Os 34 anos do Acordo Geral de Paz dividem opiniões entre os partidos políticos. A FRELIMO considera Moçambique um exemplo internacional na prevenção e consolidação da paz, enquanto MDM e ANAMOLA apontam conflitos, pobreza, perseguições e corrupção como factores que continuam a fragilizar a paz no país.
A Frelimo considera que país tem uma experiência de diálogo e construção da paz que pode servir de exemplo para outros países.
A posição foi defendida por Félix Sílvia, que destacou a experiência moçambicana partilhada ao nível das Nações Unidas e os progressos alcançados ao longo dos 34 anos do Acordo Geral de Paz.
“Moçambique é um exemplo de diálogo. Essas experiências foram até partilhadas a nível da Assembleia das Nações Unidas”, afirmou Félix Sílvio, defendendo que o país tem “muito a mostrar ao mundo” sobre como cultivar, preservar e consolidar a paz.
O político apelou aos moçambicanos para que preservem a paz alcançada através do diálogo e apontou o diálogo nacional inclusivo como uma plataforma para a participação dos cidadãos na construção de um país mais próspero e pacífico.
“Que os moçambicanos não se voltem uns contra os outros. Temos que cultivar e preservar esta paz que foi alcançada na base do diálogo”, defendeu.
Mas a avaliação não é partilhada por outros partidos.
O MDM considera que a paz permanece fragilizada, apontando a persistência de conflitos armados, a pobreza e casos de corrupção como factores que condicionam a estabilidade no país.
Agnaldo Navalha, representante do partido, recorda os episódios de hostilidade registados na região Centro e aponta a situação de Cabo Delgado, as dívidas ocultas e alegados desvios no INSS entre os problemas que, na sua avaliação, continuam a “beliscar” a paz.
“Temos uma paz beliscada. Em 34 anos tivemos vários pontos intermédios de hostilidades na zona Centro. Temos hoje a questão de Cabo Delgado, temos a questão das dívidas ocultas, temos a questão dos desvios do INSS, temos a questão da pobreza e essas coisas todas minam a paz”, afirmou.
O MDM defende, por isso, que o diálogo e a reconciliação devem envolver os diferentes actores políticos, à semelhança do entendimento alcançado em 1992.
Já a ANAMOLA questiona a abrangência da paz no país e denuncia alegadas perseguições políticas e limitações à liberdade de expressão.
Miquéias, representante do partido, afirma que a paz não beneficia de igual forma todos os sectores da sociedade e denuncia o alegado sequestro e morte de 57 membros da formação política.
“A paz só está servida para um grupo de moçambicanos, não serve para todos os estratos sociais”, afirmou, acrescentando que “não há liberdade de expressão” e que quem pensa de forma diferente é perseguido.
As diferentes posições surgem no momento em que o país assinala os 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz, celebrado a 4 de Outubro de 1992, que pôs fim à guerra civil.