A abertura simbólica da Quarta Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo, na manha desta quarta-feira, na Cidade da Matola, coube ao presidente do partido. Falando aos militantes, Daniel Chapo exortou-os para que, nos três dias do evento, tenham debates profundos, capazes de consolidar a coesão e a unidade entres os “camaradas”.
Na primeira sessão ordinária que se realiza depois da eleição do novo presidente e do novo secretário-geral da Frelimo, Daniel Chapo começou por dizer que o encontro, na Escola da Frelimo, inaugura um novo ciclo político. De seguida, agradeceu pela confiança depositada pelo Comité Central em relação à responsabilidade de presidir a força partidária, e expressou a sua satisfação por contar com o apoio dos líderes que o antecederam, Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi, com os quais tem falado permanentemente para “beber da sua experiência”.
Aos seus “camaradas”, Daniel Chapo disse que as eleições de 9 de Outubro foram disputadas numa conjuntura em que houve interessados, ao nível interno e externo, em tirar a Frelimo, a todo o custo, do poder, numa estratégia de afastar os partidos libertadores da região. Mas, frisou Chapo, a Frelimo preparou-se e organizou-se, o que permitiu o seu candidato vencer os seus adversários, numa expressão genuína e respeito à vontade popular. Por isso, o presidente do partido felicitou os membros do Comité Central e os mais de 5 milhões de membros da Frelimo pelo engajamento na construção da vitória.
Numa altura em que várias forças políticas ainda vivem do passado, no caso 2024, Daniel Chapo convidou os “camaradas” a um aproveitamento máximo da Quarta Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo, de modo que possam pensar nos destinos dos moçambicanos. Nesse sentido, Chapo espera que o partido analise, de forma franca e desapaixonada, os resultados das últimas eleições e, principalmente, comece a preparar a vitória nas próximas eleições. Tal exercício, sublinhou, passa por os membros do Comité Central reconhecerem a necessidade de correcção de eventuais falhas do partido. A pretensão do Presidente da Frelimo é que a agenda aprovada para a sessão, que inclui a revisão dos estatutos, permita aprofundar questões pertinentes e, por conseguinte, o partido possa sair da Matola, no sábado, como partido renovado, coeso e preparado para vencer os desafios que se avizinham.
Algumas das questões que Daniel Chapo quer ver debatida na sessão ordinária tem a ver com: o funcionamento do partido na gestão da actual situação política, social e económica do país; e a relação entre a Frelimo e povo, porque a legitimidade do partido depende disso.
De igual modo, o Presidente da Frelimo quer que os debates nas sessões possam transparecer uma promoção da integridade política, do combate à corrupção, da comunicação estratégica com o povo e do aprofundamento da democracia interna do partido.
No seu discurso de abertura da Quarta Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo, Daniel Chapo manifestou a pretensão de ter de volta as reuniões de quadros, pois estão ultrapassadas as questões que as impediam, por exemplo, a pandemia da COVID-19. Segundo sugeriu, tais reuniões são oportunas para a crítica e autocrítica interna, pelo que, nessas circunstâncias, os militantes devem evitar colocar-se numa situação defensiva.
Chapo espera que todos saiam da caixa, reconheçam as fragilidades e as fraquezas do partido, para que possam reforçar a coesão e a união. Para o efeito, o Presidente da Frelimo defendeu que as lideranças do partido devem descer às bases, com temas como harmonia, paz, perdão e amor na agenda. Assim, será possível explicar às populações a real “verdade eleitoral” do escrutínio de 9 de Outubro.
Com a aproximação às bases e às populações, Daniel Chapo pretende que a Frelimo destrua teorias do ódio, semeadas por certas forças políticas nacionais. Para Chapo, os moçambicanos são reconhecidos, no mundo, como povo pacíficio, pelo que a recuperação da narrativa do amor, no lugar da narrativa do ódio, é urgente.
Numa altura em que, segundo Chapo, parece haver incertezas sobre a orientação ideológica dos partidos políticos moçambicanos, o Presidente da Frelimo considera urgente a apreciação de uma directiva sobre o papel dirigente no seio dos camaradas. Por isso, “queremos fortalecer a acção de formação de quadros, nas escolas do partido, em especial a juventude, para manter viva a chama de patriotismo, a base na nossa existência”.
A reintrodução do relatório do secretariado nas sessões, para prestar contas ao órgão que o elegeu, a apreciação do plano de actividade e orçamento do partido de 2025, ano em que um dos desafios consiste na reconstrução das infra-estruturas destruídas, são, para Daniel Chapo, outros temas importantes discutir.
Uma vez mais, Chapo realçou que a Frelimo tem responsabilidades acrescidas no compromisso político para um diálogo nacional inclusivo, cuja proposta de lei foi aprovada esta quarta-feira, pela Assembleia da República. “Pretendemos que toda a sociedade esteja engajada pela paz efectiva”, disse.
A Quarta Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo acontece num ano em que se celebra o meio século da proclamação da independência nacional. Em relação às celebrações, no dia 7 deste mês de Abril, portanto, segunda-feira, será lançada uma chama da unidade, em Nangade, Cabo Delgado, que vai percorrer todas as províncias. A 25 de Junho, a chama de unidade nacional vai chegar ao Estádio da Machava, na Matola, neste momento em reabilitação. “Exortamos os membros do Comité Central e os quadros do partido para que se associem ao alto momento de celebração da nossa independência nacional”.
As celebrações dos 50 anos da independência nacional vão estender-se até Dezembro. Nas várias actividades, espera-se a promoção da reflexão sobre os ganhos do país desde 1975.
A Quarta Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo vai apreciar o Plano Quinquenal do Governo. Sobre o tema, Daniel Chapo espera colher contribuições realistas, para que o Plano Quinquenal do Governo traduza as aspirações de todas as camadas da sociedade moçambicana, e, assim, tenha impacto na vida das populações.
A agenda aprovada da Quarta Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo inclui a eleição dos membros do secretariado, em função da nova estrutura orgânica do partido.
A terminar o seu discurso, Daniel Chapo apresentou aos “camaradas” os novos membros do Comité Central, nomeadamente, Ângela Serrote, Chinguane Sebastião Marcos Mabote, Manuel Ribeiro Formiga, Gilberto Francisco e Carlos Zavala.
Por fim, a pedido de um membro do partido, Daniel Chapo acrescentou à agenda inicial o debate sobre a Estratégia Nacional de Desenvolvimento.