Em Matacuane, duas meninas perdem a vida e mãe e um filho estão nos cuidados intensivos. Em Mungassa, mulher é encontrada morta por asfixia e ex-marido está detido na 8ª Esquadra.
A cidade da Beira viveu, em menos de 48 horas, duas tragédias com a mesma origem: conflitos conjugais que terminaram em morte dentro de casa. Os casos, registados nos bairros de Matacuane e Mungassa, deixaram três mortos, duas pessoas internadas em estado grave e duas famílias destruídas.
O primeiro caso abalou o bairro de Matacuane na noite de quarta-feira. Uma mãe de três filhas menores, alegadamente em desespero após um conflito conjugal ligado a uma suposta traição, tentou pôr fim à própria vida e à dos filhos através de intoxicação.
Duas meninas de seis e oito anos de idade não resistiram e perderam a vida ainda na residência. O terceiro filho, de 11 anos, foi socorrido e encontra-se internado nos cuidados intensivos do Hospital Central da Beira (HCB), em estado grave, mas estável. A mãe também está internada na mesma unidade, sob cuidados médicos e apoio psicológico, e apresenta melhorias clínicas.
Enquanto a comunidade de Matacuane ainda tentava compreender a tragédia, um novo caso era registado na zona de Mungassa. Uma mulher foi encontrada morta dentro da sua casa.
De acordo com o exame médico-legal, a causa provável da morte foi asfixia mecânica por constrição activa do pescoço. O corpo apresentava sinais de luta.
A Polícia da República de Moçambique (PRM), na 8ª Esquadra, deteve o ex-marido da vítima como principal suspeito. Segundo a corporação, o homem apresentava escoriações no corpo, indicativas de envolvimento recente numa briga. Foi por isso recolhido às celas para efeitos de investigação.
O indiciado foi visto pelos vizinhos na casa da finada, no dia que ela foi encontrada morta. Ouvido pela nossa reportagem, o indiciado nega o crime.
O pai da vítima afirma que o ex-genro protagonizava brigas constantes na residência e questiona a sua presença no local no dia do sucedido. “Um criminoso nunca aceita”, desabafou, pedindo justiça.
Os dois casos voltam a colocar no centro do debate a violência doméstica e a saúde mental. O HCB revela que atende, em média, dez três casos por dia de tentativa de suicídio por intoxicação, a maioria de mulheres jovens e com ligação a problemas passionais e familiares.
Para as autoridades de saúde e da polícia, o apelo é o mesmo: denunciar cedo, procurar ajuda psicológica e quebrar o silêncio antes que o conflito se transforme em luto.