O Banco Africano de Desenvolvimento projecta um crescimento médio real do Produto Interno Bruto de 3,9% para Moçambique em 2026-2027. Embora positivo, este crescimento está abaixo de 7%, nível considerado necessário para uma transformação económica acelerada e redução significativa da pobreza.
O relatório do Banco Africano de Desenvolvimento sobre o Desempenho e Perspectivas Macroeconómicas em África perpectiva é mais optimista do que o próprio Governo, ao prever um crescimento médio real do Produto Interno Bruto de 3,9%, acima dos 2,8% inscritos no PESOE 2026.
A projecção do BAD é baseada essencialmente pelo aumento da produção.
“Em vários países, o crescimento foi apoiado por uma produção agrícola mais forte, reflectindo não apenas condições climáticas favoráveis, mas também a adopção gradual
de práticas agrícolas inteligentes em termos climáticos, juntamente com o aumento do investimento em infraestruturas e a confiança renovada do sector privado”.
Embora o crescimento económico mostre positivo, o relatório mostra que está muito abaixo do ritmo necessário para reduzir a pobreza. É que o BAD determina o mínimo de 7% de crescimento para atingir este objectivo.
“É necessário um crescimento médio anual sustentado de pelo menos 7% durante uma década para que África concretize a transformação estrutural, acelere a redução da pobreza e construa resiliência contra choques globais e internos”.
Dos desafios enfrentados pelas nações africanas, o documento destaca:
- Frequentes choques climáticos;
- Sobre-endividamento persistente;
- Conflito regionais; e
- Instabilidade política.
Face a estes desafios, o relatório recomenda melhorias na gestão dos recursos públicos.
“Os países africanos têm de implementar reformas complementares para melhorar a mobilização de recursos internos, nomeadamente através da digitalização dos sistemas fiscais e do alargamento da base tributária, bem como da melhoria da administração fiscal e
da redução da evasão ao fisco, o que diminuirá a dependência do financiamento da
dívida e reforçará as reservas orçamental”.
O BAD defende investimentos em infraestruturas produtivas e maior diversificação económica, ao mesmo tempo que identifica o fraco investimento em capital humano e os défices de competências como obstáculos ao crescimento.