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Comissão Europeia quer reforçar produção de drones na UE

A Comissão Europeia quer reforçar a produção industrial de drones na União Europeia e garantir que se utilizam as redes 5G para detectar e neutralizar qualquer entrada não autorizada destes dispositivos no espaço aéreo europeu.

Estas medidas constam de um Plano de Acção para os Drones, divulgado nesta quarta-feira pela Comissão Europeia, que tem como intuito “responder às ameaças crescentes e multifacetadas que têm surgido na Europa ligadas a ‘drones’ e balões para medições atmosféricas” que têm “violado espaços aéreos” e criado “disrupções em aeroportos”.

Entre as medidas apresentadas ontem, a Comissão Europeia defende que é preciso aumentar a produção industrial de ‘drones’ a nível europeu e vai mobilizar 400 milhões de euros para “apoiar os Estados-membros” na comprar destes dispositivos, explicou o comissário para a Administração Interna, Magnus Brunner, em conferência de imprensa em Estrasburgo.

“150 milhões vão ser destinados à segurança das fronteiras, à aquisição de equipamento de vigilância, que servirá não apenas para uso individual dos Estados-membros, mas também para operações conjuntas lideradas pela Frontex. Os restantes 250 milhões vão servir para comprar directamente sistemas de ‘drones'”, indicou.

O executivo comunitário propõe também a criação de um “Centro de Excelência Antidrones”, que estaria operacional a partir de 2027 e tem como objectivo “reunir o financiamento público” europeu para “promover a inovação” e garantir que a produção industrial de ‘drones’ “cresce mais rapidamente”.

Além de propor o aumento da produção local, a Comissão Europeia quer também reforçar a capacidade de resposta perante a entrada não autorizada de ‘drones’ no espaço aéreo europeu e, para tal, quer utilizar as redes móveis 5G para detetar este tipo de dispositivos.

“Os ‘drones’ podem ser detectados transformando as nossas antenas 5G numa capacidade de radar distribuída. É uma tecnologia já existente cuja implementação na Europa é urgente”, frisou a vice-presidente da Comissão Europeia Henna Virkkunen, com a pasta da Soberania Tecnológica.

Como forma de procurar garantir que todos os ‘drones’ que operam em solo europeu “não podem descolar sem ter a certeza que o seu operador é identificado”, o executivo comunitário anunciou também a criação de um pacote de segurança, que deverá ser implementado já este verão, que obriga a que praticamente todos estes dispositivos sejam registados.

Actualmente, apontou o comissário para os Transportes Sustentáveis, Apostolos Tzitzikostas, todos os ‘drones’ equipados com câmaras já precisam de ser registados, assim como os que pesam mais de 250 gramas.

“Mas a tecnologia melhorou e ‘drones’ mais pequenos podem ter capacidades operacionais muito significativas e provocar muitos danos. Por isso, propomos que todos os ‘drones’ com mais de 100 gramas tenham de ser obrigatoriamente registados”, referiu, ressalvando, contudo, que a UE não tenciona limitar a utilização de ‘drones’ para fins amadores ou de passatempo.

“Os utilizadores de ‘drones’ amadores não precisam de se preocupar. A nossa iniciativa quer aumentar a transparência e reforçar a confiança. Nalguns casos, vão ter de registar os seus ‘drones’, mas isso também é do interesse deles”, referiu.

Da mesma maneira, referiu o comissário, a Comissão vai também propor a criação de um “rótulo de confiança da UE para ‘drones'”, que identifica os dispositivos seguros à venda no mercado europeu, e quer harmonizar restrições de circulação aérea em determinadas zonas geográficas, com o objectivo de, a longo prazo, implementar o ‘geofencing’ – uma tecnologia que permite criar uma barreira virtual à volta de um perímetro geográfico específico, impedindo a circulação de ‘drones’ nessa zona.

“Isto tem de ser visto como uma medida de segurança, que ajuda os operadores de ‘drones’ a evitar entrar sem querer em zonas sensíveis de alto risco”, referiu o comissário.

Este plano de acção vai ser agora discutido com os Estados-membros da UE.

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