturais que enriqueçam a qualidade de vida dos munícipes.

Neste contexto, nos dias 12, 13 e 14  de Setembro, a Fundação MUSIARTE – Conservatório de Música e Arte Dramática e o Conselho Municipal da Cidade de Maputo levaram a cabo uma campanha de limpeza e desinfestação da Travessa Tenente Valadim, onde se localizam as novas instalações da MUSIARTE, da Rua da Katembe, e o corte das árvores localizadas na ruína histórica da Avenida Consiglieri Pedroso.  

A campanha de limpeza precede os preparativos para a pintura do mural e revitalização das vias identificadas, envolvendo uma equipa de jovens artistas moçambicanos, como o pintor Coana, e artistas italianos, com apoio da Embaixada da Itália  em Maputo.

O acto de cidadania incluiu mais de 40 jovens moradores de rua com objectivo de sensibilizar à preservação da cidade, mantendo-a limpa e cuidada.

O escritor de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, Luís Bernardo  Honwana, defende que não existe nenhum outro instrumento, senão o livro, para que qualquer país se desenvolva em diversas áreas. Honwana falava durante uma palestra , na quinta-feira, na Livraria Fundza. 

Luís Bernardo Honwana disse, durante o seu discurso na abertura oficial da 4ªedição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, cujo lema é “Encontro entre Literatura, Direito e Religião”, que Moçambique faz parte das nações que devem abraçar o livro para encontrar a solução de vários problemas. 

Acrescentou ainda que a pobreza no país só será mitigada através dos livros, pois é nos manuais onde se encontra a chave que pode abrir as portas para a solução dos males existentes, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança, tecnologia, entre outras.

O escritor vincou que este debate deve ser levado a sério, pelo que, o livro não pode ser visto, como acontece muitas vezes, como algo lúdico. Por isso, Honwana entende que já está na hora de se desenharem políticas sobre o livro

O escritor fez comentários sobre a importância das línguas autóctones moçambicanas e disse ser vergonhoso observar a existência de pessoas que sentem o complexo de inferioridade quando se comunicam nas suas línguas de origem. Para ele, Moçambique deve orgulhar-se por ter vários idiomas.

Hoje, prosseguem as actividades do FLIB-2024. Por isso, às 18 horas, vai decorrer, no Centro Cultural Português na Beira, o debate sobre os temas: “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”.

A ministra da Cultura e Turismo diz que o Governo esteve sempre presente em todos os momentos da vida e obra de Dilon Djindji. Eldevina Materula diz ainda que o país  se deve unir para preservar o legado do artista.

O país e o mundo continuam a chorar pela morte de Dilon Djindji, falecido na madrugada de quarta-feira. Falando ao “O País”, a ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, disse que o Governo esteve presente em todos os momentos críticos e alegres do artista.

“Nós temos estado a acompanhar todo o processo de saúde do Dilon  e, como tantos outros artistas, faremos aquilo que é o nosso papel, estaremos nas cerimónias e vamos dar todo o apoio que a família precisar. Mas, tratando-se de uma situação também familiar, gostaríamos de deixar para o fórum privado tudo aquilo que são os esforços que temos vindo a fazer”, reage a governante a uma perda que caracteriza como irreparável.

Como forma de imortalizar o artista, a quem caracteriza como património cultural, Materula  diz que o país deve unir-se para preservar o legado do rei da marrabenta. Para Materula,“foi com os sons, com a música, com a sua marrabenta, que Dilon levou e elevou o bom nome de Moçambique. Dilon foi mais que um músico, é para Moçambique um património, património nacional. Dilon Djindji é um dos gigantes. E hoje, sim, choramos a sua perda, mas celebramos a sua vida.” 

O Governo tem em manga um projecto de digitalização dos feitos de Dilon Djindji e dos  demais artistas, bem como a construção de arquivos que possam imortalizar a cultura clássica do país. 

“É importante dizer que o papel de preservação do legado de Dilon e tantos outros patrimónios nacionais é conjunto. O Estado tem o seu papel, mas a sociedade tem também o seu e a academia, em particular, tem um papel muito importante. Os seus discos, as suas obras devem ser e continuar a ser gravadas, digitalizadas e arquivadas. Mas temos que continuar a trabalhar, continuar a fazer o trabalho que já se iniciou (…) mas temos que unir esforços conjuntos para que Dilon jamais seja esquecido”, afirma Eldevina Materula, assegurando que o governo estará presente nas exéquias do artistas.

