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Alfredo Gamito apontado como Pai da Descentralização 

José Chichava diz que Alfredo Gamito deve ser considerado Pai da descentralização, pelo seu contributo na criação de leis específicas, tanto como Ministro da Administração Estatal, quanto como deputado.   

O académico José Chichava substituiu Alfredo Gamito na função de Ministro da Administração Estatal. Chichava diz que seu trabalho foi facilitado pela inteligência de Gamito. 

“Vamos perder a firmeza com que ele defendia a questão da descentralização. Ele foi das pessoas que logo no princípio, por exemplo, quando veio esta questão de  alguma proposta em tempos da Renamo, de fazermos autarquias provinciais.  Ele, portanto, de forma, evidentemente, rejeitou isso, explicou que não tinha absolutamente nenhum sentido em termos de autarquias provinciais”, disse.

Por isso diz que o Ministro Gamito, como carinhosamente o tratava, devia ser considerado Pai da descentralização.  

“Ele, de facto, é das pessoas que deu aquilo que podemos chamar o pontapé de saída na descentralização no país. Porque hoje a lei que nós temos, a 2/97, foi feita, portanto, das mãos dele. Ele é que levou essa lei à Assembleia da República. E acontece uma coisa interessante, que facilitou o meu trabalho. É que quando eu entro, o ministro Gamito vai para o Parlamento para dirigir a Comissão da Administração Pública e Poder Local. Significa que, portanto, todas as propostas que eu poderia ter, propostas de lei, que tinham que ir ao Parlamento, eu tinha já tudo facilitado. Porque eu tinha alguém, primeiro, que vivia os problemas da Administração Pública.  É por isso que foi muito mais fácil, já no meu tempo, aprofundar algumas coisas da descentralização, bem como aprovarmos a lei dos órgãos locais do Estado”, explicou emocionado Chichava.. 

Foi sob sua gestão que houve reformas profundas na administração pública, segundo testemunha o secretário de Estado de Nampula, Plácido Pereira.

“Um grande homem que tinha uma visão sobre a Administração Pública, porque tinha trabalhado a nível local. E isto facilitou a sua actividade quando chega ao cargo de ministro. Posteriormente, quando chefiou a Comissão da Administração Pública e Poder Local na Assembleia da República, facilitava muito a discussão, a compreensão dos projectos de lei que eram submetidos à Administração Pública. Era uma pessoa de trato fácil, era uma pessoa afável e era uma pessoa íntegra”, disse, recordando vários episódios de integridade do finado. Um deles foi: 

“Em algum momento, na altura, os ministros viviam em casas afetas aos ministérios, mas que eram casas da APIE. Houve ministros que passaram estas casas por seu nome e depois compraram. Mas o Sr. Gamito instruiu o Ministério da Administração Estatal  para registrar aquela casa onde ele vivia em nome do Ministério da Administração Estatal”.

Jorge Ferrão, Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, conta que tinha no Gamito um irmão mais velho e que a família é o legado mais valioso deixado.

“Não existe nada mais importante do que termos valores, vivermos com regras, vivermos com princípios e sabermos de onde viemos. Eu creio que ele fez. Há sempre aquele provérbio que diz que se o rio não sabe onde está a sua fonte, esse rio corre o risco de um dia secar. E para todos nós, se não prestarmos a devida atenção às nossas origens, à origem da nossa família, àquilo que nós transportamos como valor familiar, então nós corremos o risco de nunca ter uma família. E eu acho que o legado, em primeiro lugar, foi ter feito a família. Todo o resto vai ser julgado pela própria sociedade, pela história”.

Como parlamentar, Alfredo Gamito foi mentor de muitos deputados, tal é o caso de Galiza Matos Jr. 

“Alfredo Gamito tinha um domínio muito grande sobre diversas questões deste país, sobretudo a questão da governação local. Vale lembrar que alguma literatura sobre a governação local, alguma legislação ou se não muita legislação, passou pelas mãos dele.

Mas um momento muito interessante que eu tive a oportunidade também de estar com ele  foi aquando da comissão mista, em 2016, junto da actual primeira-ministra, o general Jacinto Veloso, ele próprio e o general Hama thai,  e do outro lado, a Renamo, quando tivemos que fazer o diálogo a nível da comissão mista, dado que estávamos num momento de clivagem em que havia ataques um pouco pelo país. E ali também ele emprestou o seu saber, tal como fez com muito mérito a nível de outras comissões. Este processo que estamos a viver da descentralização, muitas das ideias que estão aí resultam de um trabalho que ele próprio desenvolveu junto de outras pessoas. Portanto, Alfredo Gamito foi uma pessoa que fez, em parte, este país ser o que é hoje”, declarou.

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