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Agostinho Zacarias critica falta de posicionamento do País nos conflitos mundiais

Agostinho Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, critica a falta de posicionamento de Moçambique e do continente africano nos conflitos mundiais movidos pelas grandes potências do sistema das Nações Unidas. Por sua vez, o filósofo Severino Ngoenha adverte o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.

Agostinho Zacarias falou em Maputo, no primeiro evento promovido pelo recém-criado centro de diálogo Ndzualo. Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, questiona a posição de Moçambique no contexto político global.

“Há uma transformação da Ordem Global, e nós precisamos de saber como nos situar e responder a essas transformações”, apelou Agostinho Zacarias, recorrendo ao adágio do primeiro-ministro canadiano que disse “se você não faz parte da mesa, faz parte do menu”. Então, prosseguiu Zacarias, “o que é que nós faremos se amanhã recebemos ameaças iguais às de Cuba? Estamos numa era em que é fácil raptar um chefe de Estado quando não é agradável e não segue o que lhe é dito. Estamos numa era em que as regras mudam constantemente e que precisam de respostas adequadas a estas situações todas”, apelou.

Severino Ngoenha foi um dos convidados para falar da paz em Moçambique. Criticou influências externas nos esforços de paz em África e advertiu o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.

“Este é o mundo em que nós estamos, de relações de forças em que uns querem ser mais fortes do que os outros, vão ditar as próprias leis e com todos os meios que são necessários. A chefe de negócios americanos em Moçambique diz em voz alta para quem quer ouvir, que é preciso proteger os interesses americanos. Diz que Nacala é um ponto estratégico. Ela pede a Moçambique para não dar prioridade nos melhores aos chineses, mas abrir para os americanos. Se os chineses e americanos puserem-se a lutar, se os europeus e americanos lutarem, o que é que nós temos de fazer para que nós não sejamos de novo terreno de batalha e de conflito? O que é que temos de fazer para priorizar os nossos interesses?” questionou.

Ibrahim Gambri, subsecretário-geral da ONU para assuntos políticos entre 2005-2007, criticou o facto de esforços de paz em vários palcos de guerra no continente africano serem financiados externamente.

“Temos de encontrar uma nova maneira de financiar nossas operações de paz. Porque, infelizmente, dois terços de financiamento de todas as operações de paz em curso no nosso continente vêm da União Europeia. Eu não estou orgulhoso disso. Nós temos recursos suficientes neste continente para financiar nossas operações de paz. Temos de encontrar novas maneiras de fazer isso, taxar produtos de luxúria no comércio intra-africano.”

Participaram no evento membros da sociedade civil, pesquisadores moçambicanos, de Zimbabwe, África do Sul e Nigéria.

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