Pelo menos 70 famílias vivem em casas alagadas, no bairro de Boquisso “A”, no município da Matola. Várias ruas encontram-se submersas e os moradores relatam afogamentos e desaparecimentos de crianças, nas águas que inundaram alguns quarteirões.
No bairro de Boquisso “A” vários quarteirões foram engolidos pelas águas e encontram-se em risco de desaparecer.
Muitas casas estão submersas, até perto do tecto e sem condições mínimas para viver.
No local, o conhecido líquido precioso trouxe dor e continua a transportar perigo para dezenas de famílias.
“A água já ultrapassou os limites das janelas. Não sabemos se o município está nos esquecendo, se o município sabe da situação, se o município lembra de nós, se essa situação vai se resolver ou ainda não. Aqui tem insectos, aqui. Aqui nós temos crianças. Todos os dias as crianças estão aqui”, lamentou Nilda Chivambo, residente no bairro Boquisso “A”.
Em alguns quarteirões do bairro Boquisso “A”, no município da Matola, já nem é possível identificar as ruas, porque as águas tomaram conta de todos os cantos.
Além de serpentes e insectos, os moradores convivem com peixes, e à vista de todos, as crianças transformam estes espaços em piscinas, expostos aos riscos de doenças, afogamentos, ou até de perder a vida.
Este problema vivido pelos munícipes de Boquisso “A” começou em 2023 e a situação tende a agravar-se, sempre que chove. Desilusão para quem sonhou em fazer a sua vida.
A cada dia, mesmo sem condições, os moradores abandonam as suas casas, cansados de viver dentro da água. São sacrifícios e os sonhos de uma vida inteira, reduzidos a nada…
Que o diga Hussein Francisco, que com a ajuda de vizinhos, retirava os poucos bens que ainda era possível recuperar.
Porque consideram os valores pagos nas casas de renda elevados, alguns dependem da boa vizinhança de quem não tem água, pelo menos dentro de casa.
“Esta é a minha casa, que vocês conseguem ver aqui. Está toda cheia de água, não tenho onde dormir, tenho dormido num cantinho que pedi na casa dos meus vizinhos. Pedimos socorro por conta da água aqui em Boquisso, estamos a sofrer com crianças, carregamos as coisas mas nem para onde ir sabemos”, lamentou Hermínia Alexandre.
Enquanto isso, há quem mesmo vive, literalmente, na água.
“Nós entramos em casa através destes sacos, estes que colocamos aqui e usamos blocos também lá dentro. Não vou arrendar porque não tenho dinheiro, continuo a viver aqui”, disse.
Nesta condição vivem cerca de 100 famílias, segundo explicou Filipe Magaia, chefe do quarteirão 5, do bairro Boquisso “A”, que, aliás, queixam-se de abandono por parte do município.
Os moradores questionam o facto da edilidade ter permitido a construção de casas nestes locais vulneráveis a inundações.
Para reagir ao assunto, contactamos o gabinete de Comunicação e Imagem do município da Matola, que prometeu pronunciar-se oportunamente.

