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O País – A verdade como notícia

Criança de 12 anos morta a facadas na zona Militar, em Maputo

Um adolescente de 12 anos foi morto a facadas pelo seu amigo e vizinho de 13 anos, na zona Militar, cidade de Maputo, após desentendimentos entre os dois. O funeral do adolescente teve lugar hoje, no cemitério de Michafutene, num ambiente de muita indignação, marcado com rostos tristes, carregados de dor.

Amigos, familiares e conhecidos da família Bento acompanharam na manhã desta quarta-feira o menino Edy, como carinhosamente era tratado, para a sua última morada. Edwin Bento morreu aos 12 anos, esfaqueado pelo seu amigo, colega de equipa e vizinho.

O crime aconteceu na tarde de segunda-feira, na zona militar, bairro da Sommerschield, na cidade de Maputo e começou depois de uma briga entre dois adolescentes amigos de 12 e 13 anos de idade, provocada pela derrota da equipa de ambos numa partida de futebol. Sucede que o adolescente de 13 anos, chateado, foi a sua residência levar uma faca e desferiu golpes nas costas do amigo, que não resistiu.

O também adolescente, que viu o coração de seu amigo parar de bater, o descreve como respeitoso e amigo de todos. Um comportamento contrário ao do agressor.
“O miúdo não tem problema com ninguém. Um gostava de rir, brincar aqui no parque, jogar bola. Mas já o outro, sempre tem essas coisas aí. Ele gosta de lutar. Sempre que luta, a finalidade é pegar uma garrafa e picar. Nós já esperávamos que tal dia iria acontecer”.

A família do malogrado tomou o momento das cerimónias fúnebres, já na residência, para desabafar.
“ Eu estou a envelhecer nesse bairro, nunca aconteceu uma coisa igual. Vocês batiam-se, apedrejavam-se, faziam tudo: para nós (os pais) aquele que tivesse apedrejado o outro, ele é quem levava a porrada. Apanhávamos vocês a lutar, levávamos a porrada aos dois. Mas hoje nós temos medo de chamar atenção aos nossos netos. Temos medo porque aquela criança vai te falar algo que nem o teu pai nunca te falou. Uma criança que até três horas de madrugada está aqui (no parque infantil da zona). Você, pai e mãe, está onde? Você, pai e mãe, está a dormir mesmo? Que sono é esse que você tem? Porque até eu, que sou avó dessa criança, quando você, que é pai, que é mãe, até 21 horas não está, e eu estou com o telefone na mão, está já onde? Criem os seus filhos do mesmo jeito como nós vos criamos. Nós vos batíamos porque queríamos que vocês crescessem. E agora por que vocês não querem deixar os seus filhos crescerem? Deixem os seus filhos crescerem naquela vara que nós lhes damos. Não há modernidade de nada aqui. Hoje perdi meu neto. Meu neto foi morto, eu ali dentro de casa. É justo isso. Aquele menino vocês todos conhecem. Ele brincava como outra criança deveria brincar”, falou emocionada a avó do malogrado.

O facto é que crianças menores frequentam as ruas, o parque infantil à madrugada, sem supervisão dos pais. Por isso, aos encarregados de educação, apela-se maior vigilância e empenho na educação dos menores.

“Os meus netos, quando fazem uma coisa má, só de olhar para eles, deixam de fazer aquela coisa. Porque desde que nasceram, cresceram, começaram a raciocinar, comecei a ensinar que isto é mau, isto pode se fazer, isto não se pode fazer. Deixemos de proteger os nossos filhos quando fazem mal. Quando uma criança faz mal, tem que repreender na hora, dizer: isto não se faz. Porque aquele menino aí, se ele soubesse que isto mata, não teria feito aquilo que ele fez. Teria se arrependido pelo menos e deixar de fazer aquilo que ele fez”.

Alunos agridem colega em Maputo

Ainda nesta terça-feira (9) um grupo de 4 adolescentes, estudantes da escola secundária Noroeste 2, agrediu o seu colega. Tudo foi registado em vídeo pelo celular de um dos estudantes.
Filmaram e partilharam nas redes sociais, como uma prova da agressão e aviso aos outros adolescentes, de que o seu grupo é agressivo.
ON – video amador
Alunos relatam a frequência de episódios de agressão, sobretudo às sextas-feiras.
Embora a direcção da escola não tenha estado disponível para gravar a entrevista,a nossa reportagem sabe que o director da escola secundária Noroeste 2 reuniu-se ainda na tarde desta terça-feira com os encarregados de educação, tanto da parte dos agressores, bem como da vítima, para encontrar uma solução. Até este momento, ainda não são conhecidas as medidas que serão tomadas contra estes alunos, contudo é facto que os quatro alunos não se fizeram à escola, pelo menos nesta quarta-feira (10).

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