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António Muchanga e Magumisse juntam-se aos desmobilizados e exigem renúncia de Ossufo Momade

António Muchanga e Alfredo Magumisse  dizem que é urgente que o líder do seu partido, Ossufo Momade, renuncie ao cargo, antes que aconteça o pior. Os membros seniores da Renamo acusam o seu presidente de hipotecar o partido, promover tribalismo e perseguições, além de má governação.

A crise está instalada no seio do partido Renamo.  

Depois dos desmobilizados, que já a algum tempo, contestam a liderança de Ossufo Momade, outros rostos começam a juntar-se à causa por considerá-lo um líder despreocupado. 

“Nós queremos um partido vivo, queremos um partido dinâmico. O presidente Ossufo já deu o que tinha a dar, está cansado. Senhores, não podemos brincar de deixar a Renamo morrer. Ouvimos”, disse Antonio Muchanga. 

O membro sénior da Renamo, disse que o partido está cada vez mais a afundar-se, devido àquilo que considera má governação, associada ao tribalismo promovido pelo líder do partido. 

“A primeira questão que Dhlakama morreu e deixou-nos com o direito de eleger, entretanto, Ossufo Momade trouxe-nos as nomeações. Os delegados provinciais eram eleitos por proposta da Comissão Política Nacional. Ossufo retirou isso. Quem nomeia os delegados provinciais e distritais é ele. Ele nem sequer faz  as reuniões regulares. O estatuto da Renamo preconiza que o partido se reúne duas vezes por ano, em Conselho Nacional. Não consegue fazer isso, mesmo quando tinha muito dinheiro. Não conseguia fazer isso, a receber dinheiro dos assentos da Assembleia, a receber dinheiro do Estado, do Gabinete de Líder de Oposição, a receber dinheiro das nossas cotas, a receber dinheiro dos parceiros da cooperação. Agora, que saiu de 60 para 28, já perdeu a outra parte. A outra questão é falta mesmo de ideias. A atividade do nosso presidente é imitar o que os outros fazem, não é proactivo, é imitador. Então nós precisamos passar desta fase de macacos imitadores para sermos pessoas proactivas.” 

Alfredo Magumisse é outro membro, que por reconhecer que a saúde do partido não está boa, quer que haja mudanças. 

“A democracia significa concordar com aquilo que a maioria diz. O partido sofreu uma derrota jamais vista. O presidente Ossufo tem que abrir espaço. Não digo que temos que sair daqui, pegar um pau, dizer, sai Ossufo. Não, tem que haver espaço para um debate amplo. E ele tem que conduzir a transição dentro do partido para que haja um novo líder capaz de trazer um novo ar fresco dentro do partido e desse novo líder avançarmos.”

O líder do partido é acusado de perseguições aos membros que são contra os seus ideais. 

Para os membros da perdiz, a solução para os problemas internos da Renamo é uma só, “Vamos tirar Ossufo. Ele tem que sair. Não é para ser expulso. É para ele cessar, deixar de ser presidente.”

Neste sábado, os desmobilizados reuniram-se para convocar um congresso extraordinário. 

“Estamos numa luta justa. É pena porque outros ainda têm medo. O objetivo é encontrar um mecanismo para afastar Ossufo Momade, porque ele já tem que sair. Aquilo que os colegas aqui vão decidir é aquilo que nós todos vamos seguir’, explicou Abdul Machava, porta-voz dos desmobilizados da Renamo. 

Os presentes nesta reunião garantem que a preocupação não é só deles, mas de quase todos os membros do partido, incluído deputados.

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