O Presidente da República, Daniel Chapo, considerou que a presença de Moçambique no XII Fórum de Alto Nível de Tana sobre Segurança permitiu partilhar a experiência nacional e conhecer os desafios enfrentados pelos demais países africanos, defendendo que o consenso alcançado entre os líderes deve traduzir-se num maior reforço da unidade e coesão do continente.
Falando sábado, em Adis Abeba, capital etíope, em conferência de imprensa de balanço da sua participação no evento, que
decorre em Bahir Dar, sob o tema geral “Caminhos para a Paz em África: Soberania Económica e Transformação Geopolítica”, o Chefe do Estado afirmou que a paz e a segurança constituem condições fundamentais para o desenvolvimento dos países africanos, sublinhando que a paz não se constrói apenas com o fim dos conflitos, mas também com a capacidade de responder às aspirações dos povos e criar oportunidades.
Durante a sua intervenção no painel de alto nível “Das Margens ao Centro: Construindo um Modelo Africano de Paz e Soberania numa Era de Rivalidades Geopolíticas”, o estadista moçambicano partilhou a experiência de Moçambique na condução do Diálogo Nacional Inclusivo, que classificou como uma iniciativa “genuinamente moçambicana”, aberta à participação das diferentes forças vivas da sociedade e orientada para a construção de consensos.
O Presidente da República defendeu, neste contexto, que as diferenças políticas e sociais devem ser encaradas como um activo democrático e não como factor de divisão, advertindo que “isto não pode levar os moçambicanos à violência, não pode levar os moçambicanos ao ódio”, mas deve contribuir para a construção da paz, harmonia e entendimento entre os cidadãos.
No plano económico, defendeu uma transformação baseada na diversificação da economia e na valorização dos recursos naturais, apontando a Lei de Minas, a Lei de Petróleos, a Lei de Conteúdo Local e a criação do Banco de Desenvolvimento como alicerces para a independência económica do país.
O Chefe do Estado abordou igualmente a situação de segurança em Cabo Delgado, referindo os esforços em curso no combate ao terrorismo e observando que, apesar dos ataques esporádicos em algumas aldeias, não existe actualmente nenhuma vila-sede da província sob ocupação terrorista. Apontou, entretanto, a assistência humanitária às populações deslocadas como um dos principais desafios.
À margem do Fórum, o Presidente da República manteve encontros com o Presidente do Gana, John Dramani Mahama, e o Primeiro Ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali. Com o Chefe do Estado ganês, disse ter abordado a experiência daquele país na exploração de recursos minerais, particularmente o ouro, que Moçambique procura aproveitar no processo de implementação da sua nova legislação mineira.
Daniel Chapo defendeu ainda uma maior participação de África nas decisões que determinam o seu destino, incluindo através da reforma das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, considerando que o continente deve ter um assento permanente com direito a veto. Sublinhou igualmente a necessidade de uma responsabilidade colectiva dos africanos na defesa da paz, apelando ao combate à violência, ao ódio, à desinformação, à mentira e ao boato.
No balanço final, o Presidente da República destacou também o primeiro voo que deverá ligar Adis Abeba a Nacala, previsto para 27 de Outubro, considerando-o importante para dinamizar o comércio, as relações económicas e o turismo na região norte de
Moçambique. Concluiu defendendo que os países africanos devem permanecer cada vez mais unidos, coesos, para enfrentar os desafios geopolíticos e estratégicos que se colocam ao continente.
“Quero, mais uma vez, dizer que valeu a pena a nossa presença aqui. Transmitimos a nossa experiência, ouvimos também o desafio que os outros países do continente africano têm e achamos que o consenso que chegámos, como líderes africanos, é que temos que ficar cada vez mais unidos, coesos, pois com a união podemos realmente enfrentar os grandes desafios geopolíticos estratégicos que existem no mundo e que a África unida possa continuar a desenvolver.