O País – A verdade como notícia

Saga d’ouro: a história de um narcisista

Salvar a história, seja onde for, impõe a liberdade de escolher ser livre ou sujeitar-se ao sacrifício. Adelino Timóteo Há dias encontrei-me com um velho amigo, que me perguntou: “então, José, e a crítica a Saga d’ouro? O que achaste do livro?” Bem, o Celso, o velho amigo, já havia lido a obra distinguida com […]

Vinte e Cinco

Ela segurou-me pelos olhos. Pelo fio do olhar, delicado, mas fatal como a seda teia de uma aranha. Entramos para a cela escura. Não, não estávamos detidos. Pagamos três notas aos policias da esquadra, para termos meia hora de privacidade naquele compartimento. Deslizou um, dois, três passos felinos. Pousou a cidra no chão, depois de […]

Artur, Sem medo de “semear guerras”

Semedo saíu daqui para jogar em Portugal. Por lá, fez o curso de treinadores. Regressou com estranhos galões que lhe outorgaram o direito de catalogar, a nós que “não saltámos o arame”, de cidadãos cujos cérebros definharam, de tal forma que os nossos raciocínios terão parado, no espaço e no tempo. De facto, a nossa […]

Morro sim, mas tu vives!

"Vais morrer?" Perguntou Mujaxihi, meu único irmão, entre aquela multidão de jovens sonhadores. Eu, inspirado pela inspiração de todos disse: se tiver de ser que seja. Mas tu, meu irmão, tu não vais morrer. Cabelo despenteado, pálido como o rosto, quase a criar uma mata. Calções pretos, com uma forte tonalidade de branco e dois […]

Guardo o papá no bolso e a mamã no coração…

A minha loucura mais perene é a minha lucidez. A vida é um rio ornado por vazios estilhaçados. Quando chove, do rio desponta a vida e o vazio se afunda no lugar onde nunca existiu. Muitas vezes escrevo porque me sinto tacteando o silêncio, nas restantes namoro o proibido. Até aqui muita «conversa para boi […]

Na asa da escrita – Cemitério dos pássaros*

Um romancista não terá, forçosamente, que depender do êxito ou fracasso dos seus livros, terá que continuar, sem desfalecimentos, no caminho que se propôs seguir. Eduardo Paixão “Dazanana de Araújo Simplíssimo vivia uma estranha sensação de que estava morto. Durante muitos anos cultivava em demasia a crença de que a sua vida era a morte” […]

Um lobolo suspenso por moedas

Por aqueles lados, quando o assunto é cumprir a tradição, um pequeno detalhe pode custar um casamento. Duvidas? Não te atrapalhes, conto-te isto e verás. Os frangos, deitados de costas naquela cama de ferro, desenhavam loucuras nas mentes de quem os olhava. Lembravam memórias barulhentas que não cabem numa só vida.  Por baixo da cama, […]

Ondjaki e as respectivas estações do íntimo

Primeiro O Céu: espaço ilimitado em que se movem os astros, mas também, e destaco: parte desse espaço limitado pelo horizonte, ou seja, pelo olhar de quem o observa. Segundo Não Sabe Dançar, sendo que esta é uma qualidade mais humana, visto que os homens inventaram a música e decidiram dar saltos ou passos cadenciados […]

Espaço (s) e Tempo(s): uma leitura sobre raça (s) em Lisboa

Algo chamou-me atenção em Lisboa, algo que nunca foi importante observar nas ocasiões passadas, digo Lisboa  como casa da memória Colonial, um espaço de reencontros étnicos-raciais, pese ainda a (in) diferença social por debaixo da glória dos descobrimentos, narrativa sempre contada na primeira pessoa do singular. Sempre olhei com desconfiança certos epítetos a que são […]

Que sirva ao futebol o exemplo/sacudidela do basquetebol!

No Estádio do Zimpeto, com pouco público, Desportivo e Costa do Sol disputaram uma partida do Moçambola, em ambiente frio e com pouco público, dando a impressão de que estavam apenas a cumprir o calendário. Na mesma altura, no Pavilhão do Maxaquene, Ferroviário de Maputo e A Politécnica, em basquetebol, davam corpo a uma jornada […]