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Chapo define diálogo, unidade e independência económica como pilares da nova etapa da paz

Trinta e quatro anos depois da assinatura do Acordo Geral de Paz, o Presidente da República, Daniel Chapo, defende que preservar a paz exige aprofundar o diálogo, reforçar a unidade nacional e responder aos novos desafios de segurança e desenvolvimento. Chapo aponta agora a independência económica como a próxima grande conquista dos moçambicanos. O Presidente falava hoje, em Xai-Xai, nas cerimónias centrais dos 34 anos do Acordo Geral de Paz.

O Presidente da República, Daniel Chapo, depositou hoje uma coroa de flores na Praça Eduardo Mondlane, no município de Xai-Xai, em homenagem aos moçambicanos que perderam a vida durante os 16 anos de conflito armado.

Perante governantes, dirigentes políticos, representantes de partidos, líderes religiosos e população, Chapo destacou a paz como uma conquista colectiva que deve ser preservada através do diálogo, da reconciliação e da unidade nacional.

No discurso proferido de seguida, no Paços do Conselho Municipal de Xai-Xai, o Chefe do Estado apresentou os principais desafios que, na sua leitura, se colocam ao país 34 anos depois da assinatura do Acordo Geral de Paz.

DIÁLOGO COMO INSTRUMENTO PARA PRESERVAR A PAZ

O Presidente defendeu o Diálogo Nacional Inclusivo como espaço para os moçambicanos discutirem as suas diferenças e procurarem soluções comuns para o desenvolvimento do país.
Chapo afirmou que o processo está a ouvir cidadãos de todo o território nacional, desde o nível central às comunidades, incluindo a diáspora.
“O verdadeiro diálogo não começa quando todos concordamos.

Pelo contrário, começa quando, apesar das nossas diferenças, decidimos sentarmo-nos à mesma mesa.”
O Presidente sustentou ainda que o diálogo não pertence ao Governo nem aos partidos políticos, mas ao povo moçambicano, defendendo que nenhum Governo, partido ou instituição pode garantir sozinho a paz.

UNIDADE NACIONAL E RECONCILIAÇÃO

A unidade nacional constituiu outro eixo do discurso. Chapo defendeu que diferenças políticas, religiosas, linguísticas ou regionais não devem colocar em causa a condição comum de moçambicanos.
Para o Presidente, reconciliar não significa esquecer o passado, mas aprender com a história e impedir que as feridas do conflito determinem o presente e o futuro.

Chapo defendeu, por isso, que os moçambicanos podem pensar e competir politicamente de forma diferente sem deixarem de construir juntos a Nação.
Paz com resultados Económicos
Mas, 34 anos depois do Acordo Geral de Paz, Chapo entende que a paz deve produzir resultados concretos na vida da população.
É neste contexto que apresenta a independência económica como a próxima grande conquista nacional.

O Presidente estabelece uma sequência entre a independência política, conquistada em 1975, e a paz, alcançada em 1992, defendendo que o país deve agora concentrar esforços na independência económica.
Para o cidadão comum, diz, esta independência deve significar comida na mesa, emprego para jovens e mulheres, rendimento familiar e esperança numa vida melhor.

No plano económico, Chapo aponta para o aumento da produção e transformação no país, industrialização, desenvolvimento da agricultura e do turismo, fortalecimento do empresariado nacional, mais exportações e menos importações.
É neste quadro que cita medidas como a nova Lei de Minas, a nova Lei de Petróleo, a Lei do Conteúdo Local e o Banco de Desenvolvimento de Moçambique.
“A próxima grande fronteira da nossa paz chama-se transformação estrutural da nossa economia.”

JUVENTUDE E O NOVO SIGNIFICADO DA PAZ
O Presidente dedicou atenção particular à geração que nasceu depois de 1992. Chapo lembrou que milhões de jovens nunca viveram a guerra e questionou o que significa paz para quem nunca conheceu o conflito.
Na resposta, associou a paz a educação de qualidade, emprego digno, acesso à tecnologia e esperança no futuro. Alertou ainda para os riscos da desinformação, manipulação e boatos, sobretudo nas redes sociais, defendendo o diálogo como principal instrumento para evitar que as diferenças se transformem em conflito.

SEGURANÇA E TERRORISMO
A situação de segurança em Cabo Delgado foi outro dos pontos destacados. Chapo considerou o terrorismo uma ameaça à paz nacional e reafirmou o combate ao terrorismo, extremismo violento, crime transnacional, corrupção e tráfico de droga.
O Presidente apelou à solidariedade nacional para com as populações de Cabo Delgado e destacou igualmente o trabalho das Forças de Defesa e Segurança e das forças que cooperam no combate ao terrorismo.
“A paz e a segurança da nossa Pátria são inegociáveis.”

RELIGIÃO E CULTURA DE PAZ
No Dia da Paz, celebrado sob o lema “A Religião como Promotora da Paz e Segurança”, Chapo destacou o papel das confissões religiosas durante os 16 anos de conflito.

Recordou marchas, cultos ecuménicos, vigílias, orações e iniciativas de mediação, destacando igualmente o envolvimento de líderes religiosos nas negociações de paz. O Presidente defendeu que a paz também é uma escolha moral e espiritual e garantiu que o Governo continuará a trabalhar com as diferentes confissões religiosas, respeitando a liberdade religiosa.

ESCOLA, FAMÍLIA COMO CONSTRUTORES DA PAZ

No encerramento, Chapo lançou um compromisso nacional para transformar a paz numa cultura de convivência.
Defendeu que cada escola seja uma escola de paz, cada família uma família de paz, cada instituição um espaço de confiança e cada cidadão um construtor da reconciliação nacional.

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