O mercado internacional de petróleo voltou a entrar numa fase de forte instabilidade. O barril de Brent, referência para grande parte do mercado mundial, chegou a ultrapassar os 105 dólares esta quinta-feira, depois de uma subida superior a 5%, num contexto marcado pelo agravamento das tensões no Médio Oriente e por preocupações com o transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz.
O aumento ocorre numa altura em que os ataques contra navios no Golfo e nas proximidades do Estreito de Ormuz atingiram os níveis mais elevados desde o início do conflito. A rota é estratégica para o mercado energético mundial, uma vez que por ela passa uma parcela significativa do petróleo e dos combustíveis comercializados internacionalmente.
A redução do movimento de navios na região está a aumentar os custos de transporte e a alimentar receios de que a oferta de petróleo e derivados possa voltar a ser afectada. Para os mercados, não basta saber quanto petróleo existe. É igualmente importante saber se esse petróleo consegue chegar às refinarias e aos consumidores.
A situação é agravada por outro factor. Nos Estados Unidos, o furacão Isaias obrigou empresas petrolíferas a interromper parte da produção no Golfo do México. Segundo dados citados pela Reuters, cerca de 25% da produção petrolífera da região encontrava-se temporariamente suspensa devido à tempestade. Empresas como Shell e Chevron reduziram operações offshore.
A subida do petróleo surge poucos dias depois de os países do G7 e a Agência Internacional de Energia terem avançado com planos para libertar reservas estratégicas de petróleo e produtos refinados, numa tentativa de aumentar a oferta e aliviar a pressão sobre os preços. A prioridade inclui o diesel, cujo abastecimento se tornou particularmente apertado em vários mercados.
A França, por exemplo, anunciou a libertação de 10 milhões de barris de diesel das suas reservas estratégicas. A medida pretende aumentar a oferta durante cerca de três meses e reduzir a pressão sobre os preços do combustível.
Apesar destas medidas, o mercado continua vulnerável. A Agência Internacional de Energia prepara uma operação coordenada de grandes dimensões, mas os investidores continuam preocupados com a possibilidade de novos ataques e de interrupções no transporte marítimo.
A subida do petróleo representa uma ameaça que vai muito além do sector energético. Combustíveis mais caros aumentam os custos dos transportes, da agricultura, da indústria e da logística. As empresas tendem a transferir parte desses custos para os preços finais, aumentando a pressão sobre a inflação.
Para países importadores de combustíveis, o impacto pode ser ainda maior. Uma subida prolongada do petróleo pode aumentar a factura de importação, pressionar as reservas de moeda estrangeira e dificultar os esforços dos governos para manter os preços dos combustíveis sob controlo.