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Banco de Moçambique reduz taxa de juro de política monetária para 9,25%

O Banco de Moçambique (BdM) decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária de 9,50% para 9,25%, numa decisão tomada pelo Comité de Política Monetária (CPMO), num contexto marcado por riscos inflacionários persistentes, desaceleração da actividade económica e impactos severos de choques climáticos sobre a economia nacional. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo governador do banco central, Rogério Zandamela.

Segundo o governador, a decisão resulta das actuais perspectivas de manutenção da inflação em níveis controlados, embora ainda envolta em riscos e incertezas, particularmente associados às recentes inundações que afectam cadeias logísticas, a oferta de bens essenciais e o ritmo de reposição da capacidade produtiva. “A redução da taxa é sustentada pelas perspectivas da inflação, não obstante a materialização de alguns riscos”, afirmou.

Zandamela explicou que, apesar da desaceleração observada em alguns segmentos, os preços de produtos alimentares, sobretudo frutas, vegetais e bens de origem agrícola, têm registado uma evolução favorável. Em Dezembro, a inflação aumentou face a Novembro, mas manteve-se em níveis considerados baixos, sobretudo no componente alimentar, apontado como motivo de “orgulho” para a política económica.

No entanto, o governador alertou que o ciclo de redução da taxa de juro iniciado em Janeiro de 2024 aproxima-se do seu limite.

 O Banco de Moçambique considera que o actual ambiente de risco e incerteza poderá condicionar novas descidas da taxa mínima nos próximos meses. “Estamos próximos do fim do ciclo de flexibilização da política monetária”, sublinhou.

No plano económico, Zandamela traçou um quadro de fragilidade da actividade produtiva. No terceiro trimestre de 2025, estima-se que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha contraído 1,3% em termos anuais, após uma queda de 1,7% no trimestre anterior. Mesmo numa análise trimestral, o PIB registou uma contracção de 0,9%, confirmando a tendência de desaceleração que o país vem observando desde 2024.

Para o médio prazo, o Banco de Moçambique antevê uma recuperação gradual da economia, ainda que a um ritmo mais lento, sobretudo devido aos choques climáticos recorrentes e às limitações estruturais persistentes. A exclusão da produção corrente de Gás Natural Liquefeito (GNL) revela um crescimento económico modesto, pressionado por factores internos e externos.

Um dos principais constrangimentos destacados pelo governador é o endividamento público interno, que continua a aumentar e a afectar o normal funcionamento dos mercados financeiros. A dívida pública interna, incluindo contratos de locação financeira e outras responsabilidades, situa-se em cerca de 485 mil milhões de meticais, representando um aumento significativo face a Dezembro de 2025.

O governador alertou ainda para os atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado, que têm contribuído para a fraca procura por títulos públicos e para a rigidez das taxas de juro no mercado monetário interbancário. Esta situação, segundo o banco central, agrava o ambiente de incerteza e limita a eficácia da transmissão da política monetária à economia real.

No contexto externo, Rogério Zandamela chamou atenção para o agravamento das tensões comerciais e geopolíticas, com destaque para decisões adoptadas pelos Estados Unidos, que podem influenciar negativamente os preços das mercadorias e dos alimentos nos mercados internacionais, com reflexos directos na inflação doméstica.

Perante este cenário, o Banco de Moçambique reafirma que a orientação da política monetária continuará dependente da avaliação contínua dos riscos subjacentes às projecções da inflação, tanto a nível interno como externo. 

A próxima reunião plenária do Comité de Política Monetária está agendada para o dia 30 de Março de 2025, altura em que poderão ser reavaliadas as condições macroeconómicas e monetárias do país.

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