Nos sonhos de Agnaldo Bata
Os destinos da humanidade estiveram sempre nas mãos dos adultos. São eles que traçam um futuro que seguramente não será o seu, mas sim um futuro em que nós jovens teremos de viver. in Eduardo Paixão Uma narrativa envolvente, daquelas que habitualmente não são inventadas na literatura moçambicana. De forma prévia, ocorre-nos dizer […]
É preciso mais seriedade no “assunto Cabo Delgado”
Levei mais de um ano a juntar elementos que pudessem suportar a minha reflexão sobre os ataques armados em Cabo Delgado, Norte de Moçambique, até que esta semana a procuradora-geral-adjunta, Dra. Amabélia Chuquela, me deu os últimos subsídios para compor este artigo de opinião, cuja conclusão se baseia na constatação feita no terreno, das três […]
A história de um homem que não quis ser rico
A riqueza nem sempre vale o alto preço que por ela se paga. João Salva-Rey Estas coisas de nos encontrarmos com amigos inspiradores valem sempre. Há uma semana foi com o Celso. Apenas dois minutos de conversa resultaram num artigo sobre o premiado livro Saga d’ouro, de Aurélio Furdela. Desta vez, a conversa durou […]
O CÂNONE LITERÁRIO MOÇAMBICANO: três afloramentos
Coube-me a tarefa de apresentar três estudos, cujo denominador comum entre os mesmos é a discussão em torno do cânone literário em Moçambique ou do cânone literário moçambicano. Confesso que me senti como alguém a quem pregaram uma partida, dada a responsabilidade que o exercício exige. Mas porque a apresentação de livros pressupõe um exercício […]
Xindau e Xissena
Xindau chegou, devagar, silencioso, como o ar antes de ser vento. Xissena, num gesto feminino, puxou a capulana de pouca cor e cobriu os joelhos. Estava sentada, entre o sol pardo e o chão resignado, sobre uma esteira de palha antiga, único bem que pôde resgatar da fúria recente do vento, das águas e dos […]
Armando Artur, o poeta como barro na olearia do tempo
Estreou-se em livro próprio em Espelho dos Dias. Volvidos 33 anos, conta já uma dezena de livros. Todos a marcarem o traço de um poeta que quer conjugar todas as possíveis funções da poesia, sendo profundamente influenciado pelo tempo que vive Há uma ilustração, assinada por Gemuce, em Muery: elegia em Si maior (Cavalo do […]
Saga d’ouro: a história de um narcisista
Salvar a história, seja onde for, impõe a liberdade de escolher ser livre ou sujeitar-se ao sacrifício. Adelino Timóteo Há dias encontrei-me com um velho amigo, que me perguntou: “então, José, e a crítica a Saga d’ouro? O que achaste do livro?” Bem, o Celso, o velho amigo, já havia lido a obra distinguida com […]
Vinte e Cinco
Ela segurou-me pelos olhos. Pelo fio do olhar, delicado, mas fatal como a seda teia de uma aranha. Entramos para a cela escura. Não, não estávamos detidos. Pagamos três notas aos policias da esquadra, para termos meia hora de privacidade naquele compartimento. Deslizou um, dois, três passos felinos. Pousou a cidra no chão, depois de […]
Artur, Sem medo de “semear guerras”
Semedo saíu daqui para jogar em Portugal. Por lá, fez o curso de treinadores. Regressou com estranhos galões que lhe outorgaram o direito de catalogar, a nós que “não saltámos o arame”, de cidadãos cujos cérebros definharam, de tal forma que os nossos raciocínios terão parado, no espaço e no tempo. De facto, a nossa […]
Morro sim, mas tu vives!
"Vais morrer?" Perguntou Mujaxihi, meu único irmão, entre aquela multidão de jovens sonhadores. Eu, inspirado pela inspiração de todos disse: se tiver de ser que seja. Mas tu, meu irmão, tu não vais morrer. Cabelo despenteado, pálido como o rosto, quase a criar uma mata. Calções pretos, com uma forte tonalidade de branco e dois […]
