Há famílias que estão a quatro dias sem passar refeições, na sequência das chuvas fortes, que afectaram mais de duas mil famílias no município de Chókwè, na província de Gaza. A situação reacende as críticas sobre a falta de um sistema de escoamento, em bairros com histórico de inundações, e pede-se plano de emergência face a queixas de fome.
A chuva que cai desde a noite de terça-feira voltou a denunciar o problema de falta de infraestruturas para escoamento de águas pluviais, no município de Chókwè, província de Gaza, na região sul de Moçambique.
Há mais de duas mil famílias afectadas pelo mau tempo no primeiro, quarto e quinto bairros na zona municipal. Nos três bairros, há residências e ruas totalmente engolidas pelas enxurradas.
Virgília Mucasse, de 69 anos de idade, está há quatro dias encurralada com a sua casa totalmente alagada, sem água potável e alimentos, aliás, o pouco que restava foi consumido pela fúria da chuva.
“Está difícil, estou há quatro dias sem passar refeições. Todos os meus bens foram destruídos. As minhas mantas molharam, tal como as imagens mostram. Estou há quatro dias dentro da água. A torneira está submersa e estou a consumir água suja “, lamentou a idosa.
Assim como muitos, Mário João, tem o seu quintal completamente alagado e teme que os próximos dias sejam piores, pois a chuva continuam a “descarregar”.
“Estamos no fim do mundo. Aqui em casa estou a ficar sem comida, para hoje, esta é a nossa última refeição. Só para tomar chá é difícil”, referiu Mário João, residente do quinto bairro.
Já Paulo Matwuassa contou que perdeu “todas roupas, incluindo uma estante, na qual guardava o televisor que ficou toda estragada”
A concentração de água é notável também nas principais vias de acesso, dificultando a circulação de pessoas e de bens. Por isso, pais e encarregados dizem que seus filhos estão em risco de perder as avaliações.
“As crianças estão há quatro dias em casa. Por exemplo, não há condições para se chegar à Escola primária e secundária de Machavane, devido ao nível de água. Os que tentaram desafiar águas caíram na água, com cadernos, e outros molharam no interior das casas”, disse a encarregada de educação, Alice Chauque.
As autoridades locais descrevem um quadro de sofrimento que forçou muita gente a deixar as suas casas. Mas há quem não tem alternativa.
“O município disse que ia abrir o canal para aliviar a água, mas ainda não fez, por conta da situação, estamos com todas casas submersas, sem comida e nada. (…) Mas ainda há registo de mortos” disse, Helena Mambo, Chefe do Quarteirão.
Em Gaza, cerca de 30 mil famílias estão em risco de fome extrema, na sequência do transbordo do rio Limpopo.