Entrar na cidade da Beira e no Porto tornou-se um suplício diário. Os últimos 20 quilómetros da Estrada Nacional Número 6 (N6), principal corredor logístico do país, registam um congestionamento crónico de camiões pesados que chegam e saem do Porto da Beira.
Para resolver o problema, o Governo lançou, em Novembro do ano passado, a primeira pedra para a construção de uma estrada alternativa de 25 quilómetros, com início no bairro da Cerâmica e ligação directa ao Porto, desviando todo o tráfego pesado do centro da cidade. A obra foi inicialmente projectada para terminar em Abril do próximo ano.
Onze meses depois do lançamento, as máquinas ainda não entraram no terreno.
Em entrevista hoje ao nosso jornal, o vereador para a área de Infra-estruturas do Conselho Municipal da Beira, Getúlio Manhique, explicou as razões do atraso.
Segundo o autarca, o processo ainda se encontra na fase de mobilização e, sobretudo, de responsabilidade social.
“Neste momento, ainda decorrem os processos de mobilização. Ainda na semana passada fizemos a apresentação do plano de acção de reassentamento, que já iniciou a sua implementação. É um processo que tivemos de acautelar exactamente pelas questões sociais encontradas no traçado da via”, afirmou Manhique.
Em causa estão as famílias que vivem ao longo do traçado de 25 quilómetros. O levantamento feito por uma equipa de consultoria contratada identificou residências que terão de ser demolidas, machambas e vários negócios implantados.
“Temos as compensações, visto que no traçado temos lá algumas residências, temos machambas, temos implantados alguns negócios. Houve cautela em fazer-se esse levantamento todo até chegar a esse plano de acção de reassentamento”, justificou o vereador.
Quanto ao financiamento das compensações, Getúlio Manhique garante que o dinheiro já está assegurado.
“O financiador garante que já existe o valor. Estamos a falar de perto de 155 milhões de Meticais numa primeira fase, aquilo que foi aprovado de acordo com a nossa apresentação do plano”, disse, confirmando que o montante é disponibilizado pelo Banco Mundial.
Só depois de concluído o pagamento das compensações é que as obras físicas da nova estrada irão arrancar. A autarquia diz que a cautela visa evitar conflitos com as comunidades.
Enquanto isso, transportadores e automobilistas continuam a perder horas nos 20 quilómetros finais da N6, aguardando que a alternativa Cerâmica-Porto saia efectivamente do papel.
A estrada está orçada em cerca de 830 milhões de Meticais, valor garantido pelo Banco Mundial.