Seis pacientes foram transferidos, no domingo, do Hospital Provincial de Xai-Xai, para HCM, após denunciarem esquemas de corrupção para a facilitação do seu atendimento, acto que culminou na detenção de três funcionários de um total de cinco por alegadas cobranças ilícitas. Os valores alegadamente cobrados variam entre 30 a 50 mil meticais.
Os três profissionais foram detidos em flagrante delito, alegadamente a receber 30 mil meticais para viabilizar o atendimento de um paciente que aguardava há mais de um mês.
Entre os detidos estão um técnico de laboratório, um anestesiologista e um agente de serviços, que se encontram encarcerados na Segunda Esquadra, na Cidade de Xai-Xai. Outros dois profissionais, um médico e um técnico de radiologia, também estão implicados no processo, mas poderão responder em liberdade por não terem sido encontrados em flagrante delito.
O porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Gaza, Júlio Nhamussua, disse que as detenções resultaram de um trabalho policial desencadeado após denúncias de cidadãos que procuram serviços naquela unidade sanitária.
“Esses foram encontrados em flagrante delito, mediante um trabalho que foi feito pela Polícia após as denúncias populares de cidadãos que vão àquele hospital à procura de certos serviços”, explicou Nhamussua.
Segundo o porta-voz, os três profissionais são acusados de efectuar cobranças ilícitas a pacientes e seus familiares para permitir o acesso a determinados tratamentos.
“Todo aquele que faz cobranças ilícitas é convidado a responder em sede de tribunal”, afirmou Júlio Nhamussua.
Um dos indiciados pediu desculpas à família e às demais pessoas envolvidas, mostrando-se arrependido e prometendo não voltar a repetir o comportamento.
“Vou pedir perdão à minha família e aos demais. Estou muito arrependido e nunca mais voltará a acontecer”, declarou.
Outro indiciado apelou aos colegas para que se mantenham afastados de práticas ilícitas, reconhecendo que as dificuldades salariais não justificam tais actos.
“Fiquem longe, porque é muito ilícito, não é muito bom. O salário nunca foi o suficiente, mas não é ao acaso”, disse.
“O País” sabe que, nesta alegada rede de cobranças, os valores exigidos aos pacientes poderiam chegar aos 50 mil meticais por atendimento. A alegada prática envolve pelo menos quatro sectores do Hospital Provincial de Xai-Xai.
Fontes ligadas ao processo avançam que novas denúncias continuam a chegar e que as investigações prosseguem. O número de detidos poderá aumentar nos próximos dias.