Pelo menos 19 pessoas foram mortas em ataques protagonizados por terroristas nos distritos de Mueda e Muidumbe, na província de Cabo Delgado, entre 21 e 31 de Outubro.
A informação consta da actualização de Novembro do Mozambique Conflict Monitor, publicada a 6 de Novembro pela ACLED, organização internacional independente que monitoriza conflitos e violência política.
De acordo com o documento, os ataques ocorreram em pelo menos sete localidades situadas na região que faz fronteira entre os distritos de Mueda e Muidumbe. Quase todas as vítimas eram civis que se encontravam a desenvolver actividades quotidianas.
“Todas as vítimas, à excepção de uma, eram civis que se encontravam a realizar as suas actividades quotidianas. Entre os mortos estavam dois compradores de castanha de caju, que foram mortos debaixo de um cajueiro, e alguns jovens que produziam a bebida local napa para comercialização.” lê-se no documento.
A ACLED refere ainda que, durante Outubro, o Estado Islâmico em Moçambique manteve actividade em nove distritos de Cabo Delgado, demonstrando capacidade para operar em diferentes pontos da província.
O relatório aponta fragilidades na estrutura de comando, nos serviços de inteligência e na logística das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) como alguns dos factores que dificultam a resposta à insurgência.
Entretanto, a violência armada continua a provocar deslocação das populações que abandonam suas residências, na sequência de ataques e ameaças de novos ataques,
Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), através da sua Matriz de Monitoria de Deslocados, indicam que 5.794 pessoas, correspondentes a 1.785 famílias, abandonaram as suas zonas de residência entre 21 de Setembro e 13 de Outubro, na sequência de ataques e ameaças de ataques de grupos armados não estatais.
Os movimentos foram registados nos distritos de Nangade, Macomia, Montepuez, Muidumbe e Mocímboa da Praia. Nangade concentrou o maior número de deslocados, com 3.041 pessoas, seguido de Macomia, com 1.424, e Montepuez, com 995.
O relatório da OIM indica ainda que: “79 por cento da população deslocada encontra-se em centros de reassentamento ou acolhimento temporário, enquanto 21 por cento está alojada em comunidades de acolhimento, distribuídas por seis distritos. A maioria foi registada no distrito de Nangade, com 3.041 pessoas, correspondentes a 52 por cento do total, das quais 2.307 se deslocaram dentro da localidade de Nambedo e 734 chegaram ao Centro de Muadi.”
Refira-se que, na semana passada, o comandante da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique, brigadeiro-general Sérgio Estrela, revelou que os insurgentes protagonizaram mais de 150 ataques entre Junho e Outubro deste ano.