A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para a falta de condições para prestar assistência a milhões de pessoas que fugiram da guerra no Sudão e enfrentam o risco de ficar sem abrigo.
Mais de três anos após o início do conflito armado, a ONU estima que cerca de 15,4 milhões de pessoas necessitam urgentemente de abrigo e de bens domésticos essenciais. Contudo, devido à insuficiência de financiamento, as agências humanitárias conseguiram prestar assistência a apenas 10% da população necessitada.
Segundo Mohamed Refaat, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no Sudão, apenas 900 mil pessoas foram alcançadas pelos programas de assistência.
O conflito, que começou em Abril de 2023, opõe as Forças de Apoio Rápido, um grupo paramilitar, ao Exército regular sudanês. A guerra já terá provocado mais de 200 mil mortes, segundo estimativas de organizações humanitárias, e desencadeou uma das maiores crises de fome e deslocamento populacional do mundo.
Actualmente, cerca de 8,6 milhões de pessoas continuam deslocadas dentro do território sudanês, enquanto milhões procuraram refúgio em países vizinhos. Outros regressaram às suas zonas de origem, mas encontraram habitações, infra-estruturas e serviços essenciais destruídos ou severamente danificados.
Desde o início deste ano, a OIM distribuiu mais de 40 mil tendas de abrigo. Entretanto, Mohamed Refaat afirma que os armazéns da organização estão completamente vazios, alertando para o risco de milhares de famílias ficarem sem qualquer tipo de assistência.
Numa declaração conjunta, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a OIM sublinham que o acesso a abrigo é um dos primeiros passos para que as famílias deslocadas possam reconstruir as suas vidas.
Porém, dos 179 milhões de dólares necessários este ano para garantir assistência em matéria de abrigo, apenas um terço foi disponibilizado, segundo Abubakarr Jalloh, representante adjunto do ACNUR no Sudão.
O responsável alerta ainda que três em cada quatro pessoas deslocadas internamente são mulheres e crianças, grupo particularmente vulnerável às consequências da guerra e das dificuldades económicas.
A situação é agravada pelas condições climáticas associadas ao fenómeno El Niño, que provocaram níveis de precipitação significativamente abaixo da média em várias regiões do país. A escassez de chuvas afectou a produção agrícola em Darfur, Kordofan e noutras zonas já devastadas pelo conflito.
Apesar de os preços dos alimentos normalmente baixarem após a época das colheitas, estes continuam elevados, aumentando a pressão sobre as famílias que perderam praticamente todos os seus bens.
As agências humanitárias alertam que menos de metade dos 2,9 mil milhões de dólares necessários para financiar o plano geral de assistência humanitária ao Sudão foi até agora angariada.