A cerimónia fúnebre de Dilon Djindji está marcada para este sábado às 9 horas no monumento Gwaza Muthini, em Marracuene, terra natal do autor de Podina.

Seis reclusas do Estabelecimento Penitenciário Especial para Mulheres de Maputo vão actuar num musical, a partir das 18 horas de hoje, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, com a cantora Dama do Bling. Dirigido por Zé Pires, a iniciativa pretende celebrar os 30 anos da Ordem dos Advogados de Moçambique.

Há 30 anos, foi instituída a Ordem dos Advogados de Moçambique. Para celebrar os anos de existência da agremiação, o músico Zé Pires criou e dirigiu o musical Des’Arte, que será apresentado no Centro Cultural Moçambique-China.

Quem vê o cartaz, logo percebe que o evento vai contar com apresentações de Yolanda Chicane, Onésia Muholove, Isabel Jorge, Mário Mabjaia, Horácio Guiamba, Pauleta Muholove, Dénio Pelembe, Juliana de Sousa e Dama do Bling. Porém, o que o cartaz não revela é que ao musical também foram convidadas seis internas (reclusas) do Estabelecimento Penitenciário Especial para Mulheres de Maputo/ Cadeia Feminina de Ndavela, na Matola. As seis e mais duas que já cumpriram a pena vão acompanhar Dama do Bling na interpretação do tema “Desabafo do recluso”. 

Com aproximadamente três minutos de duração, a música de Dama do Bling retrata a situação de arrependimento de um recluso, que, tendo percebido que errou, arrepende-se e pede perdão a Deus e à sociedade inteira. 

Por julgar o tema da música pertinente, até porque dialoga com os propósitos da Ordem dos Advogados de Moçambique, Zé Pires contactou a ArtMud, que quer dizer Arte para Mudança, de modo que a agremiação ajudasse no que fosse necessário para que as internas pudessem se apresentar no palco do musical. Assim, com a intervenção da artista plástica Bena Filipe, o SERNAP ponderou a favor do convite. Depois disso, a ArtMud contactou o Estabelecimento Penitenciário Especial para Mulheres de Maputo, que também concordou. 

A partir do momento em que a participação das internas no musical foi dada como certa, Zé Pires disponibilizou a música “Desabafo do recluso”, para que pudessem ensaiar, o que ocorreu durante três semanas. 

No Centro Cultural Moçambique-China, as internas de Ndlavela terão a oportunidade de se apresentar ao público pela terceira vez. Uma das internas, inclusivamente, toca guitarra. Logo, além de exercerem o que gostam e sabem fazer, “espera-se que elas possam, depois de cumprir a pena, continuar com a vida artística. O talento delas tem de ser partilhado com o público”, disse Bena Filipe, acrescentando que o musical em celebração dos 30 anos da Ordem dos Advogados de Moçambique será o primeiro grande evento das internas, pois os dois anteriores foram pequenos.

As internas de Ndlavela têm trabalhado, há algum tempo, com a ArtMud, entidade criada há três anos de modo a contribuir com a sua reintegração, o que inclui actividades com mulheres que já cumpriram a pena. 

Conforme adiantou Zé Pires, o evento que vai durar duas horas será mais do que um musical. Igualmente, ao longo de duas horas, o público terá a possibilidade de acompanhar uma certa abordagem às várias situações inerentes à sociedade moçambicana. A arte, no caso, vai servir de pretexto para que todos reflictam sobre o país, quer do ponto de vista de direito e justiça, quer do ponto de vista de hábitos e costumes. Assim, Zé Pires quis contar a história da Ordem dos Advogados de Moçambique de forma apelativa, de modo que o público se sinta parte da narrativa. Durante o musical, nomes importantes para o Direito, em Moçambique, serão lembrados. Por exemplo, Rui Baltasar, Domingos Arouca e Teodato Hunguana.

Sobre as internas, Zé Pires sublinhou que, além de celebrar o trigésimo aniversário da Ordem dos Advogados de Moçambique, o musical será um pretexto para lembrar aos cidadãos e às instituições de direito que aqueles que cumprem penas nas prisões não devem ser esquecidos. Pelo contrário, a reintegração é um valor que deve ser cultivado continuamente. Também por isso, Dama do Bling, logo que foi apresentada a ideia de cantar com as internas, por Zé Pires, concordou satisfeita, convicta de que estava a fazer a coisa certa.  

 

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