Regista-se um movimento invulgar de cidadãos estrangeiros e moçambicanos que regressam da África do Sul, na sequência do prazo estabelecido por grupos anti-imigração para a saída de migrantes daquele país.
No Terminal Interprovincial da Junta, na cidade de Maputo, dezenas de pessoas aguardam transporte para prosseguir viagem. A maioria são cidadãos malawianos que utilizam Moçambique como corredor de trânsito para regressar ao seu país de origem.
Um dos migrantes entrevistados no local relatou que chegou ao terminal há vários dias e continua à procura de transporte para seguir viagem. Segundo explicou, a deterioração do ambiente de segurança na África do Sul e as ameaças dirigidas a cidadãos estrangeiros levaram-no a abandonar aquele país.
O migrante afirmou ainda que vários estrangeiros, incluindo malawianos e moçambicanos, terão sido vítimas de maus-tratos durante as últimas semanas, num contexto marcado pelo recrudescimento de sentimentos anti-imigração.
Entretanto, transportadores que operam no Terminal Interprovincial da Junta asseguram que existem meios disponíveis para responder à crescente procura de viagens para o norte do país e para os países vizinhos.
O aumento do fluxo de migrantes ocorre numa altura em que milhares de cidadãos estrangeiros deixam a África do Sul por receio de actos de violência associados às manifestações contra a presença de imigrantes. As autoridades sul-africanas garantem que estão a reforçar as medidas de segurança e apelam à manutenção da ordem pública.
No local, continua a chegar um número significativo de viajantes provenientes da África do Sul, sobretudo cidadãos malawianos, que procuram transporte para regressar aos seus países de origem, utilizando Moçambique como principal rota de passagem.