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Com “lirandzo”, familiares despedem-se de Hortêncio Langa

Os restos mortais de Hortêncio Langa foram a enterrar esta quarta-feira, no Cemitério de Michafutene, na Província de Maputo.

No princípio da carreira musical, entre os artistas com quem Hortêncio Langa tocou, na banda Gaizer, destaca-se Wazimbo. No entanto, houve outros instrumentistas que ajudaram a dar ritmo às composições daquele grupo. Um deles é Genito, nome artístico de Pedro Ribeiro. Nos anos 70, o guitarrista iniciou a partilha de sonhos, ideias e o que a música oferece com o autor da célebre música “Lirandzo”, do xichangana, amor em português. A amizade antiga nem a morte separou. Por isso, Genito fintou os labirintos da dor e, quando o pessoal do protocolo sanitário e da agência funerária preparava-se para retirar o caixão da Capela do Hospital Militar, Genito segurou na guitarra. Depois, apoiou um dos pés em uma cadeira, e, num improviso, com “lirandzo”, começou a interpretar alguns temas de Hortêncio Langa.

Por um instante, nos semblantes dos familiares, dos amigos e dos admiradores de Hortêncio Langa que estiveram no local do velório a consternação pareceu esfumar-se. À distância, sempre evitando-se aproximações, as pessoas ouviram o derradeiro “concerto” em homenagem a Hortêncio Langa.

Genito tocou e interpretou músicas conhecidas e pelo menos uma que, habitualmente, Hortêncio cantava em convívios com os amigos. Por exemplo, “África wa kuxonga”, antiga como os Gaizer. Poucos minutos depois de se colocar a cantar, a Genito juntaram-se Wazimbo e Elvira Viegas. O trio interpretou, sempre em improviso, mais ou menos três temas e, assim, no velório do artista multifacetado não faltou toque de arte.

ELOGIOS FÚNEBRES

“Pai, por esta não esperávamos”. A mensagem dos filhos de Hortêncio Langa, confiada à Xixel Langa, começou assim… Na Capela do Hospital Militar, a cantora explicou que de tanto que foram surpreendidos pela doença do pai, ficaram sem saber o que fazer para o ajudar. Os filhos lembram Hortêncio Langa como uma pessoa quieta, calma, que, às vezes, sofria calado para não perturbar os outros. “No mesmo dia falamos de ti, os resultados clínicos eram muito optimistas. Até que, de repente, deixaste-te ir. E estamos ainda no de repente. O teu sorriso, o teu olhar, e a tua voz, vão ficar para sempre nos nossos pensamentos e nos corações”, afinal, lembrou Xixel, os artistas nunca morrem. “Estamos aqui e daqui sairão outros Hortêncio Langa. Vamos continuar com teu legado”.

Pela família, Hortêncio Langa é lembrado como uma bênção. A condizer com esta perspectiva, o representante da Associação dos Músicos Moçambicanos afirmou, durante o elogio fúnebre, que Deus recebe no seu reino um bom filho, “um homem que nos alegrou e que continuará a alegrar muitas gerações”.

Já a representar o Governo, esteve Fredson Bacar. Para o Vice-Ministro da Cultura e Turismo, Hortêncio Langa é uma referência incontornável, que soube servir a cultura moçambicana.

Depois do velório no Hospital Militar, o cortejo fúnebre seguiu para o Cemitério de Michafutene, onde Hortêncio Langa terá o eterno descanso.

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